Índice de Capítulo

    Foi preciso uma semana para concluir os preparativos do plano de Raishi. A ideia era fazer o Império sair da zona de conforto e, para isso, criariam falsas distrações enquanto ganhavam apoio público. A Emota ficou responsável por inspirar as pessoas e por mostrar ao Império que ainda estavam na luta e que não pretendiam perder. Para tal, a Emota foi para a grande cidade de Tavasz, onde daria início ao plano.

    Caminhavam por uma grande praça pública, à luz do dia, como há muito não faziam. Não eram reconhecidos pelas pessoas, o que facilitava muito a locomoção.

    — Finalmente não precisamos mais nos esconder do império! Fazia tempo que não podíamos andar assim. Claro que ainda chamamos atenção, mas agora é necessário, mesmo sendo muito perigoso para nós. — disse Elarion, caminhando tranquilamente pela cidade. — Pensando bem, agora que somos da Ordem, não deveríamos estar em uma missão como essa. Estamos nos arriscando muito. Por que temos que fazer isso? Seria melhor deixar esse trabalho para os outros rebeldes.

    — Pare de reclamar, Elarion. — Tenebris o repreendeu. — Não somos da Ordem como você pensa. Só faremos parte dela até o término da guerra. E por que você acha ruim sair em missões? O dever da Emota sempre foi inspirar o povo, e agora que vamos fazer isso você se queixa? Não seja arrogante. Já basta o que você fez.

    Tenebris sabia bem qual era o objetivo e, para isso, precisava de cooperação. Ele então começou a observar a cidade, atrás de um ponto ideal para discursar.

    — Chamar a atenção do Império não será nada difícil. Somos procurados por todo o continente, então só será questão de minutos até nos reconhecerem.

    — Se é tão perigoso assim, não deveríamos ter uma escolta? Poderíamos ter pedido para alguém nos acompanhar em vez de termos vindo sozinhos. Eu estou preocupada por estarmos em território inimigo. — manifestou Ryn.

    Mesmo sendo cinco, eles conheciam seus limites em combate. Sempre lembrava do ataque frustrado ao Palácio Imperial quando sentia que poderia lutar outra vez.

    — Eu sei que isso parece nostálgico, mas não é como antes. Somos considerados uma ameaça e estamos prestes a piorar esse status. Nossas estratégias e treinos não foram feitos com esse objetivo em mente. Não quero que nada de ruim aconteça com o nosso grupo. Até agora estávamos indo bem, mas esta é a nossa primeira missão de guerra. Por favor, vamos ter o máximo de cuidado.

    — Não vai acontecer nada conosco. — disse Raya, sorrindo. — Não precisa ficar preocupada, Ryn. Você sabe que sempre conseguimos dar um jeitinho de resolver as coisas. Desta vez, nós precisamos mesmo entrar em confusão para o plano funcionar.

    Ela estava contente em fazer parte daquele plano. A ideia de combater o Império inicialmente, anos atrás, foi da própria Raya, e foi graças a isso o grupo se formou. Estar ao lado deles naquele momento a deixava feliz.

    — Vamos dar o nosso melhor! Já estava cansada de apenas observar a Ordem durante as missões. Chegou a nossa vez de fazer algo. Nossa missão é a mais importante, já que todo o plano depende de nós.

    — Fiquem de olhos abertos para emboscadas ou movimentações suspeitas dos guardas. Temos que chamar atenção, mas se fizermos isso antes de inspirarmos o povo, nossa missão não terá adiantado nada. Nosso papel é crucial no plano do Coelho. Falhar não é uma opção. — alertou Capuz, o mais atento do grupo, de olho em tudo e em todos. — Já fizemos isso antes, então vamos conseguir sem problemas. Só não gosto do fato de nos expormos em território inimigo. Estamos praticamente implorando para sermos capturados e executados. Esse é o problema.

    — Não se preocupem tanto. — Tenebris sorriu. Tinha encontrado o local ideal para discursar e já caminhava até lá. — É só mais um trabalho, e é claro que vai funcionar. Não é tão difícil assim conseguir a atenção do Império.

    Os outros o seguiram enquanto verificavam a movimentação do povo e a presença de guardas nas proximidades. Tenebris parecia não se importar com isso.

    — Este local é perfeito! — anunciou Tenebris, no centro da praça. — Vamos começar a preparar tudo. Eu sei exatamente como chamar a atenção dos guardas e do povo ao mesmo tempo. Hora de mostrar a eles que o nosso fracasso naquela noite teve consequências. Consequências que deram início a esta guerra.

    — Tem certeza? Há várias rotas que se encontram aqui. Se os guardas nos cercarem, será o nosso fim. Vamos torcer para que isso dê certo. Se não, teremos metade da cidade atrás de nós. Espero que você consiga colocar essas pessoas contra o Império, Tenebris, ou teremos sérios problemas. — Elarion observava os arredores com preocupação. Mas, ao ver o ânimo do companheiro, deu um suspiro longo e deu de ombros. — Mas, se é isso que você quer…

    Ele desistiu de contrariar e apenas concordou com Tenebris. Todos começaram a ajudar na montagem do palco improvisado, ainda sem chamar muita atenção.

    Enquanto isso, num hospital de grande porte, um homem estava no banheiro de um quarto tirando várias ataduras do peito. Ao fazê-lo, ele se olhou no espelho, vendo uma enorme cicatriz em formato de X. Com a mão esquerda, destruiu o espelho.

    — Desgraçados! — Haythan tocava a cicatriz. — Desgraçados! Eles vão me pagar, todos eles vão me pagar! Animais, animais! Vão pagar por terem desfigurado o meu corpo!

    Então, ele voltou a encarar seu reflexo no espelho destruído e sorriu.

    — Vocês me humilharam, me mutilaram. Agora, irei devolver esse favor! Ordem, Emota, rebeldes… não restará um deles de pé!

    — Capitão Haythan, o senhor está bem? — disse Aiko, entrando no quarto. — És mesmo um homem forte. Todos estavam perdendo as esperanças de que fosse acordar. Após a luta na ponte, o senhor ficou dias em coma e, com a gravidade dos ferimentos, os médicos disseram que era improvável que se recuperasse tão cedo.

    Apesar do diagnóstico dos médicos, ele estava aliviado por ver seu chefe de pé.

    — Infelizmente, trago más notícias. Igner desapareceu. Não se tem informações sobre ele ou sobre sua energia. É como se ele nunca tivesse existido. Ele estava liderando um cerco aos rebeldes alguns dias atrás. Soubemos que o cerco foi atacado, e seu paradeiro é desconhecido desde então. Muitos já o consideram morto.

    — Entendo… — respondeu Haythan, saindo do banheiro e caminhando na direção de seu subordinado. — Então as coisas já estão nesse nível? Eu não sinto as energias de alguns Capitães. Provavelmente eles possam estar mortos também. Impero perderá essa guerra se continuar a agir dessa maneira. Precisamos fazer com que esses seres malditos entendam que não são páreos para o nosso poder! E eu irei mostrar isso a eles pessoalmente.

    Ao ver a imensa cicatriz no peito de Haythan, Aiko se surpreendeu. Mesmo com várias cirurgias de reconstrução molecular e de energia espiritual, ela permanecia ali.

    — Eles me humilharam, Aiko. Marcaram minha pele como se marca um animal. Isso não ficará assim! — disse Haythan, com ódio na voz. — Solum… O homem que fez isso é um homem morto. Eu já me livrei de um deles. Livrar-me do resto não será um problema. Cansei de tentar dialogar com ignorantes. Agora eu os responderei na língua que eles entendem: guerra, dor e sofrimento. Eu matarei cada um deles.

    — Estou com o senhor, Capitão! — respondeu Aiko, empolgado. — Quero que eles paguem pela morte do Igner e de todos os nossos aliados. É só o senhor ordenar que eu reunirei todos os seus soldados. Vamos caçá-los até os confins do Vazio!

    Mas mesmo com a empolgação, Aiko ainda tinha notícias ruins para dar.

    — Enquanto o senhor estava em coma, eu me dei o trabalho de me manter bem informado sobre tudo o que estava acontecendo. Ao que parece, os Capitães Navaro, Keila e Andrus estão desaparecidos. Baltar e Ângelo estão mortos, e Sora está com os rebeldes. Isso significa que seis dos dezesseis Capitães já estão fora de combate.

    — Então o confronto já está tão avançado assim?! — exclamou Haythan, tocando sua cicatriz e sentindo uma leve dor no local. — Parece que está na hora de voltar à ativa. Temos que mudar isso o mais rápido possível, ou seremos vencidos por esses desordeiros. O Imperador precisa desesperadamente de reforços. Sem os Capitães, seu Império afundará cada vez mais.

    Pensar na derrota o enfurecia. Haythan fechou o punho esquerdo com força.

    — Aiko, preciso um pequeno favor. Quero que consiga minhas roupas e as mande para cá. Após isso, me espere lá fora. Já sei o que faremos.

    — Positivo, Capitão. Só devo lhe alertar que a situação está muito mais grave. — disse Aiko, preocupado. — Os rebeldes parecem estar formando alguma aliança. Isso significa que, a cada hora que passa, eles estão mais fortes. Não sei se Impero tem um plano para isso. Se tiver, está o guardando até o último momento. Nem mesmo os outros Capitães parecem estar preocupados. Isso está estranho demais.

    Haythan ficou em silêncio e desviou o olhar para a janela, pensando na noite da festa e em como poderia ter sido morto naquela ponte. Ele sorriu com ódio nos olhos, decidido a se vingar. O quão longe ele estava disposto a ir por vingança?

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota