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    Nesse momento, mesmo Niesttra tinha uma expressão complicada no rosto.

    “Você ouviu o que eu disse e mesmo assim quer comprar isso? Por quê?”

    Fernando forçou um sorriso, sem saber o que falar. Não havia como ele contar que queria usá-las para tentar abastecer sua Pedra de Mana.

    “Para alguns experimentos”, declarou, sem jeito.

    O velho Alquimista, com uma verruga no nariz, o encarou por um momento, como se não acreditasse no que estava dizendo, mas finalmente assentiu.

    “O dinheiro é seu, afinal, eu não me importo em dar um lance. Você quer que eu…” No entanto, antes que pudesse terminar, alguém o interrompeu.

    “Espere um momento”, Oliver disse, com um olhar afiado focado no jovem pálido. “Não me parece muito adequado ficar pedindo para outras pessoas fazerem lances por você quando eu estou bem aqui. Por acaso tem algo contra mim, Tenente?”

    Quando essas palavras foram ditas, um clima pesado imediatamente se instaurou. Mesmo Lerona não sabia o que dizer, já que realmente parecia algo desrespeitoso de se fazer. Se eles tinham um cartão próprio, por que pedir a um estranho? Isso dava a entender que Fernando confiava mais em pessoas aleatórias do que em seu superior.

    Niesttra, que viu isso, não parecia afetado, mas internamente achou tudo isso uma pena. Ele podia claramente dizer que o rapaz pálido tinha um talento natural para a área de pesquisa e produção, mas ainda assim, servia diretamente a uma legião.

    Quantos talentos mais ainda serão sufocados por eles? indagou-se, insatisfeito.

    Respirando fundo, Fernando pensou bem no que ia falar.

    A verdade é que ele não achava que Oliver era uma pessoa ruim, pelo menos era muito melhor que Generais como Herin, que eram mesquinhos e rasos. Mas, mesmo achando isso, ainda sentia uma leve desconfiança pelo homem, afinal, ele havia permitido que ele fosse preso mesmo possuindo provas contrárias.

    “Não, senhor, de forma alguma. Eu apenas não queria incomodá-lo…” Fernando respondeu, com um rosto calmo.

    Ouvindo isso, Oliver continuou encarando o rapaz pálido com um olhar cético. Então, num movimento repentino, esticou seu braço, entregando seu cartão prateado.

    Vendo isso, Fernando ficou surpreso.

    “Senhor, eu…”

    “Pegue. Compre o que quiser, contanto que você mesmo possa pagar. De qualquer forma, eu vim para vender, não para comprar. Isso é inútil para mim.”

    Fernando, bem como Lerona, ficaram surpresos com a atitude do Major, encarando-o em silêncio. Após um momento, o jovem Tenente assentiu.

    “Eu agradeço, senhor”, disse, pegando o cartão prateado em sua palma. Apesar de desconfiado, sentiu que dar lances por si mesmo era bem melhor que incomodar outras pessoas a todo momento.

    Oliver apenas o encarou em silêncio. Ele não havia entregado seu cartão prateado ao rapaz sem propósito ou por bondade, mas para sondá-lo. Ele queria ver até onde ele iria.

    Mesmo que soubesse que Fernando havia recebido algumas moedas de ouro como recompensa pelas modificações das Balistas Explosivas e que seu Batalhão Zero havia colocado as mãos numa quantia considerável de Cristais após a retomada de Garância, ele também ouviu falar que o jovem Tenente havia feito um recrutamento massivo de novos Soldados, com ofertas tão atraentes que mesmo aqueles de outras tropas se interessaram.

    Isso havia causado alguma confusão entre os batalhões. Como alguém que logo seria General, ele obviamente estava ciente desse tipo de coisa.

    Sendo assim, com esse gasto dispendioso na expansão e manutenção do Batalhão Zero, não deveria ser possível o rapaz ainda ter tanto dinheiro sobrando.

    Segurando o cartão prateado na sua mão esquerda, Fernando inseriu seu mana, assinalando o valor.

    Sala Compartilhada N°15, participante 1, 2 moedas de ouro.

    Assim que o lance apareceu na tela, todos no leilão ficaram surpresos.

    “O quê? Alguém realmente vai comprar esse monte de porcaria?” Um homem do auditório abaixo perguntou, olhando para o painel brilhante com surpresa em seu rosto.

    “Que idiota. Deve achar que vai conseguir lucrar algo com isso. Ele não sabe que lidar com Poções Instáveis é problemático?” Uma mulher com roupas finas falou, sua voz cheia de deboche.

    Dentro da sala, Eduardo também o olhou com olhar de ridículo.

    “Um inseto medíocre que não sabe o valor do dinheiro. Isso deveria ser usado por alguém mais capaz”, zombou. 

    Inicialmente, ele ficou cheio de inveja do rapaz, por ter tantas moedas de ouro, quando ele, um Capitão, não tinha. Mas ao vê-lo gastar em algo tão inútil, sentiu-se muito melhor.

    Ouvindo isso, Fernando apenas olhou para o sujeito na última cadeira com um leve sorriso.

    “E quem seria esse? Você? Lixos que não são capazes de ganhar seu próprio dinheiro não deveriam estar cobiçando os bens de outra pessoa.”

    “O que você disse?!” Eduardo gritou, levantando-se de sua cadeira, mas ao seu lado, Magnólia apenas o olhou casualmente.

    Ao ver isso, o sujeito travou no lugar, ele sabia que se continuasse, a mulher não o pouparia. Por mais que ele fosse um Capitão extremamente competente, sabia que havia inúmeros outros como ele que poderiam facilmente substituí-lo.

    Rangendo os dentes, o sujeito sentou-se de volta, virando o rosto e ignorando o jovem pálido.

    Vendo isso, Fernando deu de ombros e parou de se preocupar com o homem, voltando seu foco para o leilão.

    Abaixo, até mesmo Otelo, o leiloeiro, franziu o cenho ao ver que alguém havia realmente ousado dar um lance mesmo após sua explicação. Ele deliberadamente fez parecer que o estado do lote era mais grave do que realmente era, afinal, a outra parte era apenas um pobre alquimista sem qualquer apoio. Ninguém se importaria se eles o roubassem e muito menos alguém intercederia a seu favor.

    No entanto, se a pessoa da Sala Compartilhada 15 comprasse o lote, eles deixariam de ganhar algumas moedas de ouro. Mesmo que fosse um valor baixo, ainda era dinheiro fácil. Sabendo disso, Otelo Biliark enviou uma mensagem. Assim que o fez, alguém da plateia levantou sua placa.

    “2 moedas de ouro e 100 de prata!” Um homem de bigode e roupas aparentemente refinadas gritou.

    Esse era um dos empregados que secretamente trabalhava para os Biliark. Seu trabalho era fazer lances ocasionais para aumentar o sentido de urgência e demanda de todos, o que atiçava compradores reais. Mas, em alguns casos, também era usado em situações como essa, para arrematar itens que a casa de leilões não queria realmente vender.

    Alguns da plateia olharam torto para o sujeito de bigode e alguns até não puderam deixar de menosprezá-lo.

    Na verdade, o próprio homem estava nervoso com a atenção indesejada, mas seu trabalho era apenas seguir ordens.

    Fernando, que viu o novo lance cobrir o seu, ficou levemente surpreso, já que ninguém havia feito nenhuma oferta até aquele momento.

    Bem, como eu dei um lance, isso pode ter feito outros se interessarem, pensou.

    Sem hesitar, o rapaz inseriu mana no cartão prateado mais uma vez.

    Sala Compartilhada N°15, participante 1, 2 moedas de ouro e 200 de prata.

    “2 moedas de ouro e 300 de prata!” Assim que Fernando deu o lance, o sujeito de bigode imediatamente o cobriu, fazendo o rapaz franzir o cenho.

    Sala Compartilhada N°15, participante 1, 2 moedas de ouro e 400 de prata.

    “2 moedas de ouro e 500!”

    Nesse momento, vendo o sujeito sendo tão insistente, Fernando apertou as sobrancelhas com força, sentindo que havia algo de errado nisso. Ninguém queria o terceiro lote, por se tratar de ‘lixo’, mas agora alguém estava disputando tão assiduamente por ele?

    Sala Compartilhada N°15, participante 1, 2 moedas de ouro e 600 de prata.

    “2 moedas de ouro e 700!” O painel da Sala Compartilhada mal havia acendido quando o sujeito gritou novamente.

    Algumas pessoas na plateia não puderam deixar de olhar novamente para o sujeito de bigode, sem entender por que ele estava tão desesperado por um lote de Poções Instáveis como esse.

    Nesse ponto, mesmo Niesttra, Lerona e os demais começaram a achar a situação estranha.

    Fernando também tinha uma expressão fria ao perceber algo.

    Mesmo que o lugar pareça chique, um leilão do mercado negro, ainda é o mercado negro, pensou, irritado. Se a outra parte apenas estivesse dando lances por curiosidade, não seria tão agressiva dessa forma. Isso mostrava que a outra parte estava deliberadamente tentando impedi-lo de comprá-lo por algum motivo. Se é assim que querem jogar, então vamos brincar!

    Do palco, Otelo apenas observou tudo com um sorriso, mas internamente não pôde evitar amaldiçoar.

    O que esse desgraçado da Sala Compartilhada 15 pensa que está fazendo? 

    O homem estava esperando apenas um deslize dessa pessoa para declarar o seu subordinado como vencedor, mas a pessoa continuava a aumentar os lances rapidamente. Se isso continuasse, o público começaria a suspeitar.

    Nesse momento, um novo lance surgiu no painel. O sujeito de bigode e terno requintado estava prestes a erguer sua placa mais uma vez, mas sua face congelou.

    Sala Compartilhada N°15, participante 1, 5 moedas de ouro.

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