Estou revisando, refazendo e remodelando todos os capítulos iniciais de “O que eu deixei para trás?”. Então, já peço desculpas caso vocês percebam uma mudança drástica de qualidade entre os primeiros capítulos e os que virão em seguida.
Quero trazer a melhor versão possível da obra para o Volume 1 físico, que sairá em breve. Por isso, vou tentar concluir toda essa melhoria o quanto antes e peço a compreensão e paciência de vocês durante esse processo.
Muito obrigado pelo apoio de sempre. Vocês são o que me motiva a continuar escrevendo todos os dias!
Capítulo 59: Lembrou?
CAPÍTULO ANTERIOR:
No topo do templo, apenas Takua observava a partida, os dedos cerrados sobre o corrimão.
— Tomem cuidado…
Sua visão acompanhou os vultos se afastando ao longe.
— …todos vocês.

Após a investida, as quatro figuras alinharam-se lado a lado, reduzindo gradualmente a velocidade ao atravessarem as ruas de Vallheim Vestrak. O vento chicoteava suas roupas, fazendo seus mantos e cabelos dançarem no ar.
Akun aproximou-se alguns metros do mascarado, abrindo um sorriso debochado.
— E aí, Meritocíssimo Conselheiro-chefe, qual é o brilhante plano?
O homem fitou-lhe irritado por trás da máscara.
— Tsk. Já mandei parar de me chamar assim.
Estalou a língua antes de voltar-se para o horizonte, onde colunas de fumaça escura subiam aos céus.
— Vamos focar nos Sexvetr inicialmente. Tirando eles da jogada, o restante dos Jötnar ficará perdido, e os próprios conselheiros conseguirão lidar com o resto facilmente.
Akun ergueu uma sobrancelha, levou a mão ao queixo, e refletiu profundamente.
— Então dá dois pra cada um. Moleza.
Louie, correndo um pouco atras, franziu a testa.
— Quem são esses Sexvetr?
Vidar, ao seu lado, mantinha um semblante sério.
— São os Seis Reis do Inverno. Os membros mais fortes e importantes dos Jötnar atualmente.
Antes que Louie pudesse perguntar mais alguma coisa, a voz firme do Conselheiro-chefe interrompeu.
— Prestem atenção. Estamos cruzando a Íris Externa neste exato momento.
— Íris Externa? — perguntou o garoto.
Sem desviar os olhos do caminho à frente, Akun apontou para baixo com o dedo indicador.
— É tipo a região intermediária da cidade — respondeu. — Depois eu explico melhor. Estamos sem tempo para uma aula de geografia agora.
— Certo.
Por alguns segundos, ouviram apenas o assobio cortante do vento passando por seus corpos, mas, sobrepujando esse som, a voz do mascarado surgiu novamente.
— Oriundo da Morte. Se quer ajudar, não vou impedir diante da situação atual. Mas limite-se a proteger os civis. Não se envolva em nenhuma luta.
Akun tocou o peito de forma teatral.
— Ohoho, que fofo. Tá preocupadinho com ele, é?
Uma veia saltou na testa do Conselheiro-chefe.
— Ora, seu…
Vidar inclinou a cabeça.
— O quê? O senhor Eirik Kaldrún está preocupado?
A expressão do mascarado endureceu.
— Claro que não, Vidar! É óbvio que é uma piada do Akun! E eu já disse para me chamar de Conselheiro-chefe!
Akun levou a mão ao rosto e suspirou.
— O que tu tem de força, te falta em senso, Vidar.
Antes que qualquer outra discussão surgisse, a voz firme de Eirik cortou o grupo.
— Chega de conversa.
Sua atenção se fixou adiante.
Ao longe, enormes muralhas de fuligem erguiam-se pelos céus; entre elas, vultos cruzavam as nuvens.
— Estamos chegando ao Limbo Escleral.
Uma pressão pesada caiu sobre todos.
— Preparem-se.
À medida que avançavam, as construções tornavam-se irreconhecíveis. Ruas inteiras esmagadas, casas em ruínas, e rachaduras que cortavam o solo branco como cicatrizes.
Louie diminuiu o ritmo, contemplando as ruínas em silêncio.
— Isso tudo… foi feito em tão pouco tempo?
Subitamente—
BOOOOOOOOOOOM!!
A terra tremeu.
Uma onda de choque rasgou a avenida principal, arremessando poeira e destroços em todas as direções.
Louie ergueu os braços diante do rosto, protegendo os olhos.
Quando a fumaça enfim se dissipou, tornou-se possível distinguir uma pequena figura sobre os escombros.
Mas não era ela que o assustava, e sim aquele — ou aquilo — sob seus pés.
Uma colossal coruja branca dominava completamente a paisagem. Seu corpo monstruoso engolia a própria destruição sobre a qual repousava.
O garoto travou, o suor escorreu rápido de sua testa até a ponta do queixo, desprendendo-se e pingando fundo na neve.
Ploc.
O que aconteceu a seguir foi o mais macabro que ele já havia presenciado.
Afinal, a coruja voltou lentamente a cabeça em sua direção. Das profundezas de suas órbitas escuras, pupilas famintas o encararam, com o pescoço dobrado em uma meia-lua.
Restos de carne ainda pendiam de seu bico curvo, e a plumagem de sua face, antes alva, encontrava-se tingida por manchas de vermelho escarlate.
Por alguns instantes, até mesmo os Guardiões e o Conselheiro-chefe se calaram.
A pequena figura sobre suas costas curvou os lábios em um sorriso.
— Então vocês chegaram…
Louie estava completamente perdido diante daquela besta. Era como se estivesse sendo devorado apenas por encará-la.
— Mole…que… — O sussurro surgiu distante.
Sua mão tremia, e o suor escorria por sua nuca, sem que um único músculo respondesse.
— Ei… Mole…que… acor…da! — insistiu a voz.
Sua mente afundava cada vez mais naquelas íris famintas, que consumiam seu raciocínio pouco a pouco.
Até que—
— MOLEQUE!
A voz de Akun finalmente o atingiu.
Quando voltou a si, a garra da criatura já estava a poucos metros de seu rosto.
“M-merda! Não dá tempo de reag—”
KRAAAAM!
O vento explodiu ao redor, atravessando-o e agitando seus cabelos negros com mechas brancas.
À sua frente, Vidar havia interceptado as monstruosas garras da coruja. Seus pés, profundamente cravados na neve, o sustentavam diante do vendaval gerado pela pressão do impacto, que varria os restos mortais das casas que outrora existiram ali.
Mesmo diante daquela investida, o Guardião sequer recuou um centímetro. Músculos e veias saltaram por seus braços, contraindo-se como se tentassem romper a pele que os aprisionava.
Com um movimento simples, se aproveitando do impulso da ave, girou o corpo junto dela uma, duas, três vezes.
Então a lançou aos céus como um torpedo, atravessando os ares antes de abrir as enormes asas e frear abruptamente, rasgando o vento ao redor.
Louie finalmente conseguiu soltar o ar entalado nos pulmões.
“Por que eu fiquei assim só por ter olhado para aquela coisa?!”
De repente, algo chamou a atenção do Conselheiro-chefe a alguns metros adiante. Aquele que antes montava a coruja havia desaparecido. Entendendo a situação, virou-se imediatamente para o garoto.
— Atrás!
Ali estava a pequena figura que antes residia nas costas da ave. Porém, de pequeno só tinha o contraste com sua montaria, pois, com mais de três metros de altura, sua presença fazia Louie parecer insignificante.
Seu punho despencava do alto como um cometa, rasgando o ar apenas pela força bruta.
No instante em que o golpe estava prestes a atingi-lo, uma ínfima palma surgiu diante dele, detendo-o por completo.
— Sabe, acho que vocês estão nos subestimando.
Era a mão esquerda de Akun, firme, impedindo o avanço do gigante. Já a direita, repousava sobre o próprio peito.
— Bom, deixando isso de lado, ao invés de atacar quem é menor que você, por que não enfrenta alguém do seu tamanho?
De um momento para o outro, uma névoa ciana explodiu ao seu redor, engolindo tudo à vista. Apenas alguns segundos depois, dissipou-se, revelando Akun agora com o mesmo tamanho do gigante.
Suas roupas encontravam-se parcialmente rasgadas, incapazes de suportar o crescimento anormal de seu corpo.
“Q-que…? Como ele ficou tão grande assim?!”
Louie finalmente recuperou os sentidos e, tomado pela surpresa, afastou-se dos dois com um salto veloz.
Um sorriso torto se revelou no homem.
— Como anda, Akun? Sentiu saudades de mim?
O Guardião inclinou a cabeça, o deboche estampado em sua face.
— O vareta de cutucar nuvens, eu te conheço?
Por um breve piscar de olhos, um estranho silêncio se infiltrou entre os dois.
Mas logo foi quebrado pelo homem, que se contorceu em fúria, com as veias saltando na testa.
— Desgraçado!
Inesperadamente, o punho do gigante avançou contra Akun, que rapidamente ergueu o braço e o interceptou.
O impacto fez o solo ceder sob seus pés.
Uma fissura serpenteou pela neve enquanto seu corpo era empurrado para trás, as botas deixando um rastro até enfim parar.
— Ué, o senhor poste ficou irritadinho? — a voz soava sarcástica.
O grandalhão ficou imóvel. A expressão se acalmou e, repentinamente, se transformou em uma gargalhada cruel.
— Maldito… não. Na verdade, não tem problema.
Seu tom carregava uma satisfação perturbadora.
— Vai se lembrar de mim rapidinho.
Sem hesitar, cravou a própria mão no peito.
SCHLK!
Os longos dedos desapareceram na carne como se atravessassem lama. Do ferimento, um líquido espesso e acastanhado escorreu como barro líquido. Um sutil prenúncio do que, no estalo seguinte, se deformaria de forma grotesca.
Crack!
— UGH! — gemeu o Jötnar.
A espinha se projetou de dentro do corpo, perfurando o topo do crânio em busca de saída.
Crack!
— ARRK! — grunhiu ainda mais alto.
Os ossos do braço se alongaram e engrossaram, rasgando a carne e a pele que os envolviam.
CRAAACK!
— AHHHHHHH! — por fim, soltou um grito estridente, a dor escancarada no timbre.
Sua caixa torácica se abriu em expansão forçada, esmagando órgãos internos até que o coração ficasse parcialmente exposto entre fendas de osso.
Sobre essa nova estrutura, músculos começaram a se conectar de forma pegajosa, sob uma chuva de sangue explodia ao redor, manchando a neve branca com um rubro viscoso.
A pele, por sua vez, se remodelou rapidamente, endurecendo até adquirir a aparência áspera de terra compactada, marcada por profundas rachaduras que pulsavam em feridas mal cicatrizadas, revelando o interior em colapso.
A coluna se curvou sob o peso do corpo pedregoso, que continuava a crescer até ultrapassar os seis metros.
Em poucos segundos, qualquer humanidade que um dia existira naquele ser desapareceu por completo.
Em seu lugar, erguia-se um colosso de proporções conturbadas, moldado diretamente da terra, uma falha ambulante. Sua carapaça maciça era tão imperfeita que profundas fissuras expunham suas entranhas.
A criatura desdobrou o tronco para a frente.
O peso de seu movimento fez o solo estremecer, e sua respiração pesada varreu a neve ao seu entorno.
Então, um som muito mais grave e tenebroso ecoou pelo campo de batalha.
— E agora…
O brutamonte encarou Akun.
— Lembrou?
(Místico, baseado na fé em Mökkurkálfi, o Colosso Artificial)
Ao invocar o poder de Mökkurkálfi, o lendário colosso artificial criado pelos Jötnar, o usuário transforma seu corpo em um gigante de cerca de seis metros, com pele de barro endurecido, aumentando drasticamente sua força, resistência e massa. Também pode manipular barro, terra e outros materiais minerais, além de criar pequenos gigantes desses materiais (cerca de dois metros) a partir de sua pele ou do ambiente para lutar sob seu comando. Os criados de sua pele consomem parte de sua massa, reduzindo temporariamente seu tamanho, força e resistência; já os criados do ambiente podem ser absorvidos para aumentar temporariamente seu tamanho, força, resistência e regeneração.
O sarcasmo do Guardião desapareceu.
Pela primeira vez desde que chegara ali, seus olhos vacilaram de verdade.
Por um único instante, o presente desapareceu. Contra sua vontade, sua mente foi arrastada para um fato do passado que jamais conseguiu transformar em mentira.
Frente a ele, um homem loiro acariciava sua cabeça. Em seu rosto, hoje deformado pelas falhas da lembrança, apenas um sorriso permanecia nítido.
Era apenas um momento alegre.
Até que, em um único piscar de olhos, tornou-se o maior inferno de toda a sua vida.
Suas pupilas voltaram a refletir um cenário que desejava esquecer.
Mas, por algum motivo…
Tudo ainda era vívido demais.
O cheiro metálico de sangue invadia suas narinas. Os sentidos, anestesiados pela dor excruciante. Um zumbido agoniante em seus tímpanos. E sua visão, embora turva, insistia em mostrar muito mais do que ele gostaria de enxergar.
À sua frente, o mesmo homem que antes lhe fazia carinho agora se encontrava de joelhos, completamente ensanguentado.
Ao lado dele, duas mãos monstruosas e grotescas seguravam seus braços. Puxando-os, lentamente, para lados opostos.
Sua pele se rasgava.
Seus tendões arrebentavam.
Mas, mesmo em meio a toda a dor, o loiro ergueu o rosto e abriu um sorriso.
Seu olhar cravou-se em Akun, enquanto seus lábios se moviam uma última vez, sussurrando algo que ele jamais conseguiu esquecer.
Assim— A lembrança foi despedaçada.
E tudo o que havia diante de seus olhos, agora, era o campo de batalha.
— É… infelizmente lembrei, sim. — Sua expressão permanecia amarga, algo incomum vindo do Guardião. — Deixa eu ver se ainda lembro do seu nome…
— Lei—
O gigante tentou responder, mas a voz venenosa de Akun — já de volta à sua estatura normal — o interrompeu.
— Skítgrim, certo? — perguntou, levando a mão ao pescoço.
O grandalhão estalou a língua.
— É Leirgrim, filho da puta. — Os dentes rangeram de irritação.
Akun alongou os braços acima da cabeça e soltou um breve bocejo.
— Conselheiro. Vidar. Moleque.
Os três voltaram a atenção para ele.
— Sigam em frente. Tenho umas contas para acertar com esse daí.
— Oh… tem certeza que vai me enfrentar sozinho? Vai acabar igualzinho a ele… — provocou o gigante.
Akun sequer pareceu dar importância, desviando o rosto e o ignorando por completo.
No mesmo instante, a expressão do grotesco avermelhou.
— Eu estou falando com você, desgraçado!
Louie deu um passo à frente.
— Akun…
Eirik sequer tirou os olhos de Leirgrim.
— Certo.
Louie virou-se para ele, incrédulo.
— O quê?! Vocês vão deixar ele aqui sozinho contra esse cara e aquela coruja gigante? Isso é impens—
— Se toca, garoto. — A resposta veio seca. — Por mais que eu odeie admitir, ele não vai perder.
Vidar cruzou os braços, deixando escapar uma risada.
— Já esqueceu do que aconteceu na nave? Mesmo enferrujado, Akun é forte. Pode confiar nele.
— Confiar… nele? — Sussurou, vendo o loiro.
Eirik soltou um suspiro abafado.
— Olha só… aprendeu a falar, Vidar?
— Ué… mas eu sempre soube.
— Eu não estava falando literalmente… Ah, esquece. Vamos. Quanto mais demorarmos, maior vai ser o estrago.
Louie continuou imóvel.
Por mais que tentasse acreditar neles, o aperto em seu peito só aumentava.
Quando tornou a olhar para Akun, os dois trocaram um breve olhar.
— Relaxa, moleque. — Um sorriso discreto surgiu em seu rosto. — É melhor se preocupar contigo, e não comigo.
Louie respirou fundo.
— Certo.
Respirou fundo, virou-se e alcançou os outros dois.
“Por que estou tão preocupado com alguém que conheço há apenas algumas horas? Isso sequer faz sentido?”
Fechou as pálpebras.
“Não. Não é nisso que tenho que pensar agora. Só… espero que você fique bem, Akun.
No instante seguinte, os três partiram ao mesmo tempo, desaparecendo entre as ruínas.
Restaram apenas Akun, Leirgrim e a monstruosa coruja pálida, que circulava silenciosamente pelos céus.

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CURIOSIDADE 21:
Vallheim Vestrak, a segunda maior cidade Kaelum independente do mundo, possui aproximadamente 9 mil quilômetros quadrados de extensão, desconsiderando os pequenos blocos flutuantes interligados à estrutura principal.
Vista de cima, sua forma lembra um olho humano, com cerca de 69 km de largura e aproximadamente 165 km de comprimento, sendo considerada um dos maiores mistérios arquitetônicos flutuantes do mundo.
Suas regiões são organizadas em anéis concêntricos, nomeados simbolicamente como partes de um olho, uma de suas características mais marcantes.
1º anel / Região interna: Pupila
2º anel / Região interna: Íris interna
3º anel / Região intermediária: Íris externa
4º anel / Região intermediária: Limbo escleral
5º anel / Região pseudo externa: Esclera
6º anel / Região pseudo externa: Pálpebra
7º anel / Muralha externa circundante: Muralha de Hliðskjálf
Já sua orientação espacial (direção) é baseada nos Nove Reinos:
- Norte: Asgard
- Noroeste: Svartalfheim
- Leste: Alfheim
- Sudeste: Midgard
- Sul: Jotunheim
- Sudoeste: Muspelheim
- Oeste: Niflheim
- Nordeste: Vanaheim
- Subterrâneo: Helheim
MAPA:

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CURIOSIDADE 22:
Diferente da maioria dos gigantes, Mökkurkálfi foi criado e moldado pelos Jötnar a partir de barro e magia, com o único propósito de servir como uma arma contra os deuses. No entanto, sua criação foi um fracasso. Apesar de seu tamanho colossal, era desprovido de coragem e possuía diversos burscos e rachaduras em sua carapaça, tornando-o um erro ambulante e um covarde aos olhos dos Jötnar.
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Decifrando palavras ou conceitos:
Segundo a mitologia nórdica, Hliðskjálf é o lendário trono de Odin, localizado em Asgard.
No caso de Vallheim Vestrak, a muralha Hliðskjálf (7º Anel), nomeada em homenagem ao trono de Odin, é uma gigantesca estrutura de gelo negro, com aproximadamente 40 metros de altura, que contorna toda a cidade flutuante.



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