Índice de Capítulo

    A pressão sobre seus corpos era suavizada à medida que suas energias se elevavam. Aos poucos, a Emota assumiu uma formação defensiva enquanto os tenentes começavam a caminhar lentamente para a direita, rodeando-os.

    O vento não soprava, os pássaros não cantavam. Era como se a natureza estivesse com medo. A pressão no ar faria os ossos de uma pessoa normal se partirem. Mesmo assim, os cinco mantinham suas posições. Era como ver um grupo de hienas rodeando sua presa enquanto buscava uma oportunidade para atacar.

    Tenebris respirou fundo, juntando todo o ar que conseguia em seu peito e, contrariando todas as expectativas, foi o primeiro a se mover, saltando contra Darpan.

    Com o primeiro passo do inimigo, os quatorze tenentes avançaram contra o grupo. Capuz balançou sua espada e avançou para bloquear os ataques. Seis tenentes se juntaram contra ele e o atacaram de todos os lados. Raya e Ryn tentavam elaborar um plano. Porém, seis tenentes surgiram, prestes a golpeá-las fatalmente. Elarion se colocou à frente delas e abriu os braços, ativando sua Manifestação. Num piscar de olhos, os seis tenentes estavam em suas posições iniciais.

    Enquanto isso, Tenebris, o primeiro a agir, não teve sorte. Darpan o segurava pelo pescoço, acima do chão, enquanto os dois tenentes restantes avançavam para perfurar suas costas. Raya, ao vê-lo em perigo, correu desesperada em sua direção.

    — Não, Raya! — gritou Ryn.

    Antes de Raya prosseguir, uma tenente de cabelos rosa e olhos castanhos surgiu na sua frente, acertando-a com uma joelhada que a arremessou para trás.

    Capuz as observou de relance enquanto os seis o pressionavam no mesmo lugar. Em um ato desesperado, ele segurou sua Relíquia com uma só mão e, com a outra, lançou um buraco negro no chão. Os tenentes recuaram de imediato. Ele aproveitou a oportunidade e pulou na direção de Raya para agarrá-la no ar, mas um dos tenentes saltou atrás dele e o golpeou pelas costas, lançando-o contra a garota. Os dois se chocaram violentamente no ar e caíram sobre o veículo.

    Tenebris, mesmo com dificuldades, criou um portal nas suas costas bem no momento em que seria golpeado. Outro portal se abriu atrás de Darpan. A lança e a espada dos outros tenentes surgiram atrás dele, prestes a perfurá-lo.

    O homem sorriu, o soltou e saltou para longe. Tenebris abriu um terceiro portal, dessa vez embaixo de si mesmo, e caiu nele, ressurgindo onde Raya e Capuz haviam caído. Ele verificou o estado dela enquanto Capuz cuspiu um pouco de sangue e se levantou. Ryn pretendia dar cobertura com sua Manifestação, mas, quando levou sua flauta até a boca e estava prestes a tocá-la, vários tiros de energia a acertaram em cheio. Ela parou subitamente e caiu de joelhos.

    Elarion se virou para ver se ela estava bem, quando mais disparos foram efetuados. Ele se virou rapidamente, estendeu o braço e fez as balas sumirem. Mas, para sua surpresa, um tenente saiu da sua sombra, acertando um soco em seu queixo que o lançou para trás. Elarion atingiu e amassou a porta traseira do veículo.

    Tenebris ajudou Raya a se levantar enquanto observava todos os inimigos ao redor sem um único arranhão. Ele respirou fundo e encarou Darpan seriamente. Ele estava prestes a avançar contra o tenente, mas Capuz tocou em seu ombro esquerdo.

    — Não vá. Você está na mira dos outros tenentes. Se tivesse atacado, seria morto antes mesmo de alcançar o inimigo. — ele olhou para Ryn e Elarion. — Tentarei ganhar tempo para o Tenebris abrir um portal e nos tirar daqui.

    Capuz passou a mão esquerda e pela lâmina de sua Relíquia, sujando-a com seu sangue. Ao final, ele rapidamente abriu o punho, jogou seu sangue na direção dos tenentes e sorriu. As gotas brilharam e se tornaram inúmeros buracos negros.

    — Agora, Tenebris! — Capuz avançou.

    Os inimigos se esquivavam dos buracos negros e vinham em sua direção. Capuz manteve o sorriso enquanto o sangue em sua lâmina começava a brilhar. Ele então golpeou o ar na direção dos inimigos, lançando mais buracos negros que, ao colidirem, liberaram uma quantidade monstruosa de energia e ficaram ainda maiores.

    Impressionado, Darpan ordenou para seus subordinados recuaram, mas já era tarde. Todos os tenentes na área do ataque eram puxados para buracos negros diferentes. Os tenentes que não foram afetados avançaram contra Ryn e Elarion. Um portal surgiu na frente deles, e de dentro dele saiu Capuz. Com um corte de baixo para cima, rasgou o peito de um dos tenentes e o lançou para trás.

    Os outros pararam imediatamente quando viram um dos seus companheiros cair ferido. Capuz balançou a espada para longe do corpo, jogando o sangue nela no chão, e encarou os inimigos nos olhos.

    Era a oportunidade que Capuz dava para o grupo escapar. Tenebris notou que os buracos negros perdiam força e que em breve os tenentes conseguiriam escapar. Tenebris abriu portais perto de Ryn e Elarion e os puxou para onde ele e Raya estavam. Ele olhou para Capuz, mas sabia que, se tentasse levá-lo, o grupo não teria chance de escapar. Então, ele levantou o braço direito e abriu um portal na sua frente.

    — Raya, por favor leve a Ryn com você. — pediu Tenebris, colocando Elarion, zonzo, no portal. — Temos que sair daqui logo.

    Assim que as garotas passaram, ele olhou para Capuz, ainda hesitante em abandoná-lo, e atravessou o portal.

    Porém, antes de o portal se fechar, Darpan fez um sinal com a cabeça e um dos tenentes esticou os braços. Rapidamente, quatro correntes com ganchos nas pontas saíram das suas costas e fisgaram o portal, mantendo-o aberto. Capuz se impressionou, pois nunca havia visto uma Manifestação como aquela. Os buracos negros enfim desapareceram, libertando os outros tenentes.

    — Isso ficou interessante. Seis de vocês vem comigo. — Darpan apontou para o portal aberto. — O restante cuidará desse rebelde imundo.

    Então, ele e outros saltaram para dentro do portal. Assim que atravessaram, o outro tenente soltou as correntes e o portal se fechou. Capuz segurou sua Relíquia com as duas mãos enquanto era cercado por sete tenentes.

    Um deles, de cabelo curto alaranjado e olhos vermelhos, gargalhava. Ele vinha pela esquerda, mirando na cabeça de Capuz com um rifle.

    — Você é um tolo em ter ficado para trás. Acha que só porque cortou um dos nossos você é capaz de lutar contra sete? Ou eu diria oito, já que o idiota que você cortou logo irá se recuperar. Sua morte será dolorosa, Capuz.

    Era ele o responsável por ter atirado em Elarion e Ryn, e também foi ele quem o atacou pelas costas e o jogou contra Raya. Ele encarava Capuz como um caçador encara um alvo prestes a ser abatido a sangue frio.

    — Ele não sabe como é azarado. — zombou outro tenente. — Sem o tenente Darpan aqui, poderemos te desmembrar lentamente enquanto implora pela vida. Seus amigos são sortudos, pois morrerão num piscar de olhos, diferente de você.

    O tenente que usou os ganchos para manter o portal aberto caminhou na direção contrária do seu aliado, empunhando dois sabres. Seus olhos eram verdes e seus cabelos dourados iam até o queixo. Capuz o encarou seriamente. Agora que sabia qual era sua Manifestação, precisava ter mais cuidado, ou aquele homem poderia usá-la contra ele mesmo. O tenente o cercava com um leve sorriso no rosto.

    — Não os amedrontem, rapazes. Se não, ele pode desistir de resistir. Seria uma pena se ele lutasse sem esperança alguma de nos vencer. Principalmente por ele ser uma pedra no nosso sapato há mais tempo do que o grupinho dele, não é mesmo, Capuz Negro? — disse a tenente que atacou Raya.

    Ela sorria convencida, batendo as costas da sua espada no ombro direito. Andava de um lado para o outro, indecisa sobre por onde deveria cercá-lo. Parecia ser a mais descontraída e com a guarda aberta. Capuz fixou o olhar nela, pensando que, de todos os tenentes, talvez ela fosse a mais perigosa. A mulher parou de andar.

    — Vocês ficaram bem tagarelas — Capuz sorriu, e sua energia começou a se elevar descontroladamente. — Até alguns minutos atrás não diziam uma única palavra. Eu preferia quando vocês bancavam os misteriosos, mas não importa. De qualquer maneira, eu irei acabar com vocês aqui mesmo! Enquanto os outros estavam aqui, eu não podia usar “isso” para não os colocar em perigo.

    Sua Relíquia começou a brilhar intensamente enquanto sua forma se alterava. Os tenentes se surpreenderam, não esperavam que ele tivesse truques na manga. Ele então removeu seu capuz com a mão esquerda, revelando seu rosto e os longos cabelos negros, enquanto um buraco negro se formava na lâmina.

    — Vocês já ouviram falar na Cidade do Vazio? — perguntou Capuz. — Um local onde antes existia uma das cidades mais belas de toda Eudora, e que agora é apenas um enorme buraco. Dizem que, em um fatídico dia, ela foi engolida por uma Manifestação após um julgamento sair do controle. Todos morreram. Quem vocês acham que foi o responsável por aquela calamidade?

    — Na-não é possível! — exclamou o tenente. Engoliu em seco e deu um passo para trás. Suas mãos tremiam ao ponto da sua Relíquia também tremer. — Ele é Galkas, o homem que dizimou toda uma cidade após ver sua amante ser assassinada pelo Imperador e se entregou ao Império por conta própria.

    Os outros tenentes ficaram incrédulos e recuaram sutilmente. Estava claro que aquela elevação de energia não era um blefe ou uma medida desesperada. Os tenentes então decidiram atacar todos de uma só vez. Talvez assim, tivessem alguma chance de vencer antes que ele finalizasse o que estava tramando.

    Capuz os observava enquanto sua energia se acalmava e a espada se tornava um buraco negro. Ele fechou os olhos e sentiu sua mão esquerda arder devido ao corte aberto que ele mesmo fizera, mas isso não o incomodava nem um pouco.

    Ele respirou fundo e se concentrou o máximo enquanto ouvia as batidas do seu coração. Era como se tudo tivesse ficado em silêncio. Não havia mais nada além dele e da sua Relíquia, que agora estava com outra forma. Ele abriu os olhos no momento em que seria golpeado por todos os inimigos e balançou sua espada, desencadeando uma explosão de energia.

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