“Nós realmente vamos ter que matar todo mundo?” Alexander ainda estava indignado com aquela possibilidade.

    “Sim… Necromantes especializados em almas possuem a capacidade de transmitir conhecimento de maneira instantânea. Literalmente qualquer pessoa nesta vila pode estar carregando os ensinamentos dele. Não podemos permitir que essa pesquisa seja herdada por ninguém”, Victor explicou mais uma vez.

    Pessoalmente, nenhum dos dois gostaria de cometer um genocídio, mas, se fosse necessário, fariam o que precisava ser feito.

    Victor observou o céu, esperando que a barreira se completasse. As previsões de Elias diziam que o necromante estava na cidade, então, assim que Zordhan terminasse o isolamento, eles o perseguiriam.

    “Existe alguma forma de encontrar o necromante?”, Alexander perguntou.

    “Sim. Tenho uma magia que revelará os últimos passos dele para mim. Porém, eu também serei revelado, e ele saberá que está sendo perseguido”, Victor explicou.

    Depois de permanecerem parados por mais alguns minutos, observando o céu, finalmente perceberam uma sutil diferença.

    A barreira havia sido erguida.

    Victor começou a conjurar a magia que o ajudaria a encontrar o necromante.

    “E agora? Devo usar aquilo? Não parecem estar exatamente atrás de nós, mas também não estamos seguros.” Eliandris observava a barreira translúcida à sua frente enquanto pensava nas possibilidades.

    Oliver ainda permanecia parado, com a mão encostada na barreira invisível, contemplando-a.

    “Como fizeram isso? Não acho que seja um feitiço.”

    A voz de Eliandris o tirou de seu estupor.

    “Filho, não podemos sair da cidade. Precisamos encontrar Grim.” Naquele momento, encontrar o homem parecia uma decisão sábia.

    Oliver apenas assentiu, e os dois partiram em direção à casa dos Venn.

    “Algo está errado…” Grim observou o céu. Como um caçador experiente, que já passara por inúmeras situações de vida ou morte, seu instinto normalmente o alertava quando estava em perigo.

    “Senhor, fomos descobertos?” Grim se dirigiu a Balthazar, que estava sentado em uma cadeira estofada ao seu lado.

    “Não nos descobririam tão rápido. Fiz questão de não me envolver pessoalmente. Todas as pessoas contratadas são mercenários. Eu diria que é quase impossível nos encontrarem, pelo menos não em um período tão curto.”

    Balthazar se referia ao próprio negócio. Atualmente, era ele quem estava por trás das emboscadas contra grupos de aventureiros.

    Seu negócio era simples: matava aventureiros, roubava seus equipamentos e depois os revendia por um preço extremamente baixo. O título mais modesto de barão podia ser comprado com dinheiro suficiente. O pai de Balthazar era um dos líderes da guilda de mercenários e, portanto, com recursos suficientes, conseguiu ingressar na nobreza do reino. Balthazar, assim, nasceu nobre.

    Entretanto, para continuar subindo na hierarquia da nobreza do reino, eram necessários feitos. Grandes feitos elevavam o status de um nobre e, eventualmente, permitiam sua ascensão a posições mais altas.

    Esse era o objetivo do pai de Balthazar. Com uma posição elevada na nobreza, ele poderia operar sua guilda de mercenários de forma clandestina com muito mais liberdade.

    No entanto, devido a um conflito interno dentro da guilda, o homem acabou morrendo, e Balthazar assumiu seu posto. Como um dos líderes da guilda de mercenários, ele podia mobilizar inúmeras pessoas pelo reino para coletar equipamentos de aventureiros.

    Nos dias atuais, muitas pessoas queriam se tornar aventureiras. Era uma profissão lucrativa, mas extremamente arriscada.

    Qualquer um que ingressasse nela deveria saber que sua vida estaria em risco.

    Todos os aventureiros que caíram em uma das armadilhas montadas para emboscá-los e roubar seus equipamentos acabaram mortos, com exceção de Victor, Alexander e Zordhan, que eliminaram três desses focos.

    Balthazar sabia que, mais cedo ou mais tarde, o reino descobriria a existência dessas armadilhas e começaria a destruí-las. Ainda assim, aquilo estava acontecendo cedo demais. Algumas já haviam sido encontradas e eliminadas, mas nenhuma delas poderia levar diretamente ao mentor de toda a operação.

    Balthazar achou estranha a pergunta de Grim, pois a situação ainda deveria permanecer sob controle por bastante tempo.

    “Estamos dentro de uma barreira. Acredito que não podemos sair daqui”, Grim declarou.

    “Descubra o que está acontecendo e, se realmente forem perseguidores, elimine-os. Tive todo o trabalho de me mudar para uma vila pacata justamente para não ser descoberto. Não acredito que isso tenha relação conosco”, Balthazar ordenou.

    Grim saiu da casa dos Venn. Ele tentaria entender o que estava acontecendo, quem havia erguido a barreira e por qual motivo.

    Orson estava sentado no mesmo beco de sempre, dessa vez acariciando o cachorro Caramelo.

    Percebeu que havia algo errado quando olhou para o céu e notou algum tipo de interferência.

    “Uma barreira?” Seus olhos se estreitaram imediatamente enquanto tentava enxergar melhor.

    “Já me encontraram? Isso foi mais cedo do que eu pensei.” Orson suspirou. Sabia que provavelmente seria perseguido, mas tomara o cuidado de esconder seus rastros. Tinha certeza de que fizera isso de maneira profissional. Ainda assim, quem quer que estivesse atrás dele possuía métodos para encontrá-lo.

    Orson se levantou e começou a conjurar. Estava se preparando para enfrentar seu oponente.

    [MAGIA DE 1º CICLO – ARMADURA ARCANA]

    [MAGIA DE 3º CICLO – LÂMINA DAS SOMBRAS]

    Orson começou a caminhar. Se realmente fossem seus perseguidores, estaria pronto para qualquer ataque surpresa.

    Não demorou muito para que confirmasse a verdade.

    Ele viu uma versão ilusória de si mesmo, repetindo os passos que havia dado recentemente. Atrás dela, dois homens se aproximavam. Um deles era alto, atlético, tinha uma barba impecável e empunhava uma espada.

    Logo atrás vinha um homem magro, de olheiras profundas, vestido com vestes negras e segurando um cajado com uma gema branca incrustada no topo.

    “Um mago da Escola do Tempo. Realmente raro. Você deve ter desenvolvido técnicas de rastreamento muito avançadas. Estou impressionado.” Orson se dirigia a Victor.

    “Você apareceu por livre e espontânea vontade. Não tentou se esconder como um rato, como vinha fazendo até agora. Não está corajoso demais? Renda-se imediatamente, e nós lhe daremos uma morte indolor.” Alexander declarou com a espada já em mãos. Runas se acenderam por toda a lâmina. Ele estava pronto para o combate.

    Orson apenas balançou a cabeça.

    “Não vou me render sem lutar. Não pensem que será fácil me matar.”

    Victor, que estava um pouco mais afastado, fez uma pergunta direcionada a Orson.

    “Você passou seus ensinamentos adiante? Vamos ter de eliminar quaisquer discípulos que tenha.”

    “Quem sabe?” Orson deu de ombros. Não estava verdadeiramente interessado em conversar com aqueles dois homens.

    Alexander gritou, e imediatamente uma energia ilimitada e amarelada se espalhou por seu corpo. Aquilo era aura e a cor amarela indicava que Alexander era um artista marcial de rank 5.

    Orson não pareceu impressionado. Ele abriu a gaiola presa à cintura, e imediatamente o espaço ao redor foi tomado por inúmeras almas. Havia centenas delas, de todos os formatos: humanoides, animais comuns, feras mágicas e monstros. Em um instante, preencheram toda a rua em que estavam.

    Não havia muitas pessoas por perto, mas qualquer um que se envolvesse naquela luta poderia muito bem perder a vida por acidente.

    Victor também começou a conjurar.

    O combate entre Orson e os executores reais havia começado.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota