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    Robert avançou primeiro. A madeira antiga rangeu sob a sola da bota enquanto o cano da arma permanecia apontado para o peito dela. O homem mais velho acompanhou o movimento no mesmo ritmo.

    No instante seguinte, uma aura elétrica roxa surgiu pelo corpo de Brigitte, fazendo seus olhos brilharem em uma cor púrpura, e rapidamente a distância entre os três desapareceu. 

    Os olhos de Robert arregalaram no exato momento em que Brigitte sumiu da frente dele. O ar se deslocou ao lado do rosto dele e, no instante seguinte, alguma coisa agarrou o braço que segurava a pistola. CRACK. O som seco da articulação torcendo ecoou dentro da sala de arquivamento.

    — AAAAAH, FILHA DA PUTA!

    A arma caiu no chão antes do grito terminar. Brigitte apareceu atrás dele no mesmo movimento, torcendo o braço para cima enquanto o peso do corpo empurrava Robert para frente.

    Uma dor aguda atravessou o braço enfaixado no momento em que ela impulsionou o corpo para frente e piorou quando torceu o braço do dirigente. A dor era penetrante e quente. Como se alguém tivesse afundado uma lâmina dentro do osso ainda quebrado. O ombro inteiro protestou violentamente. Por um reflexo quase automático, o corpo tentou desacelerar os movimentos… mas ela ignorou. 

    O sindicalista reagiu imediatamente, girando a pistola na direção dela com velocidade surpreendentemente boa para alguém daquela idade. 

    Brigitte soltou Robert e girou o corpo inteiro junto do impulso. A ponta do salto deslizou sobre o chão antes da perna atravessar o ar num arco brutal. Um chute com total agilidade acertou o pulso do velho, fazendo a pistola sair voando dos seus dedos. No mesmo movimento, fez calcanhar acertar o lado do rosto dele.

    O impacto foi brutal. Forte o bastante para lançar os óculos pequenos longe enquanto o homem desabava contra um dos armários metálicos. As pastas no topo estremeceram violentamente e uma delas caiu aberta no chão, espalhando folhas pelo corredor estreito. 

    — Ai, ai, ai, ai, ai, ai!

    Robert ainda gritava segurando o próprio braço quando o ataque de Brigitte finalmente parou. O silêncio que veio logo depois foi curto e confuso. Quase ofensivo.

    Quando a luta — isso nem ao menos pode ser chamado de luta, foi um massacre — Brigitte permaneceu imóvel por um segundo inteiro, respirando fundo enquanto a dor latejava sob as faixas do braço esquerdo. O ombro queimava com muita intensidade. Péssimo sinal. Provavelmente tinha aberto algum ponto ou fraturado ainda mais o osso — de novo.

    Problema pra Brigitte do futuro”, pensou imediatamente.

    Então olhou ao redor. A luminar primeiro observou o velho, se recuperando do chute enquanto apoiava uma mão contra o armário metálico amassado. Depois se virou para Robert, que a olhava com os olhos tremendo de medo, virando o olhar em seguida. Aquilo fez ela finalmente abrir um sorriso no rosto.

    — Ah, muito melhor. — comentou enquanto flexionava os dedos no braço enfaixado. — Eu tava começando a achar que ia morrer soterrada por um monte de papelada antes de sair daqui.

    Robert levantou o rosto lentamente do chão. O cabelo estava grudado na testa por causa do suor e da dor.

    — Você é maluca… — rosnou entre os dentes.

    — Bastante. — respondeu Brigitte imediatamente. — Mas isso vocês já tinham percebido faz tempo.

    O homem mais velho recuperou os óculos do chão com uma calma quase irritante considerando a situação. Uma pequena linha de sangue escorria próxima da boca dele agora.

    — Você acabou de cometer um erro extremamente grave. — disse enquanto recolocava os óculos tortos no rosto.

    Brigitte inclinou levemente a cabeça.

    — Ah não… o sindicato vai abrir uma reclamação formal contra mim?

    Robert tentou levantar outra vez. Brigitte viu o movimento pelo canto do olho antes mesmo dele terminar. Ela avançou um passo rápido e encostou a ponta do sapato contra o peito dele, empurrando-o de volta contra o chão.

    — Fica quietinho aí. Seu braço tá fazendo um formato bem preocupante agora. Se eu torcer ele ainda mais, a conta do hospital vai ser ainda mais cara. Quer que ela aumente ainda mais?

    Robert negou freneticamente com a cabeça, indo para a esquerda e direita mais de vinte vezes em poucos segundos.

    — Ótimo! Foi que eu imaginei

    A garota soltou o peito dele e deu dois passos tranquilos pela sala como se estivesse organizando uma reunião entediante. As duas pistolas continuavam caídas sobre o piso de madeira entre folhas espalhadas e pastas abertas.

    Brigitte se abaixou primeiro ao lado da arma do dirigente. Recolheu-a com cuidado, puxou o carregador com um movimento rápido e puxou o cano. Depois repetiu exatamente o mesmo processo com a arma de Robert.

    O clique metálico das peças sendo desmontadas ecoou pela sala silenciosa. Ela observou o carregador da arma do mais velho por um instante.

    — Nossa. Vocês realmente estavam planejando atirar em mim.

    O comentário saiu com uma sinceridade quase decepcionada. Então caminhou até uma das estantes e colocou os carregadores sobre a prateleira mais alta que encontrou.

    — Pronto. Agora ninguém toma nenhuma decisão idiota.

    O dirigente acompanhou tudo em silêncio atrás dos óculos tortos. Robert apenas observava do chão enquanto segurava o braço contra o peito e reconsiderava várias escolhas de vida simultaneamente.

    A garota voltou à posição inicial e então se agachou lentamente entre os dois. O tecido branco da camisa social estava completamente limpo, mesmo que um pouco amassado. A gravata pendia para baixo.

    — Certo, agora vamos simplificar bastante as coisas. — disse calmamente. — Eu só quero os endereços dos cinco operadores. Só precisam me dar isso que a gente fica de boa.

    Nenhum deles respondeu. O homem mais velho apenas observava Brigitte em silêncio atrás das lentes tortas. Robert respirava pesado pelo nariz, segurando o braço deslocado contra o peito.

    — Tá. — murmurou Brigitte. — Tá na hora da fase difícil então.

    Ela apoiou a ponta dos dedos sobre o braço saudável de Robert, forçando a Alma para fora imediatamente. Pequenos fios arroxeados de eletricidade começaram a correr sob a pele dela como linhas finas de luz líquida. O ar ao redor ganhou aquele cheiro metálico específico de tempestade segundos antes de um choque atravessar o corpo do homem.

    Robert pulou do chão. O golpe deixou a pele dele avermelhada e não teve a reação que ela esperava…

    — QUE PORRA É ESSA?!

    Brigitte piscou algumas vezes até perceber o que tinha acontecido.

    — Ah… espera. Isso foi forte demais.

    Ela ajustou a intensidade. O segundo choque foi diferente, bem mais fraco e bem mais concentrado. Robert se contorceu imediatamente, mas de uma maneira diferente agora.

    — P-PARA—!

    A eletricidade correu pelos músculos do braço dele em pequenos espasmos rápidos. Não era exatamente dor ainda. Primeiro vinha aquela sensação horrível entre cócega e contração. O corpo inteiro tentava reagir sem conseguir decidir como.

    Robert tentou afastá-la imediatamente. A mão livre agarrou o pulso de Brigitte e empurrou com força, mas não saiu nem um centímetro do lugar. Brigitte continuou agachada ao lado dele como se nada estivesse acontecendo.

    — Hm. — ela observou a reação quase como uma pesquisadora observando um experimento. — Interessante.

    Robert empurrou de novo. Mais forte. Nada. A força física da luminar parecia absurda demais para a posição em que estava. O braço dela permaneceu imóvel enquanto a eletricidade continuava percorrendo o corpo dele em pequenos pulsos. O corpo inteiro tentava reagir ao mesmo tempo sem conseguir decidir se fugia, gritava ou ria. E foi exatamente o que aconteceu. Robert começou a rir. 

    Não era um riso normal. Era um som horrível, descontrolado, quase desesperado. Uma risada forçada e involuntária… Perfeito.

    — AHAHA- P-PARA- QUE MERDA É ESSA-!

    Brigitte arregalou levemente os olhos.

    — Nossa. Isso funciona muito melhor do que eu imaginei. — disse, continuando o “tratamento de choque”. — Tchum, tchum, tchum…

    O homem mais velho finalmente perdeu parte da compostura pela primeira vez.

    — Robert, cala a boca.

    — E-EU TÔ TENTANDO-!

    Outro pequeno arco elétrico atravessou os dedos dela. O homem praticamente dobrou no chão entre risadas sufocadas e espasmos violentos.

    — AHAHAHAHA- PARA- TÁ DOENDO-!

    — Ah, agora começou a doer? — perguntou Brigitte curiosamente. — Interessante. Eu só tava tentando fazer só cócegas.

    O outro fechou os olhos por um segundo inteiro como alguém tentando aceitar que aquela situação era real.

    — Você é completamente insuportável.

    — Obrigada. — respondeu ela imediatamente.

    Mais um choque percorreu o braço de Robert. Agora ele ria e chorava ao mesmo tempo.

    — TÁ BOM! TÁ BOM! EU FALO!

    O homem mais velho virou o rosto imediatamente.

    — Robert, seu imbecil!

    — EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA DEMÔNIA ELÉTRICA!

    Brigitte finalmente afastou os dedos. Os pequenos fios arroxeados desapareceram devagar no ar enquanto Robert permanecia largado no chão, respirando como alguém que tinha acabado de sobreviver a um afogamento. Ela apoiou o cotovelo sobre o joelho e sorriu.

    — Viu? — disse calmamente. — Conversar resolve muita coisa.

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