Capítulo 147: Como se tivesse passado uma eternidade…
10 de junho de 2024, segunda-feira.
O céu amanheceu atípico para um dia de verão em Tóquio: nuvens leves manchavam o céu de tons brancos. Embora o sol estivesse parcialmente tapado, o calor ainda estava intenso.
Os ares-condicionados estavam trabalhando à todo vapor dentro da Elegance Affairs, mantendo a temperatura agradável. Já era hora do almoço e a mesa retangular — e relativamente grande — do refeitório estava com muitos dos funcionários reunidos.
Eles preferiam se manter dentro do estabelecimento e no ambiente climatizado em vez de encarar o mormaço externo. Ademais, a presença de Victor e Aki após um período longe da empresa, com as recentes viagens se tornando quase férias, foi um catalisador para alguns permanecerem ali.
Isso foi sentido principalmente quando chegaram para trabalhar. Os amigos mais íntimos, eufóricos, os recebendo calorosamente. Nem parecia que os dois ficaram o dia todo, há poucos dias, no escritório para cobrir um imprevisto.
Claro, eles arrumaram alguma desculpa, como: “Aquele dia foi uma exceção! Um extra! Hoje é o retorno triunfal do casal Pacca!”.
Aki corou nessas respostas, mesmo que se mantivesse sorrindo e participando ativamente da conversa.
“Ah, seus bobos! Parem de falar assim!”
— Falem a verdade! Vocês ficaram de namorico durante todas as viagens! Foi quase uma lua de mel! — Sayuri disparou, entre gargalhadas.
Aki sentiu seu coração errar uma batida.
— Say! Para! — protestou, mas foi interrompida por Helsing.
— Sayuri, pare de falar dessa forma. Ou você não vai ser convidada para o casamento!
Ele piscou para o casal.
Victor apenas balançou a cabeça, suspirando, entre um sorriso que se formou.
Ter todos aqueles amigos juntos durante o horário de almoço, com brincadeiras e fofocas… parecia algo que ele nunca alcançaria novamente. Victor se sentia assim pelo menos… quer dizer, talvez num passado não muito distante.
— Mas verdade seja dita, foi como se tivesse passado uma eternidade. Vocês ficaram um bom tempo fora. — Koda comentou.
E isso não podia ser negado. As recentes viagens e conquistas deixaram os dois por um tempo fora do escritório — embora intrinsecamente ainda em serviço.
O tempo pareceu passar mais rápido. A conversa alegre foi um tanto quanto relaxante e agradável, mesmo com as brincadeiras dos mais íntimos.
Alguns funcionários que tinham menos intimidade, como era o caso de Ken, Itsuki e Mio, não participaram ativamente do entrosamento, porém, também fizeram alguns comentários.
— Aquela foto que tiraram de vocês em Barcelona estava num ângulo incrível. Têm certeza que não estavam fazendo pose?
O homem loiro, Ken, comentou em certo momento. Como fotógrafo — e um apaixonado, não conseguiu evitar a pergunta.
Victor ajeitou o corpo na cadeira, ergueu a xícara que segurava com uma bebida fumegante e, após dar um gole, respondeu:
— Pura sorte do paparazzi.
Aki puxou a barra da sua saia, ainda sentada, discretamente.
— Embora, não posso negar, tenha sido muito divertido, no fim, estávamos a trabalho. Se pudesse escolher, nem teria exposto essas fotos…
Ken ergueu a sobrancelha:
— Não seja tão tímida. A foto ficou realmente ótima! Palavra de profissional! Seria um crime aquela foto não ser divulgada. Me desculpe pela sinceridade.
Aki balançou a mão, como se dissesse “não tem problema”.
Mio, neste momento, também deixou sua opinião, elogiando Aki por estar sempre tão bonita e elegante. Em resposta, ela sorriu e ficou levemente corada.
Por fim, o intervalo acabou e todos voltaram ao trabalho. Exceto por Victor e Aki, que foram chamados ao escritório do chefe Akashi, pelo próprio.
O local permanecia, aparentemente, o mesmo de sempre. O ruído do ar-condicionado estava um pouco mais alto que o normal, mas era praticamente imperceptível. Alguns momentos de conversa rolaram.
— (…) A Elegance Affairs cresceu ainda mais recentemente, principalmente após a sua entrevista, Victor. Como já lhe disse uma vez, sou muito grato pela sua dedicação para com a empresa.
O homem mais velho mexeu em alguns documentos que estavam organizados em sua mesa e entregou uma cópia para cada um.
— Esse é o gráfico.
Aki se surpreendeu, não menos que Victor. Uma conversa se seguiu e em certos ponto, o brasileiro finalmente conseguiu colocar sua preocupação em palavras.
— Como vamos conseguir atender a essa demanda? Há muitos eventos internacionais…
A japonesa completou:
— Fora que as datas estão apertadas. Isso tudo está confirmado?
Uma leve preocupação soou em sua voz.
O chefe Akashi sorriu, balançando a cabeça.
— Infelizmente, não conseguimos confirmar esses eventos, não teríamos como atendê-los. — ele deu um gole na bebida que estava em sua xícara, e continuou: — Porém… Que bom que você perguntou, Victor. Este seria justamente o próximo tópico. Antes mesmo desses últimos acontecimentos, eu já tinha alguns planos, como a expansão do escritório.
Aki sentiu um aperto no peito, surpresa, enquanto o seu namorado arqueou a sobrancelha.
Após uma breve pausa, analisando uma folha, Akashi completou:
— Mas com todas essas notícias recentes e o rápido crescimento, vamos ter que adiantar o planejamento.
O que seguiu foi uma série de explicações de Akashi para o casal. Os dois ficaram a maior parte do tempo em silêncio, ouvindo atentamente cada palavra.
Uma pergunta, porém, permeava a mente dos dois: “quem iria administrar o novo escritório?”. A mais provável das hipóteses seria novas admissões — o que era bom.
Isso, no entanto, não durou muito, quando o chefe disse:
— Com isso em mente, eu gostaria de anunciar a grande novidade para vocês, em primeira mão: Parabéns, Victor! Parabéns, Aki! Vocês serão os diretores do novo escritório!
— O quê?! — responderam, em uníssono.
Aki sentiu seu coração acelerar repentinamente, enquanto Victor engasgou com a água que estava bebendo. Uma sensação de frio percorreu a espinha deles e os olhos se arregalaram momentaneamente.
Akashi riu.
— Que reação inesperada. Achei que tinha ficado claro minhas intenções. Eu sou extremamente grato a vocês, como sabem, e essa urgência é culpa de vocês mesmo, pela bela competência em seus serviços. Então, assumam a responsabilidade.
As últimas palavras foram ditas num tom descontraído, tentando amenizar o clima.
— Senhor Akashi, por mais que me sinta lisonjeado, acho que teriam outros funcionários mais capazes… veja o Koda… um grande exemplo de funcionário.
Por mais que Victor estivesse disposto a assumir todas as suas responsabilidades, isso não queria dizer que ele queria adicionar mais. A palma de sua mão estava suada, enquanto uma miríade de pensamentos passavam por sua cabeça.
“Uma nova e repentina responsabilidade desse tamanho?”
“Isso seria bom ou ruim para nosso relacionamento?”
“A Aki é capaz de segurar as pontas, mas isso também significa mais exposição, de certa forma.”
Dentre outros pensamentos. A preocupação dele também envolvia em como afetaria o seu relacionamento com Aki. Ela era mais do que capaz de assumir esse papel, com certeza. Entretanto… seria mais exposição. Victor sabia tão bem quanto Akashi — e talvez até melhor — o que significava estar nessa posição.
A sua própria experiência não era completamente um mar de rosas. Bom, talvez fosse, considerando os espinhos. Ou seja, era algo bom, mas muito difícil e também não era simples.
“Se isso se confirmar, é mais um motivo para adiantar os meus planos também… digo, os nossos…”
Sua mente ainda tentava raciocinar e processar todas as informações, enquanto Akashi falava:
— Eu concordo. Mas é preciso distribuir o efetivo, digamos assim. E, novamente, nada mais justo do que vocês assumirem essa responsabilidade. Vocês estão à frente de grandes parcerias, principalmente as internacionais. E como o foco deste novo escritório é atender justamente essas demandas…
Não foi preciso explicar muito. Relutante, a princípio, o casal conversou entre si, quando o chefe lhes deu algum espaço, se retirando para ir ao banheiro — claro, provavelmente era uma desculpa para que ambos pudessem se decidir.
Quando retornou, os dois já haviam se decidido.
…
O brasileiro estava divagando, enquanto aguardava uma confirmação através de e-mail.
“Isso tomou proporções gigantescas… e muito rápido. Isso é alguma piada do destino?”
O canto de sua boca se curvou para cima, quando percebeu que estava absorvendo essa mania de Aki.
“Ela com certeza diria isso.”
A japonesa não estava ali naquele momento e ele não pôde observá-la. Ele suspirou.
“Essa nova fase vai ser complicada… um pouco agitada, provavelmente. E, querendo ou não, é muito gratificante…”
…
Quando o anúncio oficial foi feito dentro das dependências da empresa, numa reunião convocada ao fim do expediente, uma salva de palmas soou, entre assobios e elogios. Aquela notícia era muito boa. Enquanto, para outros, nem tanto…
Sayuri, por exemplo, sentiu-se desanimada, sabendo que provavelmente não seria realocada e as duas não poderiam se ver diariamente, mesmo que se sentisse feliz pela conquista da empresa.
No fim, alguns decidiram comemorar no bar, quando saíram do serviço. Inclusive, o próprio Akashi aceitou o convite. Foi divertido e revigorante. O burburinho focou especialmente no remanejamento de funcionários — ou algo do tipo. Alguns funcionários tentando adivinhar o que aconteceria.
O primeiro dia, oficialmente, do retorno de Victor e Aki para as dependências da empresa, acabou sendo bastante agitado e longo. Mesmo que tivesse parecido ter passado uma eternidade, foi recompensador.
Principalmente pela notícia que foi o assunto principal. Aquilo, com certeza, seria um novo grande marco na vida deles — tanto profissionalmente quanto pessoalmente.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.