Capítulo 139: Madrid, Espanha
03 de junho de 2024, segunda-feira.
O sol brilhava forte no céu europeu, embora ainda fosse cedo. O casal já estava acomodado dentro do trem-bala que fazia a rota Barcelona–Madrid em pouco mais de três horas.
Aproveitando a comodidade da viagem, Aki pediu para ver as fotos no celular de Victor. Ele entregou o aparelho sem hesitar. Enquanto deslizava o dedo pela galeria, revendo paisagens, selfies e registros casuais do dia anterior, uma imagem em específico fez com que ela parasse.
Na tela, havia uma única fotografia que não parecia ter sido pensada.
Não havia enquadramento perfeito, nem pose calculada. Ainda assim, era estranhamente bela.
E ela estava ali.
De perfil, levemente inclinada para frente, como se estivesse prestes a dar mais um passo pela areia. O cabelo negro, solto, era capturado pelo vento naquele exato instante, como se dançasse de forma harmoniosa — algumas mechas flutuavam livres, outras tocavam de leve o rosto, criando uma sensação de movimento quase vivo. O chapéu projetava uma sombra suave sobre parte de sua expressão, mas não escondia o brilho tranquilo em seus olhos.
O olhar de Aki estava voltado para o horizonte. Não perdido — apenas apreciando.
O mar ocupava quase todo o fundo da imagem, um azul profundo que se confundia com o céu mais claro ao longe, restando apenas uma pequena faixa de areia visível em um dos cantos. A linha do horizonte era limpa, serena. O sol, já mais baixo, tingia tudo com tons quentes, mesclando dourado e azul claro em reflexos suaves sobre a água.
Ela percebeu, então, a calma quase palpável em sua própria postura: os ombros relaxados, o corpo solto, os pés parcialmente enterrados na areia. Era como se, naquele instante, nada mais existisse além daquele momento.
Aki aproximou a imagem, fazendo um leve movimento de pinça na tela do smartphone, observando os detalhes com mais atenção.
Não se lembrava de ter percebido aquela foto sendo tirada. E talvez fosse exatamente isso que a tornava tão especial — tão diferente das outras.
Seu coração, no entanto, estava inquieto.
Ela não sabia definir exatamente o que sentia. Era bom. Era estranho. E, ao mesmo tempo, profundamente caloroso.
— Victor… — chamou, erguendo o olhar para ele. — Essa foto ficou… diferente… não acha?
Os olhos deles se encontraram. Victor sorriu, genuinamente, achando a expressão dela bonita naquele instante.
— Sim. — respondeu. — Mas é tão incrível quanto todas as outras fotos que você tira… ou que a gente tira junto. — Fez uma breve pausa, fingindo despretensão. — Estou começando a pensar que não importa onde estejamos. Se for você na foto, ela vai ficar bonita.
Aki corou no mesmo instante.
— Obrigada… — respondeu, tentando manter a voz firme.
Não era apenas por aquele elogio específico. Nos últimos tempos, ela vinha percebendo que precisava amadurecer nessa parte de si mesma — sempre desviando, fugindo ou minimizando palavras bonitas dirigidas a ela. Mesmo com a vergonha, Victor já era, em seu coração, alguém muito mais próximo do que apenas um namorado.
Ela queria retribuir.
Respirou fundo, voltou algumas fotos na galeria e parou em uma selfie dele, tirada na praia.
— Mas olha essa… — disse, mostrando a tela. — Você também está lindo aqui.
Pronunciar aquilo foi mais difícil do que parecia. A sensação era quase sufocante. Ainda assim, Aki se manteve firme. Não era forçado. Era exatamente o que sentia — apenas dizer em voz alta ainda exigia coragem.
Sentiu o coração acelerar e a palma da mão ficar levemente úmida. Victor, por sua vez, se surpreendeu. Não pela forma — que foi simples e sincera — mas pelo peso que aquelas palavras tiveram.
Seu peito foi tomado por uma sensação quente e agradável.
Percebendo que aquele pequeno passo havia sido importante para ambos, Victor aproveitou o clima leve da viagem para conduzir o assunto para algo mais futuro. Comentou, de maneira casual, sobre lugares interessantes que poderiam conhecer um dia… talvez numa lua de mel.
Não era uma pergunta direta. Nem uma promessa explícita.Talvez algo como um convite silencioso, disfarçado.
E Aki, mesmo sem perceber completamente, começou a caminhar junto com ele nessa direção, passando o tempo da viagem mais rápido do que puderam perceber.
…
Depois de deixarem o trem-bala, Madrid os recebeu com um ritmo diferente do que haviam sentido em Barcelona. A cidade parecia mais elegante, pelo menos mais histórica. Até pequenos detalhes pareciam contar um pouco da grande história da cidade.
O Castelo Imperial foi apenas o ponto de partida. Passaram pelo imenso pátio frontal, observando a construção imponente e majestosa. A segurança rígida controlava o fluxo de turistas e, após encarar uma pequena fila, conseguiram entrar lá. Tiraram algumas fotos e, principalmente Aki, parecia muito entretida com o tour.
Seus olhos percorriam todos os detalhes que conseguia acompanhar — provavelmente resultado de sua enorme curiosidade. Sempre apontava e comentava sobre o que via com Victor, que rendia a conversa ou, em outros momentos, sorria e apenas fazia um comentário-resposta.
Ao final, caminharam pelos arredores sem pressa, acompanhando o fluxo natural dos turistas e moradores. Aki, como de costume, continuava encantada com tudo: apontava detalhes da arquitetura e comentava sobre o contraste entre o antigo e o moderno, quase igual vivenciaram recentemente nas viagens. Parecia estar se tornando a tendência do momento.
A japonesa parava frequentemente para tirar fotos — algumas posadas, outras completamente espontâneas. Chamou Victor para várias selfies e ele a acompanhou.
Seguiram por ruas largas que desembocavam em praças movimentadas, onde artistas de rua se apresentavam e grupos conversavam animadamente em diferentes idiomas. Ele teve a certeza absoluta, quando passou por um determinado amontoado de pessoas, de que eram brasileiros, tanto pelo idioma quanto pelo sotaque.
O som de violões, risadas e passos se misturava ao vento leve daquela manhã. Em uma dessas praças, sentaram-se por alguns minutos, apenas observando o movimento, compartilhando uma bebida gelada comprada de um vendedor ambulante e comentando, de forma descontraída, como aquele lugar parecia tão alegre, quase vivo.
Aki ajeitou uma mecha de cabelo que esvoaçava com o vento, insistindo em ficar fora do seu rabo de cavalo. Victor riu, fazendo comentários brincalhões e ela se fez de durona na brincadeira.
Continuaram o passeio passando por áreas comerciais, vitrines chamativas e cafés tradicionais. Aki insistiu em entrar em uma pequena loja de lembranças, onde passou um bom tempo escolhendo alguns itens simples — ímãs, cartões postais e pequenos objetos decorativos. Victor apenas observava, achando graça na seriedade com que ela analisava cada opção, como se estivesse tomando decisões importantes.
Em outro ponto do trajeto, passaram por um parque amplo, com árvores altas e caminhos bem cuidados. Caminharam por ali tranquilamente, aproveitando a sombra e o clima agradável. Tiraram mais fotos, algumas sentados em bancos, outras caminhando lado a lado.
O almoço foi simples, em um restaurante local indicado em um aplicativo de viagens. Experimentaram pratos típicos e trocaram impressões sobre os sabores. Alguns eram próximos do que imaginavam ou já experimentaram, outros eram completamente diferentes. Aki parecia especialmente feliz, comentando como aquela viagem estava sendo muito mais do que havia imaginado.
— Que bom que gostou. É um momento especial para a gente, não é? — Victor respondeu com um sorriso.
Depois disso, continuaram explorando Madrid sem um roteiro rígido. Passaram por avenidas famosas, observaram monumentos à distância, caminharam por ruas menores e mais silenciosas. Em vários momentos, Victor percebia Aki diminuindo o passo apenas para observar melhor algum detalhe que lhe chamava a atenção.
Quando o dia começou a dar sinais de cansaço, decidiram retornar ao hotel. No caminho de volta, o ritmo foi mais calmo e lento. As conversas diminuíram, mas o silêncio não era desconfortável. As mãos permaneciam entrelaçadas, e os olhares trocados eram suficientes para se entenderem.
Já no quarto, enquanto organizavam as coisas, Aki se jogou na cama, exausta e feliz. Era um tipo de cansaço bom, sentindo-se realizada com o que viveu naquele dia.
Victor a observou por um instante, antes de se sentar ao lado dela. Madrid havia sido intensa, rica em imagens, sons e experiências. Foi divertido e intenso. O brasileiro aproveitou para fazer alguns comentários despretensiosos sobre o passeio.
Depois do jantar e de se trocarem, foram dormir. Ele, por alguns minutos, ficou pensativo, analisando tudo que estava acontecendo e planejando os passos do dia seguinte. A concretização de seu plano… e um dos motivos da viagem.
Por fim, pegou no sono.
…
04 de junho de 2024, terça-feira.
Logo cedo, os dois já estavam arrumados e prontos para a execução do plano. Aki ainda não tinha certeza do que seria. Ela não havia entendido ainda o real motivo da viagem até Madrid, na Espanha. Victor apenas explicou que ela deveria agir naturalmente, como sempre faz e seguir o ritmo dele.
Ela concordou e eles chamaram um táxi. Quando pararam em frente a aquele prédio, Aki entendeu tudo. Seus olhos se arregalaram numa expressão de surpresa, quando soltou:
— É sério isso?!
Salve, queridos leitores!
Ontem saiu o ranking do Illusia e MNVJ ficou no top 10! Confesso que foi uma surpresa incrivelmente feliz e satisfatória para mim. Eu não esperava que isso fosse acontecer.
E isso só foi possível, graças a vocês. Com isso, gostaria de deixar registrado meu agradecimento. 💞

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