Capítulo 148: Diamond Prestige Hotels
20 de junho de 2024, quinta-feira.
Desde o anúncio do novo escritório da Elegance Affairs, mais e mais teorias se formaram dentre os funcionários. Quais funcionários seriam remanejados? Quem seriam os novos contratados? Onde seria o segundo edifício?
Tudo isso foi motivo suficiente para fomentar uma série de comentários e, também, foi assunto suficiente para algumas semanas entre os colegas de trabalho da empresa.
Victor e Aki evitaram responder qualquer pergunta sobre isso, mesmo entre os mais chegados. Não era marra ou birra, no entanto. Nem mesmo eles sabiam o que aconteceria exatamente. O chefe Akashi permaneceu em segredo sobre isso. Tudo o que o casal sabia, de diferente dos demais, era sobre a contratação que aconteceria em breve.
…
Após soltar um suspiro pesado, após responder um e-mail relativamente importante, Victor se espreguiçou na cadeira e olhou para Aki, que estava absolutamente concentrada na tela de seu computador. Ainda era cedo e as tarefas já pareciam bem pesadas.
O brasileiro aproveitou o tempo entre a resposta das mensagens que precisava para prosseguir com o trabalho e olhou o próprio celular. Não havia muitas notificações desde a última vez que mexeu no celular.
Depois que viu algumas coisas rápidas, voltou sua atenção para o monitor, pronto para resolver a situação. Mas sua mente trabalhava pesadamente. Em poucas horas, ele teria uma grande reunião de negócios. Desta vez, no entanto, Aki não participaria.
Sentindo-se antecipadamente desconfortável pela ausência iminente de sua namorada, Victor tentou afastar os pensamentos negativos e focar nos termos que estava estudando — além da resolução do problema que enfrentava.
“Espero que não seja tão difícil…”
Pensou, enquanto, sem perceber, seu olhar voltou-se de soslaio para Aki.
“Acho que me acostumei demais com a companhia dela…”
Divagando, seus dedos não pararam de se movimentar, enquanto construía uma contraproposta para a empresa em questão.
“Desde quando estou tão emotivo?”
A pergunta veio como um lampejo em sua mente. Um sorriso se formou entre seus lábios, enquanto balançava a cabeça negativamente.
“Não é isso… talvez seja dependência? Ou falta de confiança? Ah, o que estou fazendo?! Se concentre!”
Muitas perguntas permeavam a mente dele recentemente. Como seria o futuro com Aki? Como o novo escritório afetaria sua relação? Como ele poderia proteger ela? Isso era quase sufocante.
Finalmente ele pôde se levantar do assento, depois de chegarem a um veredito final sobre o problema e fazer um relatório. Aki ainda era a líder do departamento e algumas formalidades precisavam ser seguidas. Com duas folhas em mãos, grampeadas após serem impressas, Victor impulsionou a cadeira, que tinha rodinhas e parou ao lado da japonesa.
A garota se assustou com o movimento repentino, sendo tirada de sua concentração. Ela sorriu enquanto pegava o relatório.
— Já está resolvido.
— Como sempre, não preciso me preocupar com isso. — Aki respondeu, em um tom quase zombeteiro. — Não me lembro de uma única vez que precisei intervir nesses problemas. Você poderia ser um pouco menos eficaz e me deixar ser a chefe do departamento de supervisão de eventos?
O sorriso de Victor se alargou em uma risada.
— Não posso. — respondeu, parecendo resignado. — E se eu for mandado embora por incompetência? Como vou sustentar a casa? Sabe, eu tenho uma namorada. Ela é incrível, linda e competente. Você precisa conhecer ela.
Aki corou e tossiu secamente, tentando disfarçar.
— Devo admitir que ela é uma mulher de sorte! Afinal, você também se enquadra nessas qualidades…
Victor sentiu seu coração acelerando, não diferente dela, embora os motivos fossem quase opostos. Ela por falar aquilo e ele por ouvir. Mas, tentando manter o tom da brincadeira, ele respondeu:
— Ei! Isso é uma cantada?! Eu acabei de dizer que tenho uma namorada. — protestou, falsamente indignado.
Eles acabaram caindo na gargalhada, mesmo que também se sentissem um pouco envergonhados. Sem mais enrolação, o rapaz se afastou, voltando à sua mesa.
…
A ampla sala transmitia uma imponência que não precisava ser descrita. Não era preciso exageros para demonstrar poder e sofisticação. Tudo parecia precisamente calculado.
O ambiente era espaçoso, elegante e perfeitamente equilibrado entre luxo e profissionalismo. As paredes, revestidas em painéis de madeira escura polida, contrastavam harmoniosamente com detalhes metálicos dourados discretos, enquanto uma iluminação indireta de tons quentes criava uma atmosfera refinada e confortável.
As enormes janelas de vidro ocupavam quase toda uma das laterais da sala, revelando uma vista privilegiada da cidade em volta: Tóquio. O brilho urbano refletia suavemente sobre o piso de mármore claro, impecavelmente limpo, como um espelho discreto. Cortinas finas e sofisticadas permaneciam parcialmente abertas, permitindo que a luz natural entrasse de forma controlada, sem agredir os olhos.
Ao centro, um móvel opulento se destacava. Era uma longa mesa retangular de madeira nobre que dominava o ambiente. Sua superfície lisa e lustrosa refletia parcialmente os feixes suaves de luz vindos do teto. Cadeiras de couro escuro estavam organizadas ao redor dela de maneira perfeitamente alinhadas.
Sobre a mesa, poucos objetos estavam presentes: tablets corporativos e algumas pastas organizadas com precisão. Nada parecia excessivo ou fora do lugar. Cada detalhe dava a impressão de ter sido pensado para receber executivos, investidores e negociações milionárias.
Ao fundo da sala, uma tela gigantesca ocupava parte da parede, conectada a um moderno sistema de videoconferência internacional. Próximo dali, um discreto minibar corporativo exibia cafés e chás especiais e pequenos acompanhamentos sofisticados, além de um freezer vertical com bebidas geladas: água, chás, sucos e refrigerantes.
O aroma suave de café recém-passado misturava-se ao perfume amadeirado e elegante do ambiente climatizado. O silêncio era quase absoluto, interrompido apenas pelo leve ruído do ar-condicionado central e do farfalhar de folhas de papel.
Mas para Victor, parecia tudo muito barulhento. Sentia seu coração batendo muito forte e jurava que o homem à sua frente poderia ouvi-lo. Cada batida era como um tambor.
A xícara colocada em cima da mesa ao seu lado estava com um líquido âmbar, fumegante e aromático. Outro recipiente não muito diferente estava a alguma distância dele.
Não havia mais pessoas na sala, exceto por uma secretária que se manteve a alguns metros de distância, com um rosto profissional e bonito, em um uniforme de tons cinza e branco.
As palmas das mãos de Victor estavam suadas e ele estava fazendo o possível para evitar transmitir essa sensação. Um rosto calmo e sereno estampava o rosto do representante da Elegance Affairs.
Do outro lado, um homem de aparência sênior em um terno elegante ainda estudava uma das pastas dispostas ao longo do móvel, observando alguns gráficos e informações. Este, no entanto, não parecia estar tão afetado pela pressão da reunião.
Ronald McTrump era o fundador e CEO da Diamond Prestige Hotels, uma grande rede de hotéis internacionais de luxo. Atualmente, detinha setenta e cinco por cento das ações da empresa, além de ser o rosto do negócio.
Os documentos em suas mãos, incluindo os gráficos e comparações, haviam sido desenvolvidos por ninguém menos que Victor — usando até mesmo os dados das pesquisas de Aki como base. Os olhos afiados do homem mais velho moviam-se, indicando a leitura concentrada nas informações.
Ele expressava poucas emoções. Victor também não era a melhor pessoa em ler detalhes, então não percebeu as pequenas micro expressões de surpresa e relutância que Ronald transmitia.
Internamente, porém, o brasileiro sentia todas essas emoções. Seus olhos percorriam algumas folhas próximas dele, para não ficar com cara de paisagem. Já era a segunda vez que ele reiniciava a leitura delas.
Alguns momentos se passaram. Talvez uma dúzia de minutos, talvez duas. O representante da Elegance Affairs acabou perdendo a noção do tempo.
— É uma proposta ousada da Elegance Affairs. — Ronald afirmou, em determinado momento.
Victor suspirou internamente, arrumando o corpo da forma mais disfarçada possível na cadeira.
— Creio que não é nada menos do que o mínimo que devemos oferecer para uma parceira como a Diamond Prestige Hotels.
McTrumph esboçou um sorriso profissional.
— Esses dados são extremamente precisos e bem valiosos para o mundo dos eventos. A Elegance Affairs está de parabéns.
Victor assentiu, levando a xícara até a boca.
— Toda a equipe leva o trabalho muito a sério. E tenho certeza de que será muito benéfico para ambas.
Mais algumas palavras foram trocadas, quando, por fim, Ronald disse:
— Proponho um contrato de três anos inicialmente. É tempo mais do que suficiente para nos entendermos. Após, podemos rescindir ou renovar o contrato, dependendo da avaliação de desempenho que tivermos uma da outra.
Victor piscou algumas vezes, digerindo as palavras. “Três anos? Achei que ele pediria no máximo dezoito meses. Que surpresa agradável.”
Com um sorriso quase imperceptível formando entre os lábios, Victor olhou instintivamente para o assento ao lado, mas não havia ninguém. Ele quase deu um tapa em si mesmo, lembrando-se que Aki não estava presente.
“É tão estranho sem ela… em todos os outros grandes contratos, tinha o apoio dela… a pressão parece ser dez vezes maior agora…”
Divagou, mas logo empurrou as dúvidas e incertezas para longe da mente. Não havia espaço para erros nessa reunião.
— Acho que é um tempo perfeito. No entanto, senhor Ronald, posso estar sendo presunçoso, mas tenho um favor a pedir… na verdade, uma troca de favores, se é que podemos chamar assim. Podemos falar sobre?
Uma das poucas emoções demonstradas pelo senhor durante aquele tempo na sala foi mostrada agora, quando arqueou a sobrancelha, surpreso.
— Oh, isso foi inesperado. Posso ouvir. Não faz mal. Ainda temos tempo…
“O senhor Ronald parecia uma pessoa inalcançável para mim até um tempo atrás, e aqui estou eu, em pé de igualdade de certa forma. Devo isso ao chefe Akashi e também a Aki. Não posso deixar de agradecê-los apropriadamente…”
Depois, se concentrando na conversa, Victor propôs um favor de via dupla.
…
Em pé, de frente a uma máquina vertical com várias bebidas, Victor escolheu dois chás gelados em latinhas e pagou. Após uma leve trepidação interna, os objetos cilíndricos desceram até o local de retirada.
Após pegar os dois recipientes metálicos, caminhou por alguns metros e entrou no escritório da Elegance Affairs. Ele cumprimentou Arian, a mulher de cabelos curtos e olhos castanhos que trabalhava na recepção. Também se encontrou com Naomi, do setor de decoração, com seus olhos claros e chamativos, que estava conversando com Nara e Ayumi, do setor financeiro e do setor de infraestrutura de eventos. Logo, entrou em sua própria sala.
Aki estava absorta no computador, com seus dedos voando sobre as teclas seguidos por cliques. Aproximando-se sorrateiramente, ele tapou os olhos dela.
— Se você adivinhar quem é, te dou uma recompensa.
O canto dos lábios da garota se moveram para cima.
— Oh, sério… deixa eu pensar… quem mais seria capaz de entrar na minha sala de trabalho, esgueirando-se nas sombras e me atacando por trás? Ah, claro… quem mais seria? É o Lord Pacca. Não cansa de atacar uma pobre dama indefesa?
Victor piscou, surpreso. Não imaginou que ela lembraria de algo assim. Uma série de imagens passando como um filme em sua cabeça do momento de quase um ano atrás, quando ele fingiu ser um vampiro no dia de halloween e se autointitulou “Lord Pacca”, enquanto Aki interpretou “Lady Yamada”. Mas, estava realmente feliz por poder ter esses momentos. Uma gratidão imensa, mais do que ele poderia expressar.
Era grato ao chefe Akashi que proporcionou a ele a chance de conhecer e se aproximar de Aki; era grato à própria garota que se aproximou dele; Victor podia até dizer que parecia loucura, mas estava grato ao destino por lhe proporcionar essa nova chance. Era como se seu desejo estivesse se tornando realidade.
“Minha nova vida no Japão não está tão longe… acho que estou no caminho certo…”
Pensou, feliz. Então, voltando ao momento, se abaixou até a altura do pescoço da namorada e sussurrou:
— Boa garota. Muito esperta. Toma, sua recompensa, Lady Yamada.
Movendo o braço, alcançou a latinha que havia colocado na outra mesa e lhe entregou, sentando em seguida na sua cadeira e virando para ela. Embora suas ações fossem naturais, por dentro, Victor sentiu algo afrouxar lentamente dentro do peito.
Assim que tocou Aki, a pressão da reunião pareceu diminuir de forma quase absurda. O peso acumulado durante as últimas horas simplesmente… desapareceu.
“É isso que chamam de porto seguro, não é? Nunca pensei dessa forma antes…”
A reflexão surgiu involuntariamente em sua mente enquanto observava a garota ao seu lado.
“Claro que é… sempre foi assim com Fernanda… e com Ayla… enfim… não há nada que eu possa fazer quanto a isso…”
Um sentimento estranho tomou conta de seu peito. Mas, afastando essa emoção desconfortável, ele seguiu a interação com Aki.
…
Alguns minutos se passaram, enquanto bebiam e conversavam. Victor conseguiu manter qualquer demonstração do que havia sentido sobre seu passado oculta. Em determinado momento…
— Como foi a reunião? — perguntou a garota, um tom de expectativa nítida em sua voz.
Ele sorriu. Os olhos brilhando de empolgação. E nos momentos seguintes, ele detalhou toda a reunião, todos os assuntos e toda a parceria fechada. Então, era hora de fazer o relatório e se encontrar com o chefe Akashi para atualizá-lo da situação.

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