Índice de Capítulo

    A foice tremeu em minhas mãos, refletindo a tensão que corria por todo o meu corpo. Cerrei os dedos com tanta força que os nós ficaram brancos, obrigando-me a manter o foco no presente, ignorando o turbilhão de emoções que ameaçava me afogar.

    — Ok, tá legal… — suspirei, inspirando fundo, tentando absorver cada fragmento do que estava acontecendo.

    Tudo estava sendo jogado contra mim, tudo o que eu acreditava e tinha confiança.

    — Sempre tão controlado… — murmurou a Sombra, com aquele sorriso irônico que me queimava por dentro.

    Ela baixou a mão levemente, e uma energia púrpura corrosiva fluiu do centro da sua palma. Não era só poder; era realidade se distorcendo, como se o próprio tecido do mundo hesitasse em tocar algo tão profano.

    O brilho escuro começou a se moldar, alongando-se em formas que pareciam vivas. Em questão de segundos, transformou-se em um núcleo metálico sombrio, uma lâmina de espirais góticas, guardas emaranhadas como espinhos, sugando o ar ao redor e criando uma sensação de perigo iminente. Cada elo prismático pulsava, uma corrente viva de poder puro.

    Quando ela moveu o pulso, a arma serpenteou, alcançando qualquer alvo, irradiando uma luz que parecia corroer tudo ao redor. Não era só uma arma — era um reflexo de sua essência sombria, um aviso do que aconteceria a quem ousasse enfrentá-la.

    — Uma Rosa Negra… — disse ela, e meu peito apertou. — Esse era o apelido fofo que você deu a Kyouka, não foi?

    A foice caiu um pouco em minhas mãos. Ela sabia tudo sobre mim. Sabia o que eu sentia, o que eu lembrava… sabia dela.

    — Tão bela e frágil como uma rosa… mas afiada, dolorosa quanto os espinhos que coloca ao redor… — murmurei, sentindo a memória corroer minha sanidade.

    — Memórias podem ser cruéis, não? — provocou a Sombra. — Uma flor, bela… mas limitada, frágil. E não importa o quanto finja que não liga, a imagem permanece… poética, não?

    — De fato… uma flor. A beleza e letalidade dela sempre será minha fraqueza… — admiti, cada palavra uma lâmina atravessando meu peito.

    Ela apertou o cabo da espada, fitando-me com olhos que me desafiavam:

    — Por que lutar então? Sabendo que isso fará de você inimigo… vocês nunca permanecerão juntos se você se afastar.

    Ergui a cabeça. Meus olhos brilharam em azul intenso, a foice respondendo à minha energia cósmica, à presença de filho de Yggdrasil que não podia ser subestimada. Cada cristal na lâmina pulsava, erradicando energia que fazia o ar vibrar. Fragmentos de estrelas explodiam silenciosos, constelações surgindo na borda afiada da minha arma.

    A Sombra arregalou os olhos.

    — Isso foi inesperado… — murmurou, mais para si mesma do que para mim.

    — Você não vai entender, mesmo que eu explique… — disse, firme. — Vamos lutar, porque é isso que nos define. Tanto Kyouka quanto eu, é um fato. Nunca iremos ficar juntos!

    Minha foice respondeu ao toque das minhas mãos como uma extensão da minha própria essência. O cosmos parecia dançar ao redor da lâmina, azul e negro se misturando com a pressão que emanava de mim. Estrelas, luz e escuridão, um halo sufocante condensando a energia da existência ao meu redor.

    Quando avancei um passo, o choque de forças fez a lâmina dela vibrar violentamente, a energia purpúrea tentando me consumir, mas se chocando contra minha luz cósmica. Um vácuo surgiu, espaço onde duas forças opostas colidiam sem fim.

    — Então, esse é o poder da verdadeira Existência… — disse ela, fascinada. — Sempre seremos opostos… Um destinado a consumir e destruir o outro, mas você a ama? Uma grande ironia cósmica, não é mesmo?

    Ela ergueu a lâmina, o brilho roxo explodindo como um incêndio faminto, cortando o ar com um zunido que abriu fissuras a metros de distância.

    “Pelo visto não vai ser tão fácil assim…” pensei, sentindo o peso do que estava por vir. Um combate que não era apenas físico, mas emocional, entre criação e destruição, entre amor e vingança, entre a Rosa Negra que eu amei e a Sombra que desafiava tudo que eu acreditava.

    Eu não podia cair aqui. Não poderia jamais.

    Meus olhos se fixaram nos dela, avaliando cada centímetro, cada movimento, cada intenção. Medimos nossas armas, nossos corpos, e finalmente entendemos: éramos inimigos. Dois lados opostos de uma batalha que transcendia qualquer laço mortal.

    — Tem certeza de que vai conseguir se concentrar em me derrotar? — provocou a Sombra, o sorriso gélido nos lábios. — Afinal, pareço ser, talvez, a única forma de reencontrar sua amada… não é? Isso deve atrapalhar o grandioso Guardião Negro…

    Ignorei a provocação, mesmo que meu peito se apertasse. Meus olhos cintilaram com determinação enquanto erguia a foice, apontando-a diretamente para ela. A lâmina alinhada, ameaçadora, quase roçando seu pescoço.

    — Chega de provocações, Sombra. Você é uma ameaça à própria existência — disse, a voz fria e cortante. — E como tal, é meu dever erradicá-la.

    Meu coração parecia querer me trair, mas eu me mantive firme. A missão vinha antes de tudo, mesmo que significasse esmagar a mulher que mais amei.

    Ela me observou atentamente, olhos roxos brilhando com uma intensidade sombria. Sua espada recuou, pulsando agora de forma mais calma, mas ainda carregada de perigo.

    — Então que esses sentimentos sejam destruídos aqui… — murmurou, quase uma súplica. Mas o olhar dela era claro: queria ver até onde eu iria.

    Em um instante, uma explosão de energia púrpura irrompeu ao redor dela, enquanto meu próprio cosmos respondia, criando um vórtice de destruição ao nosso redor. O chão estremeceu, o ar vibrava, e a realidade parecia prestes a se rasgar. Entulhos e fragmentos da cidade destruída giravam, esmagados pelo peso do nosso poder. Rachaduras se abriram no solo, e o céu se fechou em nuvens escuras, iluminadas por relâmpagos que rugiam como um aviso apocalíptico.

    Ali estávamos, no epicentro do caos: escuridão do Vazio contra o cosmos da Existência. Duas forças que transcenderam o universo, decidindo, talvez, o destino de tudo.

    Lancei-me contra ela. Nossas energias colidiram com um impacto que ressoou como trovão celestial. As chamas púrpuras do Vazio se chocaram contra o brilho azulado do meu cosmos, devastando tudo ao redor. Cada golpe retorcia a realidade, criando uma paisagem pulsante de destruição.

    A Sombra atacou primeiro. Sua espada cortava o ar com velocidade mortal, deixando rastros púrpuras que consumiam tudo. Mas me movi como um predador, desviando, minha foice cintilando como um cometa ao redor do meu corpo.

    — Você parece hesitante, Guardião… — provocou, girando no ar e lançando uma onda de energia do Vazio.

    Levantei a foice, a lâmina banhada em energia cósmica cortando a escuridão como se fosse seda. A onda explodiu ao impacto, mas antes que a fumaça se dissipasse, ela já estava sobre mim. Sua espada desceu como sentença de um verdugo, mas contra-ataquei com a base da foice. Luz azul explodiu, e senti a colisão reverberar por todo meu corpo.

    Cada movimento, cada impacto, cada vibração do ar ao redor era um lembrete: essa não era apenas uma batalha física. Era emocional, cósmica, inevitável. E eu não poderia, jamais, ceder.

    Levantei minha foice, a lâmina banhada em energia cósmica cortando a escuridão como seda. A onda de energia explodiu ao impacto, mas antes que a fumaça se dissipasse, a Sombra já estava sobre mim.

    A espada dela veio de cima, descendo como sentença de um verdugo, mas contra-ataquei com a base da foice, provocando uma explosão de luz azul que fez o ar tremer.

    “Melhor não entrar no jogo mental dela”, pensei, mantendo silêncio, forçando-a a recuar com uma explosão de força cósmica. — Hesitar porque? Se uma covarde tenta usar sentimentos como arma… — murmurei, a raiva aflorando.

    Girei a foice e, num movimento quase instantâneo, desferi uma sequência de golpes que cortavam o ar em flashes cegantes de luz azul. Ela aparava com a espada, mas a força de cada impacto a fazia recuar alguns metros. O chão cedeu sob meus pés, a pressão esmagadora avançando como uma maré cósmica, rachando o solo ao redor.

    Mas a Sombra não cedeu. Uma fenda púrpura surgiu sob seus pés, e uma energia densa e maligna explodiu ao redor dela, formando um círculo sombrio que corrompia o chão ao toque. Sua espada brilhou em resposta, e ela avançou com velocidade ofuscante. Cada golpe cortava o ar em padrões impossíveis de seguir, chamas corrosivas envenenando a atmosfera.

    Levantei a foice para bloquear, rangendo os dentes a cada choque. Sentia a energia sombria tentando corroer minha aura, mas mantive a concentração. Minha foice dançava ao meu redor como extensão de mim mesmo, repelindo a escuridão com cortes precisos e explosões de luz estelar.

    Ela sorria, cruel, vendo a tensão nos meus olhos. — Vamos ver se o seu brilho pode sobreviver ou ser consumido!

    Num movimento fluido, cravou a espada no solo. Instantaneamente, uma erupção de energia púrpura emergiu em um vórtice colossal, tentando me engolir por completo. As garras de chamas do Vazio distorciam a gravidade e rasgavam a realidade.

    Contra-atacando, minha aura cósmica explodiu ao redor de mim como uma galáxia em colapso. — Você realmente me subestimou! — gritei, estendendo a mão. Um círculo mágico de luz azul surgiu, símbolos místicos dançando ao redor da minha palma.

    Do círculo, raízes de pura energia cósmica brotaram do nada, perfurando o chão corrompido dela. Elas se espalharam como estrelas, cada uma pulsando com o poder do próprio cosmos, entrelaçando-se com o vórtice púrpura, anulando a energia do Vazio.

    A Sombra recuou, surpresa, mas logo avançou novamente, brandindo a espada que pulsava com energia roxa. Desta vez, o aço negro em suas mãos se retorceu, alongando-se como serpente sob seu comando.

    — Vamos aumentar o nível, querido. — Sua voz era malícia pura, ecoando como um cântico sombrio. — Acompanhe-me até onde meu vazio pode te devorar.

    Ela girou o chicote, estalando-o contra o chão. Ondas de energia púrpura se espalharam, destruindo tudo em seu caminho. Cada vibração parecia um trovão profano, fazendo prédios ao redor se despedaçarem.

    — Vamos ver se consegue me seguir… Guardião.

    O chicote envolveu um prédio tombado, e com um puxão, ela o lançou contra mim. Reagi no último instante, girando a foice como escudo cósmico. O impacto foi brutal, mas aguentei firme, cada fragmento de concreto se desintegrando ao toque da minha energia azul.

    Quando a poeira baixou, eu ainda estava de pé, a foice resplandecendo com o brilho de Yggdrasil.

    — Foi só isso? — murmurei, olhos azuis fixos nela. — Se é isso que chama de “elevar o nível”, então—

    Não terminei. O chicote voltou, surgindo de meu ponto cego, pulsando com energia corrosiva. Fui atingido em cheio, lançado por quilômetros, atravessando ruas destruídas até cravar a foice no chão e forçar meu corpo a parar. Um sulco profundo se abriu, mas respirei, me mantendo firme.

    O cenário era desolador: prédios quebrados, ruas devastadas, chuva escura caindo como promessa de destruição.

    — Tão previsível, Guardião. — A voz dela soou de um prédio à frente. A lâmina-chicote se enrolava ao parapeito como serpente roxa. Ela me observava, elegante, quase gentil, como se saboreasse cada momento. — Parece que ainda tem muito para aprender… — provocou, o convite doce e venenoso ecoando no ar. — Quantas vezes mais terei que te quebrar antes de admitir que esse jogo de amantes é o que deseja?

    Limpei um filete de sangue do canto da boca, olhos fixos nela. A dor queimava, mas a convicção brilhava como estrela em meio à escuridão.

    — Se pensa que vou ceder, está enganada. — Minha voz firme cortava a chuva. — Se quer brincar, vou acompanhá-la. Mas não espere que eu caia nesse seu teatro patético.

    Ela suspirou, desapontada, mas ainda com um sorriso suave. — Não preciso que caia… só preciso que resista… para aproveitar cada segundo… até tomar o que é meu.

    A lâmina-chicote se desenrolou em teia de destruição, pulsando com energia corrosiva. Avançou como deusa da devastação, e eu ergui minha foice, a aura cósmica explodindo como um campo de estrelas. A próxima onda de batalha estava prestes a começar, e a fúria de ambos prometia consumir a cidade morta e além.

    Continua…

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