Capítulo 710 - Plano e ações
“E-ele foi embora? Isso é uma piada ou algo do tipo?” Uma mulher das Salas Compartilhadas perguntou, em pânico, ao observar em agonia o Mago de Tempo-Vida se distanciando cada vez mais.
Até mesmo Melanie e Lehard ficaram sem palavras ao ver aquele homem fugindo sem qualquer hesitação!
“Mago sem derrotas, uma ova, aquele cuzão!”, gritou Melanie, furiosa.
Vendo Soureen partindo, Otelo se viu sem chão.
Está acabado, nossa cidade, nossa casa de leilão, nossa companhia, tudo está acabado…
As três Empresas Comerciais que comandavam a Casa de Leilões de Yandou, incluindo os Biliark, tinham todos os seus investimentos focados ali. Se a cidade fosse destruída, eles provavelmente afundariam em dívidas em pouco tempo.
O pensamento de lutar contra aquilo passou pela mente de Otelo, mas ao ver a gigantesca serpente negra e seus olhos roxos maiores que ele próprio, rapidamente desistiu da ideia. Mesmo se ele movesse a totalidade de suas forças combatentes, sentiu que não seriam suficientes para sequer prejudicar aquilo. Além disso, havia mais um problema.
Caminhando até a borda do terraço, o leiloeiro olhou para baixo. Vendo milhares de figuras negras inundando a cidade a partir do Portão Sul, todo o seu corpo tremeu.
Lutar contra o Nidhogg? Eu nem sei se podemos lidar com as simples Criaturas das Trevas invadindo… pensou, em resignação.
Com um rosto sério, o sujeito optou por mudar sua abordagem. No lugar de tentar salvar a casa de leilões, ele decidiu tomar uma medida de contenção de danos. Logo enviou uma mensagem a um dos seus principais funcionários.
[Precisamos esvaziar os cofres da Casa de Leilões, comecem os preparativos!]
Assim que a mensagem foi recebida, seu funcionário, que estava pouco atrás da multidão, olhou-o em pânico, respondendo imediatamente.
[Não há tempo, senhor Otelo! Por enquanto, apenas as Criaturas das Trevas fracas do Pântano Negro adentraram na cidade e em poucos números, mas em menos de vinte minutos toda a cidade estará tomada. Se não sairmos agora, receio que não teremos outra chance! Além disso, nem sequer temos mão de obra suficiente…]
Como uma cidade não militar que estava numa área ‘protegida’ da ameaça dos Orcs e dos Altos Elfos, devido à existência do Pântano Negro, Yandou não tinha um grande exército de defesa. Além disso, também contavam com a ‘benção’ do Conselho Superior, qualquer um que ousasse atacá-los sofreria retaliação imediata.
A maior parte de suas forças se concentrava na Casa de Leilões, no Portão Sul e no centro da cidade. Com a queda da muralha e a invasão das Criaturas das Trevas, a maior parte das tropas rasas já havia perecido ou lutava para sobreviver. Tudo que restava eram aqueles no centro e na Casa de Leilões e seus entornos, eram cerca de 3 Guardas de Nível General, que sempre ficavam estacionados no leilão, 5 Majores e cerca de 300 guardas. Isso simplesmente eram números insuficientes para lidar com essa situação!
Apertando os punhos com força, Otelo se viu sem saída.
Eu realmente preciso abandonar todos os nossos bens? Se ao menos eu ainda tivesse mais homens… Espera! E se eu usá-los? De repente, o sujeito olhou para trás. Havia cerca de quarenta pessoas das Salas VIPs e Compartilhadas, todas elites das Legiões e outras organizações influentes. Se ele pudesse convencê-los a ajudá-lo, seus problemas seriam resolvidos!
Muitos dos convidados, ao verem Soureen partindo, já estavam prestes a sair também, quando a voz de Otelo Biliark soou:
“Senhores e senhoras. Tenho um humilde pedido a fazer”, declarou, com uma voz resoluta.
Todos no local olharam para o sujeito de forma estranha.
“Um pedido? Do que ele está falando? Não vê a situação em que estamos?” Alguém balbuciou.
“Nossa Casa de Leilões precisa de algum tempo para organizar nossa retirada. Preciso de voluntários que possam nos ajudar na defesa.”
Ouvindo o pedido inusitado, todos olharam para o sujeito com olhos arregalados, muitos até tinham expressões claramente ofendidas.
“Está louco? Acha que somos seus capangas?!”
“Os Biliark são realmente ousados para fazer um pedido tolo como esse!”
“Quanta besteira, estou saindo daqui agora mesmo!”
Vendo todos hesitantes e muitos irritados com suas palavras, Otelo rangeu os dentes. Ele sabia que não seria tão fácil. A maioria dessas pessoas eram representantes que não lidavam com o campo de batalha, enquanto outros eram lobos solitários em busca de itens específicos ou lucro fácil. Por que pessoas assim lutariam por ele em primeiro lugar? A única resposta possível era uma, por dinheiro!
“O pagamento é… 20 moedas de ouro, por pessoa!” Otelo gritou.
Assim que essas palavras soaram, todos os que estavam saindo imediatamente pararam seus passos, olhando para o sujeito de forma singular.
“Isso é sério?” Alguém perguntou, hesitante.
Mesmo que muitos fossem ricos, 20 moedas de ouro ainda era uma soma considerável!
Vendo isso, o leiloeiro assentiu.
“Absolutamente!”
Ali havia quarenta pessoas, com muitos sendo Generais, Majores e Capitães. Mesmo que o valor que ele precisasse desembolsar fosse monstruoso, de pelo menos 800 moedas de ouro, isso não era nada se comparado com o que perderiam se abandonassem a casa de leilões de mãos vazias. Além disso, ele era o único representante das três empresas comerciais presente na cidade. Se tudo fosse perdido, a responsabilidade disso cairia em suas costas e na de sua família!
Lehard e Melanie não pareciam interessados, suas expressões eram de completo desprezo pelo sujeito.
Vendo isso, Otelo não hesitou.
“É claro que, para os ilustres membros de Karmalía e Falcon, o valor será dobrado!” declarou, ajustando os valores.
Dessa vez, até a Eterna Donzela de Falcon se sentiu atraída e a expressão de Lehard, a Coruja, era estranha, seus olhos negros focados no sujeito, como se estivesse considerando seriamente a proposta.
Os outros não ficaram invejosos com a diferença de valores, afinal, estavam falando de representantes das Dez Grandes Legiões, era claro que o valor de sua mão de obra valia muito mais que as suas.
Não muito atrás, Oliver teve uma mudança repentina em suas emoções.
Mais 20 moedas de ouro! Se eu conseguir esse dinheiro…
“Por quanto tempo?” O homem alto perguntou, não resistindo à tentação.
Vendo isso, Otelo sorriu internamente, sabendo que havia os fisgado.
“Dez minutos, é tudo que precisamos. O pagamento será feito assim que eu e meu pessoal estivermos fora da cidade.”
Muitos olharam para o gigantesco Nidhogg hesitantes.
Nesse momento, Lehard deu um passo à frente. Com a saída de Soureen, ele se considerava a pessoa mais poderosa ali e claramente aquele que precisava assumir as rédeas.
“Muito bem, mas precisamos de alguém de olho naquela coisa. Se ela se mover, estaremos saindo e o pagamento ainda terá que ser feito”, declarou, com uma voz calma, encarando Otelo.
“É claro!” O sujeito concordou prontamente, então olhou para seus funcionários. “Estamos começando agora mesmo, apressem-se! Cada segundo é valioso!”
Seus homens de confiança, incluindo os três Generais, o olharam hesitantes, mas não perderam tempo, quando voaram em direção à casa de leilões.
Enquanto isso, Lehard olhou para as pessoas ao seu redor.
“Aqueles que forem participar, metade virá comigo e cuidaremos da rua central, a outra metade ficará com a Melanie e se encarregará da rua lateral”, ordenou.
A Eterna Donzela de Falcon não parecia satisfeita com o sujeito assumindo o controle da situação, mas não disse nada, já que ele havia dividido o grupo e até lhe dado a tarefa menos perigosa.
Vendo as pessoas se organizando, Fernando ficou em silêncio. Mesmo que 20 moedas de ouro não fossem grande coisa, ainda eram um valor razoável, então olhou para Oliver, esperando ordens.
O sujeito gigante apenas ficou em silêncio, pensativo.
“Esqueça isso. De que adianta dinheiro, se você morrer?” Niesttra, que estava ao lado e vendo a hesitação do Major, aconselhou. “Além disso, se aquela coisa chegar aqui, é uma morte garantida”, falou, olhando na direção do Portão Sul, onde o Nidhogg, por algum motivo, continuava parado, empoleirado nas muralhas, como se estivesse confuso.
“Eu entendo, senhor, mas nossa situação…” Oliver disse, sem saber como explicar.
Fernando tinha uma expressão complicada quando se envolveu.
“Major, quanto ao valor dos seus itens leiloados…”
“Não se preocupe, eles me entregaram tudo enquanto vocês estavam fora, caso contrário eu não teria saído de lá tão fácil”, Oliver falou, de forma séria.
Vendo isso, Niesttra suspirou. Como alguém que estava a par da maioria dos assuntos do Conselho Dourado, ele estava ciente da disputa que ocorria nos bastidores. Incluindo o embate entre as facções de Dimas e Wayne. Como um membro não direto dos Leões Dourados, o Mestre Alquimista vinha se mantendo neutro em relação a tudo isso.
Ele havia ouvido falar que Dimas Ortega e seus apoiadores no Conselho Dourado estavam tentando sufocar financeiramente Wayne e os demais, de forma que essa ‘rebelião’ não fosse mais longe que isso. Afinal, uma vez que ela se tornasse pública e difundida entre o público, sangue seria certamente derramado e isso era algo que nenhum dos lados queria.
De seu ponto de vista, um não-militar, todo esse conflito era uma bobagem sem sentido, mas ele entendia que essa era a realidade e não poderia ser mudada. Mesmo se ele interferisse pessoalmente para cessar esse embate, não resolveria a situação.
Aqueles descontentes com as ações imprudentes e inconsequentes de Dimas continuariam descontentes e eventualmente se revoltariam mais uma vez. Assim como o General Supremo jamais confiaria nos Generais revoltosos novamente e tentaria expurgá-los silenciosamente.
Ele já havia visto esse tipo de situação uma dúzia de vezes e sabia que o melhor era deixar que se resolvessem sozinhos.
No entanto, ao ver um Major que logo se tornaria General considerando seriamente arriscar sua vida e de seus subordinados por alguns trocados, percebeu que a situação da facção de Wayne era pior do que imaginava, achando isso lamentável.
“Se quer fazer isso, ao menos não envolva esses dois”, afirmou, com um semblante sério, olhando para Fernando e Lerona.
Ele havia visto grande potencial no jovem pálido e acharia uma pena se ele morresse por nada num lugar como esse.
O Major hesitou por um momento, quando assentiu.
“Vocês dois podem sair com o senhor Niesttra. De qualquer forma, nossas missões aqui nunca foram as mesmas, então vocês não precisam seguir minhas ordens. Estaremos nos separando agora.”
Fernando e Lerona se entreolharam, sem saber o que falar.
Nesse momento, uma mensagem chegou ao Cubo Comunicador do jovem Tenente, era de Raul!
[Moleque, você precisa sair dessa cidade!”]
O rapaz ficou surpreso ao finalmente ter uma resposta.
[Onde você está, senhor Raul?]
[Nós acabamos de sair da pousada, está um inferno aqui! Onde vocês estão?]
Lendo isso, a expressão de Fernando afundou. A Pousada Recanto Esquecido ficava nas favelas, não tão distantes da Muralha Sul. Se Raul estava lá, ele estava em perigo!
[Nós estamos na Casa de Leilões.]
[Não saia de perto do Major Oliver e da ruiva, estou a caminho! Se as coisas azedarem, não me esperem!]
Vendo essas mensagens, o jovem Tenente suspirou. Ele havia recebido uma ordem ambígua, o que significava que cabia a ele decidir entre ficar e sair.
Olhando para Lerona, Oliver e Niesttra, o rapaz pareceu pensativo por um momento, quando assumiu uma expressão resoluta:
“Me desculpe, senhor Niesttra, mas acabei de receber ordens do meu superior. Não sairemos até que o Capitão Raul chegue.”

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.