Índice de Capítulo

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    Ele teria batido em Briorn se o pequeno não fosse seu aliado.

    Talvez Hrafn tivesse dado instruções em excesso, fique atrás e bata depois, duas ordens já pareciam demais para aquele bruto considerar, ele devia ter simplificado e falado só para que fique atrás. O resto viria sozinho, porque a parte de bater Briorn sempre lembrava sem ajuda de ninguém.

    Mas eles deram sorte, Dagny conseguira atravessar viva o espaço entre eles e os inimigos. Aquela era a parte mais delicada do plano, Hrafn não podia se encher com mais peso, então tiraram todo o peso dela e a deixaram com nada além da velocidade, das bolsas e com a coragem. 

    No instante em que o grito de rendição dela soou pela arena, uma onda de vaias veio em resposta, a plateia parecia não gostar de vê-la sair inteira. À frente Hakon se levantava, e Briorn lutava contra os outros dois voroirs usando as manoplas da armadura.

    A maça de Hrafn começou a girar e ele se entregou à bênção, mergulhando na percepção esticada, para observar a luta se desenrolar com lentidão suficiente, e ser capaz de ler o próximo passo antes que ele existisse.

    Hakon estava com a lança em posição, o movimento terminaria num arremesso mirando as pernas de Briorn ainda firmementes no chão. Pequenas faíscas corriam pela haste, os olhos do nobre brilhavam num azul vivo, e o cabelo arrepiado fazia parecer que ele era um pequeno raio. Os outros dois voroirs eram menos chamativos, ao que tudo indicava eram brancos, escudo e espada curta.  

    Hrafn permaneceu mais alguns instantes dentro da bênção, escolhendo qual rumo de ação não mataria Briorn, até que o desconforto começou a crescer com sua megin torcendo sua vontade. Ele soltou a ‘’corda’’ e o mundo voltou de uma vez, sua maça então completou metade do giro vertical e foi lançada à frente, ele continuou correndo atrás dela. Um segundo depois a lança de Hakon também voou, ao mesmo tempo, duas espadas desciam na direção de Briorn, que se jogava para trás.

    A maça de Hrafn atingiu primeiro, bem no momento em que a lança de Hakon acertaria o pequeno bruto, o ferro pesado colidiu com a haste e arrancou a arma do trajeto. A lança rodou no ar e perdeu a linha, batendo no corpo de um dos voroirs mais velhos, dando a Briorn a fração de tempo de que ele precisava para terminar de recuar.

    No momento seguinte Hrafn já estava ao lado dele. Os dois voroirs se adiantaram e fecharam o caminho entre ele e a maça caída no chão, Hakon veio pela lateral, mancando um pouco depois do chute que tinha levado, com a armadura da coxa visivelmente amassada para dentro.

    Os cinco se olharam em um impasse, havia muita coisa nos olhos dos três nobres, mas acima de tudo havia surpresa. Os dois mais velhos já não mostravam tanto vestígio da arrogância inicial, eles estavam alertas agora, assim como lançavam olhares desconfiados para as sementes que Dagny deixara cair durante a corrida.

    “Muito esperto, nanico,” disse Hrafn, apontando com o queixo para a própria maça caída mais adiante, irritado por ter precisado perdê-la para salvar o outro.

    “Dá um jeito, aleijado,” respondeu Briorn, então sacou o machado e firmou uma base aberta com os pés.

    Hakon caminhou ate a lança, apanhou-a do chão e ergueu os olhos para os dois. “Renda-se,” disse. “E eu dobro o pagamento.”

    Hrafn decidiu não responder. “Siga atrás,” disse baixo, para Briorn.

    A falta de resposta pareceu irritar Hakon, o nobre não disse nada, mas o corpo começou a estalar com faíscas e Hrafn respondeu à sua maneira, o ar ao redor dele começou a emanar um verde denso e escuro, era menor que o azul, mas continha mais presença. Eles começaram a se rondar, e a poeira se ergueu sob a presença de cinco voroirs deixando seus milagres respirarem ao mesmo tempo. 

    A arena pareceu estreitar, o barulho da multidão virando um rumor distante, foram os nobres que agiram primeiro, sendo os dois guerreiros mais velhos, que correram à frente em ritmo medido com postura firme e escudos prontos. Hakon ficou atrás, esperando a janela certa para lançar de novo.

    Briorn não perdeu tempo e correu para cima deles sem forma alguma, quando chegou perto, deixou a haste do machado escorregar pela palma até o limite do cabo, firmou as duas mãos e lançou um golpe lateral brutal, tão denso de energia marrom que parecia que a arma de aço havia virado terra. Os dois voroirs ergueram os escudos no mesmo instante, uma camada grossa de megin branca surgindo à frente para amortecer o impacto, mas ainda assim foram arremessados para trás.

    Hrafn já vinha logo depois, aproveitando a abertura, mergulhou na bênção de novo. Moldou um chute lateral de direita tão limpo que o outro guerreiro entendeu o perigo antes do golpe existir por completo, o fazendo fincar o escudo no chão para proteger as coxas.

    Ao mesmo tempo, ele sentiu a lança de Hakon voando no ar em direção ao tórax, crepitando de energia eletrica. O outro guerreiro mais ao lado, estava ocupado segurando a segunda investida de Briorn, conforme o pequeno já fumegava pelas narinas, gastando tudo sem se segurar.

    Já Hrafn sorriu e encolheu a perna no meio do golpe, evitando acertar o escudo, então usou o movimento interrompido para continuar o giro. Todo o peso e toda a força caíram sobre o pé no chão, para girar o mais rápido que conseguia, e quando completou a volta, a lança passou por um triz, roçando na sua armadura por um dedo.

    E o seu ombro direito onde faltava o braço, ficou apontado para o guerreiro de escudo diante dele.

    “Liv,” chamou Hrafn. E no instante seguinte, a arena mudou.

    Pois algo explodiu de onde faltava seu braço. Uma energia viva e raivosa que rompeu sob as vestes que cobriam a mutilação, ali, escondida junto ao corpo dele, guardada onde ninguém esperaria, estava a criatura mais fofa e mais aterrorizante que Hrafn já conhecera.

    Ela estava com raiva. 

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