Índice de Capítulo

    Ola, queridos leitores! A obra vai entrar em hiato por um tempo, pouquinho, mas jaja volto, ainda estou escreveno!

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    “Sei que a maioria de vocês nunca foi tão para longe, irmãos e irmãs,” dizia Grim, sua voz calma viajando bem sobre o frio da manhã. “E menos ainda foram tão longe no inverno.”

    Bjorn o ouvia de pé entre os outros, peito estufado e orgulho firme dentro do corpo. Havia alcançado o título de voroir antes mesmo de receber um grão de luz ou concluir o tempo de treinamento, e quando soube que Leif estava organizando uma marcha para ajudar uma cidade distante, fora um dos primeiros homens livres a se voluntariar.

    Havia também vários comuns no batalhão, homens e mulheres que esperavam se provar diante da Estrela e ascenderem. Bjorn gostava dessa vontade, da determinação que via nos olhos deles, porque até suportar o frio de uma jornada como aquela já seria um fardo para os comuns. Mas o frio era uma boa bigorna, nada colocava alguém a prova tão bem quanto ele.

    “Sigam a liderança dos mais velhos e experientes,” disse Grim. “Este,” apontou para um homem muito velho, de cabelos brancos e barba comprida que ia até a cintura, “é Ari, e ele será o supervisor do segundo batalhão.”

    Bjorn aprovou a escolha no mesmo instante em que bateu os olhos no velho, mas alguns em volta, porém, não pareceram concordar tanto. Podia ouvir os murmúrios baixos e pequenos questionamentos, sabia o quão errados estavam. O homem não estava ali para lutar como guerreiro de linha de frente, ele estava ali porque tinha os cabelos brancos, e isso significava muita coisa, pois Bjorn aprendera cedo que um homem velho em uma profissão em que o comum era morrer jovem merecia respeito. E havia poucas profissões tão mortais quanto aquelas que exigiam vagar pelo reino.

    Em meio aos murmúrios veio um som seco de lábios batendo e garganta sendo limpa com impaciência, logo em seguida as pessoas ao redor do dono do gesto ficaram quietas. Ali estava outro, o garoto mimado, ou pelo menos o garoto que Bjorn julgara ser mimado quando o conhecera, pouco antes de ele quebrar sua cara mesmo sendo menor e tendo um braço a menos. Havia outros como eles na comitiva, voroirs em geral, mas ninguém com um título maior. Grim era o mais velho de todos os abençoados presentes, o que ainda surpreendia Bjorn um pouco, o branco não parecia muito mais velho do que eles, mas aparentemente já carregava varios anos nas costas. Essa era uma das vantagens de ser abençoado pela megin, ainda mais para os brancos, cuja carne parecia quase esquecer a passagem do tempo.

    Como o jovem verde acabara de fazer uma ação que agradara Bjorn, ele resolveu ir cumprimentá-lo. Graças ao seu tamanho massivo e sua armadura pesada as pessoas abriram caminho conforme ele andava. “Ei, garoto mimado,” Ele brincou.

    “Olá,” respondeu Hrafn. Então passou a mão pelos cabelos, como se tentasse lembrar do nome dele. “Brilhante, se não me engano?” perguntou com um sorriso maldoso.

    “Bjorn,” respondeu o ferreiro, esticando o braço direito para um cumprimento.

    Hrafn olhou para o braço estendido, depois para o seu ombro direito onde claramente lhe faltava algo , e por fim para Bjorn com ambas as sobrancelhas levantadas e a mandíbula apertada. “Sério?” perguntou.

    Bjorn percebeu a própria estupidez alguns instantes depois, então recolheu o braço direito, pigarreou e estendeu o esquerdo. “Não foi por mal,” disse, levando a mão livre atrás da cabeça, sem jeito.

    “Não há problema se não foi de propósito,” respondeu Hrafn. “Eu mesmo faria de propósito se fosse ao contrário.” Então esticou a própria mão e segurou o pulso de Bjorn num aperto firme antes de soltá-lo com um sorriso pequeno. 

    O ferreiro gostou da resposta, sorrindo de volta. “Acha que será o bastante?” perguntou  ele, apontando com a cabeça para a comitiva.

    Todos já estavam do lado de fora dos muros, eles tinham saído na primeira hora da Estrela e agora terminavam os preparativos finais. Havia pouco mais de mil soldados e dezenas de voroirs.

    “Para uma cidade de setenta mil habitantes?” Hrafn ergueu uma sobrancelha. “Improvável.”

    Bjorn estranhou a resposta, já que ele mesmo perguntou só para puxar assunto, porque para seus olhos aquele número parecia mais do que suficiente. Mil homens escritos numa folha poderiam parecer pouco, mas quando se estava de pé ao redor deles, quando se via o aço, os mantimentos e toda a massa viva de gente, indo tão longe que mesmo alguém tão alto quanto ele mal conseguia ver o fim de onde estava.  

    Era difícil chamar aquilo de pouco. “Me parece um bom número,” pontuou.

    “Me parece só o bastante para não morrerr na estrada,” rebateu Hrafn.

    “Não estamos sozinhos também, não é?” disse Bjorn, encontrando confiança no próprio raciocínio. “Você acabou de dizer que há setenta mil homens e mulheres naquela cidade. Deve haver centenas de voroirs lá.” Continuou. “Seremos mais apoio do que ajuda.”

    “Espero que sim,” respondeu Hrafn. E a conversa morreu aí, já que o jovem verde não parecia muito interessado em conversar mais, e os dois tinham pouco em comum até então além de títulos e uma primeira impressão ruim. 

    Alguns minutos depois a chamada para partir foi dada, Bjorn respirou fundo e se preparou mentalmente, esta jornada seria longa, ate mesmo a maioria dos voroirs optou por ir em carruagens devido a distância. Bjorn não julgava a escolha, mas ele preferia cavalgar por conta, apesar de haver vaktars entre os voroirs, os amarelos e os melhores batedores que um exército poderia desejar. Mesmo assim, ele gostava de confiar também no próprio olhar, ainda que fosse por teimosia, fora que comprar uma carruagem e levar servos só para ter um pouco mais de conforto no frio não era o tipo de coisa que faria.

    O que o impressionou foi ver que Hrafn também escolhera não ir em carruagem, e isso lhe pareceu quase irônico, já que se havia alguém ali com direito de se entregar ao conforto de uma carruagem, certamente seria o homem com um braço a menos. Bjorn ergueu as cordas do cabresto e bateu de leve na barriga do cavalo, só com força o suficiente para o animal entender que ele queria mais velocidade. Continuou nesse trote manso até chegar ao lado de Hrafn, onde os dois seguiram estrada adiante por algum tempo sem falar. À frente o caminho se estendia branco e margeado por terras que pareciam já meio mortas sob o frio. 

    “Você não gosta muito de carruagens?” perguntou Bjorn por fim.

    “Eu gosto de estar mais perto da natureza,” respondeu Hrafn. E o ferreiro soltou um curto som pelo nariz em aprovação.  

    “A estrada vai ser longa,” disse ele. “Acha mesmo Vardheim será tão ruim assim?.”

    Hrafn soltou um resmungo baixo de confirmação em resposta.

    “Bom,” disse Bjorn, endireitando-se melhor na sela, “então espero que saiba fazer mais quebrar narinas com a testa.” 

    “Eu também.”

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