Índice de Capítulo

    Ola, queridos leitores! A obra vai entrar em hiato por um tempo, pouquinho, mas jaja volto, ainda estou escreveno!

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    Havia uma heresia repetida aqui e ali em vozes baixas, entre os abençoados pelo megin, que ser tocado pelo milagre era também ser amaldiçoado por ele. 

    Grim nunca a descartou por completo. A Megin dava muito, e algumas coisas eram iguais para todos. Força onde antes não havia, fôlego quando o corpo implorava pelo chão, clareza em momentos que deveriam ser nada além de pânico. Outras coisas vinham mais tortas, dons que pareciam bênção até chegar a hora de carregá-los. O dele era um desses, chamavam-no de graça do empata. Soava melhor do que era. Na prática, Grim sentia o que às vezes não era dele.

    Quase nunca vinha inteiro, era sempre em fragmentos, como um gosto de sangue na boca que não era seu, cansaço que não nascera dele. Os abençoados pelo branco evitavam isso quando podiam, e Grim tinha que evitar ainda mais. Cada um conhecia o preço de se ligar fundo demais a outra pessoa, naquela manhã ele estava pagando por isso. Estava sentindo o que vinha do rapaz diante dele, e doía nele de um jeito ruim. O ombro direito queimava, seu peito carregava um descontentamento fundo e seco. Havia também um cinismo escuro, uma raiva à espreita e, enterrados sob tudo aquilo, lampejos errados de alegria. 

    “Nome?” perguntou o outro. Sua voz saiu calma, boa demais para um homem tão recentemente arrancado de volta da morte.

    “Grim,” respondeu ele.

    A dor no ombro voltou mais forte no instante seguinte. Grim puxou uma respiração funda uma vez e tentou manter o rosto neutro.

    “E você é Hrafn, certo?” perguntou. “Você realmente está bem o bastante para andar?” Ele sabia que não estava.

    “Ah, estou,” respondeu Hrafn. “Não dói tanto assim agora.”

    Mentira.

    “Nanna costumava dizer que você tinha que se mover se não quisesse morrer.”

    Grim nunca conhecera Nanna, mas por um instante sentiu a ideia dela. Então, a sensação foi empurrada para algum canto escuro da mente de Hrafn, como se ele mesmo não permitisse que ela permanecesse à vista por muito tempo. O rapaz então se inclinou um pouco mais para baixo, passando os dedos da mão boa sobre a grama fria. A emoção que veio dali fez Grim franzir a testa. Era uma alegria grande demais para um gesto tão pequeno.

    Hrafn vinha oscilando de um estado para outro desde que acordou. Tendo Grim permanecido perto dele quase o tempo todo, tinha visto primeiro o silêncio, quando o corpo ainda não parecia entender o que estava faltando. Depois viera a dor enfim reconhecida, tão forte que o rapaz quase se dobrou ao meio. Por fim, uma risada curta, quase um sorriso sem sanidade e, agora, isto: alegria por sentir a grama sob os dedos. 

    “Ela parece ter sido uma mulher sábia,” disse Grim, escolhendo as palavras com cuidado. “Em muitos casos isso é verdade, mas você ainda deveria descansar.” aconselhou ele, com uma voz baixa e calma. Tentando não perturbar o outro mais do que o necessário. Hrafn já parecia perturbado o bastante por dentro sem ajuda de ninguém.

    “Ela era,” respondeu ele, ignorando o resto, conforme passou a mão boa pelo cabelo, como se alisá-lo bastasse para pôr as coisas em ordem.

    “Por que temos que ir para Sahirid?” perguntou. E a sua raiva inundou Grim. “Por que não nos treinar em Brinegard?”

    O curandeiro entendeu a pergunta; entendeu ainda melhor a raiva que vinha com ela. Perder um braço apenas para ser arrastado estrada abaixo até a cidade apropriada da Hird podia soar como deboche. Em alguns dias talvez soasse assim até para ele, mas entender não trazia resposta.

    “Há razões para isso, irmão,” disse Grim. “Tenho certeza de que a Hird tem seu propósito.”

    Hrafn o encarou em silêncio por um instante. Então, levou a mão ao cabelo de novo, o penteando para trás num gesto que parecia mais um esforço para conter o próprio humor do que vaidade.

    “E que razões seriam essas, ‘irmão’?” O sarcasmo veio leve na voz.

    Na mente veio muito pior, como um deboche frio seguido de um ódio curto e prático. Tão denso que, por um momento, Grim imaginou Hrafn cuspindo nele, levantando-se e o espancando com o braço bom até ficar ruim.

    “Não há razão para que eu saiba, irmão,” respondeu Grim, o mais suavemente que pôde. “Mas a Hird permanece, então a razão deve ser boa o bastante.”

    Então veio um desprezo cansado. “Entendo,” ele disse, com a mesma cara neutra que manteve durante toda a conversa. E Grim se pegou pensando, não pela primeira vez naquela manhã, que talvez Hrafn não fosse quebrar; talvez já estivesse quebrado.

    “Irmão Grim, irmão Hrafn,” chamou alguém. “O hersir deseja vê-los.”

    Leif

    Ele não gostou da ideia.Fora ele quem tratou o hersir quando voltou da luta. Usou mais de si do que deveria para manter o homem de pé, alinhando o que podia e empurrando o resto da dor para depois. Curar o homem já teria sido ruim em um dia comum. Ligado a Hrafn como ainda estava agora, teria gosto de castigo.

    Ele se levantou enquanto seu joelho protestava, e Hrafn também começou a se levantar. Desta vez, a dor entrou em Grim antes mesmo do som seco de sua respiração. O rapaz vacilou pelo mais breve dos instantes, recusando-se a cair do mesmo modo que certos homens se recusavam a rezar: por orgulho, raiva ou hábito. Ele estendeu a mão por reflexo. O jovem viu o gesto, não o aceitou e levantou-se sozinho, um pouco torto, mas inteiro o bastante para a teimosia.

    “Excelente,” disse Grim, antes que pudesse se impedir. “Então você realmente está bem o bastante para andar!”

    Hrafn soltou um breve som pelo nariz. “Viu só? Tô te dizendo,” falou. Mas agora vinha algo que parecia, ao menos de longe, um divertimento sombrio.

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