Índice de Capítulo

    Ola, queridos leitores! A obra vai entrar em hiato por um tempo, pouquinho, mas jaja volto, ainda estou escreveno!

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    Bjorn era ferreiro como seu pai havia sido, e antes dele o pai de seu pai. Em sua família os homens já nasciam sabendo que o mundo respeitava duas coisas; bom aço e o braço capaz de forjá-lo. 

    Talvez fosse por isso que estivesse tendo tanta dificuldade em esconder sua satisfação. O arsenal da Hird ali não continha nada impossível, não havia lâminas cantadas na língua do Senhor, nem relíquias das histórias contadas em velhas oficinas para impressionar aprendizes. Ainda assim, o lugar o deixava quase tonto de admiração. 

    “O trabalho mais simples aqui é tão bem feito quanto o meu melhor, Guardião,” disse, com todo o respeito que tinha.

    Ele estava falando com o gigante. O Guardião era um hóspede da Hird, um imigrante de um povo que Bjorn conhecia apenas pelos relatos de mercadores e viajantes. Diziam que gigantes eram feitos para o trabalho como lobos eram feitos para a caça, também diziam que eram serenos na maior parte do tempo, Bjorn acreditava nas duas coisas. Por isso, foi o primeiro dos aprendizes a reunir coragem para se aproximar, antes que os outros encontrassem a deles.

    O Guardião apontou para o martelo de guerra nas mãos de Bjorn. Era uma peça magnífica, grande e densa, com o peso distribuído de forma tão precisa que parecia mais leve em movimento do que aparentava de longe.

    ‘’Isso,” disse o gigante, “é sucata.” 

    Bjorn se remexeu um pouco, não por ofensa, era a voz. Mesmo um homem do seu tamanho, e havia quem o chamasse de pequeno gigante quando queriam irritá-lo ou elogiá-lo, tinha dificuldade em não levar as mãos aos ouvidos quando o Guardião falava. 

    “Acho que vou ficar com este,” respondeu Bjorn.

    Não se sentindo insultado, já que todo ferreiro decente passava por humilhações piores durante o aprendizado, o trabalho tinha que ser bom. Pois uma arma ruim matava seu dono com a mesma facilidade com que matava o inimigo, e um ferreiro que não entendesse isso acabava vendendo panelas.

    “Boa escolha,” disse o Guardião. 

    Aquilo lhe arrancou um sorriso orgulhoso. Se o gigante chamava a peça de sucata e ainda assim a julgava melhor do que o resto, então Bjorn ao menos tinha olhos para o aço.

    “Ei, grandão.” Chamou alguém, e Bjorn se virou por reflexo, certo de que era com ele.“Não você,” disse a voz. “O outro grandão.”

    Encontrou o dono da graça ao terminar de virar, e sentiu a irritação subir antes mesmo de pensar. O jovem era alto para um homem comum, mas baixo ao lado dele. Faltava-lhe um braço, carregava um sorriso torto na boca e tinha um mordomo grudado ao seu lado. O conjunto todo praticamente berrava nobreza, e ele nunca gostou desse tipo de gente. 

    “Sim?” perguntou o Guardião, inclinando-se em direção ao jovem.

    “Você parece entender de armas,” disse o rapaz. “Entende bem o bastante para me recomendar uma?”

    A antipatia de Bjorn piorou. Um ferreiro já merecia respeito, um ferreiro gigante mais ainda. Não se falava com um ser daqueles como se estivesse pedindo cerveja barata em alguma esquina.

    “Sim,” respondeu o Guardião. Então se abaixou para examinar o rapaz, o olhando de vários ângulos, tocou seu ombro, ajustou sua postura, fez com que desse um passo para um lado, depois para o outro. O nobre deixou, parecia até se divertir com aquilo.

    “Entendo,” murmurou o Guardião por fim. Ergueu um de seus braços longos até uma prateleira alta demais para qualquer homem comum alcançar sem um banco, e de lá tirou uma arma e a entregou ao rapaz. “É ruim,” disse. “Mas o peso diferente vai servir a você.”

    “Tem certeza?” perguntou o jovem, e o Gigante apenas assentiu.

    Aquilo foi a última gota. Bjorn já tinha pouca boa vontade para com nobres, a maneira como o sujeito duvidou da palavra do gigante o despiu do resto. “Ele é um gigante, menino mimado,” disse, mal contendo a raiva. “Então pegue a maldita arma.” 

    O jovem não respondeu na mesma hora, apenas olhou para ele com seus olhos negros, O mordomo mostrou um desagrado pequeno, mas evidente. Bjorn já vira aquilo antes, eles sempre usavam a mesma expressão, como se o mundo inteiro lhes devesse delicadeza.

    “Por que você está olhando para mim como se quisesse bater em um aleijado?” perguntou o jovem por fim, lançando um olhar ao próprio ombro vazio.

    Bjorn abriu a boca e nada saiu, não por culpa, foi por surpresa. De todas as respostas que imaginara desde que o sujeito apareceu, aquela não pertencia a nenhuma delas. O silêncio caiu por um instante, o mordomo ficou rígido. O Guardião, enquanto isso, soltou uma lufada profunda que Bjorn só poderia descrever como o riso de um cavalo, se cavalos soubessem zombar.

    “Não me diga que você está com medo de um aleijado agora,” continuou o jovem, e o sorriso torto não deixou sua boca nem por um instante.

    “Eu não seria tão desonroso,” respondeu Bjorn, enfim encontrando a voz. E era verdade, tinha orgulho demais para aquilo. Não havia valor em espancar algum nobre mimado, menos ainda um nobre mimado com um braço só. 

    “Lute com ele,” disse o Gigante, e os três olharam para o gigante.

    “Guardião…” começou Bjorn, sem realmente saber o que pretendia dizer. 

    “Vai lhe fazer bem,” disse ele.

    A ideia, no entanto, pareceu agradar ao rapaz, conforme o sorriso se alargou só um pouco, não como o de um nobre ofendido finalmente autorizado a ensinar uma lição a um artesão, havia outra coisa ali.

    “Você ouviu o grandão,” disse. “Não vai correr do aleijado, vai?”

    Bjorn sentiu a mandíbula endurecer, suspeitou que talvez não estivesse diante de um ‘’garoto mimado’’.

    Talvez estivesse diante de um problema.

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