Eu havia excluido as versões revisadas em portugues ate alguns capitulos, então tive que traduzir minha tradução, revisei e postei, mas tinha alguns erros, acabei de revisar tudo novamente, espero que não tenha mais erros, vou revisar futuramente quando tiver tempo, caso você veja algo fora da curva, e quiser, pode usar a opção de marcar erro para me alertar, obrigado por ler!
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Capítulo 49 - Hrafn - Um Inimigo Difícil de Ver
Conforme os gritos e avisos corriam pelo acampamento, Hrafn também se preparava, colocando o capacete e pegando a maça. Os inimigos não estavam muito longe, e pelo que conseguia sentir com a bênção, vinham em dezenas, eram enormes de comprimento e tão altos quanto Bjorn. Ele podia sentir as centenas de patas empurrando o corpo através do terreno, cada membro movendo pouco por vez, mas todos juntos os tornando rápidos como cavalos. Era uma sensação ruim, como se a própria noite tivesse aprendido a correr sobre pernas.
“O que é?” indagou Bjorn, sua voz saindo abafada pelo capacete que lembrava um touro sagrado.
“Eu não sei,” respondeu Hrafn. “Nunca vi nada assim.”
A resposta pareceu piorar ainda mais o humor do grupo, conforme todos se preparavam para a batalha. Briorn e Sigrid já haviam colocado seus capacetes também, sendo o de Briorn um javali e o de Sigrid uma águia. O grande ferreiro segurava um martelo de guerra pesado demais para a maioria dos homens sequer erguer, o pequeno tirano empunhava o machado de sempre, e Sigrid tinha uma lança adornada com penas no pomo, a haste marcada por listras azuis. Os comuns também já estavam prontos, os dez que permaneciam sob o comando dela e de Briorn entrando em formação ao lado deles com rigidez nervosa.
Para os lados, todos os outros também estavam em movimento, formando grupos pequenos que se espalhavam, e criavam uma grande linha de defesa. Hrafn apertou a maça e sentiu o pomo da arma se acomodar melhor em seus dedos. Logo em seguida ouviu o chamado do trompete dos Vaktars confirmando a presença do inimigo. Um barulho baixo vinha das árvores à frente, como milhares e milhares de pés marchando sobre a neve.
“Preparem-se!” rugiu Hrafn. “Eles estão aqui.”
“Aonde?” indagou Sigrid, levantando a lança em preparação.
“À frente,” disse Briorn.
Mas os outros pareciam não ver nada, e Hrafn não podia culpá-los, pois ele mesmo não conseguia enxergar as criaturas. Ainda assim tinha certeza de que estavam ali, um estranho vazio ocupado de algo que se recusava a ser visto, difícil de detectar até mesmo com seus poderes
“Fiquem atrás de mim,” disse Hrafn. “Vou sangrá-los.”
Quando sua voz terminou de cair, um grito veio da esquerda. Quando todos olharam, viram um soldado flutuando no ar, o corpo esticado e rígido enquanto berrava, seus membros sendo puxados em direções opostas com força monstruosa. Um instante depois um pedaço do tronco sumiu, como se tivesse sido mordido pelo nada e arrancado do mundo, e o resto do corpo se partiu em seguida, dividido em duas metades. O sangue jorrou para todos os lados, manchando um pouco a criatura que tinha feito aquilo e permitindo que todos vissem ao menos parte do seu contorno.
“Imbecil!” rugiu Bjorn.
Logo em seguida ele bateu um dos pés no chão, fazendo levantar uma estaca de pedra na frente de um dos homens sob seu comando. O pedaço afiado subiu rápido antes que a ponta desaparecesse, como se tivesse atravessado carne invisível, e um som grotesco e sobrenatural de lamento ecoou pela neve. A estaca continuou engrossando de baixo para cima, como se ainda estivesse subindo para dentro de alguma coisa, até desaparecer depois de certo ponto dois metros acima.
O soldado caiu de bunda para trás com os olhos vidrados de medo e Bjorn lançou outra maldição. Num salto bruto se jogou naquela direção com o martelo nas mãos, e enquanto ainda no ar golpeou para baixo. A cabeça da arma sumiu em parte do percurso, desaparecendo dentro do vazio, apenas para reaparecer batendo no chão, já coberta de sangue.
Todos puderam ver logo em seguida o que os estava atacando. Parecia uma centopeia, se centopeias tivessem uma cabeça humanoide e um único olho vertical rasgando o rosto. Abaixo do corpo quitinoso havia centenas de pernas tão altas quanto um homem, sustentando uma carcaça comprida, larga e achatada em cima, como se vários gravetos quebrados em ângulos errados tivessem sido colocados debaixo de uma minhoca com dentes.
“Liv,” chamou Hrafn.
Um momento depois vários galhos finos saíram do chão em um raio de quase vinte metros ao seu redor. Desconfiado como era, sempre que paravam para fazer acampamento ele espalhava sementes de lírio-adaga ao redor para garantir, e agora estava agradecendo a si mesmo por isso. Dezenas e dezenas de galhos afiados, com formato de lâmina, subiram do solo antes de começarem a desaparecer em vários pontos acima, atingindo os corpos ocultos das criaturas. Ele começou também a girar a maça, porque sabia que o ataque pouco faria para matar aquelas coisas, não que esse fosse o objetivo.
Instantes depois ele deu outra ordem a Liv, e os lírios-adaga apodreceram antes de morrer, quebrando-se e se espalhando em uma poeira negra pelo ar. No local onde tinham ferido as bestas, um sangue escuro e espesso começou a cair do nada com um odor forte e podre, revelando melhor suas localizações. A visão das criaturas invisíveis sendo desenhadas pelo próprio sangue arrancou um novo tipo de medo de todos, fazendo-os apertar as armas e gritar orações para achar coragem antes de atacarem com as lanças.
Sigrid, que estava ao seu lado, não precisou de muito mais para agir. Jogou a lança maior para a mão direita e puxou uma mais curta de arremesso. Levou o braço para trás, fincou um pé à frente e deixou a eletricidade correr densa por seu corpo. O braço então se moveu como um chicote, a lança voou e sumiu no ar antes de reaparecer mais à frente, cravando-se numa árvore com um estrondo e estalando de energia. No ponto onde a arma desaparecera, outra criatura logo surgiu para o mundo, agora com um furo enorme e crepitante passando pelo meio do corpo.
À direita veio outro som, mais pesado e brutal, onde Bjorn estava meio curvado para a frente, o grande martelo abaixo do corpo, como se tivesse acabado de bater contra ar endurecido. Então a imagem da outra besta também se mostrou, com a cabeça amassada como polpa, com as patas ainda se debateram por um instante. Hrafn avançou e afundou a maça numa lateral do casco quitinoso, matando aquilo de vez com um estalo úmido.
Briorn gargalhou maniacamente a esquerda, satisfeito por enfim ter um alvo digno de xingamento. “Podem vir, filhas da puta!” berrou ele, brilhando em marrom pálido enquanto a poeira, a neve e pequenos cascalhos começavam a subir ao redor do seu corpo.
Hrafn mergulhou mais fundo na beção e não gostou do que sentiu, porque o verdadeiro corpo daquele enxame ainda vinha atrás. “Mantenha a linha!” gritou. “Não deixem abrir espaço entre vocês!”
Os grupos ao redor começaram a se mover, apertando a formação, escudos subindo e lanças baixando, com mais gritos correndo pelo acampamento. As criaturas se aproximavam em ondas quebradas, algumas desviando, inteligentes o bastante para não se lançarem todas de uma vez.
Vai ser uma noite e tanto.

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