Índice de Capítulo

    Eu havia excluido as versões revisadas em portugues ate alguns capitulos, então tive que traduzir minha tradução, revisei e postei, mas tinha alguns erros, acabei de revisar tudo novamente, espero que não tenha mais erros, vou revisar futuramente quando tiver tempo, caso você veja algo fora da curva, e quiser, pode usar a opção de marcar erro para me alertar, obrigado por ler!

    Olá, querido leitor, obrigado por ler até aqui.

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    Hrafn estava dividindo o apoio de um tronco grosso com Bjorn. O jovem gigante parecia ter gostado dele, e vinha o seguindo e puxando conversa durante boa parte da viagem. Já estavam na estrada havia seis dias e ainda levaria mais seis até chegarem, ao menos se o clima continuasse permitindo. Até ali, nada realmente anormal tinha acontecido, havia alguns rastejadores aqui, algumas bestas do dia ali, e o único inimigo constante vinha sendo o frio e a comida ruim da jornada.

    “Então por que não trouxe nenhum servo?” perguntou Bjorn. “Nem mesmo seu mordomo. Ele parece excelente.”

    “Para garantir.”

    “Aí está sua má vontade com o destino de novo,” respondeu o ferreiro. “Nada aconteceu por seis dias. Estamos chegando perto e não vimos um único problema digno de medo.”

    “Exatamente,” respondeu Hrafn, sem muita paciência.

    O sujeito parecia ser um homem decente, mas também era inconveniente em boa parte do tempo. Sempre falando de honra e glória, em outros momentos falava de mulher, houve uma tarde inteira em que começou a falar de ferraria com tanto entusiasmo que Hrafn desejou ser surdo.

    “Por que seu instrutor o deixou vir?” perguntou.

    “Ele não me deixou vir,” respondeu Bjorn. “Eu me voluntariei. Queria experimentar as lutas e o frio por conta própria.”

    Hrafn virou um pouco a cabeça para olhá-lo, pensando mais uma vez que o sujeito tinha mais músculos do que cérebro. Não chegava a ser um Briorn, mas estava mais perto do que deveria.

    “Você o avisou?” perguntou, só para ter certeza.

    “Ah, não. Fiquei sabendo um dia antes e me voluntariei na pressa, acabei esquecendo…” respondeu o outro, e ficou ali olhando para o campo coberto de neve e a pequena fogueira que tinham acendido. “Eu devia ter avisado, né?”

    “Brilhante,” respondeu Hrafn, rindo em descrença enquanto mordia a própria carne seca. “Devia ter arrastado Edvard.”

    “Não disse que o queria seguro?”

    Hrafn mordeu mais um pouco, mastigou, engoliu metade e cuspiu o resto. “Não quero mais.”

    “Acho que dá para comprar algo com mais sabor de algum soldado,” disse Bjorn, apontando para o acampamento montado um pouco à frente.

    Apesar de ser noite havia bastante atividade, o fogo não apagava nunca, e a maioria das pessoas ficava acordada revezando turnos. Dormir à noite no inverno já era um perigo por si só, fora dos muros era quase cortejar a morte. Os soldados conversavam e se moviam para afastar o frio, outros afiavam ferro, e uns poucos, os que Bjorn apontava, mantinham panelas de ferro sobre suas fogueiras.

    “Você pensa às vezes então?” disse Hrafn. “Curioso.” concluiu. E escorou-se para se pôr de pé.

    “Primeiro, vá à merda,” respondeu Bjorn. “Segundo, você devia pagar a minha parte, a ideia foi minha.”

    “É justo,” disse Hrafn. “Eventos raros devem ser comemorados.”

    Ergueu então o braço para o ferreiro para ajudar a levantá-lo, Bjorn olhou para a mão, grunhiu, bateu nela de leve e se pôs de pé sozinho. Os dois então seguiram para a parte mais movimentada do acampamento, até uma das fogueiras que tinha a maior panela de ferro, e conforme se aproximavam podiam reconhecer alguns rostos familiares. Grim estava entre eles, assim como o velho Ari, que cuidava da sopa.

    “Uma moeda pelo seu ensopado,” disse Bjorn, chegando atrás do cozinheiro.

    “Duas,” respondeu o velho.

    “Por sopa?”

    “Por demanda.”

    “Demanda?” perguntou Bjorn, sem entender por que isso aumentava o preço.

    “Duas está bom,” falou Hrafn. “Por uma tigela grande.”

    “Pequena é tudo o que terão,” respondeu o velho. “Já vendi o resto.”

    “A panela parece grande,” disse Hrafn. “E esse bando também já parece bem gordo.”

    “Pequena.” 

    “Deixa então,”

    “Certo,” falou o velho. “Média então.” E ergueu a mão para trás. “Pagamento adiantado.”

    “Não sabia que era um barganhador tão ávido, Hrafn,” comentou Grim de lado, rindo e um pouco bêbado.

    “Não sabia que bebia à noite,” respondeu Hrafn.

    “Brancos podem curar o estado de alcoolismo a qualquer momento,” disse Grim com a voz arrastada.

    “De todas as vantagens,” entrou o velho Ari, “essa é a mais injusta que vocês têm. Sabe como é ruim para meus velhos ossos enfrentar esse inverno sem um bom rum?”

    “Não sabemos,” respondeu Grim. “Nenhum de nós ainda tem cabelos brancos no rabo para saber como é ser tão velho.”

    “Você é mais velho do que eu, vovô,” rebateu o cozinheiro, apontando a colher para Grim.

    Hrafn até que gostava do clima, alguns riram e outros só resmungaram, logo em seguida a comida foi servida. De tempos em tempos estendia o sentido para o mundo ao redor e recebia pouco de volta, racionalmente isso deveria tê-lo acalmado, mas ele só se sentia cada vez mais aflito e pelo visto não era o único.

    “Há algo de muito errado em uma comitiva de mil homens andar pelo reino com tão pouco acontecendo,” disse o velho depois de pôr sua tigela de lado e acender um cachimbo. “Os primeiros quatro dias? Muito bem. Até aí tudo certo, perto da capital, nada muito fora do normal.” Inalou fundo, pensou um pouco e soltou a fumaça devagar. “Mas já saímos das rotas mais seguras há dois dias.”

    “Outro pessimista,” apontou Bjorn.

    “Não, rapaz,” respondeu Ari. “Eu ando por estas estradas há quarenta anos. Mil homens e não atraímos nada digno de nota, sendo o único miserável que morreu tendo morrido por ser burro demais.”

    “Não ofenda os mortos,” disse Grim.

    O velho apenas resmungou em resposta e bateu o cachimbo no chão para renovar as cinzas. Depois ergueu os olhos para a escuridão além do círculo de fogo. “Eu digo que está quieto demais. O que pode ser sorte, já que um frio desses é ruim até para as crias da noite…” fez uma pausa. “Ou…”

    “Pode não ser,” concluiu Hrafn por ele.

    A frase caiu e ficou ali, o vento passou sobre a neve, empurrou a fumaça das fogueiras para o lado e fez os cavalos mais próximos se mexerem inquietos. Hrafn tornou a abrir os sentidos mais uma vez, e recebeu de volta a mesmo silêncio de antes, como se noite ao redor deles estivesse parada ouvindo. 

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