Ola, queridos leitores! A obra vai entrar em hiato por um tempo, pouquinho, mas jaja volto, ainda estou escreveno!
Não se esqueça de comentar e avaliar e, se possível, compartilhar, pois isso me ajudaria bastante.
Capítulos extras desta e de outras novels, assim como alguns bônus variados para membros, podem ser encontrados no meu Patreon, acessível pelo meu site no perfil.
Há também o Ko-fi para aqueles que desejam doar quantias menores.
Capítulo 10. Hrafn. Café É Bom
Hrafn chegou à tenda do hersir sentindo o corpo inteiro latejar. Leif, haviam lhe dito.
Um homem gentil.
Gentil o bastante para chamá-lo todo quebrado só para uma conversa. Embora, para ser justo, o próprio hersir também parecesse ter sido montado às pressas com o que restara. “Vocês dois podem sair,” disse ele, depois de observar o curandeiro por um momento.
“S-sim, elevado hesir,” respondeu Grim, feliz demais para esconder o alívio.
Bom para ele.
Hrafn não gostou muito da cara de Grim desde o começo. Ele nunca gostava muito dos devotos em geral. Mas o abençoado pelo branco ao menos tinha algum senso de humor, e isso contava a seu favor. O outro voroir que os havia chamado apenas assentiu e saiu atrás dele, velho ou cansado demais para desperdiçar palavras com aquilo. Sobrando somente ele e Leif na tenda. Então, o único olho bom do hersir, castanho e calmo, pousou sobre si. “Pergunte,” disse ele. Sabendo que o outro nutria dúvidas, teria sido estranho se não nutrisse.
“Por que me chamou?” devolveu Hrafn outra pergunta, não vendo razão para facilitar a vida do hersir.
“Como você fez aquilo?” perguntou Leif de volta, breve e direto, e Hrafn já sabia o que significava. Ele queria saber como ele havia sobrevivido. Afinal, fora o próprio hersir quem o arrancou da morte depois do golpe.
“Fazer o quê?” ele mentiu, ajeitando-se na cadeira com um pequeno incômodo, mais pela cautela do que pela dor.
Estava esperando que Leif estivesse apenas tateando e adivinhando no escuro, mas ele não estava. A pergunta matou o clima. Leif não a repetiu nem insistiu, apenas continuou olhando para ele, e o silêncio durou o bastante para se tornar ofensivo, até que Hrafn cedeu, antes que a conversa inteira pudesse apodrecer.
“As coisas ficaram mais lentas,” disse ele. “Então eu consegui me defender melhor.”
“Bom,” respondeu Leif. Seguiu-se uma breve pausa. “Mas você não é amarelo.”
“Eu também não sei,” mentiu de novo.
“Isso basta,” disse Leif. Então apontou com o queixo para a chaleira e as xícaras sobre a mesa. “Café?”
“Sim. Eu aceito.” Vergonha nunca foi um sentimento muito forte nele, e café era um luxo bom demais para recusar. Leif então serviu os dois, e eles beberam em silêncio por um tempo. O cheiro era forte e limpo. Havia açúcar também.
Bastardo rico.
Hrafn tomou um gole e concluiu que estava começando a gostar um pouco mais do hersir. “Você é um voroir agora,” disse Leif, pousando a xícara sobre a mesa.
“Parece que você começou pelo ponto errado,” continuou o hersir. “Mas isso pode ser bom.” Depois disso, puxou com os dentes a luva da mão boa e levou os dedos calejados ao ferimento no rosto. A cor que brilhou era vermelha, mas Hrafn viu a carne melhorar um pouco sob o toque, e ele entendeu mais pelo gesto do que por qualquer explicação.
“Compreendo,” respondeu.
O silêncio então caiu de novo, agradável e pacífico, conforme ele aprecia o cheiro do café. Ele até gostou disso o bastante para tomar outro gole em paz e começar a pensar que o hersir era quase uma companhia agradável.
“Você terá deveres agora.”
Merda.
“Mas ainda terá tempo. Como é devido a todo fylkirn.”
Hrafn gostou um pouco menos do hersir de novo. O café já não parecia tão generoso.
Os abençoados de verde eram raros e de pouca utilidade em batalha, menos até do que os abençoados de branco em certas circunstâncias. Antes disso, talvez pudessem tê-lo posto para cuidar de ervas, ajudar com cultivo, dar megin aos campos sem nunca o enviar para uma batalha. Mais comida era sempre bem-vinda, e ele poderia ter acabado vivendo como um nobre aleijado e quieto, e isso não lhe soava mal. O que de fato soava mal era morrer jovem e de alguma forma ridícula, mas começava a achar improvável que o destino lhe oferecesse alguma gentileza.
“Entendo.”
“Bom,” disse Leif.
E então não disse mais nada por um tempo, como se só quisesse vê-lo com os próprios olhos antes de decidir qualquer coisa. Ao menos teve a decência de deixá-lo terminar o café.
“Por que nos levar para Sahirid?” perguntou Hrafn, aproveitando o silêncio antes que o homem escolhesse expulsá-lo. A pergunta o incomodava desde a noite anterior, desde antes talvez. Parecia estupidez. Por que não treinar voroirs em toda cidade em vez de arrastar os iniciados pelas estradas de sal até o meio do reino?
“Porque é assim que é…” respondeu Leif, curto e áspero.
“Normalmente, ninguém deveria morrer.” Adicionou. Desta vez havia algo na voz do hersir além da secura habitual. Algo mais próximo de vergonha do que Hrafn teria imaginado ouvir ali. Fazia sentido. As estradas existiam, portanto eram usadas. Com as cidades da Hird fazendo comércio entre si, grandes caravanas cruzavam o reino o tempo todo, então algo deve ter dado mais errado que o normal.
“Está dispensado,” disse Leif, antes que Hrafn pudesse cavar mais fundo.
Ele pousou a xícara e saudou o hersir como devia, e então saiu se sentindo uma merda. Não exatamente por causa da conversa. Não que fosse agradável entender que sua vida dali em diante provavelmente seria feita de luta, dor e utilidade, mas ele já desconfiava que seria assim. Esperava por isso. O que o derrubava agora era o corpo. Doía muito.
“Hrafn!” Ele ouviu a voz antes de reconhecer quem era. “Venha cá, Hrafn! Olha o que esse velhaco tem!” Era Grim.
O abençoado pelo branco acenava para ele perto da extremidade mais distante da caravana, ao lado de alguns comuns. De algum modo, no tempo que Hrafn passara sentado bebendo café com o hersir, Grim conseguiu ficar bêbado.
Eficiência impressionante.
“Aqui, beba, Hrafn,” disse Grim, erguendo uma garrafa de cheiro forte. “Beba. Beber alivia a dor. Alivia os fardos.”
Isso…
“Vamos, não seja fraco. Você perdeu o braço, não a boca.” Grim então cacarejou alto da própria piada, como se fosse a melhor coisa dita desde a criação do mundo. “Você tem que fazer uso do que ainda tem. Venha, vamos beber.”
Hrafn o encarou por um instante, a testa franzida. A garrafa balançando a centímetros de seu rosto.
Bem. Que mal tem?
“Me dá isso.”
Olá, querido leitor. Se chegou até aqui, imagino que esteja gostando da obra, não se esqueça de comentar e avaliar.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.