Índice de Capítulo

    Ola, queridos leitores! A obra vai entrar em hiato por um tempo, pouquinho, mas jaja volto, ainda estou escreveno!

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    Conforme olhava para Hakon estalando em poder bruto e elétrico, Hrafn começava a se sentir grato a Edvard pela armadura que recebera. A parte interior do conjunto era moldada de vários materiais, sendo só o exterior feito de ferro, e isso talvez fosse a diferença entre morrer assado por fora ou cozido por dentro. 

    A maça era o maior problema, mas contando que ela estivesse girando, Hrafn confiava na sua capacidade de desviar parte da eletricidade, havia também a madeira de Liv servindo como uma camada de proteção extra, mas antes de tudo ele precisava matar o outro voroir branco. Já tinha matado um, e aquele fora o primeiro homem que matara na vida. Era um sentimento estranho, pior ainda porque ele sentira os galhos atravessando o crânio do guerreiro, a vida dele sendo envenenada e se apagando aos poucos, como se a morte do outro tivesse passado por dentro dele.

    Mas não era hora para isso, pararia para refletir sobre a morte se ainda estivesse vivo ao fim do dia. O outro voroir branco já vinha em sua direção, e Hrafn precisava continuar fingindo estar cansado, ferido e perto demais do fim.

    Mantinha a farsa o melhor que podia, com uma respiração pesada, perna meio mole, e o olhar mais exausto que conseguia imitar sem parecer teatral demais, quanto mais os inimigos acreditassem que ele estava seco de megin, melhor. Nenhum deles tinha ciência de Liv, e provavelmente haviam concluído que o ataque anterior gastara quase todo o poder do utilizador, o que era verdade até certo ponto, já que a pequena mandrágora não tinha muito mais sobrando. 

    O guerreiro colocou o ombro à frente, correndo e batendo na cúpula de galhos, quebrando tudo com o impulso do corpo como se aquilo fosse vidro, e quando estava a poucos passos de distância,, Hrafn decidiu parar de fingir fraqueza, pôs o corpo ereto, firmou os olhos e a base para um chute e se entregou à bênção.

    Um golpe de esquerda foi lançado na horizontal com um pequeno impulso para a frente, surpreendendo o inimigo. Mas apesar do engano, o outro voroir estava queimando a própria megin como papel no fogo, o corpo brilhando do pé à cabeça com um branco fraco. Ele concentrou a maior parte dessa energia na lateral do corpo, recebeu o impacto e foi jogado para trás na direção de Hakon. O jovem nobre que vinha logo depois desviou para o lado, deixando o outro passar, antes de aproveitar a abertura e continuar correndo em direção ao seu alvo, com o eixo baixo e os braços abertos e cheios de poder, como se quisesse abraçá-lo com raios até a morte.

    Como resposta, Hrafn atacou com a maça de cima para baixo em um balanço apressado. Hakon cruzou os braços sobre a cabeça, e as lâminas da arma cravaram no ferro da armadura com um som pesado. Hrafn lançou então um chute rasteiro para remover a base do jovem nobre, mas antes de o golpe se completar, os olhos de Hakon brilharam novamente, muito mais intensos dessa vez. Primeiro veio a luz, forte o bastante para cegar Hrafn por um instante, e logo em seguida veio a energia, correndo pelo chão, pelo ar e pela arma que ele segurava. O impacto da explosão fez seu corpo inteiro tremer, um choque tão bruto que ele quase perdeu a consciência, com a eletricidade mordendo e queimando sua carne antes de arremessá-lo voando para trás, quebrando os galhos que ainda restavam ali.

    Conforme rolava pelo chão, ele ativou o mergulho na percepção novamente, focando em sentir as sementes que estavam espalhadas pela arena. Ele mesmo não teria sido capaz de ativar nenhuma delas tão de longe, mas não precisava, pois o ataque inicial de Liv servira a mais propósitos do que apenas a morte. Vários dos seus galhos também tinham ido para o chão, onde se dividiram em raízes finas e minúsculas espalhadas por todo o local, estendendo-se como uma grande teia por baixo da areia, e da pedra da arena, até mesmo para além dela, se alimentando de toda a vida no subsolo. Era um trabalho faminto e voraz, do tipo que não se sustentaria por muito tempo, mas Hrafn não precisava de muito tempo.

    O voroir branco já estava de volta aos próprios pés nesse meio-tempo, correndo para ele e passando por Hakon, logo pisaria em uma das sementes que estavam conectadas àquela grande rede. Hrafn não podia errar, porque o que Liv estava fazendo mataria o solo em poucos minutos, talvez em segundos, então ele suportou a dor e mergulhou ainda mais fundo, estreitando os sentidos cada vez mais. A própria mandrágora já não tinha muito poder sobrando, sendo apenas capaz de manter a rede que criara com dificuldade. Era aí que Hrafn entraria, conectando-se tanto com Liv quanto com a trama que ela espalhara sob a arena, ele forçou e torceu sua megin, derramando-a na natureza abaixo e ordenando que a energia fosse passada adiante, de semente em semente.

    O lírio de adagas era uma planta peculiar. Formava pequenos lírios nas pontas de galhos grossos, em forma de adagas e igualmente afiados como uma lâmina. Essas foram as sementes que Hrafn escolhera para aquela batalha, e, nos segundos que se seguiram, todas as pessoas na plateia veriam os maiores lírios de adaga que já tinham visto em suas vidas.

    Nas arquibancadas de pedra da arena, o público estava em silêncio antecipador depois da explosão de raios. No centro dela, o jovem nobre ofegava com as mãos nos joelhos, os raios que envolviam seu corpo sumindo aos poucos. Hrafn ainda voava e quicava pela areia em direção a uma das paredes laterais, e o guerreiro branco o percorria com tudo o que tinha, cada passo quebrando um pouco o chão, espada em mãos e satisfação no rosto, achando que a luta já estava ganha, que bastava alcançar o homem caído e terminar o serviço com um golpe limpo.

    Mas em um instante rápido e violento, dezenas e dezenas de espinhos nasceram abaixo do pé do voroir branco. A maioria se quebrou na armadura e tirou seu equilíbrio, alguns cravaram nas juntas e furaram a carne, arrancando dele um gemido abafado conforme caía, e durante a queda mais e mais nasceram, subindo depressa demais para o corpo acompanhar. Como se possuíssem vontade própria e soubessem o que buscar, encontraram frestas entre a viseira e o respirador do capacete, entraram por seus olhos, pescoço e boca, atravessando-o por dentro e por fora com uma precisão cruel. Quando terminou, o homem parecia uma obra macabra erguida pela própria arena, vazando sangue pelas frestas da armadura e derramando-o continuamente no chão.

    Hrafn ainda sentia o corpo inteiro latejar, a cabeça zunindo, a carne queimada ardendo onde a eletricidade havia passado, e Liv estava quase tão exausta quanto ele. Enquanto isso, o sangue do branco escorria e a plateia começava a finalmente a entender o que tinha visto, rugindo de emoção com a reviravolta inesperada. 

    Alguém parecia ter gritado seu nome em algum lugar acima, e o restante seguiu em um coro alto e desordenado, com os pés batendo no chão e as mãos batendo nas coxas. 

    ‘’Hrafn!!’’

    ‘’Hrafn!!’’

    ‘’Hrafn!!’’

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