Índice de Capítulo

    Estou revisando e reescrevendo os capítulos iniciais de O que eu deixei para trás? para entregar a melhor versão possível no Volume 1 físico, que sairá logo logo. Por isso, pode haver uma diferença de qualidade entre os primeiros capítulos e os próximos durante esse período.

    Agradeço pela paciência e pelo apoio de todos!

    ‼️ IMPORTANTE ‼️

    A organização antes chamada Sacrificium Sanguínis agora se chama Noctaelum. Peço desculpas pela mudança e por qualquer inconsistência. Obrigado por acompanharem e montarem essa história comigo!

    — Vamos fazer assim. Recue um pouco por agora. Caso sobrevivamos, talvez eu possa te contar essa história com mais detalhes. Satisfeito?

    — Nem tanto.

    — Puta merda. Você tem uma impressionante habilidade de irritar as pessoas, garoto. — Murmurou. — Agora só se afasta.

    Louie obedeceu.

    Eirik, por sua vez, deu um passo à frente para receber o Rei da Aurora Boreal.

    A conversa havia chegado ao fim; já a luta, recém começada.

    Os dois continuaram em silêncio, avançando um contra o outro sem hesitar.

    Um, dois, três passos foram dados. A cada pisada, a distância entre eles diminuía; nenhum ousava desviar o olhar.

    Por fim, restavam menos de dez metros. Diante disso, Ljórr parou. Levou os dedos ao bolso da cintura, retirou um pequeno apito de osso, ergueu-o até a boca e assoprou.

    Fiiiiiiiii!

    O som agudo ecoou pelas ruínas, rasgando os ouvidos daqueles à volta, como se um prego fosse arrastado sobre o metal.

    Sabendo que toda ação gera uma reação, era previsível que o apito não seria diferente.

    Tchuf.

    A resposta veio na forma de quatro silhuetas, cada uma com mais de três metros de altura, surgindo além dos dois e formando um amplo quadrado ao redor do campo de batalha.

    Nas mãos, empunhavam armas, proles de seus poderes Kaelums.

    Eirik suspirou.

    — Não ia ser uma luta justa? Bom, esquece. O erro foi meu por cogitar que vocês não seriam covardes.

    Ljórr sorriu.

    — Não se trata de covardia, e sim de estratégia!

    Ao terminar a frase, impulsionou-se, sem qualquer aviso, na direção do conselheiro-chefe e—

    BOOM!

    A colisão entre seus antebraços aconteceu no centro do terreno.

    Acima da cabeça do Jötnar de cabelos negros, sua auréola brilhava em um vermelho intenso. Com uma leve inclinação do corpo, disparou um soco contra o nariz do conselheiro-chefe, que ergueu a guarda para bloqueá-lo. Ainda assim, o impacto o afundou contra o solo nevado.

    Após ser parado, Ljórr girou o quadril, a perna cortando o ar em arco antes de desferir um chute alto contra Eirik, que o bloqueou mais uma vez.

    — Ainda é pouco… — Os olhos do gigante estreitaram-se, e a auréola sobre ele mudou de cor.

    O vermelho dissolveu-se em amarelo, transitou pelo laranja e, por fim, alcançou o âmbar.

    Em resposta, os músculos espalhados por todo o corpo do Rei da Aurora Boreal retornaram ao estado original, com a única exceção da perna que permanecia estendida. Ela inchou violentamente, expandindo-se em músculos descomunais, marcados por veias que acompanhavam o mesmo tom do aro.

    — Segura agora!

    O bloqueio do conselheiro rompeu-se e—

    BOOOOOOOOOOM!!

    O chute acertou seu rosto em cheio, dobrando-lhe o pescoço. Uma rajada de vento explodiu em todas as direções, sacudindo a neve do chão.

    Ljórr lambeu os beiços, contente.

    — Pagou tanto de forte, só para continuar sendo o mesmo lixo do passado.

    Um fio rubro escorreu pelos lábios de Eirik.

    Ignorando a dor, porém, ele riu. Debaixo da perna do gigante, oculta pela posição do ataque, seus dedos já haviam desenhado uma runa no espaço.

    Dela, tiras cobertas por símbolos indescritíveis serpentearam ao redor do Jötnar, acompanhadas por um sussurro mais veloz que o próprio som:

    Desalinhar.

    Ao ouvir aquela simples palavra, a mente de Ljórr se inverteu, junto de seu centro de equilíbrio, que desapareceu por completo, fazendo-o cambalear para trás.

    Era a oportunidade que Eirik esperava. Avançou, segurou a cabeça do Rei da Aurora Boreal pelas laterais e puxou-a contra o próprio joelho.

    CRAAAAACK!!

    O impacto esmagou-lhe o nariz, fazendo o sangue jorrar para todos os lados e lançando a parte superior de seu tronco para o alto.

    Sem sequer ver o resultado do acerto, o conselheiro ergueu dois dedos e começou a desenhar uma runa no vazio.

    Um pequeno círculo e duas linhas para lados opostos.

    Antes, porém, que pudesse finalizá-la:

    FSHHHH!!

    Uma lança de neve atravessou o campo de batalha, obrigando-o a arquear o tronco para trás.

    A ponta gelada passou rente a sua face, levando consigo alguns fios azuis de seu cabelo.

    — MORRA!!

    Em simultâneo, um gigante surgiu à sua direita. Seu braço inteiro estava coberto por uma camada rochosa, espessa e resistente como uma montanha.

    Seu soco lateral rompeu o ar em direção a Eirik. O conselheiro, porém, não tentou bloqueá-lo. Em vez disso, deu continuidade ao próprio movimento da esquiva, aumentando ainda mais a velocidade até deitar completamente o corpo.

    Suas costas quase tocaram o chão, impedidas apenas pelas duas mãos, que se apoiaram na terra, uma de cada lado da cabeça, impulsionando sua cintura para cima e fazendo suas pernas — unidas — subirem e acertarem o queixo do inimigo de baixo para cima.

    Seus calcanhares esmagaram o maxilar do homem, revirando-lhe os olhos enquanto sangue escapava entre seus dentes.

    Enfim, o grandalhão foi lançado centenas de metros pelos ares antes de desaparecer em meio à destruição ao fundo.

    Ainda suspenso após o salto, o conselheiro voltou a ser alvo.

    — Agora!

    Dois gigantes fecharam o cerco. O guerreiro da lança de neve avançava pela esquerda, enquanto um brutamontes brandindo um grande machado de gelo se revelava pela direita.

    Os ataques vieram em perfeita sincronia, prestes a atingir Eirik, que permanecia no ar, à mercê dos golpes. Mas ele não ficou parado esperando o próprio fim. Com dois dedos, desenhou outra runa, direcionando-a ao homem do machado, e murmurou:

    Deslocar.

    — …

    A perspectiva do mundo mudou de repente.

    Agora, diante de nós, havia um golpe de machado perfeitamente executado, prestes a alcançar seu alvo.

    Mas o alvo daquele corte não era Eirik, e sim o próprio companheiro do gigante, que também avançava com sua lança.

    Ao perceber o erro, os olhos do Jötnar se arregalaram, mas já era tarde demais para impedir a própria trajetória.

    — O qu—

    SCHRAAAAAK!!

    A lâmina abriu o corpo do lanceiro em uma diagonal brutal, partindo do ombro direito até o umbigo.

    A carne rasgou-se, as costelas partiram-se e, apenas um instante depois, o rubro respingou em todas as direções.

    O lanceiro baixou lentamente o olhar, demorando um segundo a mais para compreender o que acabara de acontecer.

    Sua lança, outrora mirada no coração do conselheiro-chefe, agora perfurava o peito de seu companheiro.

    A ponta gelada atravessava o tórax do guerreiro do machado e emergia em suas costas.

    — C-com…cof…isso…aconteceu…? — perguntou o lanceiro, antes de sucumbir à morte.

    — Como aconteceu, você me pergunta? — respondeu Eirik, parado atrás do guerreiro do machado. — Eu troquei de lugar com seu amigo antes de ser atingido.

    O Jötnar, com o peito perfurado, mas ainda vivo, sentiu os lábios se tingirem de vermelho. Com dificuldade, puxou o machado e virou-se lentamente para o conselheiro.

    — S-seu… — ergueu a arma, mas foi impedido de golpear por uma repentina tosse. — Cof… cof… desgraçad—

    A palavra morreu afogada no sangue que lhe inundou a garganta, fazendo suas pernas perderem as forças e cederem.

    Seu corpo tombou sobre a neve, junto do lanceiro.

    Os dois jaziam lado a lado.

    Mortos.

    “Certo. Agora só faltam Ljórr e mais dois Jötnar. Preciso acabar com isso rápido para ajudar Vidar e Akun, que estão enfrentando mais do que um rei do inverno ao mesmo tempo.”

    Voltou-se para o gigante de cabelos negros, que permanecia à sua frente com a auréola flutuando acima da cabeça.

    — Vamos voltar de onde paramos.

    Disparou contra o Rei da Aurora Boreal, cerrando o punho e mirando diretamente seu rosto.

    Entretanto, no exato instante em que a investida estava prestes a acertá-lo, o halo acima de Ljórr mudou mais uma vez. O antigo âmbar foi atravessado por um brilho branco até assumir um intenso prata.

    De forma inesperada, o Jötnar desviou do soco com precisão absoluta.

    “O quê…?”, questionou-se o conselheiro-chefe, ainda exercendo o movimento. “Ele ainda deveria estar sem equilíbrio por causa da runa…”

    Ljórr sorriu. Aos seus olhos, os movimentos de Eirik estavam em câmera lenta.

    Aproveitando a ampla abertura deixada pela ofensiva falha, o prata somou-se ao antigo âmbar, fundindo ambas as frequências em um elegante tom de champanhe metálico.

    Em resposta, seu braço esquerdo inchou de forma abrupta. Músculos saltaram sob a pele, enquanto veias luminosas percorriam todo o membro.

    Sem desperdiçar a oportunidade, girou o quadril e desferiu um soco perfeito contra as costelas do conselheiro.

    O punho afundou em seu flanco, dobrando-lhe o corpo antes de lançá-lo violentamente através da neve.

    Auréola Boreal

    Síntese: Aurora Boreal [EF] + Fotomorfose [Fis]

    A fusão entre a Aurora Boreal e a Fotomorfose dá origem à Auréola Boreal. Ao ativá-la, uma auréola luminosa manifesta-se acima da cabeça de Ljórr, emitindo frequências de luz extremamente precisas. Diferente da Fotomorfose comum, que reage apenas às cores do espectro visível, a Auréola Boreal permite gerar tonalidades intermediárias e variações cromáticas, desencadeando mutações em seu corpo conforme a frequência luminosa produzida. Cada nova cor provoca uma reação biológica única, que não corresponde à simples soma de duas mutações existentes, podendo originar adaptações evolutivas completamente inéditas.

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    Combinação atual:

    Âmbar (fortalecimento específico) + Prata (intensificação dos sentidos) = Champanhe metálico (permite utilizar ambos os efeitos simultaneamente).

    — Acho que já passou da hora de eu parar de levar isso na brincadeira. — disse Ljórr, limpando o sangue do nariz e, com um puxão preciso, recolocando-o no lugar.

    Segundos após a explosão provocada pelo Dispersar:

    Vidar, que até então permanecia ao lado de Louie e Eirik, lançou-se em um salto veloz na direção para onde Unngrim e Eldgrim haviam sido arremessados.

    Em poucos instantes, cruzou quilômetros de ruínas até perceber novamente a pressão avassaladora dos dois Reis do Inverno. Bastou erguer o olhar um pouco mais adiante para encontrar quem procurava.

    — Ah, que merda! — rugiu o gigante de cabelos azuis, erguendo-se da cratera aberta pela própria queda. — VOU DESMEMBRAR AQUELE MALDITO MAGRELO!

    Uma extensa trilha de destruição denunciava o caminho que seu corpo percorrera.

    — Desgraçados! — resmungou ao deixar o buraco. — Eu vou matar todos—

    — Achei você.

    A voz de Vidar ecoou à sua frente, acompanhada de sua figura, que surgia caminhando calmamente em sua direção.

    Unngrim ergueu uma sobrancelha.

    — Hm? — Hahaha! — Obrigado por poupar meu trabalho! Veio até mim buscar a própria morte, Guardiãozinho de merd—

    BAM!

    A frase morreu, destruída pelo avanço de Vidar, que encurtou a distância e afundou o punho no rosto do Jötnar, lançando o colosso outra vez através das ruínas.

    Após rodopiar por quilômetros, tentou conter o próprio avanço. Cravou ambos os braços no solo, abrindo uma enorme cicatriz por onde deslizava, até que, enfim, o impulso cessou.

    — Filho da—

    Não conseguiu terminar; Vidar já estava sobre ele.

    Seu punho — armado — despencou como um meteoro em direção ao gigante, que, por um triz, torceu o tronco para a esquerda, fazendo o golpe cravar-se no chão.

    Sem lhe dar qualquer respiro, o guardião girou os quadris e disparou um chute lateral.

    BOOM!

    Bloqueou a tempo, mas foi incapaz de impedir que a força do impacto o empurrasse vários metros para trás. Os pés escavavam o terreno enquanto lutava para recuperar o equilíbrio.

    Essa breve abertura era tudo de que Vidar precisava. Antes que o inimigo pudesse se recompor, aproximou-se e desferiu outro chute, agora pelo lado oposto.

    BOOM!

    O ataque, porém, também foi interceptado, desta vez por um escudo líquido que se condensou às pressas diante de Unngrim e, após o choque, dispersou-se em incontáveis gotas.

    “P-porra! Esse filho da puta é forte pra caralho no mano a mano!”

    Com um simples gesto dos dedos, o Jötnar reuniu toda a água dispersa e a comprimiu, moldando uma densa âncora líquida.

    “Quer saber? Foda-se! Vou atacar até desfigurar cada pedaço desse porra!”

    Firmou os pés, levantou a arma e descarregou todo o seu peso no movimento.

    Vidar sequer recuou. Diante da investida, apenas trouxe as mãos à frente para recebê-la.

    KRROOOOOOM!!

    Seus pés afundaram na terra, abrindo enormes rachaduras que serpenteavam até o horizonte. Ainda assim, a investida foi contida.

    Com os músculos tensionados, deslizou os braços ao longo da âncora até alcançar sua extremidade.

    Unngrim arregalou os olhos, confuso.

    — Hã…?

    Em um giro explosivo, Vidar usou a arma como alavanca para erguer o colosso, arrancando-lhe o equilíbrio e passando-o por cima de si, até abatê-lo contra o solo.

    O Rei do Inverno, tonto pelo movimento, demorou um instante para entender a situação. Quando percebeu o que havia acontecido, o guardião já pisava sobre sua figura estirada na neve, flexionava o cotovelo e fazia despencar um rápido soco direto contra seu rosto.

    Sem conseguir reagir, em um ato mais instintivo do que planejado, Unngrim criou uma máscara líquida que lhe cobriu a face.

    Uma ação inútil, pois o soco atravessou a proteção e afundou a cabeça do gigante no chão.

    O impacto arrancou-lhe sangue e dentes — agora quebrados —, lançando-os pelos ares enquanto uma depressão colossal se abria pelo terreno, estendendo-se por vários bairros de Vallheim Vestrak.

    Só que, mesmo diante de tamanha destruição, o Jötnar manteve-se consciente. Uma fúria ardente transbordava por sua pele como vapor de água fervente.

    Com esforço, agarrou o antebraço de Vidar, impedindo-o de recuar.

    O líquido borbulhante que cobria sua face movia-se como um organismo vivo, infiltrando-se pela mão do guardião e subindo centímetro por centímetro. Rompia músculos, dilacerava veias e consumia seus tecidos como um fungo azulado.

    ★ Mar Vivo

    [Místico, fé em Aegir, o Jötunn das Marés]

    A fé de Unngrim em Aegir permite que ele estabeleça uma conexão com as águas primordiais, tornando seu corpo uma fonte de água mística capaz de ser criada e moldada conforme sua vontade. Diferente de uma simples manipulação elemental, essa água possui vontade própria, agindo como uma extensão viva do poder e da mente de Aegir. Ela pode se mover de forma independente, reagir a ameaças e protegê-lo em momentos de perigo, aproximando-se cada vez mais de uma entidade consciente das marés.

    Vidar observou, calado, o próprio braço ser lentamente devorado por aquela coisa, sem alterar a expressão.

    — Um último ato de desespero? — Sem afrouxar o punho enterrado no rosto do inimigo, dobrou o cotovelo esquerdo. — Patético.

    Seus dedos estalaram, e pelos negros brotaram pelo membro, expandindo a palma e forçando os ossos a crescerem.

    Em questão de milésimos, sua mão já havia triplicado de tamanho, transformando-se em uma monstruosa garra lupina.

    Dela emanava uma aura assustadora, como se olhos famintos o encarassem e uma mandíbula assombrosa babasse de fome.

    Um arrepio percorreu a espinha de Unngrim, subjugando até mesmo a dor lacerante que sentia.

    “Q-que… merda!… Meu corpo… tá ficando mais pesado!?”

    Naquele segundo, a diferença entre ambos era a mesma que separa um lobo de um cervo.

    Ali, naquela cratera, naquela cidade, Vidar era o caçador. E Unngrim, a presa.

    O guardião abriu a pata, revelando as unhas negras, pronto para rasgá-lo.

    Antes que suas garras encontrassem o Rei das Marés—

    SCHOLLLLLL!

    Uma corrente incandescente irrompeu pelo campo de batalha e serpenteou ao redor do pulso lupino de Vidar, barrando sua ofensiva. O anzol em sua ponta, embora incapaz de atravessar a espessa pelagem negra, cravou-se superficialmente nela.

    — Tá apanhando bem feio… Unngrim! — Eldgrim encarou os dois combatentes, puxando a corrente para si, com seus cabelos vermelhos como lava dançando pelo ar. — Vem pra cima, guardiãozinho fajuto!

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    CURIOSIDADE 26:

    O motivo de Ljórr ter conseguido se mover mesmo afetado pela runa Desalinhar foi a ativação da frequência Prata da sua Auréola Boreal. Com seus sentidos ampliados, ele conseguiu compensar a perda de equilíbrio e corrigir seus movimentos em tempo real, adaptando-se ao efeito da runa.

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