Índice de Capítulo

    Leylin observava o processo de formação do Mal Abominável.

    O espírito dentro da formação foi enfim incinerado enquanto a chama roxa se apagava aos poucos.

    Zás! Toda a luz da formação de feitiço se estilhaçou por completo.

    Leylin entrou na formação.

    O cheiro de algo queimado pairava no ar, misturado a um fedor repulsivo capaz de embrulhar o estômago.

    “Esse odor é igual ao de algo do esgoto queimado!” Leylin franziu a testa e foi até o centro.

    Os cadáveres humanos há muito tinham virado cinzas.

    No chão, no meio da formação carbonizada e afundada, um objeto reluzente chamou a atenção de Leylin.

    No fundo da reentrância, havia fragmentos de cristais verdes, cintilando como pequenos diamantes.

    Leylin cobriu a mão com uma camada de escamas e agarrou aqueles pequenos diamantes.

    “Bem leves, mas muito resistentes!” Continuou a apertá-los na palma até as juntas estalarem, mas, mesmo com sua Força de 7,1, ainda foi incapaz de fazer qualquer coisa com eles.

    “…”

    De repente, um baixo canto de saudação chegou aos ouvidos de Leylin, como se tivesse vindo de dentro dos diamantes verdes.

    Tomado pela curiosidade, Leylin os aproximou do ouvido.

    “Obrigado, jovem!”

    Num instante, uma luz branca ofuscante pareceu tomar todo o jardim de flores. Dentro dela, Leylin viu dezenas de milhares de figuras humanas fantasmagóricas.

    Os rostos desses fantasmas pareciam familiares; eram os corpos espirituais de antes, só que tinham retomado sua forma humana original.

    Havia homens e mulheres entre eles. Alguns estavam vestidos como Magos e acólitos. Naquele momento, porém, exibiam sorrisos gentis enquanto desapareciam aos poucos na luz branca.

    “Hm!” Leylin correu os olhos ao redor. Como se a morte do Mal Abominável tivesse sido a causa, a praga verde recuou depressa, revelando outra vez o jardim de flores.

    Quanto aos corpos espirituais de antes, tinham desaparecido sem deixar vestígio, como se tudo não passasse de um sonho.

    Mas Leylin sabia que não havia alucinado.

    Nesse momento, a voz do Chip de I.A. soou.

    Escaneamento concluído! Item identificado como cristais espirituais! Esta é a essência remanescente após a ignição de uma enorme quantidade de espíritos!

    Nos compêndios antigos, eles eram uma das moedas favoritas de muitos especialistas de diferentes planos.

    “Cristais espirituais!”

    Leylin já tinha ouvido falar desse item antes, mas só Magos de alto nível conseguiam usá-lo de forma eficaz.

    Era impossível para um mero Mago de rank 1 romper a superfície de um cristal espiritual e extrair o poder do espírito contido ali.

    “De um jeito ou de outro, isso certamente será útil no futuro!” Leylin recolheu do chão os cristais espirituais verdes espalhados e os guardou com cuidado numa pequena bolsa. Chegou até a selá-la com um fio de ouro antes de colocá-la de volta nas vestes.

    A poluição espiritual verde havia desaparecido por completo. Muitas rachaduras finas, semelhantes a lagartos, cobriam as paredes de rocha negra na borda do jardim.

    Leylin caminhou até elas e bateu de leve na parede fraturada.

    Crásh!

    Inúmeras pedras despencaram, levantando grandes nuvens de cal. Atrás da parede havia um buraco profundo, de onde tremeluziam raios de luz negra como breu.

    Um brilho escuro passou pelos olhos de Leylin.

    Arrancou depressa um fio de cabelo, e seus lábios começaram a se mover enquanto entoava encantamentos misteriosos.

    O longo fio escuro caiu no chão e se expandiu sem parar, até se transformar em algo parecido com uma cobra negra.

    A pequena cobra tinha escamas bem juntas e um par de olhinhos vermelhos que pareciam joias. Era pequena o bastante para caber num bolso e não parecia ameaçadora; pelo contrário, era até adorável.

    Primeiro, a pequena cobra se enroscou em Leylin, sibilando. Lambeu seus sapatos e depois deslizou para dentro da fenda negra como breu.

    Leylin fechou os olhos e manteve uma ligação com a pequena cobra por meio de um fio de força espiritual. Imagens e sons se projetaram diante dele.

    A iluminação ao redor era muito fraca, mas isso não era problema para a pequena cobra negra.

    Pelos olhos dela, Leylin pôde ver que o interior da fenda parecia uma mina, com enormes quantidades de raízes se espalhando por toda parte.

    As raízes se entrelaçavam pelas paredes, como se cobrissem a caverna inteira com uma rede de pesca.

    A pequena cobra continuou avançando pela caverna. Depois de rastejar por cerca de um quilômetro, chegou a uma raiz amarela grossa como uma parede, bloqueando o caminho.

    “Isso é… uma Raiz da Árvore da Névoa Enganosa, um antigo sistema de defesa contra intrusos!”

    O coração de Leylin se encheu de alegria. O surgimento de um mecanismo assim mostrava que ele estava se aproximando do laboratório experimental.

    “Intruso! Responda a uma pergunta minha, ou será despedaçado!” Do grande tronco da árvore, emergiu o rosto de um velho. Ele encarou os olhos da pequena cobra como se pudesse ver Leylin, que a controlava.

    “Pergunte!” Leylin transmitiu uma onda de força espiritual através da pequena cobra negra. “Pode fazer sua pergunta!” Sua força espiritual foi transmitida diretamente por meio dela.

    “O que tem rosto de diamante, olhos como pérolas e, no inverno, recebe de seu criador uma chance de reencarnar?”

    “Hmm…” Leylin abaixou a cabeça, aparentando mergulhar em pensamentos. Na realidade, estava dando a ordem: “Chip de I.A.! Pesquise no banco de dados!”

    Beep! De acordo com as pistas fornecidas ao Hospedeiro, os itens que correspondem à descrição são: 1. Estrela-do-mar de Gemas. Similaridade: 97%. 2. Girassol do Fundo do Mar: 78%. 3…

    “É a Estrela-do-mar de Gemas!” disse a cobra diante da Raiz da Árvore da Névoa Enganosa.

    “Correto!” A Raiz da Árvore da Névoa Enganosa soltou um berro estridente. Como um rabanete sendo arrancado da terra, as raízes da árvore se ergueram, revelando a passagem atrás delas.

    “Como recompensa, agora você tem autorização para atravessar!”

    O rosto do velho na Raiz da Árvore da Névoa Enganosa abriu um sorriso.

    “Uma recompensa, é? Acho que não!”

    A pequena cobra balançou a cabeça e avançou pela passagem.

    Pa! Num instante, uma raiz gigantesca, como uma palma imensa, bloqueou seu caminho.

    “Permiti a passagem do Mago atrás de você, mas não a de uma criatura mágica como você!” A raiva aflorou no velho rosto da raiz.

    “Jovem Mago, está me menosprezando?”

    “Ela é parte de mim, então acredito que tem o direito de entrar!” A pequena cobra ergueu a cabeça e encarou a face gigantesca.

    “Não! Você deve vir pessoalmente!” A Raiz da Árvore da Névoa Enganosa se mostrou inflexível nesse ponto.

    “Se é assim…” A pequena cobra negra abaixou a cabeça, como se ponderasse algo.

    De repente, ela se enrodilhou e disparou pela passagem.

    Pa!

    Num instante, inúmeros relâmpagos negros rasgaram a passagem antes pacífica. Aqueles clarões pareciam vivos enquanto atingiam a pequena cobra.

    No mar de faíscas, a pequena cobra foi reduzida a carvão.

    “É mesmo uma armadilha! Trovão da Prisão Negra de grau 51 ou mais, e em tal quantidade. A raiz realmente não poupou forças nesse ataque…”

    Do lado de fora da entrada do jardim, Leylin olhou para o túnel de terra e sorriu de modo zombeteiro.

    Essa Raiz da Árvore da Névoa Enganosa era uma armadilha desde o início! Mesmo que um intruso acertasse a resposta, ainda seria atraído para uma emboscada.

    A pena é que, depois de tantos anos, havia algo errado com a inteligência da Raiz da Árvore da Névoa Enganosa. Leylin percebeu isso porque ela parecia ansiosa demais.

    Por melhor que fosse uma armadilha, uma vez descoberta, não passava de uma piada.

    Nesse momento, um forte tremor veio do túnel diante do qual Leylin estava. Junto dele, ergueu-se uma voz antiga. “Vou te matar! Vou te matar, intruso!”

    As paredes da mina pareciam ser sustentadas pelas raízes da árvore. Quando elas se forçaram para sair, causaram uma enorme reação em cadeia.

    “A vitalidade e a força dessa criatura provavelmente superam as do Mal Abominável. Além disso, por ser uma planta, sua força vital é extremamente tenaz, e ela resiste a ataques de força espiritual. Seria muito mais difícil lidar com ela do que com o Mal Abominável, então, se a enfrentasse em seu próprio território, dentro da mina, bastaria ela querer para me enterrar vivo a qualquer momento!”

    Leylin ponderou por um instante antes de erguer a cabeça com um sorriso malicioso.

    “É uma pena, no entanto, que um organismo vegetal como esse tenha uma enorme fraqueza por algo que desenvolvi recentemente no laboratório! Vou usá-lo agora!”

    Leylin tirou da sacola que carregava um tubo de ensaio feito de nitrogênio cristalizado. Não havia poções dentro dele. No fundo, havia apenas um organismo negro, com um par de asas translúcidas, como se fosse um inseto.

    Ao olhar para aquilo, a expressão de Leylin ficou séria.

    “Não sei se soltar essa coisa vai ser bom ou ruim, mas preciso tentar…”

    Leylin murmurou para si mesmo.

    Aquilo era algo que havia criado por acaso.

    Dentro do tubo de ensaio havia um tipo de cupim encontrado apenas no Mundo dos Magos. Leylin o havia descoberto enquanto eliminava as pragas no Jardim das Quatro Estações.

    Como a sequência genética deles era diferente da dos outros cupins, eram extraordinariamente fortes. Por isso, Leylin os levou de volta e, mais tarde, descobriu um segredo.

    Esses cupins possuíam um gene extremamente estranho capaz de aumentar exponencialmente sua força vital e sua capacidade reprodutiva.

    Essa velocidade já estava além do natural. Pelo que Leylin sabia, aquilo devia ter sido formado pela combinação de venenos e células de outro mundo.

    Depois de fracassar muitas vezes, Leylin só conseguiu ampliar as capacidades desses cupins com a ajuda dos recursos microscópicos do Chip de I.A., transformando-os numa arma para lidar com organismos vegetais!

    Parecia que agora era a hora certa de usá-la.

    “Venha! Quero ver o que acontece quando os elementos estranhos do Mundo dos Magos se combinam com técnicas científicas modernas!”

    O Hospedeiro está prestes a liberar o Organismo Vivo nº 1! De acordo com as configurações, insira os parâmetros de autodestruição!

    Nesse momento, o Chip de I.A. voltou a responder.

    “5 minutos!”

    Leylin inseriu um fio de força espiritual no tubo de ensaio e, em seguida, pingou ali várias gotas de outra poção vermelha, como se concluísse os preparativos finais.

    Depois disso, voltou os olhos para o túnel que tremia. A Raiz da Árvore da Névoa Enganosa ainda se contorcia lá dentro, tentando alcançá-lo.

    “Aproveite sua morte!”

    Leylin sorriu com escárnio, abriu o tubo de ensaio e guiou o cupim para dentro da abertura.

    1. Refere-se ao nível relativo de perigo para os atributos atuais de Leylin.[]

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