Capítulo 209: Otimizado e Fácil
A lâmina vermelha colidiu com as correntes verdes, desencadeando uma intensa onda de força.
Crec! Crec!
A longa lâmina vermelha se despedaçou, e parte da cota de malha sobre o peito de Ciel se rompeu. Vários elos verdes se partiram ao meio e caíram no chão.
“Você… você não é um Mago qualquer que acabou de avançar!”
Ciel recuou, o rosto tomado pelo arrependimento.
Leylin não se importou e avançou sobre ele.
“Espere… espere um minuto! Podemos discutir isso! Eu ainda tenho muito… Argh!”
Embora Ciel quisesse dizer mais, Leylin não lhe deu essa chance.
Ele perseguiu Ciel e atacou de novo. Escamas negras cobriam seu punho cerrado e reluziam com um brilho lustroso.
O primeiro soco! O peito de Ciel afundou, e incontáveis anéis de ferro verdes se despedaçaram.
O segundo soco! Seu feitiço inato de defesa foi completamente destruído. Ele recuou com o peito afundado e sangue escorrendo pelos cantos da boca.
“Tem alguma última palavra?” Leylin se aproximou dele sem expressão.
“M-Meu mentor vai me vingar!” Ciel repetiu sem parar, como um disco riscado.
“Que tedioso!” Leylin se preparou para desferir o terceiro ataque!
Boom!
O cérebro de Ciel explodiu como uma melancia; líquidos brancos e vermelhos se misturaram e se espalharam pelo chão.
O acólito cujo rosto havia sido marcado estava caído no chão, encarando sem expressão o cadáver sem cabeça, já sem qualquer sinal de vida. Ele sequer teve presença de espírito para limpar o sangue que havia respingado em seu rosto.
“Eu… eu… eu…”
George arregalou os olhos e sacudiu o braço de Sheira. “Aquele sujeito era mesmo um poderoso Mago com Conversão de Essência Elemental parcial? Tem certeza de que ele não era um acólito?”
“Com certeza! Só um olhar dele já bastaria para nos matar!” Sheira soltou uma risada forçada.
“Então… que tipo de poder Lorde Leylin precisa ter para conseguir derrotá-lo e até matá-lo?”
George observou Leylin vasculhar o cadáver de Ciel, com uma expressão complicada.
“L-Lorde…”
Só então o acólito parado ao lado recobrou os sentidos.
Até um instante atrás, havia ali um arrogante Mago com Conversão de Essência Elemental parcial. Como ele podia simplesmente morrer assim nas mãos de Lorde Leylin?
“Agora, como vamos lidar com a deserção de Lyhart?”
O acólito desertor estava sentado no chão, atordoado como um tolo, repetindo bobagens sem perceber. A Marca Secreta deixada por Ciel chamava atenção demais.
“Deve existir uma punição estabelecida pela aliança para punir todos os desertores, certo? Você realmente precisa que eu ensine isso?”
Leylin lançou um olhar ao acólito.
Embora tivesse sido apenas um olhar, o acólito recuou vários passos de imediato, e até suas panturrilhas começaram a tremer.
“N-Não, meu lorde!”
Alguns acólitos amarraram o recém-traidor e o enviaram para o forte. Todos os presentes exibiam puro terror no rosto.
“Lyhart está acabado…” murmurou um acólito.
Segundo as regras e regulamentos estabelecidos pela aliança dos Magos da Luz, todos os acólitos e Magos que desertavam para o lado inimigo recebiam as piores punições.
Lyhart os havia traído de forma tão descarada diante de Leylin e de tantos acólitos, e ainda carregava uma Marca Secreta do Mago inimigo. Aquilo era uma prova irrefutável.
Nessa situação, a morte era a saída mais fácil.
Se tivesse o azar de encontrar um juiz severo, no mínimo seu espírito seria extraído e torturado por cem anos. Sua família e seu mentor também teriam de enfrentar algumas calamidades.
“Por que estão tão distraídos? Voltem ao trabalho! Querem ficar aqui o dia inteiro?”
Leylin varreu os acólitos atônitos com o olhar e bradou com frieza.
“Ah, sim, meu lorde!”
Só então os acólitos reagiram e voltaram à colheita. Nem George nem Sheira escaparam.
Se não terminassem de colher esse campo de Flores de Mandara Negra, não teriam permissão para retornar ao acampamento-base dos Magos. Por mais poderoso que Leylin fosse, cedo ou tarde ele acabaria sob pressão das forças dos Magos das Trevas.
Talvez nem demorasse tanto assim. Se o inimigo estivesse menos pressionado e decidisse dedicar 0,1% ou até 0,01% de sua atenção a este lugar, todos estariam condenados.
Por isso, os acólitos trabalharam com afinco, esperando concluir a missão naquele mesmo dia e deixar aquele lugar maldito.
“Restaure!”
Do outro lado, Leylin estava no meio do mar de flores. Ele puxou o cetro negro e murmurou uma única palavra.
Weng!
Um anel de luz branca se espalhou a partir do cetro e, como um fio fino, penetrou no solo.
Ao mesmo tempo, do fundo das flores, a formação de feitiço branca surgiu mais uma vez.
Fios brancos, como teias de aranha, se espalharam, restaurando as áreas que haviam sido destruídas pelo Mago das Trevas.
Formação de Defesa Jayle — Segunda Forma! Defesa contra ataques físicos: 20 graus. Resistência contra ataques mágicos… Energia armazenada: 34,9%
Uma tela surgiu diante dos olhos de Leylin, exibindo informações sobre a formação de feitiço.
Com a ajuda do Chip de I.A., o trabalho de restauração foi muito bem-sucedido. Algumas áreas que haviam sido danificadas foram reparadas com perfeição: o Chip de I.A. fazia as simulações, e Leylin realizava o conserto de fato.
“Mas as capacidades defensivas desta formação são fracas demais…”
Leylin acariciou o queixo, pensando se devia modificar aquela formação de feitiço para aumentar sua defesa.
Como o Mago encarregado de guardar aquele lugar, Leylin podia ficar com uma parte das Flores de Mandara Negra, mas a parte que lhe cabia era tão pequena que ele pouco se importava com ela.
No entanto, a velocidade com que os acólitos completavam a tarefa estava diretamente ligada a quão cedo ele poderia partir. Se houvesse ataques todos os dias, como os acólitos colheriam as pétalas?
Por isso, a prioridade de Leylin era garantir a segurança dos acólitos para que eles pudessem terminar a tarefa o mais rápido possível.
‘Melhor esperar até tarde da noite e terminar isso eu mesmo!’
Leylin lançou um olhar sombrio para os acólitos, curvados e trabalhando como camponeses.
Não era que ele não confiasse nos acólitos, mas estava acostumado a ter algumas cartas na manga.
Ele também podia criar métodos para aumentar a velocidade da colheita. Desde que elevasse a taxa de operação do Chip de I.A. e priorizasse essa tarefa, levaria apenas alguns dias.
Era bem possível que, até lá, os acólitos já conseguissem trabalhar mais rápido.
Num piscar de olhos, cerca de meio mês havia se passado.
No plano secreto das Planícies do Rio Eterno, o disco no céu começou a baixar, projetando uma sombra sobre a terra.
A organização de Magos que havia construído esse plano secreto tinha usado algum tipo de feitiço e o estruturado de modo que ali houvesse sol, lua e estações diferentes.
No entanto, com base na hipótese de Leylin e nos cálculos do Chip de I.A., o sol e a lua dentro do plano carregavam uma parcela da energia dos corpos celestes originais, que aqueles Magos antigos haviam conseguido projetar no plano secreto por algum método desconhecido.
Leylin estava maravilhado com os métodos e a ousadia dos Magos antigos.
Na Cidade Teljose, os humanos haviam usado o vulcão para aumentar a produção em seus arredores com o auxílio de um feitiço, e só isso já havia deixado Leylin boquiaberto. No entanto, em comparação com os Magos antigos, que podiam colher as estrelas, abraçar a lua, provocar tempestades com um aceno e fazer chover com outro, Leylin não teve escolha senão curvar a cabeça diante da própria inferioridade.
“Lorde Leylin não só é um Mago poderoso, como também se especializa no estudo das plantas!”
No mar de flores, dois acólitos mais próximos dele conversavam enquanto suas mãos não paravam.
“Claro; afinal, ele é um Mago oficial! Não é algo com que nós, acólitos, possamos nos comparar.”
O acólito que acabara de falar, um rapaz de cabelo vermelho curto, estava com uma camada de luz azul cobrindo as mãos. Depois de esfregar os dedos, vários fios azuis se enrolaram nas Flores de Mandara Negra.
Tchac! Tchac!
Ouviu-se o corte de uma flor. Em seguida, as pétalas daquela Flor de Mandara Negra se desprenderam devagar do caule e o acólito as guardou com cuidado dentro de uma bolsa.
“Antes, cada pétala exigia um grande consumo de Poder Mágico e força espiritual para ser colhida. Até Krall, que era o melhor entre nós, só conseguia arrancar 20 fragmentos de pétala por dia! Mas, desde que Lorde Leylin nos ensinou um novo método, até eu consigo colher mais de 40 pétalas num único dia…”
O acólito ruivo exibia uma expressão de admiração.
“Nessa velocidade, se aguentarmos só mais alguns dias, vamos conseguir deixar este lugar maldito!”
O outro acólito deixou o anseio transparecer. “Eu não quero passar nem mais um dia neste lugar! Com tantos Magos das Trevas e acólitos nos atacando todos os dias, já teríamos morrido mais de cem vezes se Lorde Leylin não estivesse aqui!”
Boom!
Naquele momento, o alerta da formação de feitiço defensiva soou. No entanto, os dois acólitos pareciam nem tê-lo ouvido e continuaram colhendo as pétalas com empenho.
“Diga… quem você acha que é o azarado de hoje?”
O acólito ruivo perguntou com uma ponta de satisfação maldosa.
“Deve ser outro Mago oficial. Acólitos comuns não têm flutuações de energia tão grandes!” O outro acólito franziu a testa antes de voltar a se abaixar para colher mais pétalas.
“De qualquer forma, com Lorde Leylin aqui, o que há para temer?”
“Você tem razão!” O acólito ruivo acenou com a cabeça e voltou aos afazeres do dia.
Naquele momento, dentro das muralhas do castelo.
Numa cela subterrânea lúgubre, úmida e escura, privada de luz, Leylin avançou carregando nos braços uma figura vestida de preto.
Clanc! O portão da cela se abriu, e Leylin jogou a figura que carregava para dentro sem o menor cuidado.
Baque! Quando o corpo bateu no chão duro, um ruído pesado ecoou.
A figura, antes inconsciente, agora havia despertado.

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