Índice de Capítulo

    “Hm?”

    Hyder olhou para a velha, um pouco confuso.

    “O que quero dizer é… em vez de cobaias, os resultados seriam melhores se você pudesse fazer testes em um Mago que também tivesse sido amaldiçoado. Estou errada?” A velha parecia fria e indiferente, como se fosse um bloco de gelo.

    “Teoricamente, isso é verdade, e seria ainda melhor se fosse um Mago oficial…” Hyder murmurou sem perceber, até que de repente entendeu. “A senhora está pensando em usar Manla?”

    Hyder não conseguiu esconder o choque ao ouvir aquilo. Embora a família daquela senhora tivesse uma longa história, seus Magos oficiais eram poucos. Não havia mais de cinco; fazer aquilo significava sacrificar um quinto de sua força!

    “Se é isso que o destino dita, então que seja!” A velha parecia em transe enquanto fitava Jenna, que dormia profundamente dentro do caixão de gelo. “Ela é a vidente, e nada pode acontecer com ela!”

    “A vidente? Não admira!” Hyder repetiu. Ele também já tinha ouvido falar da estranha capacidade daquela família de prever o futuro.

    “Matem-no! O traidor que se opõe ao destino!” Naquele instante, Jenna abriu de repente os olhos, revelando apenas o branco deles, e falou sem expressão.

    “Quem ofender a vidente terá o espírito lançado em um abismo infernal sem fundo, coberto por chamas negras, e sofrerá tortura sem fim. Hehehe…”

    De repente, a expressão de Jenna mudou, e ela começou a rir como uma louca.

    Em seguida, o branco de seus olhos desapareceu, e uma expressão de sofrimento surgiu em seu rosto. Ela parecia à beira das lágrimas enquanto olhava na direção da velha. “Vovó…”

    Essa expressão logo desapareceu, e a cor de seu rosto mudou. Várias imagens surgiram, tomando a forma de rostos diferentes.

    Sss… Como se tivessem sido estimuladas, as runas de serpente negra em seu pescoço pálido começaram a se alongar.

    Linhas de veias negras se espalharam por todo o rosto de Jenna num instante.

    “Isso é ruim!” Hyder avançou de imediato e despejou em sua boca um frasco de líquido azul.

    Craque! Craque! Na superfície do corpo de Jenna, incontáveis fragmentos de gelo azul apareceram, congelando-a.

    “Durma!” Hyder falou devagar; a expressão em seus olhos era difícil de decifrar e um tanto intimidadora.

    Fios azuis partiram de seus dedos e penetraram fundo em seu corpo.

    Depois de muito tempo, Jenna enfim voltou a dormir, e a maldição de serpente retornou à forma original, embora parecesse um pouco maior do que antes.

    “Um espírito fraturado! Ou não… isso é uma fusão de espíritos? Que lamentável…”

    Depois de todo aquele trabalho, Hyder passou a olhar para Jenna com pena nos olhos.

    Como um Mago curandeiro próximo daquela família, ele conhecia a habilidade divinatória que possuíam.

    Essa habilidade estranha vinha de uma técnica de meditação de alto grau incompleta.

    Todos que cultivavam essa técnica ganhavam automaticamente, até certo ponto, a capacidade de receber premonições do futuro. À medida que avançavam e aprofundavam o cultivo, podiam até observar fragmentos do que estava por vir.

    Infelizmente, essa técnica de meditação de alto grau incompleta tinha limitações severas, e somente as mulheres da família de Jenna conseguiam cultivá-la.

    Além disso, em cada geração, apenas uma delas conseguia ter sucesso e obter o poder de prever o futuro.

    Essas pessoas eram chamadas de “videntes”!

    Se fosse só isso, a situação ainda seria administrável. No entanto, com a transmissão dessa técnica ao longo das gerações, surgiu um fenômeno ainda mais assustador.

    Os espíritos das videntes de gerações passadas eram preservados de algum modo e passavam a possuir o corpo da vidente atual.

    Assim, com o acúmulo de cada vez mais espíritos, a mente da vidente se tornava instável, e ela acabava esquizofrênica.

    Hyder havia aceitado anteriormente a tarefa de produzir poções capazes de estabilizar o estado mental ou o espírito da vidente.

    A Jenna atual parecia uma única pessoa, mas dentro de seu corpo residiam os espíritos das videntes anteriores.

    Com o aumento dos espíritos dentro de seu corpo, a sanidade e a racionalidade de Jenna se tornaram frágeis, e chegou um ponto em que ela nem sabia mais o que fazia. Os espíritos das videntes das gerações anteriores até assumiam o controle de seu corpo de tempos em tempos.

    Como resultado, ela fazia coisas estranhas, impensáveis para uma pessoa comum.

    Hyder sabia muito bem que, depois de obter essa habilidade, a família de Jenna tinha ficado um pouco neurótica.

    Não apenas diziam que praticamente tudo o que faziam era em nome do protetor e se recusavam a aceitar qualquer crítica, como também haviam se acostumado a falar absurdos do tipo “seguir o que o destino havia preparado para elas”.

    À medida que isso se repetia, várias famílias que antes mantinham boas relações com elas se afastaram.

    Afinal, Magos eram pessoas racionais e livres. Ninguém queria ficar ao lado de alguém que criticava suas ações o tempo todo.

    O que um dia havia sido um grande clã inevitavelmente entrou em decadência. Só conseguir ajuda externa já era difícil, e o único Mago curandeiro que conseguiram encontrar foi Hyder.

    “Como ela está?” a velha perguntou com preocupação, embora continuasse ignorando de propósito Manla, que estava ao lado.

    Hyder suspirou, sentindo pena de Manla.

    “Embora eu tenha conseguido conter temporariamente a eclosão da maldição, o estado mental instável da Srta. Jenna significa que a eclosão pode voltar a ocorrer a qualquer momento!”

    Hyder lançou um olhar longo e carregado de significado para a velha. “Além disso, com a eclosão de agora há pouco, a data em que a maldição no corpo dela vai eclodir por completo foi antecipada.”


    Leylin não fazia ideia do que se passava.

    Na verdade, era bem o contrário. Ele estava surpreso por não ter ouvido nada sobre a família de Jenna tentando encontrá-lo por meio de outras organizações.

    Ao que parecia, a história de Jenna sobre manter boas relações com grandes organizações dos Magos da Luz não passava de um truque para assustá-lo numa situação de vida ou morte.

    Embora Leylin tivesse feito alguns preparativos, a sensação de já ter se preparado e ainda assim não ver nenhum sinal de ataques voltados contra ele o deixava um pouco desanimado.

    “Mas o prazo que estabeleci está se aproximando! Eles com certeza virão me procurar em breve!”

    Os cantos da boca de Leylin se curvaram num sorriso frio.

    Sua maldição vinha do Grande Mago Serholm, um Mago da Estrela da Manhã de rank 4. Com as simulações e os métodos de criptografia do Chip de I.A., era basicamente impossível para qualquer outra pessoa em toda a costa sul desfazê-la.

    Para salvar aquelas duas pessoas, a família que apoiava Jenna teria de implorar por sua ajuda!

    Leylin também tinha bastante interesse na habilidade divinatória de Jenna e queria saber mais sobre ela.


    Fuuuush…

    O assobio do vento feroz passou rente aos ouvidos de Leylin.

    Auuuu! A Wyvern Peçonhenta, Hawke, soltou um grito animado enquanto cortava o ar.

    A ventania que vinha contra eles agitou as roupas de Leylin, produzindo o som do tecido batendo. Leylin fechou os olhos e apreciou a sensação, com uma expressão satisfeita.

    “A Academia da Floresta de Ossos Abissal e a família Lilytell! Está na hora de acabar com isso de uma vez por todas!”

    Ao pensar nas informações que havia obtido daqueles poucos Magos, um brilho impiedoso surgiu nos olhos de Leylin.

    Ele entendia bastante do campo dos espíritos e havia aprendido métodos para torturá-los. Também tinha a capacidade de usar certas combinações de poções para vasculhar as almas de Magos recém-avançados.

    Sob os inúmeros métodos de tortura empregados por Leylin, os cinco Magos que ele havia feito prisioneiros logo entregaram tudo o que sabiam.

    Da boca deles, Leylin obteve um mapa extremamente detalhado da distribuição das forças da Academia da Floresta de Ossos Abissal na Zona de Caça 3.

    O que despertou o interesse de Leylin foi um reduto comandado pela família Lilytell!

    No início, para obter a técnica Pupila de Kemoyin, ele matou Bosain. Isso ofendeu um ancião da família Lilytell e o forçou a fugir da academia. Cenas de seu passado passaram diante de seus olhos.

    Esse conflito havia surgido na busca pelo poder. Não havia certo ou errado, mas, já que ele havia atraído a hostilidade deles, Leylin estava preparado para eliminar essa ameaça!

    Embora Gigante tivesse prometido mediar a situação, no fim só se podia confiar em si mesmo! O melhor inimigo era um inimigo morto!

    Aquele ancião da família Lilytell, especializado em metal, já havia alcançado o ápice de um Mago de rank 1. Se Leylin agisse agora, lidar com ele seria um pouco difícil.

    No entanto, ele ainda poderia cortar as asas do oponente e enfraquecer sua família!

    Seria ainda melhor se o próprio ancião estivesse por perto. Leylin tinha certeza de que conseguiria recuar em segurança e, além disso, coletar uma grande quantidade de dados para que o Chip de I.A. simulasse a melhor maneira de matá-lo!

    A Wyvern Peçonhenta voava pelo céu a uma velocidade assustadora, fazendo com que animais e acólitos vissem apenas um borrão negro.

    “Entramos em território inimigo. É aqui que se concentra a maior parte da atividade dos Magos inimigos.”

    De repente, Leylin teve uma ideia. Ele liberou grandes quantidades de nuvens cinzentas de dentro das mangas, ocultando tanto a si mesmo quanto a Wyvern Peçonhenta.

    À medida que as nuvens cinzentas se espalhavam, o enorme corpo da Wyvern Peçonhenta ia assumindo a mesma cor do céu azul. Até mesmo as intensas ondas de vida e calor que ela emitia desapareceram.


    No fundo de um vale, uma acólita corpulenta, vestida com mantos cinzentos, fugia de um grupo de lobos selvagens.

    “Mais depressa! Só mais um pouco, e eu chego a um dos redutos da academia!”

    A acólita corria enquanto tentava se encorajar, apertando com força um minério vermelho peculiar.

    Auuuu! Um lobo selvagem uivou, cercando-se de um anel de partículas verdes. Sua velocidade aumentou cinco vezes de imediato, e ele se transformou numa linha negra ao disparar direto contra a acólita.

    Com os olhos emitindo luz verde, o lobo abriu a boca, revelando presas afiadas que exalavam cheiro de sangue, e deu o bote na mão da acólita.

    “Morde!”

    A acólita ofereceu sem hesitar a mão esquerda que o lobo mirava.

    Crac! A frágil defesa das vestes da acólita foi perfurada.

    Logo em seguida, o lobo mordeu com ferocidade o braço esquerdo da acólita, e ouviu-se um som abafado, como algo cravando os dentes em couro.

    “Hah!” A acólita sacudiu o braço esquerdo.

    Com sua força descomunal, ela arremessou o lobo para longe.

    No instante seguinte, porém, vários lobos selvagens a alcançaram.

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