Capítulo 161: Chuva Artificial
“Isso é impressionante, não é?”
Martin disse com alegria enquanto se aproximava. “Este é o plano secreto das quatro estações do Jardim das Quatro Estações. Tem uma área total de mais de cem mil mu1 e é rico em recursos variados…”
“Mais de cem mil mu?” Leylin ficou surpreso ao extremo; aquilo equivalia à área de dois pequenos países de seu mundo anterior somados.
“Sim, aqui não há apenas itens valiosos e criaturas mágicas vivas, mas também humanos comuns…”
Martin apontou para a distância, na direção de uma área onde pareciam existir pequenas cidades e vilarejos. “Empregamos humanos comuns para nos ajudar na agricultura e até em algumas plantações dos Magos. Isso prova que, com organização, planejamento, treinamento e mais investimento em mão de obra, podemos produzir ainda mais recursos…”
“Todo o plano secreto do Jardim das Quatro Estações é a base do nosso Jardim das Quatro Estações, uma fonte inesgotável de tesouros!”
“Construir o plano secreto, cultivar recursos e colhê-los: esses são os principais meios que sustentam o poder dos Magos da Luz!” Um brilho de fascínio surgiu nos olhos de Martin.
‘Esses mais de cem mim mu têm uma concentração de energia tão alta, sem contar os cuidados e a manutenção especiais…’ Leylin suspirou em pensamento.
Leylin também sentia que antes sempre havia vivido nas sombras do Mundo dos Magos; agora, finalmente conseguia enxergar a diferença entre a ideologia dos Magos da Luz e a dos Magos das Trevas.
Os Magos da Luz cultivavam diversas plantações e animais dentro do plano secreto e, com isso, colhiam grandes recursos.
Já os Magos das Trevas pareciam preferir usar violência para obtê-los.
“Leylin, você sabe por que a inspeção pela qual passamos antes foi tão rigorosa?”
Martin perguntou de repente.
“Por quê? Por medo dos Magos das Trevas?” Leylin expôs o próprio palpite.
“Sim, por causa daqueles malditos seres!” Martin ficou furioso ao falar deles.
“Esses Magos das Trevas sedentos por sangue sempre tentam se aproveitar do trabalho alheio e não se dão ao trabalho de administrar os próprios planos secretos. Em vez disso, de tempos em tempos tramam contra o plano secreto dos nossos Magos da Luz.”
O Mago baixote ao lado revelou o motivo.
“Todo ano, há ao menos uma investida bem-sucedida de Magos das Trevas contra nosso plano secreto! Embora eles levem apenas os recursos disponíveis no momento e o plano secreto consiga retomar a produção, isso ainda representa uma perda tremenda…”
Leylin, por sua vez, conhecia bem demais a lógica por trás daquilo.
Embora os Magos das Trevas crescessem em um ambiente sangrento e cruel, era inegável que, formados nessas condições, eles eram mais poderosos que um Mago da Luz comum.
Aos olhos dos Magos das Trevas, cujos métodos se baseavam em devorar os fracos, os recursos dos Magos da Luz eram uma verdadeira mina de ouro.
Além disso, esses confrontos menores também podiam servir como forma de os Magos das Trevas treinarem suas forças.
Se os Magos da Luz não fossem bem organizados e unidos, e se os próprios Magos das Trevas não sofressem com falhas e problemas de confiança, talvez o equilíbrio de poder entre os Magos de toda a costa sul já tivesse mudado.
“Muito bem, vou distribuir a próxima tarefa!”
Martin voltou para um canto e esperou todos os Magos se aproximarem antes de falar.
“Nossa tarefa é limpar uma área da divisão norte, eliminar as pragas de insetos e as doenças de lá. Também precisamos cuidar da doença que afeta a pradaria da divisão leste. Manchas negras surgiram na superfície da Grama Leite-de-Égua, e precisamos usar a Primeira Poção Jacklin para resolver o problema.”
“Olhos de Fogo e Hakob, vão para a primeira divisão leste! Oak e Leylin, vocês dois vão para a segunda divisão leste.”
Em seguida, Martin começou a anunciar as atribuições de cada um.
“Vamos!” disse Oak, o Mago baixote, a Leylin.
Depois que as tarefas foram distribuídas, os Magos da Equipe 3 deixaram a plataforma em duplas e trios.
“Ainda há uma distância muito grande até a divisão norte, mas já providenciamos montarias e conseguiremos chegar sem demora ao destino…”
Ficava claro que Oak já tinha vindo ali algumas vezes. Ele levou Leylin até a lateral de um prédio e, diante da janela, pediu duas placas metálicas verdes.
“O dispositivo de controle dos Falcões Noturnos Coroa-de-Dragão?”
A essa altura, Leylin entendeu que o Jardim das Quatro Estações mantinha controle completo sobre o plano secreto.
Com dois gritos agudos, as duas criaturas bateram as asas e voaram para o leste.
Depois de voarem certa distância, quem olhasse do ponto de partida veria apenas dois minúsculos pontos negros.
O assovio do vento continuava a ecoar nos ouvidos de Leylin.
Sentado no dorso largo do Falcão Noturno, Leylin corria os olhos pela terra abaixo.
No plano secreto, onde a densidade de partículas de energia era muito maior, todo tipo de vegetação crescia com vigor.
Até onde a vista alcançava, havia campos verdes exuberantes, entre os quais se viam vários canteiros organizados de flores azuis que exalavam um perfume adocicado.
Aquela era a Flor Leite-de-Mel. Além de ser usada com frequência por acólitos como ingrediente de Preparo de Poções, o néctar da flor também era um alimento apreciado por todos os seres do Mundo dos Magos.
Com a ajuda do Chip de I.A., Leylin conseguia ver que, no meio daquele mar azul, havia várias pessoas pequenas como formigas, trabalhando com afinco.
Ao lado do mar de flores, havia diversas construções artificiais evidentes, que pareciam existir apenas para vigiar as flores.
“Humanos comuns ficam responsáveis pelas plantas usadas por acólitos como ingredientes. Já os ingredientes que os Magos oficiais costumam usar, por serem mais preciosos, ficam sob proteção mais rigorosa e são cultivados em ambientes especiais que simulam o mundo exterior.”
Após quase meia hora de voo, eles desceram nos arredores de uma pequena cidade.
“Saudações, meus Senhores!”
Nesse momento, um grupo de donas de casa e crianças saiu da cidade e, liderado por um prefeito e um acólito, cumprimentou Leylin e Oak com respeito.
“Já lhes informamos tudo sobre os acontecimentos recentes em geral! Esta é minha credencial de identidade! Leve-me até a torre de vigilância!”
Oak entregou uma insígnia ao acólito.
O acólito parecia bem idoso, com mechas brancas atrás das orelhas. Pegou a insígnia e passou o polegar pela superfície enquanto recitava um encantamento.
Com o encantamento, uma camada de luz branca emergiu da insígnia e formou uma imagem no ar. A projeção listava os perfis de Leylin e Oak.
“Senhor Leylin! Senhor Oak! Por favor, me acompanhem!”
Depois de ver a imagem e as informações, o acólito deu o que parecia ser um suspiro de alívio e conduziu Leylin e Oak até uma alta torre de pedra dentro da pequena cidade.
“Esta é a torre de vigilância da organização. Assumo a função de guarda e faço a manutenção dela. No momento, funciona sem falhas.” O acólito abriu as portas da torre enquanto fazia seu relatório.
A torre de vigilância era extremamente simples, e as paredes tinham um tom cinza-pedra fosco.
O primeiro andar servia de alojamento para o acólito, enquanto materiais como pedras e cristais usados na manutenção da torre ficavam amontoados sem ordem no segundo andar.
Após subir a longa escadaria em espiral, Leylin chegou ao último andar da torre de vigilância.
Do lado de fora da porta do último andar, havia mesmo uma criatura mágica viva. Era uma pintura de lagarto fixada na parede. “Diga a senha!”
“A grande Madre Terra nos concedeu seus poderes!” O acólito recitou em tom cantarolado.
“Senha confirmada!” Com a resposta do lagarto, a porta se abriu com um rangido.
“Embora ele seja apenas um acólito de nível 3, não é nada mau!”
Leylin observou o lagarto na pintura, que ainda rastejava, e comentou antes de entrar na sala.
A sala do último andar era muito pequena. Havia janelas nas quatro paredes, e por elas se podia observar a paisagem ao redor da cidade.
“Este é um aparelho que monitora o clima, e estas formações de feitiço ajudam no ajuste fino da umidade e da temperatura. Os controles são extremamente simples, mas, como esta ainda é sua primeira vez, Leylin, você pode me observar primeiro…”
Oak foi até um aparelho preto.
“Nosso objetivo inicial ao vir aqui é tratar a doença que afeta a Grama Leite-de-Égua…”
Oak pressionou o aparelho e, logo em seguida, colocou uma máscara vermelha de plástico no rosto.
Crac! Uma cavidade surgiu no aparelho. Tinha o tamanho de um polegar, o suficiente para comportar um tubo de ensaio.
“Primeira Poção Jacklin!”
Oak colocou vários tubos de ensaio na cavidade. De imediato, o nível do líquido verde baixou aos poucos.
“Chuva!” Oak cuspiu a palavra na antiga Linguagem Byron. Ao mesmo tempo, partículas do elemento água convergiam sem parar na palma da mão.
O aparelho amplificou as partículas de energia e, no fim, as expeliu para fora da torre.
‘Usar a magia dos magos em vez da ciência para produzir chuva artificial… Isso é incrível!’ Uma expressão fascinada surgiu no rosto de Leylin enquanto pensava.
Todos os caminhos de progresso acabavam convergindo para o mesmo destino final.
Os magos que dominavam os misteriosos poderes da magia neste mundo quase haviam alcançado os mesmos feitos do mundo anterior de Leylin.
Crac!
No céu acima da pequena cidade, bancos de nuvens sombrias se reuniram e, ao que parecia, iam ficando mais densos a cada segundo.
Plic-ploc!
Gotas de chuva verde caíram do céu.
As nuvens escuras se adensaram, e a chuva caiu sobre as planícies gramadas.
Com a chegada da chuva, as manchas negras na superfície da Grama Leite-de-Égua clarearam de modo perceptível. Parecia que, com o tratamento contido na chuva, a grama poderia se recuperar por completo.
“Administrar um plano secreto também é uma habilidade! O método de criar chuva é o mais simples de todas as técnicas que usamos. Também precisamos conhecer a compatibilidade entre flora e fauna. Por exemplo, se Flores de Lótus da Meia-Noite e Abelhas da Meia-Noite forem colocadas juntas, isso não só torna a produção das flores mais eficiente, como também aumenta a vitalidade das abelhas e a chance de surgir uma Abelha-Rei. Além disso, o mel produzido com o pólen da Flor de Lótus da Meia-Noite também é um cosmético muito procurado pelas Magas.”
Oak deu uma breve introdução a Leylin.
Leylin não tinha experiência alguma em administrar um plano secreto.
Por isso, registrou com atenção as palavras de Oak na memória e fazia perguntas de tempos em tempos para esclarecer dúvidas.
‘No entanto, é uma pena! Se eu pudesse deixar o Chip de I.A. administrar as atividades do plano secreto por meio de ciência e tecnologia, tenho confiança de que poderia aumentar a produtividade do plano secreto em pelo menos 20%!’
Depois de compreender a situação geral dentro do plano secreto, Leylin acabou lamentando em silêncio.

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