Índice de Capítulo

    Enquanto observava a Maga inimiga encarregada da defesa, Leylin ergueu a mão direita e tocou o ar com a ponta do dedo.

    Vuum!

    Incontáveis vultos negros surgiram das sombras, sobrepondo-se uns aos outros e se multiplicando sem parar. À medida que as sombras se acumulavam, um pequeno ponto de luz surgiu diante de seu dedo e formou um vórtice em miniatura que parecia capaz de sugar o espírito de alguém.

    Uma camada de ferro verde-acinzentado surgiu instantaneamente sobre a pele daquela Maga.

    Aquilo era “Pele de Ferro”, um feitiço inato de solidificação do elemento Terra muito usado por Magos de rank 1.

    Chuá!

    O dedo de Leylin parecia avançar extremamente devagar, embora na verdade se movesse muito rápido. Quando tocou a Pele de Ferro da Maga, ouviu-se um som como o de água ondulando.

    Sob a ponta do dedo de Leylin, a Pele de Ferro começou a se soltar pouco a pouco, como a pele de uma cobra. A incredulidade tomou o rosto da Maga e, assim que Leylin lhe tocou rapidamente a testa, seus olhos reviraram e ela desmaiou.

    “Laura?!” O líder da equipe ficou furioso.

    Logo depois, um pergaminho apareceu em suas mãos, e Blake, que estava ao lado dele, sacou um pequeno escudo do tamanho da palma da mão.

    Ondas imensas de energia emanavam daqueles dois itens, deixando claro que podiam ser ativados a qualquer momento.

    “Vocês dois podem me atacar juntos!”

    Ao ver aquilo, Leylin apenas sorriu e curvou os dedos das duas mãos em garras.

    Tsssss!

    De seus dedos saíram dez fluxos negros de ar; cada um deles era como uma pequena serpente, cercando os dois Magos.

    Onde antes estavam os dois Magos, agora havia dois casulos negros. Deles vinham silvos ocasionais, como os de serpentes.

    Segundos depois, a névoa negra se dissipou, deixando para trás dois Magos desmaiados no chão.

    Uma camada de marcas indistintas cobria seus rostos, como serpentes negras deslizando de um lado para o outro.

    Pá!

    Depois de derrotar aqueles três Magos, Leylin fez as vinhas sombrias que bloqueavam o céu recuarem para dentro de sua sombra.

    “Já consigo sentir! Com o estímulo constante da minha linhagem, meu controle sobre as trevas fica cada vez mais forte!”

    A escuridão em suas pupilas se aprofundou, e ele parecia inebriado, absorvido em pensamentos, enquanto murmurava para si mesmo.

    Depois de lidar com aqueles três Magos capturados, Leylin esperou mais alguns minutos.

    Zuum!

    Duas figuras humanas indistintas voavam rente ao chão e disparavam rapidamente na direção de Leylin. Até mesmo ele só conseguia distinguir suas pós-imagens.

    Tum!

    As duas figuras negras carregavam algo às costas e, ao chegar até Leylin, atiraram no chão o que traziam.

    “Mestre!” Número 2 e Número 3 se ajoelharam em um só joelho, saudando-o.

    “De acordo com suas ordens, capturamos todos. Nenhum escapou!”

    Os dois Magos que haviam fugido agora há pouco estavam caídos no chão.

    Os Magos tinham vários ferimentos tão profundos que dava para ver o osso. Estavam extremamente pálidos, consequência da enorme perda de sangue. Não era difícil imaginar que aquelas feridas fossem o resultado de uma batalha feroz.

    “Bom! Vocês se saíram bem!” Leylin expressou sua aprovação aos subordinados.

    Esses dois Magos tinham acabado de avançar e, por isso, eram os mais fracos entre os Magos. Número 2 e Número 3 conseguiram derrotá-los graças ao imenso poder dos Espadachins Marcados, uma subdivisão dos antigos Magos.

    Talvez esse fosse o resultado óbvio do enorme desgaste de potencial e vitalidade sofrido por Número 2 e Número 3.

    Para obter poder, Leylin não teve outra escolha a não ser acelerar o processo e aplicar muitos métodos tabu em seus corpos. Isso lhes permitiu romper seus limites e se tornar Espadachins Marcados em pouco tempo.

    Por causa disso, a vitalidade deles se consumia em um ritmo mais rápido. Segundo os cálculos do Chip de I.A., eles só tinham mais dois meses de vida.

    “Levem todos. Vamos!” Leylin soltou um suspiro aliviado enquanto apontava para os cinco Magos da Academia da Floresta de Ossos Abissal caídos no chão.

    Ele ainda tinha muitas perguntas que só podiam ser respondidas por aquelas pessoas.

    Além disso, não era simples conseguir Magos oficiais para usar como escravos e cobaias.

    Leylin ainda tinha muitas ideias e conjecturas a respeito dos Espadachins Marcados, e precisava testá-las nesses Magos.

    Afinal, nos tempos antigos, os Espadachins Marcados eram uma subdivisão dos Magos oficiais, não dos Cavaleiros!

    Por isso, mesmo usando Grandes Cavaleiros como cobaias e contando com a ajuda do Chip de I.A., Leylin ainda sentia que algo faltava. No fim, tudo o que conseguiu produzir foram Número 2 e Número 3, versões incompletas do Espadachim Marcado.

    Talvez fosse por não possuírem a tremenda força espiritual dos Magos, o que fazia Número 2 e Número 3 terem dificuldade para manipular as partículas elementais no ar. Tudo isso era várias vezes mais difícil do que o previsto pelo Chip de I.A.

    Leylin ponderou alguns cenários e então levou os cinco Magos para uma área oculta e segura. Depois de interrogá-los, começou imediatamente a buscar respostas para suas dúvidas a respeito dos Espadachins Marcados.

    Leylin só se permitia agir de forma tão inescrupulosa porque era tempo de guerra e ele estava fazendo isso com pessoas do campo inimigo.

    Caso contrário, usar Magos oficiais como cobaias certamente despertaria a desaprovação da sociedade, e ele sofreria consequências negativas.


    Em uma elevação repleta de flores brancas.

    Em meio à névoa espessa, erguia-se um grande castelo que parecia um cone invertido.

    Aquele castelo tocava o chão em um único ponto e, ainda assim, sustentava sua estrutura principal no alto. Olhá-lo dava a ilusão de que o mundo estava de cabeça para baixo.

    Parecia que esse castelo normalmente ficava ereto, mas alguém o havia virado de ponta-cabeça.

    No corredor revestido de mármore branco, uma velha senhora de cabelos prateados carregava uma lamparina a óleo e caminhava lentamente.

    Clac! Uma porta de metal, com correntes elétricas azuis faiscando sobre a superfície, se abriu com um empurrão.

    Tsssss! Grandes quantidades de gás branco e gelado começaram a se condensar assim que entraram em contato com o ar exterior. Logo cobriram o corredor atrás dela com uma camada de geada branca.

    A velha senhora entrou no aposento, que era praticamente um mundo de gelo e neve. A temperatura estava abaixo de zero, e seria impossível para uma pessoa comum permanecer ali por mais de alguns segundos.

    No coração do aposento, filetes de vapor branco emanavam sem parar de dois caixões de gelo.

    Através dos caixões translúcidos, era possível ver, em um deles, um homem corpulento e, no outro, uma jovem deitada em silêncio.

    Os dois mantinham os olhos bem fechados e, de vez em quando, lampejos de dor e sinais de luta passavam por seus rostos. Cada um trazia no pescoço e na mão direita uma runa em que uma serpente se contorcia.

    “Desculpe pelo incômodo, Doutor Hyder!”

    A velha senhora deu passagem, e um Mago de cabelos prateados surgiu por trás dela.

    Aquele Mago parecia muito velho, com o rosto sulcado por rugas. No entanto, seus olhos eram vivos, e ele trazia um sorriso benevolente.

    “Maldições são uma parte muito problemática dos feitiços. Envolvem muitas coisas estranhas e cruéis, e na costa sul são raros os Magos que conhecem esse tipo de magia. Não posso garantir nada além de que farei o meu melhor.”

    Hyder, um Mago especializado em cura, não se aproximou imediatamente dos pacientes; primeiro falou com a velha senhora.

    “O senhor é especialista nessa área. Se nem o senhor consegue resolver esse problema, eu nem sei a quem poderia recorrer.”

    Ela soltou uma risada amarga.

    “Tudo bem! Vou dar tudo de mim!” Hyder acenou com a cabeça. Normalmente, ele jamais aceitaria esse tipo de trabalho. Além de perigoso, era fácil ofender o Mago que havia lançado a maldição.

    No entanto, ele tinha boas relações com aquela família e devia alguns favores a ela. Por isso, não teve outra escolha a não ser vir.

    Hyder se aproximou, examinou os caixões de gelo de alto a baixo e então acenou com a cabeça.

    “Quando não se consegue tratar uma condição, congelar a vítima é um método muito bom!”

    Hyder voltou o foco para além da camada de gelo e, ao ver as runas da maldição no interior, inspirou fundo.

    A expressão de Hyder ficou séria na mesma hora, e uma atmosfera sufocante se instalou no ar.

    Ele tirou das vestes vários itens bizarros, que pareciam servir para testar a natureza e os efeitos da maldição.

    Atrás dele, a velha senhora prendia a respiração, sem ousar dizer uma palavra sequer.

    Muito tempo depois, Hyder pousou o estetoscópio que segurava e enxugou o suor frio da testa.

    “Como está?” ela perguntou de imediato.

    “É problemático! Não, é extremamente problemático!” Hyder parecia incomumente solene.

    “Senti uma aura antiga vindo dessa runa. É possível que esta seja uma maldição transmitida desde os tempos antigos, e praticamente não há casos semelhantes na costa sul. Além disso, essa técnica é muito complicada e, sem uma grande quantidade de experimentos, tentar tratá-la agora só fará a maldição sair do controle dentro do corpo. O resultado final é algo que nenhum de nós quer ver…”

    Depois de ver como aquela maldição era complicada e traiçoeira, até Hyder se arrependeu da decisão. Valia a pena retribuir um favor e, em troca, ofender um terrível Mago das Trevas?

    “Uma maldição antiga… sss…” a velha senhora puxou o ar entre os dentes.

    Como membro de uma família com longa história, ela naturalmente entendia a dificuldade de lidar com aquela maldição.

    Quebrar a maldição à força só levaria à morte, a menos que o Mago que a havia lançado decidisse deixar o assunto de lado.

    “Não há outro método?” Com um brilho esperançoso nos olhos, ela fitou Hyder.

    “O melhor seria fazer um acordo com o Mago que lançou a maldição. Fora isso, eu precisaria de uma grande quantidade de cobaias e testes práticos para encontrar uma solução e quebrar a maldição.”

    Hyder inclinou a cabeça e pensou por um momento antes de falar.

    “Além disso, a maldição tem um limite de tempo. Com base no meu exame, resta no máximo mais um mês antes que ela ecloda por completo!” Hyder soltou outra notícia devastadora.

    Ao ouvir isso, a velha senhora tremeu e então respirou fundo, com uma expressão decidida no rosto.

    “Não importa o que aconteça com Manla, mas nada pode acontecer com Jenna! Esse é o meu limite absoluto!”

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