Capítulo 152: Preparações…
20 de julho de 2024, sábado.
O farfalhar de tecidos se movendo rompeu o silêncio acolhedor do quarto. Victor estava se levantando da cama. Ele olhou para o lado, contemplando uma linda vista, uma obra de arte para seus olhos.
Uma linda garota com cabelos sedosos caindo como uma cachoeira escura sobre a sua pele clara. Seu rosto delicado pressionado lateralmente contra o travesseiro e seus lábios levemente rosados entreabertos com uma respiração leve e ritmada.
Bocejando, o rapaz espreguiçou-se, esticando os braços para o alto. Após conferir as horas, levantou-se. Depois de uma sessão de alongamentos matinais, tomou um banho relaxante.
Quando voltou, a namorada havia mudado de posição, estando virada para o outro lado. Com um sorriso, ele se abaixou e cuidadosamente a cobriu com um lençol fino e leve. Mesmo com o clima torrencial, pela quantidade de pele exposta, temia que pudesse se resfriar.
Por fim, ele saiu do quarto e foi para a sala, achando que ainda era muito cedo para começar a fazer o café da manhã.
…
Recuperando a consciência lentamente, Aki abriu os olhos, uma parte deles praticamente coberta pelo macio travesseiro. Depois de se sentar, ela se espreguiçou. Puxou seu telefone e conferiu o horário.
“Acho que já vou me levantar. O Victor já está acordado. Zero surpresas.”
Um sorriso bobo estava em seus lábios. Então, levantou e foi tomar um banho, escolhendo uma roupa confortável para ficar em casa. Uma camisa de tom azul claro e um short branco.
Assim que saiu do banheiro, seu olfato foi invadido por um aroma delicioso de café sendo preparado. Então, terminando de secar seu cabelo com a toalha, ela os penteou e foi para a sala. Quando passou pela porta e olhou adiante, seu olhar encontrou com o de Victor, que estava numa situação, no mínimo, engraçada.
…
— Aí, droga! — Victor reclamou, num movimento automático de levar o dedo debaixo de água corrente, depois de ter encostado na chapa de um eletrodoméstico que estava funcionando… e quente.
Quando a água fria tocou, sentiu um pequeno alívio e em seguida, colocou o dedo na boca, resmungando algo como “por que queimar é tão incômodo?”.
Nesse momento, ouviu um barulho no cômodo que fazia divisa com a cozinha e olhou para frente, encontrando duas jóias âmbar o encarando.
Foi necessário mais de um instante para ele lembrar que estava com o dedo na boca e recuar rapidamente, fingindo não ter acontecido nada, enquanto tossiu secamente. Aproveitando o momento embaraçoso, tentando não parecer tão idiota, ele largou o que estava fazendo e caminhou até a garota que estava estática, com um sorriso enorme estampado no rosto.
— Bom dia, Aki!
— Bom dia, Victor! Como você está? — suprimindo a vontade de rir, acabou tropeçando com as palavras.
— Ah, estou ótimo. Acabei de sentir minhas energias sendo revigoradas por um sorriso radiante.
Ela corou. Eles ainda estavam há poucos passos de distância e Victor satisfeito com a provocação efetiva.
— Que ótimo! Fico fel…
Antes que ela completasse a frase, no entanto, foi surpreendida por um abraço repentino do namorado. Ele a envolveu com os braços e a levantou do chão, dando um giro e a colocando novamente no lugar.
Victor pôde contemplar os olhos arregalados momentaneamente de surpresa, misturados com um brilho excitante e um pequeno grito que escapou dos delicados lábios dela.
— Victor… que surpresa… — desconcertada, ela tentou soar natural, o que deu muito errado.
Ele riu, enquanto acariciava seu rosto com as costas da mão.
— Tão fofa! — elogiou, se aproximando e dando um beijo em sua testa.
— Aconteceu alguma coisa? — Aki estava, de certa forma, confusa. Não era comum ele a receber, pela manhã, com tanta energia.
— É, eu acho que aconteceu. Hoje tenho mais certeza de que quero estar ao seu lado, mais do que ontem, e menos que amanhã.
A garota fez uma expressão de confusão, tentando entender a sequência de palavras, quase confusas. Finalmente, quando entendeu, sentiu seu rosto corando. Ela afastou uma mecha de cabelo úmida que estava colada em seu rosto.
— A-ah… c-certo… fico feliz em saber disso…
“O que deu nele hoje, em? Tem algo a ver com a conversa de ontem?”
Um pouco estupefata, Aki tentou levar naturalmente o ritmo da manhã depois disso, enquanto em sua mente lembrava de alguns momentos passados, como quando estavam falando sobre apelidos.
“Eu gosto do meu nome… mas seria tão legal se eu tivesse um apelido só dele…”
Ela, afinal, não tinha esquecido dessa conversa que tiveram, quando ele afirmou que um dia eles teriam um apelido somente deles. A garota estava empolgada para esse momento.
…
01 de agosto de 2024, quinta-feira.
— (…) por fim, a data estimada para o lançamento oficial com todas as funcionalidades está programada para o dia três de setembro, um pouco mais daqui trinta dias. — Matheus anunciou, com um sorriso estampado no rosto.
— E por que você não me disse antes?! — Victor protestou, quase indignado. — Você poderia ter me avisado que estava tão próximo.
Matheus coçou a nuca, visivelmente sem graça.
— Ah, me desculpe, maninho… se eu disser que esqueci, você acreditaria?
— De forma alguma. — Victor respondeu imediatamente, mas o sorriso em seu rosto denunciava a diversão contida.
A verdade era que Matheus não queria sobrecarregar Victor, sabendo das mudanças extremas que estavam acontecendo com ele — e no fim, não era algo realmente importante ou que necessitasse de tanta atenção do irmão mais velho.
O projeto estava bem encaminhado, passando apenas pelas fases finais de teste e organização. Victor também não se importou de verdade, foi apenas uma forma de trocarem algum tipo de zoação.
Após toda a conversa mais séria ter sido resolvida, mesmo que com algumas piadinhas e brincadeiras, agora estavam em outro assunto.
— E quando vocês virão ao Brasil novamente?
O irmão mais novo se ajeitou na cadeira, enquanto perguntava. Victor trocou o celular de mão, aliviando o peso sobre a outra.
— Você não acha que deveria vir ao Japão? Já fomos aí mais de uma vez e você nunca veio aqui. Seria até bom para você tirar umas férias.
— Uma ótima ideia! Meu maninho nunca decepciona em ter bons planos! — Matheus o provocou, rindo.
— Deixa de ser idiota. Bom, preciso ir. Até a próxima.
Naquele momento, ele havia recebido um chamado do chefe Akashi até sua sala.
…
O ambiente era exatamente como Victor se lembrava da última vez que esteve ali — o que, na verdade, não fazia nem vinte e quatro horas.
A mesa de vidro continuava coberta por documentos organizados com precisão quase obsessiva. O computador permanecia ligado, exibindo planilhas e relatórios. Na estante, os livros estavam alinhados da mesma forma de sempre. E, no canto da sala, as garrafas térmicas ocupavam seu lugar habitual, prontas para abastecer reuniões longas como aquela — ou apenas casualmente, se preferisse.
Sentados diante da mesa, Victor e Aki ouviam atentamente as explicações de Akashi. O chefe parecia incapaz de esconder a empolgação.
Em diversos momentos, interrompia a própria fala para mostrar algum documento, comentar uma nova ideia ou explicar detalhes que ainda precisariam ser ajustados antes da inauguração.
— Ainda precisamos definir alguns procedimentos internos do novo escritório. — Akashi apontou para uma das folhas. — Principalmente sobre comunicação entre as equipes e aprovação de contratos internacionais.
Victor assentiu, enquanto fazia algumas anotações. Aki também contribuiu com sugestões relacionadas à organização dos setores e ao fluxo de informações entre os departamentos.
A conversa seguiu por bastante tempo.
Discutiram as próximas entrevistas, o perfil dos candidatos que procuravam e até quais características julgavam mais importantes para os futuros funcionários.
Em determinado momento, Akashi abriu um sorriso satisfeito.
— Honestamente, fico mais tranquilo sabendo que vocês dois estarão lá.
Victor e Aki trocaram um rápido olhar. Mesmo depois do anúncio oficial, ainda era estranho pensar naquilo. Mesmo com todas as declarações oficiais e extra oficiais do chefe sobre o casal.
“Diretores da Elegance Affairs…”
Responsáveis por um escritório inteiro. Responsáveis por funcionários. Responsáveis por parte do futuro da Elegance Affairs… — não que já não fosse assim. Somente seria num grau muito maior… e mais assustador, de certa forma.
— Ainda parece um pouco surreal. — Victor admitiu.
— Concordo. — Aki respondeu com uma pequena risada. — Às vezes sinto que vou acordar e descobrir que tudo isso foi um sonho.
Akashi apoiou os braços sobre a mesa.
— Então não acordem.
Os dois encararam o chefe.
— Porque vocês mereceram cada passo dessa caminhada. Vivam esse sonho, comigo.
Por alguns segundos, o silêncio tomou conta da sala.
Logo depois, Akashi retomou o tom profissional.
Informou sobre alguns documentos enviados por e-mail e explicou que precisava receber, até vinte de agosto, um planejamento detalhado de como imaginavam o funcionamento do novo escritório.
Aquilo ainda precisaria passar por análises, aprovações e diversas etapas burocráticas antes da inauguração oficial, marcada para dezesseis de setembro.
Mesmo assim, conforme falava sobre cada detalhe, era impossível não notar o brilho em seus olhos.
Akashi estava realizando mais um sonho. E Victor e Aki perceberam que estavam realizando um sonho junto com ele.… Principalmente depois da afirmação de alguns minutos atrás.
…
Enquanto voltavam para casa juntos, depois do expediente, Victor e Aki conversavam sobre o novo escritório, algumas coisas que estavam pensando sobre. Foi quando o celular da garota tocou e ela atendeu.
— Oi, Natsu! Como você está? Estou bem. A, sim, estou lembrando. Claro. Sério? Eu acho que sim. Vou confirmar e te aviso por mensagem. Obrigada por ter me lembrado. Certo. Boa noite.
Após desligar e guardar o telefone na bolsa, ela informou a Victor o que ele tinha falado.
Em alguns dias seria o aniversário dos pais de Aki: Shouto e Hana. Ambos faziam aniversário no mesmo dia, quatorze de agosto. E eles queriam fazer uma festa para eles no dia dezessete, sábado.
Ela explicou que era quase uma tradição, todo ano, onde os filhos organizavam essa festa. Victor aceitou prontamente o convite, se é que podemos chamar assim e eles planejaram como fariam.
Teriam que adiantar alguns detalhes sobre eventos da semana, além de resolver o máximo possível sobre o planejamento do novo escritório. Era necessário também ir às compras e levar alguma lembrancinha. Claro, os dois ficaram animados para esse passeio.

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