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    O grupo reapareceu alguns quilômetros adiante, exatamente no tempo em que Brigitte havia combinado. A luminar já os esperava perto de um cruzamento, apoiada contra um poste de iluminação enquanto observava o movimento da avenida principal.

    — Bora. — disse ela, já iniciando a caminhada pelo centro.

    Com o grupo reunido, não perderam mais tempo. Já estavam prontos para continuar a investigação, atentos a qualquer detalhe que pudesse levá-los até Navarra antes que ele desaparecesse de vez.

    As ruas centrais ainda estavam longe de dormir completamente. Apesar de já ser quase uma da manhã, muitos comerciantes ainda estavam aproveitando o movimento do festival para manter os estabelecimentos abertos por mais algumas horas. Luzes amareladas escapavam pelas janelas dos bares, misturando-se ao brilho das lanternas suspensas sobre a rua.

    Entre um estabelecimento e outro, grupos pequenos de pessoas caminhavam lentamente, algumas rindo alto, outras simplesmente aproveitando o fim da noite.

    — A gente procura em todos? — perguntou Brigitte enquanto diminuía o passo ao lado de Niko.

    — Acho que é o melhor a se fazer. — respondeu Gabe. — Não dá pra escolher agora e ele pode ter ido pra qualquer canto.

    — Talvez se separar seja uma boa opção também. — acrescentou Niko. — As chances de encontrar algo são melhores.

    Brigitte arqueou uma sobrancelha, visivelmente confusa com alguma coisa, mas preferiu ficar em silêncio. Já Gabe soltou um suspiro curto e passou a mão pelo rosto. 

    — Só esqueceu o fato de que sou EU com o distintivo de Segurança do Festival aqui. — respondeu ele, tirando aquele pedaço de couro e metal do bolso, como se fosse uma peça mágica que fariam Niko, Brigitte e Gwen se curvarem diante das suas vontades.

    — E daí? — Niko ergueu uma sobrancelha. — No pior dos casos, a pessoa que estamos interrogando só vai dizer não. No melhor, a gente encontra alguma pista. Ainda é a opção mais rápida.

    Gabe o encarou por um segundo, como se estivesse avaliando se valia a pena discutir. No fim, apenas balançou a cabeça.

    — Tá bom, sabichão. — respondeu o rapaz, gesticulando para os lados. — Vamos nos separar para encontrar pistas.

    Os quatro trocaram um último olhar antes de seguirem em direções diferentes. Brigitte escolheu a calçada da direita, caminhando rapidamente entre as mesas espalhadas na frente dos estabelecimentos. Niko atravessou a avenida em direção ao outro lado da rua, enquanto Gwen seguiu pelo meio do quarteirão seguinte. Gabe permaneceu responsável pelos bares maiores, onde a identificação de Segurança do Festival poderia facilitar uma conversa mais longa caso fosse necessário.

    Durante vários minutos, a investigação se resumiu à repetição das mesmas ações: entrar em um bar; dar a descrição de Eloi; fazer duas ou três perguntas; receber uma resposta negativa; seguir para o próximo lugar.

    No primeiro bar em que Niko entrou, um garçom com orelhas de lobo e olhos amarelos apenas lançou um olhar rápido para a descrição física antes de balançar a cabeça.

    — Nunca vi.

    No seguinte, uma mulher de cabelos loiros que organizava algumas garrafas atrás do balcão pensou por alguns segundos, mas acabou chegando à mesma conclusão.

    — Desculpa. Não lembro dele.

    Brigitte também não teve muito mais sorte. Em um pequeno restaurante, um cozinheiro sequer deixou que ela terminasse a descrição antes de responder que não. No estabelecimento seguinte, um casal de donos discutiu entre si durante quase um minuto tentando lembrar se algum cliente parecido havia passado por ali, mas acabou desistindo.

    Enquanto isso, Gabe utilizava o distintivo sempre que a conversa ameaçava terminar cedo demais. Aquilo realmente foi um trunfo subestimado pelos membros do grupo. Bastava o pequeno brasão de couro e metal surgir na altura do peito para que atendentes e proprietários passassem a responder com muito mais atenção. Mesmo assim, nenhuma pista aparecia, para nenhum deles.

    Os minutos continuavam passando. A cada novo estabelecimento, a expectativa diminuía um pouco mais. Até que uma voz chamou do outro lado da avenida.

    — Ei!

    Os três, cada um em um lugar diferente da mesma rua, todos reconheceram Brigitte imediatamente.

    A luminar fez um gesto apressado com o braço, chamando todos para perto de um pequeno bar construído na esquina seguinte. Quando chegaram, encontraram um rapaz terminando de secar um copo atrás do balcão.

    — Era esse homem que vocês estavam procurando? — perguntou ele, observando agora o retrato que Gabe havia desenhado anteriormente.

    O grupo inteiro ficou em silêncio. Parecia que finalmente haveria alguma luz no fim do túnel.

    — Sim. — respondeu Gabe. — O que você sabe sobre ele?

    — Bem, esse sujeito apareceu faz uns vinte minutos. — respondeu o trabalhador, apontando para o desenho.

    Niko sentiu o próprio corpo enrijecer quase instantaneamente. Por um segundo, a possibilidade de finalmente terem encontrado Navarra pareceu grande demais para caber na própria cabeça. Depois de tantas ruas, tantos bares e tantas respostas negativas, qualquer confirmação mínima já era suficiente para acelerar seus pensamentos.

    — Tem certeza?

    — Tenho sim. — o rapaz assentiu sem hesitar. — É um pouco difícil de esquecer um cliente que compra whisky quase uma da manhã.

    Brigitte inclinou discretamente o corpo para frente, apoiando uma das mãos no balcão enquanto mantinha os olhos fixos no funcionário. Seu olhar desceu por um instante até o bloco de notas, depois voltou ao rapaz, como se estivesse tentando medir o quanto daquela lembrança era realmente confiável.

    — Então ele bebeu aqui?

    — Não. — disse o funcionário devolvendo o bloco de notas. — Ele só entrou, pediu uma garrafa, pagou e foi embora. Nem abriu conversa.

    — Ele parecia nervoso? — perguntou Gwen.

    O rapaz refletiu por um instante. Seus dedos tamborilaram de leve sobre a madeira do balcão antes que ele apoiasse as duas mãos ali, inclinando o corpo para frente como se tentasse puxar a lembrança de volta.

    — Nervoso não. — ele apoiou um dos antebraços sobre o balcão. — Na verdade, ele parecia… derrotado.

    A palavra permaneceu alguns segundos no ar. Era exatamente a expressão que todos haviam imaginado. Não havia nada de exagerado na forma como o funcionário a disse; pelo contrário, soava quase como uma constatação óbvia, daquelas que não precisavam de muito esforço para serem reconhecidas.

    — Sabe para onde ele foi? — perguntou Niko.

    O trabalhador se afastou um pouco do balcão, tirou os braços da madeira e fez um gesto simples com a mão, apontando para fora do estabelecimento sem muita cerimônia. Depois, inclinou levemente a cabeça na mesma direção, como se aquilo bastasse para indicar o caminho.

    — Ele seguiu pra direita. — ele voltou o braço para baixo, escondendo-o atrás do balcão. — Ali leva em direção ao Rio Dilluví. Talvez ele tenha ido para lá.

    Os quatro acompanharam o gesto em silêncio, agradeceram pela informação e saíram do bar sem perder tempo. Em seguida, todos foram em direção ao rio. Não precisaram dizer mais nada. 

    Conforme avançavam, o movimento diminuía pouco a pouco. As barracas do festival já começavam a encerrar as atividades, e o som distante das apresentações era lentamente substituído por um silêncio mais calmo. Ainda havia pessoas caminhando pelas ruas, embora em número bem menor do que antes. Alguns grupos conversavam em voz baixa enquanto passavam pelas calçadas, alguns até sentados em bancos, descansando depois de horas de festa.

    Enquanto caminhavam até a margem do rio, Brigitte se aproximou de Niko com passos leves, mas a expressão no rosto dela deixava claro a intenção de conversar.

    Os outros ainda estavam alguns metros à frente, ocupados demais caminhando até o objetivo para prestar atenção nos dois. Ela parou ao lado dele e cruzou os braços.

    — Niko, quero que você me responda algo. — ainda não confiante, a garota se aproximou do ouvido do albocerno para a pergunta. — Desde quando você sabe falar luminárico?

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