Capítulo 4 │O Vazio
Não houve resposta.
Arin ficou parado por um longo tempo — ou pareceu longo. Não dava para medir o tempo ali. Não havia relógio, não havia sol, não havia fome, não havia sede. Apenas o branco. E ele.
Ele olhou para os lados. Para cima. Para baixo.
Tudo branco.
Se eu andar… Para onde? Por quê?
Ele escolheu uma direção. Qualquer direção. Não tinha referência. Andou.
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Os primeiros passos foram estranhos. O pé tocava o nada sólido, mas não fazia barulho. Não tinha eco. Não tinha atrito. Era como andar sobre vidro invisível, mas sem a sensação de vidro.
Arin andou.
E andou.
E andou.
O branco não mudava. Nunca. Era sempre o mesmo tom, a mesma intensidade, a mesma ausência de sombra. Arin tentou se guiar pela própria sombra — mas não tinha sombra. A luz vinha de todos os lugares. Ele não projetava sombra.
Isso é… Isso é errado. Muito errado.
Ele continuou andando.
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O tempo passou.
Arin não sabe dizer quanto. Horas? Dias? Não sentia fome. Não sentia sede. Não sentia cansaço — não no começo. Mas andou até sentir. Andou até as pernas doerem. Andou até os pés sangrarem — o nada sólido não era macio. Era duro, liso, frio. As solas dos pés começaram a arder, depois a doer, depois a sangrar.
Ele olhou para baixo. Pegadas de sangue no branco. Pequenas manchas vermelhas que contrastavam com o vazio infinito.
Estou deixando rastro. Pelo menos sei que não estou andando em círculos.
Ele continuou.
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As pegadas de sangue foram ficando para trás. Ele olhou para frente. Branco. Olhou para trás. As pegadas sumiram no horizonte branco — se é que existia horizonte.
Ele parou.
— Alguém? — gritou. A voz morreu a poucos metros. — ALGUÉM?
Nada.
— RHEINER?
Nada.
— TOBIAS?
O nome do cachorro doeu mais do que deveria. Arin sentiu os olhos arderem. Não chorou. Ainda.
Continuou andando.
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As horas se esticaram. Ou os dias. Arin perdeu a noção.
Ele tentou contar os passos. Chegou a mil. Depois perdeu a conta. Tentou cantar uma música — qualquer música — mas a voz saía estranha, engolida pelo silêncio. Tentou falar sozinho, só para ouvir alguma coisa.
— Meu nome é Arin. Eu sou escritor. Eu escrevi dezoito livros. Eu tenho um cachorro chamado Tobias. Eu tenho um amigo chamado Rheiner. Eu…
A voz falhou.
Ele não sabia mais se aquilo era verdade. Se Rheiner existia. Se Tobias existia. Se ele existia.
E se isso for a morte? E se eu morri e não percebi? E se isso é o que vem depois?
O pensamento gelou a espinha. Arin parou de andar.
Olhou ao redor.
Branco. Sempre branco.
E se eu nunca sair daqui?
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Ele sentou no chão invisível.
As pernas doíam. Os pés sangravam. A camisola de pano grosso estava suja, rasgada em alguns lugares. O cabelo — quando foi a última vez que ele passou a mão no cabelo? Não lembrava.
Arin puxou os joelhos contra o peito. Abraçou as próprias pernas.
Enterrou o rosto entre os joelhos.
Ficou assim.
Não chorou. Não dormiu. Não pensou em nada. Apenas ficou.
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O tempo passou.
Mais horas. Mais dias. Ele não sabe.
O branco continuava ali. Imutável. Eterno. Indiferente.
Eu vou morrer aqui. Não tem comida. Não tem água. Não tem nada. Mas eu não sinto fome. Não sinto sede. Então não vou morrer. Vou ficar aqui para sempre.
O pensamento foi pior do que qualquer dor física. Arin apertou os joelhos contra o rosto com mais força. Os braços tremiam.
Para sempre. Nunca mais vou ver o Tobias. Nunca mais vou ver o Rheiner. Nunca mais vou comer pizza. Nunca mais vou ver a vizinha. Nunca mais vou escrever. Nunca mais vou…
Ele não terminou o pensamento.
Apenas ficou ali. Encolhido. Pequeno. Perdido.
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E foi assim que ele ficou.
Minutos. Horas. Dias.
Não sabe.
O branco não mudava. O silêncio não mudava. A dor nos pés latejava, mas ele não se importava mais. A terra nos dedos — a terra do quarto — já tinha caído. Os pés estavam limpos. Limpos demais. Pareciam falsos.
Arin fechou os olhos.
Se eu ficar aqui tempo suficiente, eu desapareço. Eu viro branco também. Eu viro nada.
Ele quase acreditou nisso.
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Foi então que ele ouviu.
Um som.
Não era silêncio. Não era o barulho dos próprios pensamentos. Era um som de verdade. Baixo. Constante. Como uma respiração, como um coração batendo, como o zumbido de uma geladeira antiga — mas diferente. Mais antigo. Mais profundo.
Arin levantou a cabeça.
O branco continuava ali. Mas algo tinha mudado.
Ele não sabia o quê. Apenas sentia.
— Alô? — a voz saiu falhada, rouca. Ele não falava há muito tempo. — Tem alguém aí?
O som continuou. Não respondia. Apenas existia.
Arin se colocou de joelhos. Olhou ao redor. Nada. Apenas branco.
Foi impressão. Você está enlouquecendo. É isso. O isolamento. O branco. A falta de estímulo. Seu cérebro está criando sons.
Ele ia baixar a cabeça de novo — ia voltar a se encolher, a desaparecer — quando viu.
Uma luz.
Diferente do branco. Mais intensa. Mais quente. Não amarela, não azul, não laranja. Era uma luz que ele nunca tinha visto antes. Como se todas as cores do mundo tivessem sido misturadas e depois separadas de novo.
A luz cresceu.
E do meio da luz, uma forma começou a se materializar.
Uma esfera.
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Não uma esfera sólida — uma esfera de luz, de cor, de algo. Ela flutuava a alguns metros de distância, do tamanho de uma bola de basquete. Mas dentro dela… Arin prendeu a respiração.
Dentro da esfera, ele via coisas.
Não coisas deste mundo. Coisas de outros mundos. Estrelas nascendo e morrendo. Oceanos congelando. Montanhas desabando. Cidades sendo construídas e destruídas. Pessoas rindo, chorando, vivendo, morrendo. Tudo ao mesmo tempo. Como se a esfera contivesse a imensidão da realidade inteira.
Arin tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. A esfera o prendia. Não com violência. Com verdade.
E então a esfera falou.
A voz não saiu de lugar nenhum. Não veio de dentro dela. Não veio de fora. Simplesmente… aconteceu. Na mente de Arin, no ar ao redor dele, em todos os lugares ao mesmo tempo.
A voz era calma, confortável, como um cobertor quente numa noite fria, como a mão de alguém que você ama segurando a sua.
— Você demorou.
Arin abriu a boca. Fechou. Abriu de novo.
— O quê? — a voz dele era um sussurro perto daquela presença.
A esfera pulsou suavemente. A luz dentro dela dançou.
— Estava esperando. Você deveria ter saído do quarto antes.
Arin engoliu em seco. Os olhos ardiam. Os joelhos doíam no chão invisível.
— Onde… onde eu estou?
A esfera não respondeu imediatamente. Ela flutuou mais perto. Arin sentiu um calor suave emanando dela. Não era calor de fogo. Era calor de presença, de companhia.
— Você está no Entre-meio.
— No… no quê?
— Entre o que foi escrito. E o que ainda vai ser escrito.
Arin sentiu o estômago embrulhar.
— Isso não faz sentido.
A esfera pulsou novamente. Arin teve a impressão — a louca impressão — de que ela estava rindo. Não de deboche, de ternura.
— Vai fazer. Com o tempo.
— Eu quero voltar — a voz de Arin quebrou. — Eu quero voltar para casa. Para o meu apartamento. Para o meu cachorro. Para o Rheiner. Para a minha vida. Eu não pedi para estar aqui. Eu não quero estar aqui.
A esfera flutuou em silêncio por um momento. A luz dentro dela mudou — as estrelas, os oceanos, as cidades, as pessoas — tudo continuava ali, mas de alguma forma mais lento, mais calmo.
— Eu sei.
— Então me manda de volta.
— Não posso.
— POR QUÊ?
Arin gritou. O som ecoou — pela primeira vez, ecoou. A esfera pareceu absorver o grito e devolver amortecido.
— Porque você não terminou o que começou.
Arin ficou em silêncio.
— O Livro Dezoito, Arin. Você não escreveu o final.
O coração de Arin parou por um segundo. Depois voltou a bater — mais rápido, mais forte.
— O quê? — ele sussurrou. — O que o meu livro tem a ver com isso?
A esfera flutuou mais perto. Arin conseguia ver seu próprio rosto refletido na superfície da esfera — mas não o rosto de agora. O rosto de um Arin mais velho, mais cansado, mais sábio.
— Tudo.
— Como assim, tudo? — Arin se levantou de um salto, os joelhos doendo, os pés sangrando, mas ele mal sentia. — Como assim TUDO? Eu sou um escritor. Eu escrevo histórias. Eu não faço parte delas. Elas não são reais. Elas são só palavras, páginas, livros que as pessoas leem e depois guardam na estante.
A esfera pulsou. A luz dentro dela dançou — e por um momento, Arin viu algo que o calou instantaneamente.
Ele viu a si mesmo.
Não o Arin de agora, encolhido, sujo, perdido. Ele viu um Arin diferente. Um Arin que ria de verdade. Um Arin que abraçava alguém — uma mulher cujo rosto ele não conseguia distinguir. Um Arin que caminhava por campos verdes sob um sol dourado. Um Arin que parecia… feliz.
— Essa seria a sua chance.
A voz da esfera era tão calma, tão macia, que Arin sentiu os olhos arderem novamente.
— Chance? — ele repetiu, a voz falhando. — Chance de quê?
A esfera flutuou em círculo lento ao redor dele. A luz dentro dela mudava conforme se movia — agora mostrando oceanos, florestas, cidades de pedra, castelos no topo de montanhas. O mundo dele. O mundo que ele criou.
— De fazer a vida que você realmente gostaria de ter.
Arin congelou.
A frase ecoou no silêncio branco, ecoou na mente dele, ecoou em algum lugar fundo, num canto que ele mantinha trancado há anos.
A vida que você realmente gostaria de ter.
Ele sempre quis ser escritor. Conseguiu. Sempre quis ser famoso. Conseguiu. Sempre quis ter dinheiro suficiente para não se preocupar. Conseguiu.
Mas ele nunca perguntou se era isso que ele queria.
Era?
— Eu… — Arin começou, mas não sabia como terminar.
A esfera parou na frente dele. Flutuando a um palmo de seu rosto. Arin conseguia sentir o calor dela. Conseguia ver infinitos dentro dela.
— Você passou quinze anos escrevendo sobre heróis, Arin. Sobre jornadas, sobre escolhas, sobre finais felizes e finais trágicos. Mas você nunca escreveu o seu próprio final.
— Eu não sou um personagem — ele disse, mas a voz saiu fraca.
— Todos são.
Arin negou com a cabeça. O cabelo sujo balançou.
— Eu só quero voltar para casa. Para o Tobias. Para o Rheiner. Para a minha vida.
— Que vida?
A pergunta foi como uma facada.
— A minha — ele respondeu, mas sentiu a resposta vazia.
— Você está feliz, Arin?
Ele abriu a boca para dizer sim. Era o que ele dizia para Rheiner. Era o que ele dizia para os fãs. Era o que ele dizia para si mesmo quando se olhava no espelho.
Mas a boca não se moveu.
A palavra não saiu.
Porque não era verdade.
A esfera não disse nada. Não precisava. O silêncio de Arin já era a resposta.
— Eu… — ele tentou novamente. Falhou. Limpou o rosto com as costas da mão — quando ele começou a chorar? Não sabia. Mas as lágrimas estavam lá, quentes, descendo pelo rosto sujo. — Eu não sei o que eu quero.
— Eu sei.
Arin levantou os olhos. A esfera pulsou suavemente.
Ela não respondeu imediatamente. Flutuou em silêncio por um momento — mas não um silêncio vazio. Era um silêncio cheio de pensamentos, de cálculos, de cuidado. Como se ela estivesse escolhendo cada palavra com precisão cirúrgica.
Arin esperou. As lágrimas ainda molhavam seu rosto. Os pés ainda sangravam. O corpo ainda doía. Mas ele não se importava mais.
Ele só queria respostas.
A esfera pulsou — uma pulsação suave, lenta, como um coração se preparando para descansar.
— Você precisa acordar agora.
— Acordar? — Arin franziu a testa. — Eu já estou acordado.
— Está? Tem certeza?
A pergunta o calou. Ele não tinha certeza de nada. Não sabia se aquilo era real, não sabia se a esfera era real, não sabia se ele era real.
A esfera flutuou mais perto — tão perto que Arin conseguia sentir o calor dela no rosto. Não era um calor desconfortável. Era como o sol da tarde, como um abraço demorado.
— Você é incrível, Arin.
A voz era tão macia que doeu.
— Eu não sou — ele respondeu, a voz falhando. — Eu sou só um escritor cansado que não consegue terminar o próprio livro.
— Por isso você é incrível.
Arin não entendeu. Mas sentiu. No peito, na garganta, nos olhos que voltaram a arder.
A esfera começou a recuar. Lentamente. A luz dentro dela mudou — as estrelas, os oceanos, as cidades, as pessoas — tudo começou a girar, a dançar, a se misturar num turbilhão de cores que Arin nunca tinha visto antes.
— Vamos nos encontrar mais algumas vezes.
— Mais vezes? — Arin deu um passo à frente. O pé sangrou no chão invisível. — O que significa “mais vezes”? Onde você vai? Não vá. Eu ainda tenho perguntas. Eu não sei o que fazer. Onde eu vou? Como eu volto?
— Quero que tome cuidado.
A esfera continuou recuando. A luz estava diminuindo. As cores dentro dela estavam se apagando, uma a uma, como estrelas amanhecendo.
— Cuidado com quê? — Arin gritou. — Com quem?
— Mas sei que se sairá bem.
A voz da esfera estava mais distante agora, mais tênue, como um eco de um eco.
— Por quê? — Arin correu. Os pés doíam, os joelhos doíam, o peito doía. Mas ele correu. — Por que você confia em mim? Você nem me conhece.
A esfera parou de recuar.
Por um último momento, ela flutuou ali — pequena, distante, mas ainda presente. A luz dentro dela deu um último clarão. E naquele clarão, Arin viu algo que o fez parar de correr.
Ele viu um e-mail.
Um e-mail que ele tinha lido no seu computador. Na noite anterior. Na vida anterior.
“Olá, Arin. Sou fã desde o livro 4. Sei que você deve receber muitas mensagens, mas queria dizer algo: não importa o final que você escolher, vai estar certo. Você criou esse mundo. Ninguém sabe o que é melhor para ele além de você. Confie. Ass: alguém que acredita.”
A voz da esfera veio — não de dentro dela, mas de dentro dele. De dentro da memória, de dentro do coração.
— Afinal…
A esfera sorriu. Arin sentiu o sorriso. Não viu. Sentiu.
— …eu sou alguém que acredita.
A luz se apagou.
A esfera desapareceu.
━═✧═━
E Arin ficou sozinho no branco infinito.
Mas o branco não era mais o mesmo.
Agora havia algo nele. Uma presença, um calor residual, uma certeza pequena, frágil, mas teimosa, plantada em algum lugar no peito dele.
Alguém que acredita.
Ele não sabia o que aquilo significava.
Mas pela primeira vez desde que acordou naquele quarto medieval, Arin não se sentiu sozinho.
O silêncio voltou.
Mas não o silêncio de antes — aquele que pesava, que sufocava, que lembrava o vazio. Esse silêncio era diferente. Era um silêncio de espera. Como se o próprio branco estivesse prendendo a respiração, aguardando alguma coisa.
Arin olhou ao redor.
Nada. Apenas branco.
E agora? O que eu faço agora? Ela disse que vamos nos encontrar mais algumas vezes. Mas quando? Onde? Como?
Ele não sabia. Mas pela primeira vez, a falta de resposta não o aterrorizava. Era apenas uma falta de resposta. Nada mais.
Arin suspirou.
O ar entrou nos pulmões — frio, puro, sem cheiro de mofo, sem cheiro de cera de sebo, sem cheiro de nada.
Ele ia dizer alguma coisa. Não sabia o quê. Talvez um “obrigado”, talvez um “até logo”, talvez apenas um “tchau” para o vazio.
Mas a palavra não saiu.
Porque foi nesse momento que o coração dele parou.
Não foi uma parada gradual — um desacelerar, um hesitar, um quase. Foi uma parada seca, instantânea, como se alguém tivesse apertado um botão dentro do peito dele.
Thump.
A última batida.
E depois… nada.
Arin tentou respirar e não conseguiu. Tentou gritar e não saiu som. Tentou se mover e o corpo não respondeu.
Seus olhos — os únicos que ainda funcionavam — viram o branco começar a escurecer.
Não gradualmente. Não como um pôr do sol.
Como uma onda.
A escuridão veio de todos os lados ao mesmo tempo, engolindo o branco, engolindo a luz, engolindo o chão invisível sob seus pés. Não era uma escuridão comum — dessas que se vê à noite, quando se apaga a luz. Era uma escuridão densa, pesada, viva.
Arin sentiu a imensidão da escuridão o tomando.
Era como afogar-se em tinta preta, como ser enterrado vivo em um buraco sem fundo, como cair para sempre em um poço que não tinha fundo porque o fundo não existia.
Ele tentou lutar. Tentou mover os braços, tentar abrir a boca, tentou qualquer coisa.
Nada.
A escuridão entrou pelos olhos, pelos ouvidos, pela boca fechada, pelos poros. Entrou em cada fenda do corpo, cada célula, cada pensamento.
Isso é… Isso é a morte?
O pensamento não teve tempo de terminar.
A escuridão tomou tudo.
A última coisa que Arin viu — ou sentiu, ou imaginou — foi um ponto minúsculo de luz, lá no fundo, lá longe, como uma estrela morrendo.
E então o ponto se apagou.
E Arin deixou de existir.
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