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    『 Tradutor: Crimson 』


    Trono de Fogo. Quinto andar.

    Dentro de uma sala secreta extremamente protegida.

    Greem estava diante de uma plataforma de alquimia, examinando em silêncio o cadáver de uma besta estelar à sua frente.

    O cadáver estava selado em uma espécie de âmbar semi-translúcido. Era uma espécie estranha, completamente diferente de qualquer criatura planar. Sua aparência era difícil de descrever. Pelo menos, Greem nunca tinha visto nada semelhante em nenhum dos planos.

    Em resumo, a besta estelar parecia uma massa de carne apodrecida que havia crescido de forma desordenada. Não possuía membros definidos nem articulações, tampouco uma estrutura esquelética fixa. Nem mesmo havia órgãos de carne claramente identificáveis. Todo o seu corpo era coberto por uma camada negra e rígida de uma substância que cintilava com pequenos pontos de luz cristalina.

    Para ser preciso, aquilo deveria ser uma besta estelar jovem.

    Mesmo uma besta estelar jovem possuía o poder de um Segundo Grau. Isso já era mais do que suficiente para demonstrar os perigos e terrores dos reinos além.

    “Besta estelar” era um nome genérico que abrangia diversas espécies. Qualquer criatura capaz de viajar livremente e sobreviver no mar infinito de estrelas podia ser chamada assim.

    As diferenças entre essas bestas também eram enormes. Podiam ser tão distintas quanto o céu e a terra, impossíveis de comparar.

    Algumas eram do tamanho de mastins, enquanto outras podiam alcançar o tamanho de colinas — ou até mesmo de continentes inteiros. Seu poder geralmente estava diretamente ligado ao seu tamanho. No entanto, o aspecto mais assustador de sua existência era a energia do caos que carregavam dentro de si.

    Era importante lembrar que a energia elemental dentro de um mundo planar era ordenada, estável e dócil.

    Isso se devia às leis do plano.

    Fora de um plano existia um vasto e aterrador mar de estrelas. Uma quantidade infinita de energia mágica violenta percorria o espaço, caótica, turbulenta e desordenada — perigosa para a maioria das criaturas planares.

    Os mundos planares se isolavam do espaço exterior por meio da barreira do plano, também conhecida como membrana do mundo. Era ela que protegia a vida e a matéria dentro do plano. Através dessa membrana, a energia caótica que penetrava era desmantelada pelas leis fundamentais, sendo convertida em energia elemental básica — terra, fogo, água, vento e semelhantes — que podia ser absorvida pelas criaturas do plano.

    Essas partículas elementais formavam o ambiente mágico fundamental dos mundos planares.

    Assim, pode-se dizer que todas as criaturas de um plano eram protegidas pelas leis do plano. A energia que utilizavam já havia sido filtrada e domada.

    Embora usar diretamente a energia do caos aumentasse enormemente o poder de um feitiço, essa energia era, ao mesmo tempo, um veneno mortal para a maioria dos seres.

    Se a energia do caos entrasse no corpo, destruiria o equilíbrio elemental interno e levaria ao colapso de todo o sistema de circulação de energia. O corpo frágil dos adeptos humanos não conseguiria suportar esse colapso.

    Por isso, adeptos de baixo nível estavam condenados à morte ao deixar o plano e vagar pelo espaço!

    Somente após alcançar níveis elevados — e possuir um corpo poderoso ou meios de lidar com a energia do caos — alguém ganhava o direito de atravessar o mar de estrelas em busca dos mundos ocultos além das tempestades espaciais.

    O espaço era violento e perigoso.

    Ainda assim, possuía suas próprias criaturas nativas.

    Esses seres eram naturalmente adaptados às ondas de energia e conseguiam absorver diretamente a energia caótica para seu uso.

    E eram chamados de bestas estelares.

    Essas criaturas tinham um passatempo favorito: viajar pelo espaço infinito em busca de mundos planares para invadir. Quando encontravam um alvo, rasgavam a barreira do plano e invadiam para se alimentar.

    A energia caótica que traziam junto com a ruptura causava danos terríveis e irreparáveis ao mundo.

    Inúmeros mundos planares ao longo da história definharam devido à devastação causada por essas criaturas. Quando as leis do plano eram danificadas e a consciência do plano gravemente ferida, o mundo perdia a capacidade de restaurar sua própria barreira.

    As tempestades de energia continuavam a invadir o plano, destruindo a maioria das formas de vida — mais de noventa por cento das espécies inteligentes eram aniquiladas.

    Apenas indivíduos ou raças verdadeiramente poderosas tinham chance de sobreviver.

    Eles se tornavam nômades do espaço ou buscavam um novo mundo para habitar.

    Sob essa perspectiva, quase todas as bestas estelares eram inimigas mortais das criaturas planares.

    Se encontradas, uma batalha até a morte era inevitável.

    O cadáver dessa jovem besta estelar provavelmente era um espólio de guerra obtido por aqueles adeptos caçadores nos reinos além.

    Na verdade, o corpo de qualquer besta estelar era um verdadeiro tesouro de recursos.

    Sua pele e seus tecidos podiam ser usados para forjar equipamentos com altíssima resistência mágica, enquanto sua carne era uma fonte de nutrição ideal para adeptos de refinamento corporal.

    O atributo mais precioso dessas criaturas, porém, era seu Físico do Caos — uma poderosa linhagem por si só.

    Inúmeros adeptos antigos cobiçaram esse físico.

    Alguns consumiram a carne crua.
    Outros injetaram o sangue em seus próprios corpos.
    Alguns tentaram extrair sua linhagem.

    Todas as formas possíveis foram tentadas na busca por um corpo que não temesse a energia caótica do espaço.

    Infelizmente… pouquíssimos tiveram sucesso no final.

    Mesmo que alguns Grandes Adeptos tenham conseguido transformar seus corpos em um Físico do Caos, os efeitos colaterais foram enormes.

    As bestas estelares eram poderosas e selvagens quando comparadas às criaturas planares. No entanto, sobreviviam quase exclusivamente por instinto. Possuíam força física incomparável e habilidades inatas extremamente poderosas, mas careciam de inteligência e sabedoria.

    Aqueles que forçaram a transformação de seus corpos em um Físico do Caos também sofreram uma regressão intelectual. Tornaram-se criaturas cruéis e malignas, assim como as próprias bestas estelares. Os laboratórios secretos que criaram nos reinos além do espaço foram abandonados e acabaram se tornando ruínas exploradas por gerações futuras em busca de aventuras e tesouros.

    Os métodos comuns de extração de linhagem eram praticamente inúteis contra bestas estelares.

    Por isso, mesmo para as três grandes organizações de adeptos, a pesquisa sobre linhagens de bestas estelares era considerada informação de altíssimo sigilo. Não era algo que vazaria facilmente para o mundo exterior.

    Segundo alguns rumores duvidosos, a Associação dos Adeptos já estava à frente de todos nesse campo. Parecia eles haviam criado com sucesso uma série de adeptos do caos. No entanto, não revelariam facilmente uma carta tão poderosa. Até agora, não havia provas concretas — apenas rumores espalhados pelo continente.

    Greem possuía o Devorador de Essência, mas não sabia se ele funcionaria em uma besta estelar. Também não podia arriscar usar o único cadáver que possuía em um experimento direto. Assim, durante os dias seguintes, ele se trancou neste laboratório secreto, tentando extrair tecidos e músculos da besta estelar para experimentos iniciais, enquanto utilizava os resultados para ajustar e cultivar novos Devoradores de Essência.

    Experimentos desse tipo geralmente duravam muito tempo e consumiam uma quantidade absurda de recursos.

    Se estivesse sozinho, Greem teria que viajar por todo o Mundo Adepto em busca dos materiais necessários. No entanto, com o crescimento acelerado do Clã Carmesim, bastava uma ordem sua para que milhares de adeptos, aprendizes e goblins saíssem em busca do que ele precisava.

    Assim, ele podia concentrar todo o seu tempo e energia em pesquisa, sem se preocupar com tarefas secundárias.

    O Clã Carmesim também tinha muito a fazer naquele momento e estava em pleno período de expansão e desenvolvimento.

    Greem sequer precisava aparecer.

    Enquanto os adeptos do clã soubessem que o lendário adepto de fogo — aquele que mais respeitavam e admiravam — permanecia dentro da torre, encontrariam uma fonte inesgotável de motivação e dedicação.

    Greem era como a espinha dorsal do Clã Carmesim.

    Enquanto ele estivesse presente, mesmo sem fazer nada, já representava uma garantia absoluta para todos os membros.

    Afinal, rumores se espalhavam por toda Zhentarim: Greem, o lendário adepto de fogo, havia sido listado pelos líderes das grandes organizações como o Terceiro Grau com maior chance de alcançar o Quarto Grau.

    Sob esse tipo de expectativa psicológica, qualquer adepto ou organização que ousasse enfrentar o Clã Carmesim seria visto como insano — alguém incapaz de avaliar risco e consequência.

    Os adeptos da Família Fabres, que haviam recuado para seus territórios, acabaram aceitando a derrota com amargura.

    Para recuperar seus adeptos capturados e suas forças de elite, o clã foi obrigado a oferecer uma compensação absurda para encerrar o conflito.

    Vinte e um milhões de cristais mágicos.
    Uma quantidade gigantesca de materiais e recursos de adeptos.
    Todos os nobres carmesins que haviam desertado para o lado Fabres.
    A reconstrução de uma dúzia de cidades e mais de cem castelos e mansões.
    Mais de cem mil escravos de outros mundos.
    E uma enorme quantidade de equipamentos mágicos de baixo nível, pergaminhos, poções, varinhas e itens alquímicos.

    Com essa compensação, o Clã Carmesim poderia reconstruir completamente a Região de Ailovis e transformá-la em um território humano totalmente sob seu domínio.

    As antigas terras nobres e reinos humanos haviam sido devastados.

    Era a oportunidade perfeita para unificá-los em um único reino poderoso.

    A Dinastia Carmesim.

    Esse novo reino humano, completamente subordinado ao Clã Carmesim, receberia esse nome. O rei colocado no trono seria Baderhorn Carmesim — o último parente vivo de Gargamel, resgatado de sua terra natal.

    Devido ao excelente desempenho na última guerra, todos os nobres humanos que permaneceram leais ao Clã Carmesim foram promovidos.

    O Conde Thomas tornou-se Duque Thomas, passando a governar um vasto território com milhares de quilômetros quadrados.

    Nenhum adepto do Clã Carmesim estava sozinho.

    Todos possuíam famílias e clãs por trás de si, que precisavam de apoio e estrutura.

    Agora, com um reino inteiro à disposição, trouxeram seus parentes e descendentes, formando novas casas nobres e estabelecendo seus próprios territórios dentro da recém-criada Dinastia Carmesim.

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