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    “Deixa eu te contar, Crow Crow… todos aqueles daemons tinham uma queda por estruturas desnecessariamente enormes. Por que todas as Cidadelas deles são tão estupidamente enormes? Não, sério, o que eles estavam compensando?”

    Sentado no mastro principal do Jardim da Noite, a muitos quilômetros da superfície do oceano, Sunny olhava para o horizonte com uma expressão amarga. Na verdade, ninguém era louco o suficiente para subir tão alto, especialmente porque os mastros do navio titânico foram projetados para atrair raios, então ele podia desfrutar de um pouco de privacidade ali.

    O que ele fez depois de passar muito, muito tempo procurando, em vão, vestígios de Weaver na imensidão infinita da gigantesca nave.

    Crow inclinou a cabeça e lançou-lhe um olhar contemplativo, depois abriu o bico. 

    “Crow! Crow!”

    Sunny suspirou.

    “Exatamente! Você tem razão. E quanto ao tamanho deles? Eles não têm a decência de se ater a um tamanho, pelo menos? A Caçadora não parecia muito menor que o Weaver na visão… então por que diabos o reflexo do Weaver tinha cem metros de altura? O que é isso, hein?”

    O pequeno pássaro olhou para ele com seus brilhantes olhos negros.

    “Pequeno! Pequeno!”

    Sunny fez uma careta.

    “Quem você está chamando de baixinho, seu corvo coberto de fuligem? Deixa eu te contar uma coisa: eu posso ser tão alto quanto eu quiser! Só estou escolhendo ser desse tamanho! Cem metros não é nada…”

    Crow lançou-lhe um olhar de pena e grasnou, como se estivesse provando o que dizia:

    “Fuligem! Fuligem!”

    Sunny zombou e desviou o olhar.

    A costa da Austrália, que costumava ser visível a estibordo do Jardim da Noite, estava agora quase atrás deles. E, na água abaixo, um comboio naval de dezenas de imensos navios de guerra se movia lentamente em formação atrás da ampla proa da Grande Cidadela. Bem, os navios de guerra pareciam imensos quando Sunny os viu pela primeira vez, lá no início da Cadeia de Pesadelos. Agora, escondidos na sombra projetada pelo casco do Jardim da Noite, os gigantes de liga metálica pareciam um bando de patinhos desajeitados seguindo a mamãe pata.

    Sunny também viu algumas figuras familiares.

    De um lado do comboio, uma orca gigante rompeu brevemente a superfície da água e mergulhou novamente nas profundezas. Do outro lado, uma serpente marinha colossal cortava as ondas com os espinhos de sua longa barbatana dorsal, acelerando para alcançar o navio titânico. Logo, a serpente desapareceu, e um homem subiu a série de escadas de corda até o convés do Jardim da Noite, com cuidado para não tocar a superfície do casco.

    Quando Naeve chegou ao convés, Jet já estava esperando por ele, tendo descido do salão rúnico como uma torrente de névoa. Alguém mais também estava esperando pelo Santo da Noite ali: uma adolescente com cabelos que brilhavam com um brilho índigo sob a luz quente do sol.

    “Pai!”

    Sentindo o movimento das sombras, Sunny coçou a nuca.

    “Quem é a garota?”

    Seus olhos se arregalaram.

    “Espera aí, aquela é a filha do Naeve? O quê… quando ela virou adolescente? Eu podia jurar que ela tinha cinco anos há poucos anos!”

    Ele olhou para Crow Crow e tossiu de vergonha.

    “Bem, acho que é assim que o envelhecimento funciona… espera, quantos anos Naeve tem?”

    Levantando a mão, ele começou a contar nos dedos. Quando seus dedos se mostraram insuficientes, ele convocou algumas mãos sombrias e continuou contando com elas.

    “Meu Deus, que fóssil.”

    Ainda bem que Jet não conseguia ouvi-lo, pois, segundo seus cálculos, eles tinham a mesma idade. Sunny lançou um olhar desconfiado para Crow Crow.

    “Você não vai me dedurar, vai?” Crow Crow bateu suas asas.

    “Rat! Rat!”

    … O que quer que isso significasse.

    Naeve, que estivera ausente do Jardim da Noite para proteger os navios de refugiados, abraçou a filha e deu-lhe um tapinha na cabeça. Em seguida, virou-se para Jet.

    “Todos foram contabilizados, então estamos prontos para partir assim que os detalhes da formação defensiva forem decididos. Os adivinhos também não sentiram nenhuma abominação poderosa se movendo ao longo da rota que escolhemos. Tenho o relatório com os números exatos comigo, então devemos discutir isso agora? Ah, também há um pequeno problema com os suprimentos…”

    A filha cruzou os braços e fez beicinho.

    “Papai.”

    Naeve ficou em silêncio por um momento.

    “Ou podemos discutir isso em uma… hora?”

    Sunny suspirou.

    “Infelizmente, não tenho uma filha fofa para me ajudar a relaxar. Ainda. Enfim, de volta ao trabalho…” Crow Crow soltou um grasnido de afirmação.

    Fechando os olhos, Sunny concentrou-se em explorar o Jardim da Noite com seu sentido de sombras. O passarinho, entretanto, entediou-se com a companhia e saiu em patrulha pela viga horizontal mais alta do mastro principal, gingando ao longo de sua borda com um olhar extremamente sério.

    Logo, o Jardim da Noite começou a se mover novamente, rumo ao norte. Os navios de guerra se formaram atrás dele e, em pouco tempo, a costa da Austrália desapareceu de vista. Não havia nada além de água aberta ao redor deles.

    A primeira vez que Sunny cruzou o oceano, foi uma experiência estressante. O navio de guerra parecia um caixão de liga metálica, e ele não pôde deixar de se sentir cauteloso, sabendo que a única coisa que o separava das profundezas aquáticas eram algumas camadas de metal comum. 

    O comboio naval também havia sido atacado por Criaturas do Pesadelo muitas vezes, chegando até perto de perder vários navios em uma ocasião. Agora, Sunny se sentia muito mais seguro — tão seguro, aliás, que não via motivo para se preocupar. Além de ser um Soberano, ele também navegava no Jardim da Noite. O navio titânico não era exatamente invencível, mas não havia nada no Oceano Índico que pudesse danificá-lo seriamente, muito menos afundá-lo.

    O Mar Tempestuoso, por outro lado…

    “Espero encontrar o que estou procurando antes de retornarmos ao Reino dos Sonhos.” Apesar das esperanças de Sunny, no entanto, ele não o encontrou. Por mais meticulosamente que explorasse o Jardim da Noite, não havia vestígios de nada deixado por Weaver. Seu sangue não reagiu de forma alguma, e até mesmo sua intuição permaneceu silenciosa.

    Era como se não houvesse nenhuma pista em lugar algum do navio. A cada dia que passava sem resultado, o humor de Sunny ficava mais sombrio. Por fim, ele teve que admitir algo que vinha evitando o tempo todo.

    “Acho… que terei que usar essa coisa para localizar os rastros de Weaver.”

    Só de pensar nisso ele estremeceu.

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