Capítulo 2661 - Santuário da Tempestade
Sunny subiu os últimos degraus que levavam aos portões do Farol, protegendo os olhos da luz ofuscante. Encontrou Naeve ali — seu velho amigo estava sentado nas pedras frias com uma expressão distante no rosto. Seus olhos índigo refletiam o brilho prateado luminoso, assemelhando-se aos de seu pai.
Sunny parou por alguns instantes, então olhou para os portões do Farol e perguntou em tom neutro:
“Então, como foi?”
Naeve estremeceu levemente, depois virou a cabeça e olhou para cima. Ele olhou fixamente para Sunny por um breve momento e então se livrou de seu devaneio.
“Ah… estava tudo bem, eu acho. Estou como o Jardim da Noite, no momento — algumas partes de mim que eu nem sabia que estavam faltando estão sendo reparadas. Mas não acho que isso vá mudar tanto a minha força.”
Naeve apontou para uma lanterna deslumbrante que estava nas pedras ao lado dele, brilhando como uma estrela em miniatura.
“A propósito, este é o maior tesouro do nosso clã — a Lanterna Estelar que meu pai trouxe da Cidade Eterna. Ela estava vazia antes, mas agora está repleta de luz estelar novamente. Isso… Estou feliz e perturbado por isso.”
Para alguém que acabara de garantir a continuidade ininterrupta da linhagem de seu clã, Naeve não parecia muito feliz. Sunny também o entendia. Afinal, entre aqueles que foram expostos à Lanterna Estelar, nem todos tiveram a mesma sorte de Onda de Sangue e Aether. Muitos pereceram, abrindo caminho para os demais com suas vidas.
Foi assim que a Casa da Noite foi criada.
Naeve suspirou.
“Será que me sinto covarde ao dizer que não teria permitido que meus próprios filhos ou irmãos ficassem diante desta lanterna e fossem julgados por ela? Mesmo sabendo o quanto o mundo precisa desesperadamente daqueles que detêm grande poder…”
Sunny o estudou por um tempo e depois desviou o olhar.
“Não há nada de errado em ser covarde.”
Ele parou por um momento e então sorriu levemente.
“Você não acreditaria no esforço que fiz para garantir que minha irmã nunca mais passasse pelos mesmos desafios que eu. Na verdade, essa é a coisa mais sensata a se fazer. Para mim, o que é macabro é o que os Legados fazem com seus filhos.”
Sunny ficou em silêncio e então olhou para Naeve com interesse.
“Aliás, como é a sensação? Descer ao inferno… e encontrar seu pai vagabundo lá?”
Naeve riu baixinho.
“Ah, isso.”
Ele balançou a cabeça.
“Foi um choque e tanto… mas, por outro lado, sempre senti que ele ainda poderia estar vivo por aí, em algum lugar. De alguma forma.”
Naeve permaneceu em silêncio por um tempo e depois deu de ombros.
“Para ser sincero, nunca fomos muito próximos. Ele aparecia uma ou duas vezes por ano e depois desaparecia de novo… e quando eu era adolescente, ele desapareceu e nunca mais apareceu. Eu enfrentava a expectativa de ser filho dele todos os dias. Mas, felizmente, nunca me importei muito com isso.”
Ele deu de ombros.
“Então, encontrá-lo aqui foi como encontrar um estranho. Mas se conseguirmos ajudá-lo a escapar…”
Sua expressão mudou de repente e seus olhos se arregalaram.
“Ah. D-droga-“
Sunny levantou uma sobrancelha.
“O que?”
Naeve parecia genuinamente abalado.
“N-não, não é nada. Acabei de perceber que vou ter que dar a notícia para minha mãe. Ah… ah. Talvez… talvez meu tio possa fazer isso.”
Sunny olhou para ele por alguns momentos e depois riu.
Quando seu riso cessou, ele olhou para o brilho prateado com um sorriso.
“Sabe, eu nem me lembro direito da aparência do meu pai. Então, se eu tivesse a chance de encontrá-lo novamente… bem, imagino que teria sido bem estranho. Mas acho que ficaria feliz.”
Sunny deu um tapa no ombro de Naeve.
“Sua filha também ganhará um novo avô. Droga… pensando bem, precisamos simplesmente levar o Andarilho da Noite de volta à civilização.”
Naeve sorriu.
Deixando-o para trás, Sunny atravessou as placas de pedra e entrou no Farol. Passando por um longo corredor, ele entrou em um vasto salão. A grande torre era imersa em um brilho prateado e oca por dentro, de modo que não havia teto à vista. Seu térreo parecia um templo.
Em certo sentido, era o oposto do santuário sombrio escondido na Torre de Ébano. Um estava submerso em profunda escuridão, o outro banhado em uma luz ofuscante… mas as estátuas neles erguidas eram quase idênticas. Sunny estudou a estátua à sua frente. Representava uma jovem deslumbrante vestida com uma túnica esvoaçante, o rosto obscurecido por um véu — ela segurava uma estrela em uma mão e um raio na outra.
Ele não pôde deixar de sentir uma ponta de sutil afeição pela estátua da Deusa da Tempestade1, pois ela o lembrava da Santa. Virando-se, Sunny caminhou até a beira do vasto salão e subiu os degraus que espiralavam ao longo da parede do Farol, ascendendo às alturas altíssimas. Não havia sombras ali, então ele só podia caminhar — no final, levou um bom tempo para chegar ao topo.
Lá, passando por uma massa de pedra radiante, ele entrou em uma plataforma na qual uma estrela feroz e ofuscante queimava sem parar, emanando ondas de luz radiante e calor intenso.
‘Ah…’
Estranhamente, ele não foi incinerado instantaneamente. Na verdade, a luz prateada era fria — ela o envolveu quase como uma força física, permeando seu ser. Aquela luz iluminou as profundezas sombrias de sua alma.
Sunny podia sentir algo sendo gravado pela luz, tentando mudá-lo… Mas antes que a luz das estrelas pudesse penetrar o abismo silencioso das sombras, algo vasto e ameaçador se agitou na escuridão e lançou seu olhar faminto sobre ela.
A linhagem de Weaver surgiu, absorvendo a luz radiante e obliterando-a.
Logo, não sobrou nada dela — apenas sua ausência.
Sunny sentiu as cordas invisíveis reforçando sua alma ficando um pouco mais firmes, e sua mente ficando um pouco mais clara. E foi isso. A mudança não foi muito significativa e também não foi muito inovadora.
A Trama tinha simplesmente derrotado um invasor.
Com os olhos cerrados, desviou o olhar da estrela presa.
‘Imaginei. Afinal, eu já fui reivindicado por outra Estrela…’
- lembrem que os deuses nao tem genero, entao vou usar feminino agora pq oq está sendo representado é uma mulher[↩]

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