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    Os servos de Sunny moviam-se nas sombras da humanidade, invisíveis. Os membros do Clã das Sombras estavam espalhados pelos dois mundos, infiltrados em todas as camadas da sociedade. Seu trabalho geralmente era discreto, com missões de alta intensidade executadas cirurgicamente após meses de preparação meticulosa.

    Em uma noite sem lua, no auge do verão, as coisas estavam acontecendo da mesma maneira. Só que, desta vez, não eram apenas um ou dois grupos participando da operação clandestina — em vez disso, todo o Clã das Sombras havia sido mobilizado em completo segredo, com dezenas de equipes de Despertos de elite se preparando para atacar o adversário.

    Em Bastion, Quentin liderou seus homens para cercar a Igreja da Lua enquanto a luz elétrica dos postes de rua oscilava e se apagava, mergulhando a cidade nas sombras. Em outro lugar, Rain e Tamar se preparavam para atacar a base secreta de um leilão ilegal, acompanhadas por Ray e Fleur.

    Em NQSC, Kim vestiu sua armadura e liderou um grupo de guerreiros Despertos até um complexo fortificado de um clã de Legado menor, com as câmeras de rua convenientemente sendo bloqueadas enquanto passavam. June e seu povo haviam embarcado no Jardim da Noite apenas alguns dias antes e agora percorriam silenciosamente seus enormes porões de carga.

    Em Ravenheart, os membros do Clã das Sombras estremeceram e olharam para trás com olhos aterrorizados enquanto uma mulher de beleza estonteante, vestida com uma armadura de couro escuro, caminhava entre eles com passos arrogantes, torrentes de escuridão rodopiando ao seu redor como uma tempestade aterradora. Suas vozes estavam repletas de admiração.

    “É mesmo ela… a Matadora da Luz!”

    “A princesa Revel está conosco!”

    “Deuses! Só mesmo o Chefe para convencer a própria Dançarina das Trevas a se tornar sua tenente.”

    “Como era de se esperar do Senhor das Sombras, suponho?” Ao ouvir a última frase, Revel rosnou baixinho e lançou ao homem um olhar ameaçador, que o fez empalidecer e estremecer por inteiro.

    “Já terminaram de fofocar, seus tolos? Se sim, reforcem as outras equipes. Eu cuidarei da operação na Ponte sozinha.” Em outro lugar, uma encarnação de Sunny e Aiko estava diante de uma enorme mesa, com sombras projetadas subindo e descendo em sua superfície, revelando centenas de pequenas figuras se movendo para cercar milhares de outras.

    O Clã das Sombras não possuía apenas a habilidade e a força de seus guerreiros de elite, é claro. Seu principal poder residia na quase onisciência do Senhor das Sombras, cujos sentidos podiam alcançar vastas distâncias, desenterrando segredos ocultos e fornecendo a seus servos um conhecimento detalhado do inimigo.

    Eles também possuíam Memórias que ele havia forjado, podiam viajar entre os mundos através de sete Portais dos Sonhos ocultos e eram acompanhados em suas missões pelas encarnações de seu Senhor.

    Além disso, seis dos avatares de Sunny escoltavam os membros do Clã das Sombras que precisavam atacar as células adormecidas mais perigosas de Asterion. Ele poderia aprimorar seus homens, se necessário… também poderia invocar espectros1 e Sombras para ajudá-los, mesmo que isso revelasse indícios de sua existência para o mundo exterior. Portanto, Sunny esperava não ter que agir pessoalmente hoje.

    “Isto é uma confusão enorme.”

    A voz de Aiko estava carregada de cansaço.

    Não era surpresa que ela estivesse exausta — afinal, não era fácil coordenar um ataque simultâneo em três continentes e várias regiões do Reino dos Sonhos, especialmente se tudo tivesse que acontecer em completo segredo. Ela havia recebido ajuda de Cassie e Jet, é claro, assim como de Revel e do próprio Sunny, mas ele não hesitou em sobrecarregar sua assistente de confiança com mais trabalho.

    “Você sabe…”

    Aiko encarava as sombras em movimento com uma expressão distante.

    “Quando você me contratou para administrar uma loja de memórias, eu jamais imaginaria que meu trabalho seria assim. Meu Deus, como foi que eu vim parar aqui… por que estou ajudando você a sequestrar milhares de pessoas aleatórias?”

    Sunny olhou para ela pensativamente por alguns instantes, depois sorriu.

    “Por causa da minha personalidade encantadora?”

    Aiko o encarou por um longo tempo, depois engasgou. “Oh, céus. Fui enganada, não foi?”

    Ele sorriu.

    “O quê, você só está percebendo agora?” Rindo, Sunny voltou-se para a mesa. “Mesmo assim, eu diria que você está sendo muito bem recompensada por todo o trabalho. A culpa é sua por ser tão boa nisso.” Percebendo que a maioria dos membros do Clã das Sombras estava em posição, ele suspirou e apagou o sorriso do rosto.

    “Então, chegou a hora de começar.”

    Aiko fechou os olhos com uma careta antes de ativar as Memórias de Comunicação. 

    “Todas as sombras, avancem!”

    Sobre a mesa, centenas de pequenas figuras explodiram em movimento.

    Todas as luzes se apagaram na Igreja da Lua quando o vento frio escancarou as janelas. As pessoas reunidas lá dentro ficaram instantaneamente cegas… mas aqueles que entraram pelas janelas enxergavam perfeitamente bem na escuridão, então não perderam tempo e avançaram silenciosamente. Em frente ao cofre de uma casa de leilões secreta, os guardas Despertos ouviram de repente uma bela voz que parecia pertencer a uma jovem mulher. No instante seguinte, se viram incapazes de se mover, enxergar ou gritar… tudo o que podiam fazer era ficar parados, congelados de terror, e ouvir o som sutil de passos se aproximando.

    O pesado portão reforçado da mansão de um clã de Legado se abriu, apesar de estar selado por um comando mestre, e pessoas armadas invadiram o local. Os poucos servos Despertos que patrulhavam a propriedade foram vítimas de Memórias paralisantes antes mesmo de emitirem um som. Os sistemas de segurança — tanto de alta tecnologia quanto mágicos — foram desarmados em questão de instantes. Em menos de um minuto, os invasores já estavam dentro da casa.

    Um mar de escuridão impenetrável inundou repentinamente o quartel-general de uma seita de batalha recém-formada em Ravenheart, privando todos da visão. Antes que os membros Despertos pudessem reagir, gritos arrepiantes romperam o silêncio, e uma sensação gélida e angustiante tomou conta de seus corações.

    Nas profundezas do Jardim da Noite, uma explosão repentina irrompeu, iluminando a escuridão de um remoto porão de carga onde um grupo de contrabandistas sinistros havia construído seu covil secreto.

    “Corsário, aquele desgraçado! Por que as coisas continuam explodindo quando ele está por perto?!”

    Aiko bateu com o punho delicado na mesa. Sunny tossiu, hesitante em responder. Ele não podia realmente comentar, porque ele mesmo conhecia alguém assim…

    1. aqui era pra ser sombras com ‘s’ minusculo, mas o autor escolheu usar espectros[]

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