Índice de Capítulo

    Pisca!

    Oliver, Lerona e Fernando apareceram dentro do prédio da Casa de Leilões.

    “Tem certeza disso, Tenente?” O sujeito gigante perguntou, com um olhar estranho. Não havia hesitação em sua voz, mas ele ainda queria uma última confirmação vinda de sua boca. “Se algo der errado, vocês dois vão morrer.”

    O jovem Tenente parecia indiferente ao questionamento.

    “E como isso é diferente de como vivemos normalmente?”, indagou, com algum sarcasmo em sua voz. Afinal, não fazia muito tempo que ele havia aceitado uma missão quase suicida dos Leões Dourados.

    “Isso é diferente, você…” O Major estava prestes a falar algo, mas parou na metade. Em relação à missão de defesa do portão, em que Herin havia obrigado tropas a se exporem em combate direto do lado de fora, isso realmente parecia muito mais seguro. “Bem, tanto faz. De qualquer forma, passa para cá.”

    A expressão de Fernando não mudou quando ele moveu o pulso, retirando um saco cheio de moedas de ouro.

    “Aqui tem 20 moedas de ouro, a outra metade quando estivermos fora daqui”, falou, com uma voz calma.

    Era um valor astronômico de dinheiro e Fernando não pôde evitar sentir uma pontada em seu coração, mas, ao levar em conta que estava contratando os serviços de um indivíduo como Oliver, um Major com força comparável a um General, sentiu que valeria cada moeda investida.

    Obviamente, havia a possibilidade de o sujeito simplesmente traí-lo e fugir com o dinheiro, mas o rapaz estava confiante de que ele não o faria. Pelo pouco que conheceu dele e pelo que ouviu falar, ele era alguém que prezava pela lealdade. Além disso, Oliver poderia simplesmente tê-lo deixado ser morto por Lehard, mas, mesmo arriscando sua vida, se colocou diante do sujeito para defendê-lo. Em sua visão, isso era prova mais que suficiente.

    Oliver não disse nada, apenas o encarou por alguns segundos, após os quais aceitou o saco, guardando-o.

    Merda, no que eu estou me metendo? O sujeito gigante pensou consigo mesmo, hesitante.

    Ao pensar que ele realmente estava se deixando subornar por um mero Tenente, sentiu-se verdadeiramente envergonhado, mas logo engoliu esse sentimento. Nenhuma vergonha era demais frente a quarenta moedas de ouro!

    Seu olhar levemente constrangido pousou na Capitã ruiva. A mulher parecia estranhamente resignada, o que o fez refletir sobre a influência que o rapaz pálido tinha sobre ela, embora sua patente fosse inferior.

    Não apenas Fernando havia desistido de receber suas moedas de ouro, como ela também tinha aberto mão da grande quantia sem pestanejar. Ainda assim, o jovem Tenente não parecia sentir que devia oferecer qualquer compensação pelo prejuízo, assim como fez com ele, enquanto Lerona sequer aparentava considerar a perda digna de incômodo. Isso o surpreendeu de muitas formas.

    “E aqui está aquilo de que falei. Você só precisa derramar isso; essa quantia deve ser suficiente”, disse Fernando, entregando cuidadosamente um pequeno frasco, cheio de um líquido vermelho espesso.

    Tomando o item em suas mãos, a expressão de OIiver mudou quando se focou no rapaz pálido mais uma vez, com um semblante franzido.

    Não havia como ele não reconhecer aquilo, mesmo confinado dentro do frasco, o mana contido era denso e vibrante. Isso era Sangue de Delgnor!

    Esse cara… Então o Sangue de Delgnor realmente era dele? indagou-se, ao notar que ele falou sobre ‘essa quantia ser suficiente’, indicando que poderia haver mais em sua posse. Isso o fez ficar ainda mais chocado do que quando lhe mostrou tantas moedas de ouro. Se esse é o caso, por que o General Zado disse… De repente, o Major chegou a uma conclusão assustadora.

    No caso do Rei Carniçal, Fernando havia alegado que usou algumas gotas de Sangue de Delgnor para atraí-lo para longe da cidade e, na época, alegou que Zado era quem havia lhe entregado o item, com o velho General concordando prontamente com sua afirmação quando questionado.

    Na época, ele achou isso extremamente suspeito; afinal, esse era um item extremamente valioso, mesmo para generais. E claro, ninguém ousaria suspeitar das palavras de Zado, o General de maior mérito militar em sua facção. Entretanto, agora, ao ver o rapaz entregando casualmente a ele mais uma pequena porção disso, finalmente compreendeu tudo. Assim como ele, Zado também havia sido comprado pelo rapaz!

    Quem realmente é você, Tenente Fernando? Oliver perguntou-se, enquanto olhava para o sujeito, num misto de desconforto e, ao mesmo tempo, uma pitada de admiração por sua loucura.

    Além disso, ao saber que o velho homem de olhos arregalados, alguém que ele tanto admirava, também havia sido subornado, fez com que, de alguma forma, se sentisse melhor e menos culpado.

    De toda forma, esse dinheiro não seria destinado a ganho pessoal, e sim declarado como lucro proveniente da venda dos itens no leilão, beneficiando diretamente a facção de Wayne.

    “Muito bem, boa sorte para vocês. Estarei os esperando no local combinado.”

    Pisca!

    Oliver mal havia terminado de falar quando desapareceu repentinamente, num flash de energia.

    Vendo o sujeito se teleportando bem na sua frente, Fernando não pôde deixar de se sentir admirado.

    Magia de Teleporte realmente é íncrivel! pensou, com alguma inveja, ao imaginar as possibilidades de possuir um trunfo como esse.

    “Vamos indo também!”, disse, em direção a Lerona, que assentiu.

    Oliver surgiu próximo à casa de leilões, do lado norte. O comboio já havia partido e estava a alguma distância. Nele havia cinco enormes Caixas de Transporte em carroças, puxadas por Bulais, com os funcionários da Casa de Leilões guiando o caminho, enquanto os Magos acompanhavam no ar e na terra com impaciência.

    Um dos Generais sob Otelo notou Oliver chegando e se juntando ao grupo, mas não prestou atenção nele.

    O sujeito gigante, apesar de normalmente se destacar onde quer que fosse, parecia irrelevante naquele lugar. Todos estavam atentos demais aos arredores, em alerta total quanto aos ataques de Criaturas das Trevas, enquanto alguns deles, no céu, permaneciam de olho no gigantesco Nidhogg empoleirado nas muralhas Sul, sendo a maior preocupação de todos ali.

    Passando pela quinta carroça, Oliver continuou caminhando; então passou pela quarta até chegar à terceira. Enquanto andava a passos apressados, olhando em volta, como se estivesse protegendo-a, ele moveu discretamente o pulso quando colocou dentro da carroça um pequeno frasco. Após fazer isso, afastou-se silenciosamente, ficando para trás, na retaguarda do grupo.

    Sejam os funcionários da casa de leilões, os três Generais que vigiavam os entornos ou o próprio Otelo, ninguém parecia ter notado a ação sutil do gigante, exceto por uma única pessoa.

    Um sujeito esguio, de roupas largas escuras e olhos negros, o observava atentamente a partir dos céus, com aparente interesse.

    O que você está fazendo? Lehard perguntou-se, interessado, enquanto seus olhos se apertavam. O sujeito gigante havia-o enfrentado momentos antes, então ele obviamente se lembrava dele. Mas, além das ações suspeitas dele, não pôde evitar olhar para trás, na direção da casa de leilões, perguntando-se onde estava o rapaz pálido que o acompanhava. Aquele sujeitinho, ele ainda está lutando com aqueles guardas inúteis? indagou-se, achando isso ridículo.

    Lehard até pensou em retornar e finalizar o que havia começado, mas logo desistiu da ideia, sentindo que caçar um sujeito insignificante como aquele não valia seu tempo. Além disso, se ele havia ficado para trás, nesse ponto já deveria estar na barriga de uma Criatura das Trevas, ou pior, se tornando uma delas!

    No lugar disso, o homem esguio desceu em direção ao solo, quando se aproximou da terceira carruagem. Ele havia visto o gigante jogando algo dentro, mas não tinha conseguido ver do que se tratava.

    Sem hesitação, inclinou-se, apoiando-se na carroceria, quando começou a procurar no interior.

    “S-senhor, o que está fazendo?” Um dos funcionários perguntou, com a voz trêmula. Como alguém da Casa de Leilões, ele, obviamente, teve que decorar os rostos de todos aqueles das Grandes Legiões e sabia quem o sujeito era, bem como sua importância.

    Lehard apenas ignorou suas palavras, quando continuou procurando.

    Isso fez o homem franzir o cenho, mas não havia muito que pudesse fazer. Ele era apenas uma pessoa normal, alguém que mal seria capaz de impedir um Soldado, muito menos alguém de nível General. No lugar disso, ele apenas enviou uma mensagem a Otelo.

    [Senhor, o convidado da Legião Karmalía está agindo de forma suspeita, ele está fazendo algo na terceira Caixa de Transporte]

    Em instantes, Otelo, que estava na vanguarda, recebeu e leu a mensagem, ficando surpreso, quando não pôde evitar olhar para trás. Vendo o sujeito mexendo na carroça, rapidamente ficou em guarda.

    O leiloeiro de meia-idade sabia que agora não era mais um dos renomados representantes de Yandou, uma cidade livre do comércio, mas um simples membro de uma Empresa Comercial falida que havia sido expulsa de sua sede.

    Um dos seus maiores receios era que alguns dos membros das legiões tentassem furtá-lo ao saírem da cidade. Era por isso que ele havia feito uma oferta tão generosa quanto à escolta, para evitar que ficassem tentados a eliminá-lo e a seu grupo para saqueá-lo. No entanto, sua maior preocupação realmente era em relação a Lehard e Melanie.

    Mesmo que as Grandes Legiões fossem vistas como ‘respeitáveis’, ‘honradas’ e mais uma série de títulos magnânimos, como alguém do submundo, Otelo sabia muito bem que, entre todos, aqueles das Grandes Legiões poderiam ser os mais cruéis e gananciosos.

    Então, ver que o homem parecia interessado naquela Caixa de Transporte fez seu coração esfriar. O item transportado dentro daquela caixa se tratava de uma Matriz de Núcleo de Cidade, algo fundamental para a fundação de uma nova cidade ou vila, e seria o último e mais importante item a ser leiloado se não fosse pela interrupção. Era por isso que havia sido colocado no centro do comboio, a área mais bem protegida.

    Otelo sabia que tanto Lehard quanto Melanie e outros haviam vindo até Yandou apenas pela chance de obterem isso, já que o preço de fabricação desse objeto por Mestres de Matrizes era absurdo demais e somente em leilões como o seu poderiam ser obtidos por um valor mais acessível.

    Sabendo disso, Otelo não pôde deixar de lançar mensagens de alerta para seus três Generais, para que ficassem de olho nas ações do homem.

    Lehard, que estava inclinado, pareceu finalmente achar algo quando avistou um pequeno frasco de vidro jogado ao chão da carroça. Ele esticou seu braço e o alcançou, pegando-o, e, assim que o fez, sua expressão mudou completamente.

    O frasco de vidro estava extremamente quente, como se estivesse pegando fogo. Assim que sentiu isso, o sujeito soube do que se tratava.

    “S-senhor Lehard”, o funcionário falou mais uma vez, com algum receio. “Por favor, gostaria de pedir que não toque em noss-”. Antes que pudesse continuar, o sujeito alto e magro o olhou com seus olhos negros e, então, violentamente o puxou pelo pescoço, assustando-o. “Perdão, senhor! Eu estava apen-”

    Sem qualquer aviso, Lehard enfiou o frasco de vidro em sua boca, obrigando-o a engolir aquilo; então o jogou violentamente para longe, enquanto corria na direção oposta.

    Sendo arremessado dessa forma, o sujeito ficou perplexo e assustado, mas, mais do que isso, sentiu uma dor excruciante em sua garganta, que parecia estar queimando, como se tivesse engolido brasas quentes.

    De repente, o homem, ainda no ar, sentiu algo estranho, quando seu pescoço começou a inflar como um balão.

    BOOM!

    O funcionário da casa de leilões explodiu pela metade em pleno ar, enquanto sangue voava em todas as direções, assustando todos os presentes e fazendo com que o comboio parasse de avançar, enquanto se preparavam para uma batalha, acreditando ser algumas Criaturas das Trevas perdidas.

    Lehard, que viu aquilo, tinha uma expressão escura.

    Assim como eu pensei, aquele filho da puta! pensou, furioso, enquanto olhava em volta, procurando pelo gigante de cabelos loiros curtos, mas não viu qualquer sinal dele.

    Desde o momento em que pegou o frasco de vidro, ele soube que havia algo de errado. O objeto havia sido infundido com uma enorme quantidade de mana. Sendo um material tão frágil, era óbvio que explodiria em pouco tempo e nem mesmo ele poderia interromper o processo.

    Mesmo que a explosão não fosse forte o suficiente para sequer afetá-lo, Lehard sentiu um certo calafrio quando viu o sangue denso dentro, e seus instintos lhe disseram para não deixar aquilo tocá-lo. Seja o que for, parecia ter sido feito de forma premeditada!

    Enquanto resquícios de sangue respingavam para todos os lados, atingindo muitos dos presentes, os três Generais da Casa de Leilões rapidamente cercaram Lehard, tirando suas armas.

    Vendo isso, o sujeito moveu a cabeça de forma estranha, de um lado ao outro.

    “O que pensam que estão fazendo?”

    Nesse momento, Otelo aproximou-se, voando. Seu rosto sorridente e hospitaleiro em direção ao sujeito havia sumido completamente; no lugar disso, havia um olhar frio e distante.

    “Parece que o que eu ofereci não foi suficiente para alguém como o honorável General de Karmalía, Lehard, a Coruja, e agora resolveu colocar os olhos em minhas mercadorias”, falou, com uma voz fria. “Mesmo sendo você, não pense que isso vai terminar sem consequências!”

    Ouvindo aquilo, Lehard ficou um pouco surpreso, mas logo entendeu tudo. Otelo acreditava que ele havia causado a explosão e planejava roubá-lo!

    “O quê? Eu ouvi boatos sobre esse cara, mas não imaginei que ele seria um saqueador…”

    “Lehard, a Coruja, parece que o que falam sobre ele é verdade.”

    Vários comentários soaram ao redor, com desconfiança.

    Em Avalon, o ato de roubar ou saquear não era algo totalmente incomum. No entanto, Lehard havia aceitado um pedido de escolta. Entre as Legiões, um contrato comercial, mesmo que verbal, era algo sagrado.

    Toda a sociedade humana em Avalon funcionava à base de leis e, mais do que isso, à base da confiança que as pessoas tinham no Conselho Superior e nas legiões que os governavam.

    A partir do momento em que alguém do topo não respeitasse as próprias leis, e ainda o fizesse publicamente, isso poderia abalar toda a confiança da sociedade nas legiões, e logo seria questão de tempo para que revoltas e rebeliões começassem.

    “Talvez devêssemos acabar com esse cara aqui mesmo, contanto que ninguém fale a respeito. Karmalía nunca saberia de qualquer forma.” Alguém falou.

    Inicialmente, Lehard pensou em se explicar, mas, ao ouvir tantos insultos abertamente, sua expressão mudou. Quando ele se focou no autor do último comentário, sua cabeça girou de uma forma estranha, num movimento quase inumano. Ele reconheceu o homem, sendo aquele que havia partido primeiro quando estavam na rua central, sem sua autorização.

    “Você…” disse, com uma voz estranha. “Vai ser punido!”

    Slac!

    Lehard moveu-se a uma velocidade anormal, quando seu corpo estalou como um chicote, balançando seus membros na direção do homem.

    Swish! Swish! Swish!

    O corpo do sujeito foi partido em pleno ar, cortado em pedacinhos por inúmeras lâminas de vento, quase invisíveis aos olhos.

    Vendo isso, Otelo, seus três Generais e todos os demais presentes ficaram completamente chocados. Nenhum deles conseguiu reagir a tempo ou sequer ver o ataque!

    “Ataquem!” Otelo gritou, desesperado, enquanto se afastava, com receio de ser o próximo alvo do sujeito.

    Lehard tinha um olhar sanguinário em seu rosto, sem qualquer medo, mesmo diante da enorme desvantagem numérica, e estava prestes a atacar os três homens, mas, vendo os vários Magos avançando cautelosamente pelos lados, cercando-o, começou a hesitar. Mas foi só quando ele viu uma figura feminina parando a poucos metros dele, à sua frente, que sua expressão mudou.

    “Tentando roubar? Que feio, Lehard!” Melanie zombou, encarando-o com um sorriso brincalhão, como se estivesse contente com sua situação atual.

    Vendo isso, o sujeito a observou com seus olhos negros.

    “Quer mesmo fazer isso, Melanie? Nós nos conhecemos há muitos anos”, disse, com uma voz ameaçadora.

    Como ambos eram representantes de suas respectivas legiões, Karmalía e Falcon, eles se viam frequentemente em reuniões, encontros e todo tipo de evento social, conhecendo-se muito bem.

    Sendo assim, a mulher deveria saber que, mesmo que ele fosse alguém do tipo cruel, não era idiota de tentar roubar pessoas sem ter certeza de que acabaria com todas as testemunhas, desta forma arriscando manchar a reputação de sua legião.

    Em resposta a isso, a mulher sorriu maliciosamente quando lambeu os lábios.

    “Eu sei, queridinho, eu te conheço bem”, declarou, com uma voz meiga e sedutora, quando seu sorriso se ampliou ainda mais. “E é justamente por isso que não posso perder essa oportunidade. O que você disse mais cedo mesmo? Algo sobre me punir?”

    Ao ouvir aquilo, o rosto de Lehard afundou, sabendo que a mulher não o deixaria viver. Como uma raposa velha, tão esperta quanto ele próprio, ela não perderia a oportunidade de eliminar um concorrente forte em uma situação difícil, ainda que houvesse suspeita de manipulação por um terceiro por razões incertas.

    “Sua vaca! Eu vou arrancar sua pele!” Lehard gritou quando atacou, lançando uma rajada de lâminas de ar.

    Do outro lado, Melanie respondeu com uma onda de mana de cor verde intensa, característica de alguém que usa Magia de Veneno.

    Boom! Slash! Bang!

    Uma intensa batalha começou, enquanto Lehard lutava contra os três Generais de Otelo e Melanie, enquanto tentava fugir.

    Observando tudo isso de longe, Oliver tinha uma expressão completamente chocada, incrédulo sobre o desfecho causado por suas ações que ocorriam diante de seus olhos.

    Pouco antes, Fernando havia o instruído a fazer tudo isso, incluindo colocar o frasco de vidro carregado de mana em uma das Caixas de Transporte. O rapaz pálido havia sido extremamente enfático sobre usar uma quantia de mana suficiente para que o frasco não explodisse muito cedo e insistiu que Oliver nunca deveria, de forma alguma, trocar olhares com Lehard e apenas fingir que não o havia visto.

    Ele sabia que isso aconteceria? perguntou-se, ainda sem acreditar, sem saber se tudo isso era uma fortuita coincidência ou se realmente fora meticulosamente planejado por ele.

    Se Fernando tivesse realmente arquitetado tudo, seria algo realmente incrível.

    Ele mal havia conhecido Lehard e tinha trocado apenas algumas palavras com ele, mas havia deduzido com uma precisão assustadora como o homem agiria, sabendo desde o início que a Coruja estaria de olho neles.

    Pensando nos registros de Fernando, sobre o fato de ele ser tão jovem, inexperiente, impulsivo e ter tão pouco tempo vivendo em Avalon e ainda assim ser capaz de prever tais resultados, Oliver ficou verdadeiramente assustado. Se ele encontrasse uma forma de consertar ou contornar suas próprias falhas, teria um nível de comando estratégico surreal!

    Esse cara… se ele continuar crescendo, que tipo de monstro ele vai se tornar?!

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