Capítulo 130: Deus e Seguidor (11)
— Viu…?
— Não é que simplesmente não possamos vê-los. Parece que podemos vê-los, mas não podemos.
Runald sentiu algo começando a se encaixar. Para ele, os Deuses eram as vozes e os seres que mostravam o mundo, mas nunca se revelavam. Runald os sentia, e sentia que podia vê-los, mas nunca lhe era permitido vê-los de fato. Ainda não era o suficiente. Benya então colocou a mão sob a saia e falou.
— Bem… é mais ou menos assim.
Ela começou a levantar a saia muito lentamente, mostrando sua pele clara e branca. E…
Runald engoliu em seco enquanto observava.1
Mais. Só um pouco mais…
Então, no instante em que parecia que algo por baixo ia aparecer, Benya parou. Sentia-se que era possível ver, mas não se podia. Runald ficou confuso.
— Viu? Entendeu agora?
Runald sentiu como se tivesse sido atingido por um raio naquele momento.
Aquilo era o deus.
Ele havia testemunhado muitas mulheres nuas no Mundo Nu de Andersen. No entanto, à sua frente estava uma mulher cuja beleza superava a de qualquer mulher nua que ele tivesse visto naquele mundo. Ele sentiu o nariz escorrendo aos dezessete anos e percebeu que sua vida havia alcançado outro estágio.
-A verdadeira beleza reside no ponto mágico entre o visível e o invisível.
Essa… essa era a frase que mais tarde descreveria Runald como o ‘Santo Nu’, por todas as <Grandes Terras>. Mas, naquele momento, ele não passava de um tolo por ter sangrado pelo nariz depois de espiar a roupa íntima de uma moça bonita.
Jaehwan estava entretido.
Talvez fosse por causa daquela nova experiência reveladora, mas o corpo de Runald brilhava com um poder do mundo dourado. O poder do mundo do Seguidor estava evoluindo.
‘…Ficar poderoso depois de ver algo assim? Que diabos está acontecendo aqui?’
Não parecia que o mundo ao redor fosse nem um pouco normal.
‘Um ponto visível ou não visível?’
Jaehwan então olhou para baixo, para a própria parte inferior. Se aquilo fosse a Terra, ele seria considerado muito pior do que apenas estar nu com um sobretudo. Olhou para Runald por um segundo e então falou para Benya.
— Não sei nada sobre essa bobagem, mas por que você não me trouxe uma calça também?
— Hein? Ah, achei que você estava nu de propósito…
— Por que eu estaria?
— Vou pegar uma calça e uma camisa agora mesmo…
— Tudo bem.
Jaehwan acenou com a mão e abotoou o sobretudo de cima a baixo. A sensação era estranha, pois as canelas ainda estavam expostas, mas era muito melhor do que o seu eu nu de momentos atrás. Benya então perguntou: — Você está aqui para encontrar um Seguidor?
— Estou procurando alguém.
Jaehwan resumiu para Benya o motivo de estar ali.
— Ah… teria sido muito mais fácil se você tivesse nos contado antes.
Benya caminhou rapidamente até o guarda que estava na esquina da rua. Depois que o guarda trocou uma breve conversa com Benya, ele abriu o mecanismo de busca para ela.
Depois de um tempo-
— …Não?
— Não, senhora. Não há ninguém chamado Yoonhwan na casa de leilões hoje.
— Não é só Yoonhwan. É Kim Yoonhwan. Você pesquisou minuciosamente?
O guarda olhou para Jaehwan, que acabara de interromper com o cenho franzido, e respondeu, aparentemente irritado com a intromissão.
— Eu pesquisei minuciosamente SIM. Não.
Ele até mostrou o resultado que encontrou.
— Estes são todos os espíritos que pescamos nos Pontos de Pesca públicos hoje. O espírito que você mencionou não está na nossa lista.
Jaehwan ficou desapontado, mas logo voltou a suspeita para si mesmo.
‘Será que me enganei?’
Mas aquilo não era possível. Era o rosto de um amigo com quem passara dezenas de anos. Como poderia esquecer? Era Yoonhwan, com certeza. Benya percebeu o desapontamento de Jaehwan e perguntou rapidamente ao guarda.
— Existe… alguma chance de um espírito ser levado para outro lugar que não a casa de leilões?
— Ah, hm… isso…
O guarda hesitou, e Benya rapidamente lhe entregou uma pedra espiritual. Ele recusou a princípio, mas logo a aceitou, enquanto olhava ao redor para ver se havia alguém por perto. Então, acenou para Jaehwan e Benya clandestinamente e sussurrou.
— Há deuses que pegam espíritos do Centro de Detenção de tempos em tempos. É para capturar os espíritos de qualidade antes que qualquer outra pessoa tenha a chance de pegá-los.
— Quem são eles?
— Não tenho os nomes. É tudo o que sei.
Parecia que ele realmente não sabia, já que era apenas um guarda, afinal.
‘Acho que não tem outro jeito, a não ser invadir e descobrir por conta própria.’
Jaehwan virou-se para a Cadeia de Caspion, no fim da rua. Quando tentou caminhar em direção a ela, ouviu-se o som de um apito e uma barreira gigante em forma de domo apareceu, bloqueando o caminho para a prisão.
Jaehwan bateu na barreira com a mão. Era poderosa; não tinha certeza se conseguiria quebrá-la mesmo usando todo o seu poder.
O guarda falou, lá de trás.
— Ah, acho que o melhor leilão de hoje começou.
— Como você sabe?
O guarda então apontou para a barreira.
— Essa é a barreira da mais alta qualidade, feita pelo Deus Hatchnold. Ela só é ativada quando o melhor leilão está sendo realizado. É só uma precaução…
Antes que ele pudesse terminar, a voz do leiloeiro, Reynold, foi ouvida na casa de leilões central.
[Senhoras e Senhores! Chegou a hora!]
Imediatamente, energias poderosas de várias áreas começaram a se mover. Eram energias poderosas contra as quais Jaehwan teria dificuldade para lutar. A energia parecia muito familiar para Jaehwan, e ele apertou o punho da espada.
‘Essa energia…’
[Ei… que diabos aconteceu?]
Foi então que Andersen, que se pensava estar desconectada, falou. Antes que Jaehwan pudesse responder, Andersen gritou.
[…Por que… por que ‘eles’ estão aqui?!]
‘Eles?’
[CORRE! Você não pode ficar aqui!]
Mas, enquanto Jaehwan perguntava a Andersen, ele já estava ativando a [Configuração] equipada no Sobretudo Longo.
[Espere! Aonde você vai! Esse é o caminho errado!]
Com o [Voo em Alta Velocidade], Jaehwan e Runald voaram rapidamente em direção à casa de leilões central.
— Esperem por mim!
A voz solitária de Benya preencheu a área atrás deles.

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