Índice de Capítulo

    Enquanto os dois homens nus criavam uma atmosfera estranha entre si1, havia uma mulher os observando à distância.

    — …Que diabos eles estão fazendo?

    Era a mulher loira, Benya. Ela se aproximou silenciosamente dos dois.

    — Hã?

    Runald a encontrou primeiro. Ele apontou para ela e falou.

    — Oh, é a mulher que fez xixi no chão.

    — …Eu não fiz xixi — Benya retrucou e olhou de relance para Jaehwan. Ela baixou o olhar quando Jaehwan olhou de volta para ela. Ela ficou ali em silêncio e hesitou por alguns segundos antes de estender uma sacola de compras.

    — A-aqui!

    — …O que é isso?

    — Roupas — ela disse com a voz trêmula.

    — Roupas?

    — Se chama Sobretudo de Reinholdt…

    Era a [Peça] que Jaehwan havia visto na área inferior da casa de leilões mais cedo. Jaehwan enfiou a mão na sacola e a tirou.

    [Sobretudo de Reinholdt]

    Descrição: Sobretudo usado pelos Subgerentes do Deus de Alto Escalão – Reinholdt. É durável e mantém a temperatura do usuário. Diz-se que empunha a Configuração de Reinholdt – [Voo em Alta Velocidade].

    O holograma que continha a descrição apareceu assim que Jaehwan o tocou. Ele não tinha acesso a nada no <Sistema> até seu 3º passo, mas alguns deles retornaram quando ele alcançou o 4º passo do Despertar. Isso não significava que ele podia usar níveis ou status, mas permitia que ele lesse descrições ou algo similar. Era incerto por que a mudança aconteceu, mas Jaehwan supôs que tinha algo a ver com ele ter aberto uma ‘Criação’. Jaehwan olhou para o sobretudo e sentiu uma espécie de déjà vu.

    — Ei, qual é o tamanho?

    — Tamanho?

    Perguntar sobre o tamanho quando era de graça? Parecia rude, mas Jaehwan não se importava com boas maneiras.

    — Tenho más lembranças de receber o tamanho errado.

    — Uh… bem, você não precisa se preocupar com tamanhos. Ele muda para se ajustar ao usuário.

    — …É mesmo?

    Jaehwan ficou surpreso ao olhar para o sobretudo novamente. Mino uma vez lhe deu roupas quando ele chegou no <Caos>.

    ‘Algo ruim acontece quando eu recebo algo assim.’

    Ele acabou em uma situação complicada.

    ‘Acho que desta vez deve dar certo.’

    Jaehwan decidiu aceitar o presente.

    — Mas por que você está me dando isso?

    Benya achou que a ordem das perguntas estava errada, mas decidiu não se importar.

    — …Eu me senti mal.

    Ela não conseguia sequer suportar olhar para Jaehwan.

    — Se é sobre o que aconteceu antes, não se preocupe com isso. Eu já esqueci.

    — Você está me perdoando?

    Jaehwan assentiu e o rosto de Benya se iluminou. Jaehwan então pegou o sobretudo e o vestiu. O sobretudo começou a encolher em Jaehwan e logo mudou de forma para se ajustar ao corpo dele. Não atrapalhava seus movimentos em nada. Era realmente uma boa [Peça].

    — Obrigado.

    Jaehwan mostrou sua gratidão.

    — Fica bem em você! — Benya também acrescentou. Mas o outro homem, o único Seguidor de Jaehwan, não parecia compartilhar da ideia.

    — …Estou decepcionado, Jaehwan.

    Runald, que agora estava nu sozinho, olhou para ele com uma expressão decepcionada.

    — Por que agora?

    — Você tem roupas! Não é belo! É revoltante para o nosso ‘Caminho da Nudez’!

    Jaehwan estava prestes a objetar e refutar o fato de que nunca quis defender aquele ‘Caminho’ ridículo, mas Benya interveio em vez disso. Ela se pôs orgulhosamente na frente de Runald e olhou para baixo.

    — Heh, garotinho. Você não sabe de nada, não é?

    Runald sentiu como se estivesse sendo menosprezado por uma pessoa mais velha, mas não podia revidar. Benya zombou:

    — Um garoto como você não conheceria a ‘verdadeira beleza’. De jeito nenhum.

    — …Verdadeira beleza?

    Benya então sorriu arrogantemente enquanto continuava: — A verdadeira beleza não aparece quando você está nu.

    — …O quê?

    Runald foi lembrado das seguintes palavras de Andersen desde que chegou às Profundezas.

    -A verdadeira beleza reside na nudez.

    No começo ele não se importou, mas logo não se importava mais se era verdade ou não. Então, quando ele se deu conta, estava totalmente submerso na ideia. Era verdade. A Deusa estava certa. A verdadeira beleza reside na… não. Era a nudez que era a definição de beleza!

    Contudo, aqui estava esta mulher, uma inimiga poderosa que se opunha diretamente à ideia.

    Runald ficou furioso.

    Quem era ela para falar sobre ‘nudez’?

    — É a diferença entre arte e pornografia… mas você é muito jovem para entender.

    Certamente, era muito difícil para Runald compreender. Ele retrucou: — Então, o que é a verdadeira beleza?

    — É somente quando você mal pode vê-la que você pode ver a verdadeira beleza.

    Mal? O que ela queria dizer? Runald não conseguia compreender.

    — De jeito nenhum. A verdadeira beleza de um ser humano reside na nudez!

    — Hmm… que tal eu colocar desta forma, garoto. Um ‘Deus’ é um ser misterioso, certo?

    Runald ficou confuso com a mudança repentina de assunto, mas decidiu responder mesmo assim.

    — Sim, suponho que sim.

    — Então por que é misterioso? Você sabe por quê?

    — Uh, o que isso tem a ver com a verdadeira beleza?

    — Apenas me responda primeiro.

    Runald pensou um pouco sobre a pergunta, mas não conseguiu encontrar a resposta. Ele ficou decepcionado consigo mesmo e balançou a cabeça enquanto olhava para a moça.

    Benya sorriu.

    — É porque não podemos vê-los.2

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