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    Antes de Andersen se tornar um ‘ser superior’, essa parte da história era igual para todos os Deuses. Era um período de pesadelo que exigia que eles colocassem um número incontável de [Produtos] em uma torre.

    Andersen admitiu o fato.

    [Sim, eu era uma [Cultivadora]. Todos os Deuses são.]

    ‘Todo mundo fazer isso não a torna menos culpada.’

    […Eu sei.]

    Andersen não negou seu erro.

    [Não pretendo justificar o que fiz para me tornar uma Deusa.]

    Sua voz não tinha o menor sinal de culpa. Jaehwan ficou furioso, mas sabia que não adiantava. Ele uma vez leu a seguinte memória de Mulack:

    —Existem espíritos que nascem com um único propósito. Demônios e Anjos são assim. Esses ‘seres superiores’ infelizes nascem para se tornar apenas ‘[Cultivadores]’ e nada mais.

    E, ao contrário dos humanos, eles vivem exclusivamente para esse propósito e são obrigados a viver por ele. A escolha não lhes é dada.

    Então, de certa forma, Jaehwan sabia que não havia nada que Andersen pudesse fazer.

    E Jaehwan havia deixado Sirwen, um [Pesadelo], viver por motivos semelhantes. Ele sabia que não era certo pressionar questões morais nesses seres e percebeu que era o sistema o problema. Mas saber disso não o deixou menos furioso.

    Jaehwan era humano. Ele era um humano que um dia foi um [Produto] que foi [cultivado].

    Ele não conseguia entender por que estava mais furioso com Andersen do que com Sirwen. Talvez fosse por causa da interação que teve com a ‘[Cultivadora]’ que o deixou mais furioso com eles do que com o criador da própria torre.

    Andersen continuou,

    [Não vou pedir que me compreenda. Mas… não deixe que o fato de eu ter sido uma [Cultivadora] obscureça sua visão sobre meu relacionamento com meu [Seguidor].]

    ‘….’

    [Talvez seja estranho para você ver uma Ex-[Cultivadora] que já foi tão próxima do [Produto].]

    Essa era a parte mais confusa para Jaehwan. Ele podia sentir claramente os sentimentos dela por Runald ao se tornar um com Andersen.

    Como esse sentimento era possível? Andersen não estava mentindo. O sentimento era forte o suficiente para abalar a visão de Jaehwan sobre eles. Andersen considerava Runald uma pessoa muito importante para ela, e o valorizava mais do que a si mesma.1

    [Você pode me matar, mas não diga que meu sentimento é mentira.]

    Isso fez Jaehwan hesitar. Ele sabia que poderia matar Andersen a qualquer momento, mas não conseguia. Sabia que seria muito doloroso para o garoto à sua frente.

    — Ug… argh…!

    Foi quando Runald começou a se contorcer e gritar de dor. Jaehwan rapidamente agarrou Runald e percebeu o poder do mundo dentro dele tempestuoso.

    — …O que há de errado com ele?

    [Já?! NÃO! Runald!]

    A memória de Andersen rapidamente penetrou em Jaehwan, e Jaehwan soube o que estava acontecendo.

    [Ele está se tornando um Perdido!]

    Perdido. Após perderem seus Deuses, eles se transformavam em monstros. Jaehwan ouvira falar deles por Eniac, da Fábrica do Abismo. Os Supervisores eram, na verdade, aqueles Perdidos.

    -Apenas aqueles que têm consciência como [Seguidores] de Daeus somos nós. A maioria se tornou monstros. Você os encontrará quando for às <Profundezas>.

    Os Perdidos sentiam um desespero extremo pela perda de seu mundo e de seus Deuses. Jaehwan sabia que esse garoto se transformaria em um monstro.

    ‘Entendo… porque o vínculo entre ele e sua Deusa está quebrado…’

    [Salve-o! Por favor!]

    Andersen implorou rapidamente.

    [Você pode me matar se quiser! Apenas salve-o!]

    ‘Por que eu deveria?’

    [Você é um humano! Por favor!]

    Aquilo era estranho. Uma Deusa que já foi uma cultivadora estava lembrando-o de que era humano, mas Jaehwan repetiu aquela pergunta para si mesmo.

    Ainda sou um humano? Está tudo bem mesmo me considerar um humano?

    ‘O que eu preciso fazer?’

    [Tome-o como seu [Seguidor].]

    ‘E o que eu ganho?’

    […Eu sairei da sua cabeça.]

    Jaehwan entendeu o que aquilo significava e assentiu.

    ‘…Certo.’

    Jaehwan então seguiu a explicação de Andersen para aceitar um novo [Seguidor]. Uma tênue linha entre Jaehwan e Runald foi traçada, e através dela, Jaehwan sentiu a presença de Andersen se esvaindo.

    [Seguidores] tinham permissão de ver o mundo único de seus Deuses com os próprios olhos. Dependendo de como o Deus via seu mundo, seus [Seguidores] eram forçados a compartilhar essa visão.

    Quando Runald voltou a si, soube que estava dentro de um novo mundo.

    ‘Novo mundo… este é o mundo do Deus Jaehwan?’

    Runald sentiu a ligação e olhou ao redor. O único mundo que conhecia era o mundo de conto de fadas de Andersen. Como seria o novo mundo? O jovem Runald olhou ao redor com animação e ficou chocado.

    — O-olho?!

    Havia um olho sangrento gigantesco observando do céu. Era o Olho de Asura. Corvos negros circulavam ao redor, grasnando de forma sinistra. Runald se agarrou com medo. Mas não era o fim. Ele olhou ao redor e encontrou outra coisa.

    — C-cadáveres?!

    Havia cadáveres com larvas por todo o corpo, estremecendo enquanto se moviam lentamente em direção a Runald. Eles riam maniacamente enquanto caminhavam.

    — I-impossível…!

    E no novo mundo, Runald, o [Seguidor], desmaiou.

    Andersen falou enquanto observava Runald desmaiar logo após acordar.

    [Nossa, o que você mostrou a ele?]

    ‘…A culpa é dele por entrar no meu mundo.’

    [Olho de Asura, corvos e cadáveres… ninguém vai querer entrar.]

    Jaehwan sorriu amargamente. Lembrou-se de ter ouvido uma vez que seu mundo não seria popular.

    ‘Eu não pedi para ele se tornar meu [Seguidor].’

    O silêncio caiu. Jaehwan agarrou Runald e o ergueu. Andersen também via tudo pelos olhos de Jaehwan. Seu alívio foi compartilhado com Jaehwan, junto com sua frustração.

    […Por que você me impediu de perecer?]

    ‘Prove-se.’

    [O quê?]

    ‘Prove que eu não preciso matá-la.’

    Andersen ficou em silêncio, mas partículas de sentimentos complicados tempestuavam na cabeça de Jaehwan. Apreço? Animação? Era difícil descrever. Andersen então falou com uma voz baixa.

    [Eu provarei.]

    Jaehwan começou a andar como se não tivesse ouvido. Ele sentiu como se pudesse ver uma garota chorando diante de seus olhos enquanto caminhava adiante.

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