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    Os Capitães então se entreolharam. Se o que ele dizia fosse verdade, seria uma grande perda para as <Grandes Terras>. Varkant acrescentou: — Mas ainda temos o poder de matar todos vocês aqui.

    Mirel o ignorou e perguntou a Gerome novamente.

    — E Catástrofe?

    — Ele foi temporariamente selado. Onze de nós o atacamos e não conseguimos matá-lo. Mesmo assim, ainda precisamos do Senhor do Aço e do Senhor do Ouro para impedir que seu selo se quebre.

    Yoonhwan achou difícil acreditar se o que ouvia era verdade. Aqueles Senhores e Capitães eram tão poderosos, além da sua imaginação. Por mais poderosos que esses seres fossem, foram necessários onze Senhores para mal conseguir selá-lo?

    Gerome continuou: — Acredito que já pagamos o suficiente para nos encontrarmos com vocês. Ainda nos obrigam a provar nosso valor? Já sofremos perdas suficientes para até pedir compensação.

    — …Vocês querem algo?

    — Entreguem-nos os [Frutos].

    — Isso estará incluído em nosso tratado. Não podemos simplesmente entregá-los assim.

    Gerome ficou sério.

    — Simplesmente assim, você disse?!

    Um poder mundial foi liberado e todos os Capitães sacaram suas armas. Gerome zombou.

    — Sim, era assim que deveria ter sido desde o início. Fui um tolo em tentar conversar com vocês.

    Yoonhwan ficou tonto com os poderes mundiais que preenchiam a sala. Até Seoyul estava vomitando sangue que se tornava prateado logo em seguida.

    Eles estavam à beira da guerra. Então, um homem apareceu na sala de reuniões. Yoonhwan olhou de relance para o homem. Ele vestia uma espécie de trapo velho. Mas não era o Mestre, como Yoonhwan esperava.

    — Oh, então vocês não têm desejo de dialogar?

    Enquanto falava, o poder mundial desapareceu da sala. O poder mundial do homem afastou todo o resto. Alguns Senhores até empalideceram com seu poder. Gerome também ficou chocado. Isso provava que o homem era muito mais poderoso.

    — Por que você está aqui, Budda?

    Budda. Yoonhwan percebeu que já ouvira esse nome antes. Foi em um dos livros que leu quando se juntou à Ruptura.

    ‘Espera, Budda, um dos 8 Deuses das [Profundezas]?’

    Os 8 Deuses das [Profundezas] eram os Deuses mais poderosos. O nome oficial eram os 7 Deuses das [Profundezas], mas tornou-se 8 depois que Myad se tornou o governante da Oitava Região, <Caspion>.

    Budda, o Deus da Reencarnação, era o Sexto Deus.

    ‘…Mas por que ele está aqui?’

    Yoonhwan não sabia o porquê. Quem quer que fosse, por que um Deus estava ali, na mesa de reunião da Ruptura?

    Claro, ainda havia muitos assentos vazios ao redor da mesa da Ruptura. Do assento de Myad, a cadeira do Segundo Capitão vazia, e mais uma também.

    Yoonhwan então ficou chocado com a compreensão. Budda sorriu.

    — Sou um Desperto, não sabiam disso?

    — Desperto?

    Gerome também ficou chocado.

    — Espere…

    — Sim. Você provavelmente está certo.

    O segundo homem na Ruptura, e o segundo homem mais forte. Todos os Capitães guardaram suas armas e saudaram Budda.

    — Já fazia um tempo, Budda.

    — Há quanto tempo.

    — Você está atrasado, Budda.

    — Sim, me desculpem.

    Budda então passou pelos Capitães e foi para seu assento. Ele então se sentou na cadeira do Primeiro Capitão e olhou para Gerome com um sorriso.

    — Então, podemos começar a reunião agora?

    Gerome rangeu os dentes.

    O Primeiro Capitão da Ruptura, Budda.

    O misterioso Primeiro Capitão que Yoonhwan não conhecia. Ele era um dos 8 Deuses das [Profundezas].

    — Comecemos?

    Após recuperar tudo dentro do [Registro das Profundezas], Jaehwan finalmente abriu os olhos. Toda a história, junto com sua longa e épica narrativa, preencheu-o e acalmou sua mente.

    — Você está acordado.

    Quando abriu os olhos, Runald, Karavan e toda a raça de Vida Longa o cercavam. Jaehwan perguntou: — Quanto tempo eu dormi?

    — …Quase um mês. O Grande Guerreiro disse que você acordaria hoje. Ele estava certo.

    Um mês. Jaehwan percebeu que havia gasto muito mais tempo do que o esperado lendo o Registro das [Profundezas]. Mas tinha que ser feito. Só de ler todas aquelas memórias, Jaehwan foi capaz de entrar em um mundo totalmente diferente.

    Jaehwan agora parecia muito diferente. Runald, o Seguidor de Jaehwan, sentia isso mais do que ninguém. Ele também notou uma certa emoção que havia crescido dentro de Jaehwan.

    ‘Ele parece solitário.’

    Era como se ele tivesse descoberto um segredo que este mundo havia escondido e ele fosse o único que podia saber. Runald queria perguntar que verdade Jaehwan havia encontrado, mas não podia perguntar. Parecia haver algum tipo de muro entre eles. Runald sentiu que Jaehwan era agora um ser completamente diferente.

    Logo depois, Jaehwan e os outros estavam na entrada da Floresta da Loucura.

    Jaehwan se despediu da raça de Vida Longa e de Ra-hamad pela última vez. O que ele falava não era óbvio, mas parecia que ele lhes havia prometido algo.

    — Nunca pensei que sairia deste lugar depois de 100 dias — comentou Karavan enquanto jogava fora sua luva de esfregar. Ele agora havia recuperado seu vínculo com Ignis através da ajuda de Jaehwan. Seu poder mundial, após recuperar o vínculo, não ficava nem um pouco atrás do de Jaehwan.

    — Você também cresceu muito. Parece o meu poder mundial.

    — …Eu apenas repeti Ouroboros.

    — Sim. Pergunto-me o que isso realmente significa.

    — …Eu nem quero saber.

    Runald viu Jaehwan caminhando em direção a eles e perguntou: — Vamos agora?

    — Não. Precisamos esperar por alguém.

    — Quem? Quem estamos esperando?

    Runald ficou surpreso. Jaehwan disse: — Meus amigos.

    Runald ficou preocupado se havia feito uma cara que pudesse ter sido rude, mas não pôde evitar.

    Amigo? Jaehwan não tinha amigos. Ele esteve sozinho desde que subiu para as [Profundezas]. Foi então que conheceu Andersen e Runald. E Karavan. Se ele tinha um amigo, apenas os dois estavam ali.

    Mas outros amigos? Runald sentiu-se como se tivesse sido traído e perguntou: — De quem você está falando…

    — Eles chegarão em breve. Eu posso sentir.

    E naquele momento, uma figura gigante como uma sombra surgiu do céu. Karavan gritou.

    — O-o que é aquilo!

    Havia um navio gigante no ar, um navio de cor preta como piche. Runald lembrou-se de ter ouvido o nome do navio antes de entrar na Floresta da Loucura. Havia os piratas que se autodenominavam os ‘Portadores da Queda’.

    — Nome cafona — Jaehwan riu. Ao verem o nome, Runald lembrou-se que ele estava certo.

    O nome do navio era…

    -Jaehwan!!

    Era ‘A Queda’.

    -Jaehwan!

    -Mestre!

    Vozes vieram do céu. Runald sentiu as emoções dentro das vozes. Era a voz de saudade e espera que Runald conhecia muito bem.

    As vozes daqueles que esperaram por uma pessoa por muito tempo.

    Jaehwan então viu as pessoas correndo em sua direção, dois homens e uma mulher.

    Ao vê-los correr, Runald ficou solitário. Eles estavam no mesmo lugar, mas parecia que estavam em lugares diferentes. Runald então percebeu qual era a coisa mais importante nas relações humanas.

    Este era um muro do tempo. Um muro que ele nunca poderia quebrar. Seria este o muro que ele esteve sentindo o tempo todo?

    Ele queria tanto encontrar Andersen. Seus instintos lhe diziam que ele nunca poderia cruzar aquele muro. Ele nunca… ele se sentiu como se estivesse sendo varrido para a escuridão, para a solidão.

    E naquele momento-

    — O que você está fazendo?

    Uma voz o salvou como se não fosse nada.

    — Vamos.

    A grande mão de Jaehwan agarrou seu ombro. Runald percebeu que ele estava superando um muro tão facilmente. Ele também percebeu que algo estava prestes a começar agora.

    Runald olhou para trás. Ele não conseguia mais ver a raça de Vida Longa se despedindo. Eles estavam se distanciando cada vez mais da floresta.

    Ele havia aprendido muito dentro da floresta, e deixou muitas coisas lá. Ele se virou novamente para o povo de Jaehwan. Assim como trocar de roupa, uma se foi e uma nova chegou.

    Runald então pensou que compreendia um pouco mais sobre Ouroboros. Ele não tinha certeza se estava compreendendo corretamente, mas não queria esconder esse sentimento.

    Ele fechou os olhos.

    Ele podia ouvir a canção de Andersen. Era uma canção calorosa que ela cantava para ele antes.

    ‘Um pobre Deus Nu.

    Enquanto caminhava de volta para casa sozinho,

    Ele pensou nisso o tempo todo.

    Ao menos uma pessoa.

    Ao menos uma vez.’

    Enquanto Runald ouvia a canção, ele murmurou a palavra pela última vez.

    — Ouroboros.1

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