Índice de Capítulo

    Yoonhwan ficou desesperado ao ver a cidade sendo destruída. Ele deveria ter vindo mais rápido porque precisava entregar a informação que sabia…

    — Droga.

    No entanto, seus esforços pareciam ter sido em vão. Ele então sentiu pessoas se aproximando dos arredores. Eram as pessoas que atacaram Yoonhwan antes.

    Espadas foram desembainhadas conforme eles avançavam contra ele. Yoonhwan rapidamente se virou.

    — Por que, por que vocês têm que fazer isso!

    Inimigos apareceram da escuridão. Eles eram da Ruptura. Yoonhwan até conhecia alguns deles.

    — Me deixem ir! Por favor!

    Ninguém se importou com as palavras de Yoonhwan. Não havia senso de simpatia em seus olhos. Eles também haviam superado a <Simulação do Grande Desaparecimento> e alguns deles estavam na Ruptura há mais tempo que Yoonhwan.

    ‘Sinto muito.’

    Yoonhwan percebeu que essas pessoas não recuariam e se preparou. Ele ainda não podia simplesmente desistir.

    [Mar de Sangue, Montanha de Cadáveres]

    O mundo único se expandiu de Yoonhwan junto com o poder mundial. O poder era uma das razões pelas quais a Ruptura estava atrás de Yoonhwan. A Ruptura nunca permitia que seu Mundo Único fosse vazado.

    Energia poderosa varreu alguns dos Despertos, empurrando-os para trás com um grito.

    ‘Sinto muito.’

    Yoonhwan rapidamente se virou, mas não pôde ir.

    — Pare, Yoonhwan.

    Uma voz fria veio com o poder mundial que o estava atacando. Yoonhwan mal conseguiu se defender usando uma quantidade enorme de seu poder.

    ‘Ugh…’

    Seu pulso ficou dolorido com a força. A energia era poderosa assim. Um Capitão? Não, não era tão forte. Então era…

    — Yoonhwan. Pare com isso e vamos voltar.

    — Seoyul.

    Han Seoyul estava parada ali. Yoonhwan não conseguia dizer nada. Ele compreendia por que Seoyul o estava parando e por que a Ruptura havia enviado Seoyul para rastreá-lo.

    No entanto, ele tinha que dizer algo, mesmo que não pudesse voltar.

    — Não é certo.

    Ele não tinha certeza de onde estava e por que estava parado ali, mas tinha que dizer algo. Ele tinha que falar por si mesmo para poder existir.

    — Isso não é certo…

    Havia muitas emoções por trás de suas palavras, mas Yoonhwan não tinha esperanças. Isso não era suficiente para persuadir ou fazer alguém compreender.

    Seoyul respondeu: — Eu sei.

    — O quê?

    — Eu sei.

    Era a primeira vez que se comunicavam assim depois de terem vindo para as [Profundezas]. Sua primeira troca foi quando superaram o trauma do passado. Yoonhwan percebeu que Seoyul estava dizendo a verdade. Ela parecia sentir algo. Ela continuou:

    — Eu sei, e é por isso que estou aqui.

    — Significa…

    Yoonhwan ficou esperançoso. Talvez as coisas fossem terminar bem. Talvez a pergunta fosse respondida da maneira correta. O mundo era mais justo do que ele pensava…

    — Vamos retornar para a Ruptura.

    E com a voz, o sonho de Yoonhwan se despedaçou.

    — Eu ouvi dos Capitães que você tem ideias perigosas.

    — …

    — Tenho certeza de que já falaram com você, mas eles sabem e eu também sei. O que é errado e certo. Todos nós sabemos.

    — …Chega.

    Seoyul o ignorou e continuou a persuadi-lo: — Me escute, Yoonhwan. Você esqueceu o que aconteceu na Torre? Não há nada que você possa fazer de onde está tentando ir. É como quando nunca conseguíamos limpar a torre, não importava o quanto tentássemos.

    Essa palavra foi dolorosa. Ela também pensava da mesma forma. Yoonhwan se lembrou da morte dela na torre. Ela morreu no 76º andar.

    — Há algo que não pode ser feito.

    Havia a memória de subir a torre apenas com os dois, ele e Jaehwan. Era o sonho que ele nunca realizou. Yoonhwan sentiu uma forte dor de cabeça. Seoyul falou novamente.

    — Justiça sem poder é inútil. Um sonho sem possibilidade é apenas uma ilusão. Você sabe disso. Como você não vê isso?

    Não. Yoonhwan não sabia disso. Mas havia uma coisa que ele sabia.

    — Seoyul.

    — …?

    — Você sabe até qual andar eu subi?

    — …Não.

    — Eu cheguei ao 98º andar.

    Seoyul pareceu surpresa, mas tornou-se fria no momento seguinte.

    — Não importa. Você ainda…

    — E Jaehwan subiu até o 99º andar.

    E com isso, Seoyul ficou chocada pela primeira vez. Foi a primeira vez que ela mudou sua expressão desde que chegaram às [Profundezas]. Yoonhwan continuou: — Você deve se lembrar do quanto nos esforçamos e contra quantas provações lutamos. E quanto tempo dedicamos a isso.

    — …

    — Você vai dizer que tudo foi inútil? Você está realmente tentando dizer isso? Tudo aquilo foi simplesmente nada?

    Seoyul mordeu os lábios.

    — Eu sei do que você está falando! Mas…!

    — Não, você não sabe — declarou Yoonhwan. — Você não sabe. E é por isso que você ainda está parada aí.

    Seoyul ficou em silêncio. Seus lábios trêmulos eram prova de que ela estava abalada pela palavra ‘Jaehwan’. Yoonhwan pensou que talvez ainda houvesse esperança ali dentro.

    — Me mate. Se você quer me levar de volta para a Ruptura, apenas me mate em vez disso.

    Era uma aposta, esperando que ela ainda tivesse alguma humanidade dentro de si. Seoyul ficou quieta. E então…

    — Você acha que eu não posso fazer isso?

    A aposta de Yoonhwan estava caminhando para o fracasso. Seoyul ergueu sua espada e brandiu poder mundial. Seoyul disse friamente: — Quantas vezes você acha que eu matei você?

    Yoonhwan sentiu um arrepio descendo por sua espinha. Essa mulher não era mais a Han Seoyul que ele conhecia. Ele sabia disso, mas nunca havia pensado nisso até agora. Ela era a mulher que conseguiu limpar tudo 518 vezes em 520 simulações. Ela jogou tudo fora e matou todas as suas memórias para se tornar forte. Ela então ficou no topo de todos os novos recrutas da Ruptura.

    Essa era a Seoyul dos dias atuais. Ela riu de Yoonhwan.

    — Tenho certeza de que você também me matou.

    Era verdade. Yoonhwan matou Seoyul na simulação.

    — Você é um hipócrita.

    Sua espada começou a explodir com poder mundial vermelho, ou o mundo único da Ruptura. Era como se uma chuva de sangue estivesse caindo. Yoonhwan desviou do poder mundial lançado contra ele, mas era demais.

    — Eu ouvi do Quinto Capitão. Que você não matou ‘um homem’ até o fim da simulação.

    — …

    — E daí? Você matou todos os outros de qualquer forma. Você é o mesmo. Você ainda é um Desperto da Ruptura. Então não pense que você é justo. Não pense que você é diferente!

    Sua espada cortou um pedaço da coxa e da cintura de Yoonhwan.

    Ela estava certa. Talvez ele não tivesse o direito de discutir o que era certo ou errado. Mas… mesmo que ele desistisse de tudo… e desistisse de ser humano, então o que aconteceria depois?

    Onde estava ‘Yoonhwan’?

    O corpo de Yoonhwan foi destruído contra o poder mundial de Seoyul. E conforme sua consciência desaparecia, ele continuava procurando por algo.

    — Eu… Eu…

    Ele se lembrou de um nome em sua visão que se apagava. Então, as costas de uma certa pessoa apareceram. Uma ilusão. Yoonhwan murmurou para si mesmo.

    ‘Entendo… então eu ainda não consegui avançar além de você.’

    A única pessoa que Yoonhwan admirava quando desistia de tudo. O único que o mantinha humano.

    ‘Eu queria ser como você…’

    E a ilusão foi destruída e então veio a espada de Seoyul — um golpe final e frio para terminar sua vida.

    — MORRA!

    O silêncio caiu. Yoonhwan sentiu sua vida sendo sugada dentro do breu total. Sangue jorrou de sua cintura, levando sua vida embora. A morte estava próxima.

    Foi longo, mas terrível. E então finalmente acabou. O silêncio caiu ao redor deles.

    Então, o som de uma espada caindo no chão foi ouvido.

    — Como… mas como…

    A mulher estava perplexa.

    Yoonhwan ainda estava vivo. Ele abriu os olhos e viu Seoyul que recuava com medo. Era algo que ela nunca tinha visto. Ele nunca pensou que Seoyul faria tal expressão mesmo que o mundo estivesse prestes a cair. Quem era que a fez fazer tal expressão?

    — ATAQUEM!

    Com uma voz feroz, os outros lutadores avançaram contra Yoonhwan. Dezenas de Despertos avançaram com seus mundos únicos. E no momento seguinte…

    O mundo foi rasgado. Foi destruído. Despertos foram arremessados para longe enquanto o poder mundial sombrio cobria a área por trás. Parecia estranho. Por que essa visão era um alívio para ele?

    Yoonhwan então caiu para trás. Enquanto caía, ele viu alguém em seus olhos. Houve dor em seu ombro quando alguém o agarrou. Yoonhwan riu.

    Isso é uma ilusão. É um sonho. Ou então…

    Então… como pode…

    Como pode Jaehwan estar aqui?

    Se não é uma ilusão, é o mundo dos mortos. Ou…

    — Yoonhwan.

    E com a voz, Yoonhwan percebeu que não era uma ilusão ou um sonho. Nem Yoonhwan estava morto. Era real.

    Yoonhwan não conseguia falar. Ele não conseguia encontrar as palavras para falar, nem tinha energia para expressá-las.

    — Você fez um bom trabalho.

    Foi um elogio curto, mas Yoonhwan o compreendeu, um melhor amigo com quem passou anos juntos. Ele estava dizendo a Yoonhwan que ele tinha feito um ótimo trabalho, que ele não estava errado.

    Yoonhwan tentou falar com seu último pouco de energia. E Jaehwan escutou.

    — Jaehwan. Eu… Eu vi suas costas mil vezes… mas eu nunca… eu nunca… Eu…

    — Sim, eu sei.

    Yoonhwan então ficou aliviado. Era a voz que ele estava esperando o tempo todo. A voz que compreendia tudo.

    Estou aqui.

    Yoonhwan foi então acolhido no mundo. Seu dedo tocou o rosto de Jaehwan e Yoonhwan fechou os olhos.

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