Capítulo 125: Deus e Seguidor (6)
‘Que tipo de [Configuração] é essa?!’
Andersen ficou chocada com o poder mundial que sentiu de Jaehwan. Ela sabia que Jaehwan havia perdido parte de sua memória e lutado contra os Generais das <Grandes Terras> no <Caos>. Mas, ela pensou que ele tinha conseguido tudo isso com pura sorte. Na verdade, ele até tomou poder emprestado de outra pessoa quando enfrentou aqueles Comandantes.
‘Que poder é esse então?’
Quando Jaehwan puxou a espada do mundo, seu poder mundial aumentou consideravelmente. O poder que igualava o de um Subgerente de um Deus de baixo escalão mudou para o de um Deus de alto escalão.
[Queda]
Andersen engasgou ao ver o nome exibido acima da espada. Se tinha um nome como aquele, ela tinha certeza de que era uma [Configuração], mas aquele poder mundial não parecia normal.
[Por que… isso não pode ser… Isso é injusto! Que tipo é?!]
Todas as [Configurações] dentro das <Profundezas> eram divididas em tipos. Mesmo que algum Deus quisesse criar uma Configuração que o tornasse duas vezes mais poderoso que seu inimigo, ainda assim não seria possível por causa do tipo.
Mesmo com um poder forte, havia uma fraqueza nele.
Não existia Configuração sem fraqueza, e poderes mais fortes tinham penalidades enormes. Não havia Configurações que permitissem a um Deus de baixo escalão ter um poder que igualasse o de um Deus de alto escalão.
No entanto, isso estava acontecendo agora diante dos olhos de Andersen.
A garota loira que sentiu o poder de Jaehwan empalideceu. Seu poder, que facilmente superava o dela, a aterrorizou.
‘Isso é impossível! Ele é um Subgerente de um Deus de baixo escalão!’
A garota loira tremeu ao pensar nisso e, no momento seguinte, avançou contra Jaehwan. Era como se um rato, encurralado, avançasse contra o gato. A rapieira contendo a [Configuração] de Artemis [Um Golpe Fatal] transformou sua espada em uma flecha gigante enquanto ela atacava.
O rosto de Jaehwan se tornou frio.
Ele não pretendia lutar. Ele só pensou que sacar a [Queda] seria ameaça suficiente para que ela recuasse. Mas não funcionou.
‘Então, chegamos a isso de novo.’
Jaehwan estava decepcionado. Quando ele chegou às [Profundezas] e conheceu Andersen e Runald, ficou um pouco animado. Se o que eles diziam era verdade, as [Profundezas] respeitavam todos os tipos de mundos.
Muitos Seguidores viviam em vários mundos únicos e desfrutavam dos seus próprios. Até parecia o que Jaehwan estivera procurando: um mundo onde não houvesse discriminação e todos interagissem em pé de igualdade.
Se fosse esse o caso, Jaehwan pensou que poderia haver algum tipo de possibilidade.
No entanto, não demorou muito para ele perceber que as [Profundezas] eram, afinal, outra versão do <Caos> ou das <Grandes Terras>.
Mundos fracos eram menosprezados, e Deuses fracos eram discriminados. Havia respostas certas para as coisas e as pessoas só se importavam com eficiência.
Enquanto Jaehwan olhava para a flecha e seu poder mundial verde, ele ouviu algo do fundo de si mesmo. Eram as vozes que ele ouvira quando abriu a ‘Criação’. Eram as vozes dos inúmeros Jaehwans que concordavam com a criação de Jaehwan. Eles estavam lhe ordenando.
-Destrua aquele mundo.
-Você nasceu apenas para destruir mundos.
Sua espada que empunhava o poder da ‘Queda’ rasgou aquele mundo. A flecha verde começou a se decompor no momento em que tocou o poder da [Queda]. Conforme ela se dissipava completamente, a garota loira recuou.
‘Como…?!’
Sua [Configuração] estava perdendo poder. O mundo estava a abandonando, como se alguém tivesse arrancado o mundo dela. Ela sentiu um medo terrível. Era o medo da perda do mundo, e ela nunca sentira aquilo depois de se tornar uma Seguidora de Artemis.
Ela até ouviu a voz de Artemis pela primeira vez.
[Quem é você?! Como conseguiu me afastar da minha garota… Você ousa…]
E com isso, a presença dela desapareceu completamente de si. Como se tivesse sido atingida na cabeça, ela sentiu sua visão ficar branca. A Deusa não era um espírito, mas um conceito. Como um conceito poderia ser danificado? Ela nunca ouviu falar de uma [Configuração] que pudesse fazer tal coisa.
Jaehwan se aproximou com sua espada e a arrogância dela fugiu completamente.
‘N-não… eu vou morrer…’
Ela não conseguia entender. Era como qualquer outro dia normal. Ela só queria dar uma olhada no mundo, só isso.
‘Não…’
Ela apertou sua rapieira com força. Mas ela sabia que era um esforço inútil. A espada viria até ela, e cortaria sua cabeça a qualquer segundo…
— Por favor, espere.
Uma voz os interrompeu. Jaehwan se virou para o homem que havia falado. Ele tinha traços faciais muito marcados e um corpo bem construído. Parecia ter sido bem treinado. Enquanto se colocava diante de Jaehwan, ele olhou para a garota loira.
— Você também deveria parar, Benya. O que você fez?
— S-senhor… mas…
— Você acabou de passar por isso e ainda não entendeu?
Benya rangeu os dentes.
— Mas ele é um Subgerente de um Deus de baixo…
— Você ainda está falando sobre escalões? Acho que foi inútil enviá-la para Artemis.
O homem falou enquanto puxava a garota para que ficasse de pé. Jaehwan estreitou os olhos ao olhar para o homem que não parecia se incomodar com seu mundo.

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