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    [A queda de uma estrela não mudará o mundo.]

    -Quarto Capitão da Ruptura. Kashim.

    O Tenente Adel olhou para o céu. Nuvens escuras cercavam as fronteiras das regiões. Parecia que ia chover em breve.

    Pequenas partículas começaram a cair. A chuva nas <Profundezas> consistia em pequenas partículas de poder mundial. Era tão pequena que não deixava ninguém encharcado a ponto de aumentar o poder mundial, mas tinha habilidades restauradoras. Por causa disso, a chuva desacelerava a guerra. A chuva não discriminava. Todos os Subgerentes e Seguidores paravam de lutar para aproveitar a chuva.

    A paz era breve enquanto a chuva caía sobre eles.

    — É a estação das chuvas, Adel — Mirel disse ao lado. Adel olhou para seu longo cabelo loiro ficando molhado com a chuva e assentiu. — Sim, senhora.

    — Teremos paz por um tempo.

    — Uma paz enganosa, aliás.

    — …Enganosa?

    Mirel ergueu a sobrancelha e Adel continuou: — Corrigirei a palavra se não gostar. Paz no olho da tempestade.

    — …Adel, é a mesma coisa.

    Adel não respondeu. Em vez disso, olhou para as nuvens escuras.

    Um poder mundial gigante tinha o poder de atrair outros poderes mundiais. As nuvens de chuva também respondiam ao poder mundial gigante. Mas mesmo assim, era difícil para os 8 Deuses das [Profundezas] provocar uma mudança climática como aquela. Se isso acontecesse, era necessário que ao menos dois ou mais Deuses lutassem contra alguém que tivesse surgido com tal poder.

    Fosse o que fosse, não era um bom sinal. Se Deuses estavam se opondo, significava uma luta. E se outro ser estivesse nascendo, significava que o inferno se desencadearia nas [Profundezas].

    Era por isso que as pessoas respeitavam a chuva. Era sua última chance de descansar antes da luta.

    — Já faz 700 anos que o conheço.

    — Sim, senhora.

    — Sempre achei que era um erro forçar um homem como você a permanecer em seu posto por tanto tempo.

    — Não, senhora.

    — Achei bom que você fosse o tenente deles. Acreditei que aprenderiam o suficiente com você.

    — …É mesmo?

    Adel não pareceu se agradar com o elogio. Mirel continuou:

    — Você parece muito sentimental hoje. Não é típico de você.

    — É a chuva.

    — Isso é para pessoas comuns.

    — Já fui um homem comum um dia. Talvez ainda seja, mesmo agora.

    Mirel ficou em silêncio por um instante.

    — Homens normais não podem se tornar Despertos.

    — A senhora realmente acha isso?

    — …

    — Olhe para eles. São todos pessoas normais.

    Eles viram os combatentes da Ruptura aproveitando a chuva. A maioria eram espíritos jovens que haviam se juntado à Ruptura recentemente.

    — Sim, e eles podem morrer em breve.

    Todos passaram pela Simulação do Grande Desaparecimento. Eles haviam matado suas memórias repetidas vezes, mas ainda tinham vislumbres de suas memórias e emoções.

    Adel não tinha certeza se eles ainda podiam ser considerados humanos, mas esperava que não morressem. Ou, mesmo que morressem, que morressem como humanos.

    — Você não parece o de sempre hoje.

    — Um homem não pode permanecer o mesmo todos os dias. Assim como alguém que era [Ruptura] se torna outra coisa amanhã.

    — Você está sob influência do Líder de Esquadrão que serviu recentemente?

    — Líder de Esquadrão… Está falando de Yoonhwan.

    Yoonhwan. Ele era um homem que não pertencia à Ruptura. Era um ser que tinha um espírito belo demais para ser usado na Ruptura.

    Por quê?

    Adel não pôde deixar de sorrir ao pensar nele.

    — Talvez.

    — Talvez…

    — Sim, senhora. Talvez eu tenha recebido a energia do espírito jovem.

    — Hah. Adel, você está falando sério…

    — E tenho certeza de que a senhora não está em posição de me dizer isso, Capitã.

    Mirel franziu a testa. — O que isso quer dizer?

    — Não foi a senhora quem interrompeu a simulação de Yoonhwan?

    — Isso…

    — Ele não concluiu sua simulação.

    — Ele foi Desperto de qualquer forma.

    — Desperto? Desde quando nós, a Ruptura, aceitamos o Despertar imperfeito?

    Mirel não conseguiu responder. Adel continuou: — As coisas estão mudando, Capitã. Você, eu e os outros.

    Mirel ficou em silêncio por um tempo. A chuva continuava caindo sobre eles. Depois de um tempo, Mirel falou.

    — …Sim. Talvez estejam.

    Mirel também sabia. Algo estava mudando. Ela não tinha certeza do que era, mas estava acontecendo. Porém…

    — Mas o tempo da revolução virá mais rápido do que a própria mudança.

    — …Tempo da revolução? O que quer dizer?

    A chuva começou a ficar mais intensa. Mirel e Adel nunca tinham visto uma chuva assim em 700 anos. Não havia poder mundial igual aos Deuses ao redor deles. Portanto, isso significava que um ser poderoso estava descendo para as [Profundezas].

    Mirel olhou para os céus e a chuva. Havia algo lá que podia controlar todas as [Profundezas]. Ou melhor, sabia-se que estava lá. Mirel não tinha os ‘olhos’ para vê-lo, mesmo que não fossem as nuvens escuras cobrindo o céu.

    Talvez alguém diga: Como se pode acreditar quando não se pode ver? Mas isso não era acreditar de forma alguma. Era apenas algo a ser percebido naturalmente.

    Porque sem tal coisa, não havia como o mundo ser assim. Adel percebeu e perguntou: — Então… o rumor era verdadeiro?

    — …

    — E quando é? Quando…

    — Amanhã.

    Um trovão rasgou o ar. Mirel estremeceu, mas não abaixou o olhar, imaginando o ser além das nuvens escuras.

    — Amanhã, o Mestre irá lutar contra o Irmãozão. Os 210 mil anos das [Profundezas] chegaram ao fim agora.

    E com a voz, Adel também olhou para cima. A organização que percorreu todo o caminho por um único propósito — a conclusão estava sobre eles. Adel perguntou: — A senhora acha que o mundo vai mudar, Capitã?

    O mundo pode mudar? Se mudar, então como será mudado? Mirel não respondeu e balançou a cabeça. Ela não disse com certeza que acreditava que o mundo mudaria; ela não sabia. Talvez fossem velhos demais até para pensar nessas coisas.

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