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    Fazia um mês desde que Jaehwan chegara à Floresta da Loucura. Ele passava a maior parte do tempo nas fontes termais dentro da floresta.

    Através do vapor das fontes, Jaehwan viu a sombra do líder. Já fazia um mês, mas ele ainda não conseguia encontrar uma maneira de se aproximar dele. Ele agora até suspeitava se esse líder realmente existia.

    — …Você está sempre aqui esses dias.

    Como hoje, Runald visitava Jaehwan com frequência. No entanto, ele não estava ali para procurar Jaehwan, já que só vinha para fugir das ‘damas’. Runald era muito popular com elas.

    — Elas sempre querem esfregar meu corpo.

    Aquelas ‘damas’ sempre esfregavam o corpo de Runald. Jaehwan comentou: — Tenho certeza de que é uma coisa boa para você.

    — …Isso é um absurdo.

    — Nunca se sabe. A esfregação delas pode ter algum truque secreto.

    — Isso é tão estúpido quanto a [Configuração] que faz você ficar mais poderoso conforme fica nu.

    — Sim, certo? — Runald suspirou.

    — Karavan diz algo parecido hoje em dia. O que era? A filosofia de esfregar ou algo assim.

    — Karavan disse isso?

    Ele então percebeu que já fazia um tempo que não via o homem. Karavan costumava visitar Jaehwan com frequência para reclamar quando chegaram à floresta.

    ‘Preciso recuperar meu vínculo com Ignis e matar aqueles filhos da p*ta.’

    Ou-

    ‘Vou enforcar aqueles desgraçados que esfreguei com a Chama Infernal.’

    Ele então retornava sem esperança. No entanto, já fazia 2 semanas desde a última vez que o visitou. Jaehwan apenas pensou que Karavan tinha desistido… mas compartilhando a ‘Filosofia de Esfregar’? Era muito interessante.

    — O que ele está fazendo esses dias?

    — O mesmo de sempre. Esfregando pessoas. Acho que ele passou a gostar agora.

    — …Ele gosta?

    — Ele diz: ‘Esfregar é um negócio sério, garoto. Você é muito jovem para compreender.’1

    Runald imitou Karavan e deu de ombros.

    — Eu não tinha certeza de onde ele queria chegar. Ele disse que esfregar é ‘bom’ e que sempre temos que esfregar… para que encontremos o verdadeiro sentido da vida. E no final, você encontrará a verdadeira compreensão do mundo através da esfregação… Algo assim.

    Se fosse meses atrás, Jaehwan teria caído na gargalhada.2 No entanto, ele estava diferente agora.

    — Entendo. Roupas ou esfregação… Acho que não importa como você chama.

    — O quê?

    — Acho que Karavan está no caminho certo, afinal.

    — …Você está falando sério?

    Runald franziu a testa enquanto dava alguns passos para trás. Parecia que ele estava ficando suspeito em relação a Jaehwan.

    — Acho que ele está compreendendo o ‘Despir-se’.

    — ‘Despir-se’?

    — Essas pessoas chamam de Metamorfose. Eu apenas chamo de Despir-se.

    Despir-se. O método de tirar as ‘roupas’ que cobriam as camadas do espírito. Era a rotina diária de todos os guerreiros ali e o segredo deles para se tornarem poderosos.

    — E o que exatamente é isso?

    — O que eu estou sempre fazendo.

    Runald olhou para Jaehwan, que ainda estava dentro da água, e perguntou com uma voz duvidosa:

    — Um banho?

    — Sim, pode-se dizer que sim.

    Jaehwan deu de ombros e olhou ao redor. O calor na fonte era muito intenso. Ao longo do mês, Jaehwan teve um total de 37 momentos em que poderia ter morrido. Ele continuou caminhando pela água fervente na esperança de encontrar o ‘líder’ no outro extremo do vapor.

    Mas ele ainda não conseguia chegar ao líder. A única coisa que podia fazer era continuar caminhando.

    Por horas, ou às vezes pelo dia inteiro, ele caminhou em direção ao ‘líder’ até que seu poder mundial se esgotasse. Em todas aquelas experiências de quase morte, ele encontrou muitos de seus eus antigos de diferentes épocas.

    -Maldito, de novo?!

    -Já chega!

    Às vezes, ele até ouvia vozes. E conforme se lembrava dos velhos tempos, sentia suas camadas sendo removidas enquanto seu poder aumentava grandemente.

    Os passos eram sempre os mesmos. Ra-hamad aparecia de algum lugar e tirava Jaehwan da fonte, murmurando ‘Ouroboros’. Era então que o ‘Despir-se’ do dia terminava.

    Runald perguntou: — Jaehwan, o que são ‘roupas’? Acho que essas pessoas realmente consideram isso seriamente.

    — Roupas…

    Jaehwan não sabia, mas não disse. Ele estava se ‘despindo’ no momento, então não podia simplesmente dizer que não tinha certeza do que era. Jaehwan até tinha perguntado a Ra-hamad o que ‘roupas’ realmente eram, mas a resposta de Ra-hamad foi apenas esta:

    ‘Ouroboros.’

    Jaehwan estava irritado.

    — E o que isso deveria significar? Você sempre diz apenas ‘Ouroboros’.

    ‘Ouroboros é Ouroboros.’

    — Você não pode simplificar? Não ajuda se você complica.

    ‘Não é uma questão de complicar.’

    Ra-hamad então falou com Jaehwan com um olhar de compaixão no rosto.

    ‘Você está fora do sistema, mas ainda vive no sistema.’

    Aquilo foi muito impactante para Jaehwan. Jaehwan então percebeu, no futuro, que aquela palavra iria liderar o caminho na luta contra o Irmãozão.

    — Jaehwan?

    Runald estava olhando para Jaehwan. Ele respondeu: — Ah, sobre o que estávamos falando?

    — Sobre roupas.

    Jaehwan pensou. Runald queria uma resposta para a qual ele não tinha.

    — Ouroboros.

    — O quê?

    — Roupas são Ouroboros.

    — …E o que isso deveria significar? Ah, os guerreiros diziam ‘Ouroboros’ quando apontavam para minhas genitais.

    Ouroboros enquanto apontava para as genitais? Aquilo parecia ter um significado muito diferente. Runald rapidamente cobriu suas genitais ao perceber que Jaehwan estava olhando diretamente para elas3 e perguntou: — D-de qualquer forma. Então, o que é Ouroboros?

    — Eu não sei.

    — …Você está tirando sarro de mim?

    — Eu não sei de tudo!

    Runald então gritou com raiva.

    — Mas você está fazendo essa coisa de Despir-se! Você está se despindo, mas não sabe o que está tirando? Não faz sentido!

    Ele estava certo. Jaehwan então perguntou: — Runald. Você sabe o que é a vida?

    — …O quê? Vida?

    Runald não conseguiu responder. A pergunta não era fácil. Ele poderia dizer qualquer coisa, mas não podia simplesmente falar em voz alta. A vida não podia ser descrita apenas por palavras.

    Runald balançou a cabeça.

    — Não tenho certeza.

    Jaehwan assentiu.

    — Exatamente.

    — O quê?

    — Você não sabe o que é a vida, mas está vivendo-a, certo?

    Runald então ficou estupefato. Ele olhou para Jaehwan com um olhar de admiração no rosto.

    — U-uau! Isso é brilhante! Você é brilhante!

    — …

    — Entendo… Ouroboros… nossa vida…!

    Parecia que Runald ia começar a falar bobagens, então Jaehwan acenou com a mão e o impediu de falar.

    — Runald, vamos terminar por aqui.

    — Hã? Por quê?

    — Porque sinto que estou morrendo.

    — …O quê?!

    Runald ficou frenético e Jaehwan falou com uma cara do tipo ‘Ouroboros’.

    — Me tire daqui em cerca de 10 minutos. Certo?

    E Jaehwan perdeu a consciência. Foi sua 38ª experiência de quase morte.

    E depois de mais um mês, ele finalmente conseguiu alcançar o fim da fonte termal.

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