Índice de Capítulo

    — O que foi?

    — Por que você é contra a Ruptura? Eles ainda estão determinados a derrotar o <Irmãozão>. Isso não muda mesmo que estejam trabalhando com os Senhores agora. Você não tem motivo para detê-los.

    Surha estremeceu. Aquelas palavras eram algo que ela não tinha ouvido do Anônimo nos últimos 3 meses. Ele estava fazendo um novo tipo de ‘pergunta’ para ela. Ela sentiu expectativa e preocupação ao mesmo tempo e respondeu: — …O mestre não pode derrotar o <Irmãozão>.

    O Anônimo então percebeu algo rapidamente.

    — É essa a sua [Premonição]?

    — Sim. Aquela que você criou para mim.

    — Você sabe que não é certo.

    — …Mas geralmente ela está certa.

    Anonymous pensou por um momento.

    — Mesmo que você esteja certa, isso não é suficiente.

    — …Não é suficiente?

    — Mesmo que o Mestre não possa derrotar o <Irmãozão>, isso não lhe dá motivo para deixar a Ruptura.

    — …

    — O Mestre é um dos poucos seres que podem ver o <Irmãozão>. Mesmo que você tenha visto a Premonição… ele é a única chance contra o <Irmãozão>…

    Foi quando Anônimo a olhou. Pela primeira vez, ele riu.

    — Você viu uma esperança diferente.

    — …Não mude de assunto.

    — Quem é? A nova esperança?

    — Não é importante. O importante é deter a Ruptura. Não podemos ter sacrifícios desnecessários.

    — Sacrifício desnecessário…

    Anônimo disse: — Você soa muito ‘humana’.

    — Sim, fiquei surpresa por ainda ser humana.

    — Interessante.

    Anônimo riu e disse: — Eu sabia que o Mestre não derrotaria o <Irmãozão>. Eu também tenho a Premonição. Em vez disso, ele escolherá se tornar um governante das [Profundezas] em vez de derrotar o <Irmãozão>.

    — Você sabia! Então por que…

    — Mas não temos motivo para impedi-lo de fazer isso.

    — O quê?

    — Se não destruirmos o <Irmãozão> e o Sistema, nada mudará. Como você sabe, o <Irmãozão> é um monstro que nem mesmo o Mestre pode derrotar. Não sei que ‘esperança’ você viu, mas ninguém pode derrotar o <Irmãozão>. Ninguém.

    Surha estremeceu com a certeza das palavras de Anônimo e o desespero que elas continham. Ele continuou: — E seja o Mestre, os 8 Deuses das [Profundezas], ou qualquer outro… o Mestre das [Profundezas] sempre muda. É apenas parte de um grande ciclo. Não é a primeira vez que um massacre em massa acontece nas [Profundezas]. É apenas mais um incidente da história.

    — E você vai apenas assistir acontecer?

    — Nada mudará de qualquer forma.

    — Vai sim! Enquanto não desistirmos, o mundo pode mudar! Não é tarde demais! Nós detemos a Ruptura e nos tornamos mais fortes. E quando o fizermos, lutaremos contra o <Irmãozão>, e…!

    Surha ficou chocada com sua própria voz — surpresa por ainda ter tanta paixão dentro de si. Como ela encontrou tal esperança, quando sempre esteve presa em seu desespero? Surha sabia a resposta, mas tentou não pensar nisso. Anônimo riu.

    — Parece que seus 700 anos não foram longos o suficiente.

    — …

    — Mas você saberá se viver dezenas de milhares de anos. Há um desespero longo demais para ter esperança de mudança.

    — Droga. Você soa como meu amigo.

    Surha lembrou-se de seu amigo Adel, a quem encontrou pela última vez quando deixou a Ruptura; um amigo que se recusou a partir com ela. Ele também tinha os mesmos olhos que Anônimo agora. Mas a expressão de Anônimo ficou estranha.

    — Amigo? Amigo…

    — …Hã?

    Surha ficou confusa e Anônimo sorriu. — Na verdade, eu tive um amigo que falava exatamente como você.

    — Eu? Como eu?

    — Sim. Havia um amigo.

    Ele tinha um amigo? Surha não perguntou, mas ouviu sua história.

    — Houve um Pesadelo que veio a mim uma vez. Nós queríamos um mundo parecido e nos tornamos bons amigos. Ele era único, no entanto. Ele era um Pesadelo, mas falava contra a [Cultivação]. Ele também se considerava um criminoso que construiu uma torre.

    — …Um Pesadelo que era contra a Cultivação?

    — Ele falava exatamente como você. Que o mundo pode mudar se não desistirmos…

    Surha percebeu quem provavelmente era esse ‘Pesadelo’. Antes que pudesse falar, Anônimo continuou: — Ele era um Pesadelo, mas era mais poderoso do que qualquer um dos Deuses que conheci. Foi o único que coletou duas [Peças] dos Três Deuses Antigos.

    Duas delas? Ele era um Pesadelo tão poderoso? Surha não conseguia acreditar.

    — Esta parte não é muito conhecida. Centenas de anos atrás, ele tinha o mesmo objetivo que Myad tem agora. E ele partiu sozinho para o [Ninho] atrás do <Irmãozão>.

    — E então? O que aconteceu depois?

    — Você não sabe o que aconteceu? Aconteceu centenas de anos atrás. Ninguém ouviu falar dele voltando. O mundo não mudou.

    O mundo não mudou. Era evidente o que isso significava. Até mesmo o ser que tinha em mãos duas [Peças] dos Três Deuses Antigos falhou em caçar o <Irmãozão>. Surha então, de repente, compreendeu a profundidade do desespero que Anônimo enfrentava. Este pobre e velho Deus desistira de toda esperança quando o Pesadelo falhou. Ele aceitara o fato de que ninguém poderia mudar este mundo para sempre.

    — Mas… mas…

    — Se ninguém pode derrotar o <Irmãozão>, então não importa quem se torne o mestre das [Profundezas]. Não importa.

    Surha ficou sem esperança com a voz. Ela não conseguia contrapor suas esperanças contra um desespero tão gigantesco. Ela sentiu que suas esperanças não eram nada diante de tantos fracassos e previsão.

    Ele estava certo. Não importava quem se tornasse o mestre das [Profundezas], nada mudaria se o Sistema ainda estivesse lá. A história se repetiria e ela era apenas uma pequena partícula dentro da história.

    — Mas…

    Mas ela era humana. Ela existia aqui como humana e estava aqui como humana.

    Por isso ela tinha que se defender. No entanto, ela não conseguia pensar no que dizer.

    Foi quando uma explosão veio do lado de fora. Um poderoso poder mundial pressionava todo o palácio. Surha ficou pálida.

    — Eu te disse! Eles já estão aqui! Eles…

    Mas foi mais rápido do que o esperado. Ela ouviu que a Segunda Região estava prestes a cair em breve, mas imaginou que levaria mais tempo para a Ruptura chegar à Sétima Região. Ela sacou sua arma, Demônio do Trovão. Não havia escolha senão lutar.

    No momento seguinte, a porta da Sala do Trono se escancarou e um homem e um garoto apareceram.

    — Uau, Jaehwan, você é demais!

    Houve a voz de um garoto barulhento e do homem. Surha ficou chocada.

    — Você… Você… Como você…?!

    Era impossível ele estar aqui. Não, ele não poderia estar aqui. Por que ele estava aqui?

    — Faz um tempo.

    E ali estava sua esperança.

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