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    Combo do sorteio do aniversário da Vulcan – 28/30


    “Ei, idiota. Você está bem?”

    Sunny reagiu depois de um ou dois segundos, levantando a cabeça e encarando Effie com olhos vazios.

    “… S-sim. Estou bem. Só… pensando em coisas.”

    Effie lançou-lhe um olhar estranho, então deu de ombros e se virou. Todos estavam ocupados demais para prestar atenção nele. Não que alguém já tenha prestado.

    Deixado sozinho, Sunny cambaleou e lentamente se abaixou até o chão. Em sua mente, uma frase se repetia, de novo e de novo, ficando mais e mais alta a cada segundo.

    “Uma mulher com uma lança de bronze se afogando em uma maré de monstros… uma mulher com uma lança de bronze…”

    Isso era parte da visão que Cassie teve no início da jornada, na noite que passaram no topo da estátua gigante de um cavaleiro sem cabeça.

    Aquela que era tão angustiante que ela quase pulou nas águas escuras do mar amaldiçoado só para fugir do seu terror.

    Foi também a chave que conectou cada pequena informação que Sunny conhecia em uma imagem coesa e o fez entender o verdadeiro significado daquela visão aterrorizante.

    Ele estremeceu, lembrando-se do que Cassie havia dito a eles naquela noite escura, em detalhes nítidos:

    ‘Eu vi o castelo humano novamente. Só que dessa vez, era à noite. Havia uma estrela solitária queimando nos céus negros, e sob sua luz, o castelo foi subitamente consumido pelo fogo, com rios de sangue fluindo por seus corredores. Eu vi um cadáver em uma armadura dourada sentado em um trono; uma mulher com uma lança de bronze se afogando em uma maré de monstros; um arqueiro tentando perfurar o céu que caía com suas flechas…’

    Durante todo esse tempo, Sunny tinha certeza, por algum motivo, de que Cassie viu o cataclismo que havia devorado esta terra e a transformado em um inferno desolado, criando a Costa Esquecida. A primeira parte da visão certamente se referia a como a maldição da escuridão que tudo consome havia se libertado de seus sete selos. Então ele apenas presumiu que as outras partes da visão falavam sobre o passado também.

    Mas a lança de Effie lhe deu uma epifania, uma terrível revelação de que ele estava errado todo esse tempo. Que as imagens apocalípticas que Cassie havia descrito não eram do passado, mas do futuro.

    O futuro deles.

    Tremendo, Sunny levantou a cabeça e olhou para Nephis, que estava usando seus poderes para curar os caçadores feridos, seu rosto de marfim contorcido em uma careta dolorosa. Seus olhos estavam arregalados e cheios de descrença.

    Estava tudo tão claro!

    Ela… ela era a estrela solitária que queimava nos céus escuros acima do Castelo Brilhante, trazendo consigo fogo e rios de sangue. Afinal, seu nome era Estrela da Mudança.

    Ou, dependendo das runas usadas para escrevê-la, Estrela do Infortúnio. A Estrela da Ruína.

    Sunny passou tanto tempo temendo o que Gunlaug faria com Nephis, mas ele deveria ter ficado com medo do que ela faria com ele, em vez disso. Um cadáver em uma armadura dourada sentado em um trono… por que ele não percebeu a verdade depois de ver o Lorde Brilhante pela primeira vez? Era ele. Gunlaug era o cadáver na visão de Cassie.

    Effie era a mulher se afogando no mar de monstros. O arqueiro… Sunny ainda não sabia, mas tinha certeza de que eles se encontrariam em breve.

    Talvez apenas para morrerem juntos.

    Ele sempre soube que Nephis era guiada por algum objetivo misterioso e avassalador. Ele não sabia qual era esse objetivo, mas certamente não era aqui, na Costa Esquecida. Para alcançá-lo, a Estrela da Mudança tinha que encontrar uma maneira de retornar ao mundo real.

    É por isso que ela sempre foi tão inabalável e implacável em sua ambição de seguir em frente, superar qualquer obstáculo, suportar qualquer dor. Às vezes, parecia até que sua convicção era mais parecida com uma obsessão. Nephis estava disposta a fazer qualquer coisa para realizar seu sonho.

    As palavras reconfortantes que ela lhe dissera no primeiro dia na Cidade das Trevas ressoaram de repente em sua mente. Só que agora, havia outro significado, mais frio e muito mais sombrio, escondido sob sua superfície:

    “Nós encontraremos uma maneira de retornar. Não importa o que tenha que ser feito, nós faremos.”

    Não importa o que tenha que ser feito…

    Só havia uma maneira de deixar a Costa Esquecida, e ela ficava na Torre Carmesim. Nenhum Adormecido poderia esperar chegar inteiro àquele Portal. Eles precisariam de um exército para tentar. Talvez então, caminhando sobre cadáveres, um ou dois sobreviventes pudessem escapar deste lugar amaldiçoado.

    Mas Nephis não tinha um exército.

    … Ainda.

    Para reunir um, ela precisaria matar Gunlaug, usurpar seu poder e eliminar toda a oposição, afogando o Castelo Brilhante em sangue. Só então ela seria capaz de reunir cada um dos Adormecidos restantes na Cidade das Trevas e atraí-los para segui-la em uma cruzada suicida. Sabendo muito bem que a maioria deles morreria por causa disso.

    Nenhuma pessoa sã a seguiria.

    “Eles não vão. Certo?”

    Sunny se lembrou dos rostos dos rapazes e moças que se tornaram parte do grupo nas últimas semanas. A estranha luz de esperança, ou talvez fé, queimando em seus olhos. A reverência quase religiosa que sentiam por Nephis… não, não Nephis. Era à Estrela da Mudança do clã Chama Imortal.

    O anjo pessoal deles.

    Eles ainda estavam sãos?

    Finalmente, ele entendeu cada parte do plano de Nephis.

    Olhando para a bela jovem de cabelos prateados, Sunny estremeceu.

    E então… houve a última parte da profecia.

    ***

    No caminho de volta, Sunny sentiu como se estivesse em um sonho febril. A magnitude da revelação era demais… demais para ele. Sua mente parecia fraca, instável e à beira de se despedaçar.

    Ele nunca havia experimentado um sentimento tão profundo de choque. Era como se o próprio âmago de seu ser tivesse sido violentamente abalado. Ele não estava equipado com as ferramentas certas para lidar com isso.

    Ele sentia como se estivesse prestes a perder o controle.

    Sunny ficou realmente horrorizado.

    ‘Não… não perca tempo tentando lidar com suas emoções. Este não é o momento certo para sentimentos. Você precisa… descobrir como tudo isso afeta você pessoalmente, e o que você precisa fazer para transformar as coisas a seu favor.’

    Afinal… o que havia para se ter medo? Que muitas pessoas iriam morrer? O que suas vidas e mortes tinham a ver com ele?

    Sim… sim. Enquanto ele fosse o único que ficasse de pé no final, essa coisa toda poderia acabar sendo benéfica. Ele não tinha passado as últimas semanas com medo do que Gunalug faria com eles? Bem, agora ele sabia que Gunlaug acabaria como um cadáver. Problema resolvido.

    Ele não ficou arrasado com a notícia de que passaria o resto da vida neste inferno odioso? Bem, agora isso não era mais uma certeza. Aquela última parte da profecia…

    Tudo estava bem. Melhor do que nunca.

    … E ainda assim, não importava o quanto Sunny tentasse ser racional, ele não conseguia evitar ficar aterrorizado.

    ***

    Na luz carmesim do pôr do sol, ele encontrou uma razão para deixar o alojamento e caminhou até a borda da plataforma de pedra. Ninguém realmente se importava muito com seu paradeiro, então não foi difícil desaparecer por um tempo.

    Ninguém percebeu que algo estava incomodando Sunny também. Todos estavam acostumados com seu comportamento temperamental, de qualquer forma. Só Cassie parecia ter percebido alguma coisa.

    … E Caster, que fingia ser despreocupado, mas na verdade tinha o hábito de observar qualquer um próximo de Nephis como um falcão.

    O bastardo…

    Chegando ao final da plataforma de pedra, Sunny se virou e olhou para o assentamento externo e o magnífico castelo elevando-se acima dele, com centenas de Adormecidos correndo para encontrar abrigo antes da chegada da noite. Uma sensação fria e angustiante agarrou seu coração.

    ‘Todas essas pessoas… todas essas pessoas vão morrer.’

    Nephis ia matá-los.

    … Ele estava disposto a ajudá-la a fazer isso?

    Por algum motivo, Sunny queria rir. Toda essa situação era tão doentia e assustadora que era quase ridícula. Ele nunca foi um tipo altruísta, na verdade. Mais do que isso, ele sempre se orgulhou de ser uma pessoa cínica, egoísta e cruel. Mas isso… isso era demais até para ele.

    Agarrando sua cabeça, Sunny gemeu.

    ‘O que eu vou fazer?!’

    Naquele momento, o som de passos de repente atraiu sua atenção. Uma figura magra surgiu da favela e caminhou em sua direção.

    Sunny franziu a testa.

    ‘Ah, certo. Aquele cara…eu tinha me esquecido completamente dele.’

    Harper parou a alguns passos de distância e sorriu timidamente.

    “Sunless! Uh… podemos conversar?”

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