Capítulo 94: Nada Mudou
Com o passar dos minutos, o trânsito finalmente começou a andar.
Só que avançava bem mais devagar do que Qi Xia imaginava.
Pelo visto, o trecho mais perto da entrada da rodovia realmente sofreu um engavetamento por causa desse fenômeno climático estranho.
Quando a fenda bizarra desapareceu e o fluxo de carros voltou a entrar em Qingdao, já eram oito da manhã.
Durante todo esse tempo, Qi Xia ligou sem parar para Yu Nian’an, mas ninguém atendeu.
Pensando bem, só havia uma explicação para esta situação.
Yu Nian’an já estava sob custódia da polícia.
“Motorista, mude o destino.” Qi Xia percebeu a gravidade do cenário, sabendo que não podia mais voltar para casa, e avisou ao homem: “Não precisa ir para onde embarquei. Vou te passar um novo endereço.”
Depois de falar, ele pesquisou o local no celular e entregou o aparelho.
“Hã?” O motorista o pegou e, com um rápido olhar, reconheceu o destino. “Beleza. A quilometragem é quase a mesma, te levo direto pra lá.”
Finalmente, por volta das dez e meia da manhã, o táxi chegou ao destino de Qi Xia.
Era um conjunto de casas de aluguel barato no bairro antigo do Distrito Norte.
“Finalmente chegamos, meu jovem”, disse o motorista, soltando um longo suspiro. “Nunca imaginei que fôssemos atrasar tanto.”
“Sem problema, motorista.” Qi Xia tirou mais mil e quinhentos yuan em dinheiro do bolso e entregou a ele. “Obrigado.”
“Imagina, de nada! É o meu trabalho!” O homem pegou o dinheiro, animado. “Se precisar de novo, é só me chamar!”
Qi Xia assentiu e estava prestes a caminhar em direção à casa quando se lembrou de algo. Ele virou-se para trás. “Motorista, sei que você já está muito cansado, mas não volte para casa antes do meio-dia. Se precisar, descanse um pouco dentro do carro.”
“Ué?” O homem paralisou por um instante. “Como assim? Não posso nem voltar pra minha própria casa?”
“Eu não tenho motivos para mentir para você”, afirmou Qi Xia. “Uma coisa grande vai acontecer em breve. Ficar do lado de fora será mais seguro.”
Depois de dar o aviso, Qi Xia não deu mais atenção a ele e seguiu em direção à casa.
Este era um abrigo reserva que ele e Yu Nian’an tinham alugado, planejado justamente para momentos críticos como este.
Sua ideia era pegar algumas roupas ali e depois decidir o que faria.
Após dar sete passos, o celular no seu bolso começou a vibrar de repente.
Seu coração deu um salto. Ele puxou o aparelho com pressa para olhar.
Chamada de “A”.
“An?” Qi Xia ficou atônito, sentindo que sua dedução tinha falhado em algum ponto.
Será que a polícia não prendeu Yu Nian’an?
Ou será que… alguém a obrigou a me ligar?
“Alô?” Qi Xia atendeu, cumprimentando-a com uma voz neutra.
Ele sabia que, mesmo se a ligação fosse da polícia, tinha que convencê-los a tirar Yu Nian’an de dentro de casa. Caso contrário, as consequências seriam inimagináveis.
“Xia!” exclamou Yu Nian’an, com a voz extremamente fraca. “Me desculpa… Acho que fiquei doente. Dormi a tarde de ontem inteira e só acordei agora.”
“Ficou doente?” Qi Xia franziu a testa de leve e perguntou: “Você alimentou os peixes ontem?”
“Pfft…” Yu Nian’an deu uma risadinha do outro lado da linha. “Que isso? Me testando com código secreto? Não aconteceu nada demais, eu só não tô me sentindo muito bem.”
Qi Xia só então entendeu o que acontecia, apressando-se em dizer: “An, me escuta. Arruma suas coisas agora e me espera lá embaixo, tô indo te buscar.”
“Hã?”
“Não tenho tempo pra explicar, confia em mim”, pediu Qi Xia, ansioso. “Já menti pra muita gente, mas nunca pra você.”
“Tudo bem…” concordou ela. “Vou lá arrumar as coisas. Em quanto tempo você chega?”
“Eu…” Qi Xia virou a mão para checar a hora no celular, sentindo que o prazo estava apertado.
Pegar um táxi dali até o apartamento levaria, no mínimo, uma hora. O risco de chegar exatamente no instante do terrível terremoto era enorme.
“Não se preocupe com o meu horário, apenas saia de casa o mais rápido possível. Pode ser até pra ficar parada na porta do prédio.”
“Ah… tá bom então.” Yu Nian’an assentiu. “Vou lavar o rosto e desço em uns dez minutos.”
“Certo!”
Qi Xia desligou a chamada e virou-se depressa para procurar o taxista, confirmando que ele realmente não tinha ido embora. Neste exato momento, o motorista estava no banco usando uma minilanterna de luz ultravioleta para verificar se as notas eram falsas.
“Motorista!” Qi Xia bateu no vidro, dando um baita susto no homem.
“Ai, minha nossa!” O motorista guardou o dinheiro às pressas, só então percebendo que o sujeito do lado de fora era justamente seu grande cliente.
“Meu jovem?” Ele abaixou o vidro, olhando para os lados antes de perguntar: “Que foi dessa vez?”
“Me leva para o mesmo lugar que eu embarquei ontem!” pediu Qi Xia. “Tem que ser rápido de novo, te dou mais cem!”
“Opa!” O motorista abriu um sorriso largo e acenou. “Deixa comigo, sobe logo aí!”
Qi Xia abriu a porta e entrou. A expressão em seu rosto permanecia tensa. Ele checava o celular sem parar durante a viagem, frustrado por não ter memorizado o horário exato em que o desastre aconteceu.
Eu sei que o terremoto vem por volta do meio-dia, mas vai ser às onze ou às doze em ponto?
Com essa dúvida em mente, ele apressou o motorista mais uma vez: “Por favor, vai mais rápido.”
“Aí você já tá me pedindo milagre, meu jovem. Eu já tô dirigindo exausto por aqui…”
“Senhor, eu tô com pressa, de verdade.”
“Tá bom, tá bom…”
Sem ter como debater com Qi Xia, o motorista cedeu e pisou fundo no acelerador de novo.
O trajeto, que originalmente levaria uma hora, foi feito em exatos quarenta minutos.
“Valeu, motorista.” Qi Xia jogou a nota de cem no banco e desceu do carro sem olhar para trás.
Mas, assim que examinou os arredores, ele sentiu algo muito estranho.
Yu Nian’an não estava lá embaixo esperando por ele.
“O que aconteceu?”
A primeira ideia de Qi Xia foi que ela pudesse estar comprando algo na loja de conveniência próxima. Ele ligou de novo, mas o celular continuava chamando até cair.
“An, pra onde você foi…?”
Antes que pudesse processar a situação, uma sucessão de estrondos ecoou ao longe.
Um rugido ensurdecedor veio logo a seguir, soando como se dezenas de milhares de trens estivessem passando pela rua todos ao mesmo tempo.
No instante seguinte, o chão tremeu com violência. Qi Xia perdeu o centro de gravidade e caiu de mau jeito, batendo forte no concreto.
“Droga!”
Ele sabia que a situação estava péssima. Da última vez que o terremoto aconteceu, ele estava parado exatamente neste ponto.
Era como se o destino agisse através de uma força invisível: o mesmo momento, o mesmo lugar.
Mesmo com tudo recomeçando do zero, no fim das contas, nada havia mudado.
Os carros ao redor começaram a colidir em um engavetamento caótico, e gritos de desespero brotaram por todos os lados.
Sem se importar com os perigos, Qi Xia forçou-se a correr em direção ao próprio prédio. Mesmo que houvesse uma chance ínfima de Yu Nian’an ainda estar lá dentro, ele precisava tirá-la dali. Porém, movimentar-se durante o forte tremor era um sacrifício. Qi Xia tropeçou e caiu de cara umas cinco ou seis vezes antes de conseguir ficar de pé.
“An!!” Ele berrou a plenos pulmões na direção do prédio. O apartamento deles ficava só no terceiro andar, então ela deveria conseguir escutá-lo.
Qi Xia estabilizou a mente e correu para atravessar a porta de entrada.
Ele lembrava muito bem que, na vez anterior em que entrou no bloco, a marquise acima despencou, e foi exatamente isso que causou sua morte.
Com essa lembrança disparando um alerta, ele se esquivou depressa para o lado. Uma pedra maciça desabou do teto, esmagando o exato local onde ele estava um milésimo de segundo antes.
A rocha era tão brutal que seria impossível sobreviver caso fosse atingido por ela.
“Pelo visto, eu realmente morri antes…”

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