Capítulo 100: O Medo de Han Yimo
“Ah…” O olhar de Han Yimo se encheu de pânico. “Não tem arpões naqueles buracos?”
Ao ouvir isso, Qiao Jiajin largou a tábua sem hesitar, foi até a parede e espiou os buracos.
Foi dar uma olhada e tomou um susto.
“Porra!” Ele gritou, recuando apressado alguns passos. “São arpões mesmo! Os buracos estão cheios de arpões ‘recuando’!”
O grupo entrou em pânico, e uma onda de gritos ecoou pela sala.
Qi Xia, no entanto, continuava olhando para Han Yimo com uma expressão complexa.
“Você já sabia que tinha arpões aí dentro?” perguntou Qi Xia.
“Não… eu só vi sem querer agora há pouco…” Han Yimo desviava o olhar o tempo todo, mentindo na cara dura.
“Por acaso você também…” Qi Xia olhou perplexo para ele, mas engoliu as palavras que estavam na ponta da língua.
Han Yimo também se lembrava.
Ele tinha escondido esse fato.
Pensando por outro lado, parecia que todos que se lembravam do que aconteceu antes tinham recebido a carta do Bode Humano.
Como não sabia o que aconteceria se expusesse as memórias de alguém, Qi Xia decidiu não desmascará-lo.
“Não precisa ter medo”, disse Qi Xia, mudando de assunto. Ele olhou sério para Han Yimo e abaixou a voz: “Desta vez os arpões não vão te atravessar.”
“Mas… mas Qi Xia…” Han Yimo parecia querer dizer alguma coisa, só que não sabia como começar.
Se Qi Xia estivesse certo, o que Han Yimo queria dizer era: “Eu fui atravessado na última vez”.
“Vamos ajustar as posições agora. Você fica entre mim e o Oficial Li.” Qi Xia olhou para o grupo. “Se não houver frestas do seu lado, não tem como os arpões te atravessarem.”
Han Yimo lançou um olhar de gratidão para Qi Xia e assentiu, meio atordoado.
Depois que todos se acalmaram, Qi Xia reorganizou as posições.
Fez o possível para deixar cada mulher ao lado de um homem, e também garantiu que Han Yimo ficasse protegido.
De qualquer forma, Han Yimo era um “Ressoante”. Mantê-lo vivo não seria uma má ideia.
“Além disso, vou passar um plano de emergência. Cheguem mais”, instruiu Qi Xia. “Se a placa de alguém ficar instável daqui a pouco…”
Com tudo resolvido, Qi Xia mandou o grupo formar a posição com antecedência, juntando todas as placas de madeira para montar um cone impenetrável.
Dentro do cone, todos ficaram de costas uns para os outros. A escuridão era total, sem um pingo de luz.
Qi Xia sentia Han Yimo tremendo sem parar ao seu lado. Pelo visto, aquela formação não lhe passava segurança nenhuma.
“Desculpa…” Han Yimo parecia saber que estava chamando atenção, e pediu perdão num sussurro: “Sempre tive claustrofobia. Desde criança, morro de medo de lugares fechados e escuros.”
Com essas palavras, Qi Xia de repente se deu conta de algo.
Han Yimo foi atingido por um arpão dentro do cone escuro e, depois, atravessado pela espada gigante na escuridão da madrugada.
Será que tudo isso tem a ver com a claustrofobia dele?
De repente, um forte som de vento cortando o ar ecoou ao redor do cone.
“Estão vindo!”
Ao comando de Qi Xia, o grupo deslocou levemente o peso do corpo e se apoiou com firmeza nas madeiras.
Afinal, a estratégia de Qi Xia parecia infalível. A prioridade agora era garantir a estabilidade do abrigo.
Os arpões começaram a chover sobre o cone como uma tempestade. Todos sentiam as palmas das mãos doerem com os impactos, mas, por sorte, os nove estavam preparados agora, e o cone se manteve inacreditavelmente firme.
TUM!
Um estrondo explodiu bem na frente de Xiao Ran, e a tábua nas mãos dela entortou no mesmo instante.
Uma luz ofuscante invadiu a brecha. Qi Xia sentiu na hora que ia dar ruim. Afinal, Han Yimo estava bem atrás de Xiao Ran. Se um arpão passasse por ali, era morte na certa para ele.
“Gira!” berrou Qi Xia.
Obedecendo à ordem, todos começaram a virar para a direita segurando as tábuas.
O cone inteiro virou um pião rodando debaixo da tempestade. Agora, além de rebater os arpões com as superfícies inclinadas, a rotação constante impedia que as lanças entrassem pela fresta.
Duas voltas depois, o Doutor Zhao, que estava ao lado, ajudou Xiao Ran a firmar a madeira.
“Parou!”
Qi Xia berrou de novo, e o grupo estabilizou a estrutura. Os brotos sob a chuva criaram raízes no chão.
Conforme os sons de colisão diminuíam, a ofensiva dos arpões perdeu força. Meio minuto depois, as batidas sumiram por completo.
“Acabou?” sussurrou alguém.
“Esperem mais um minuto”, disse Qi Xia com extrema cautela.
Ninguém contestou. Todos aguardaram em silêncio por mais um minuto dentro do cone mortalmente quieto.
Qi Xia afastou sua placa de madeira com cuidado.
Ele olhou para a sala, já segura de novo, deu um tapinha no ombro de Han Yimo e disse: “Viu só? Nós vamos ficar bem.”
Han Yimo continuava tremendo, mas assentiu com um sorriso grato: “Acabou mesmo? Mas não sei por quê, não consigo evitar a sensação…”
Os outros também foram abrindo as tábuas, mas ficaram mudos de choque com a cena.
Os dois cadáveres no chão agora pareciam porcos-espinhos, crivados de arpões. Tinha sangue espirrado por toda parte, formando um cenário digno do inferno.
“Oh? O que é isso?” O Oficial Li pegou um arpão no chão com uma atuação bem exagerada. “Parece que tem algo escrito nele.”
Qi Xia balançou a cabeça, impotente. Fazer o Oficial Li agir assim era exigir demais.
Aproveitando que o Oficial Li guiava o grupo para checar os arpões, Qi Xia foi ver como Han Yimo estava. Ele ainda parecia assustado, mas seu estado estava bem melhor do que antes.
“Han Yimo, eu te disse que dessa vez ia dar tudo certo.”
Han Yimo deu um sorriso amargo. “Qi Xia, obrigado… Mas não sei por que, eu ainda tenho a forte impressão de que os arpões vão me acertar em cheio.”
Qi Xia ia responder, mas de repente sentiu que algo estava errado.
Ainda dava para ouvir um barulho abafado de correntes vindo de algum lugar da sala.
Será que ainda tem mais arpão?
Qiao Jiajin também parecia ter percebido algo.
Havia uma corda esticada ao máximo, atravessada bem no meio da sala, pairando no ar.
“Que porra é essa?” Qiao Jiajin olhou para a corda e notou que as duas pontas estavam dentro dos buracos, bem diferente daquelas amarradas aos arpões no chão.
Qi Xia também ficou confuso.
Por que as duas pontas da corda estão dentro dos buracos?
Onde está o arpão?
Qiao Jiajin se aproximou e tocou de leve na corda, percebendo que ela vibrava um pouco. “Que estranho…”
Ele tentou dar um puxão e viu que a corda podia ser puxada para fora.
Qi Xia travou por um segundo, sacando tudo na mesma hora.
Não era uma corda “pairando no ar”. Por um puro acaso, um arpão tinha sido atirado direto dentro de outro buraco na parede, e ficado preso em um segundo arpão.
“Qiao Jiajin, não mexe nisso!”

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.