Índice de Capítulo

    O Volume 1 foi realmente muito curto. Esta frase merece uma linha só para ela.

    Quando eu estava pensando no enredo, pensei na configuração de “consumir tal coisa faz tal coisa”. Se isso não fosse usado no protagonista e se refletisse apenas nos personagens secundários, eu estaria colocando a carroça na frente dos bois. Teria sido o mesmo que criar essa configuração à toa

    Portanto, desde o início, confirmei que o protagonista precisava consumir algo. E isso, por sua vez, significava que seu avanço inicial seria um salto único para o sucesso, um salto quântico em vez de uma escalada. A satisfação convencional de um aumento progressivo de poder teria que esperar pela segunda metade. O início, em vez disso, construiria seus próprios momentos satisfatórios em torno dessa premissa de salto quântico. Já escrevi coisas semelhantes antes, mas não com frequência. Para mim, isso representa um terreno relativamente novo e não deve causar fadiga estética.

    Com essa ideia em mente, o primeiro volume estava destinado a não ser longo. Se eu enrolasse por cem ou mais capítulos e Ding Songyan continuasse sendo um mortal que, além de ser um pouco inteligente e sociável, não servisse para mais nada, a experiência de leitura provavelmente seria um desastre.

    Claro, se eu realmente quisesse fazer isso, não seria impossível. Eu teria que contar com forças externas para diminuir o nível de poder do mundo, para que o protagonista pudesse fazer mais coisas e ter mais senso de participação, em vez de ser completamente dominado e controlado — o que deixaria todo mundo ansioso.

    Após ponderar, decidi que o Volume 1 teria entre duzentos e trezentos mil palavras. Isso corresponde aproximadamente ao tamanho de uma novel de tamanho médio e é suficiente para uma saga completa.

    Assim que comecei a escrever de fato, fiz ajustes adicionais com base na minha intuição e no feedback dos leitores. Por exemplo, quando leitores atentos começaram a notar certas anomalias logo no início, durante as cenas do cotidiano da “família de cinco”, cortei uma parte significativa dessas cenas, pois muitos detalhes anormais teriam diminuído o impacto da revelação. Mantive principalmente as cenas com a irmã mais nova, já que ela é o ponto central; a história de Touro foi simplificada, mas ele ainda está presente em grande parte; as partes com os pais foram consideravelmente reduzidas, embora os momentos-chave para o desenvolvimento dos personagens tenham permanecido.

    Alguns personagens que originalmente teriam maior participação no Volume 1, como o Povo Sem Cabeça1, serão transferidos para o Volume 2. Fiz isso para garantir que o primeiro volume girasse em torno de um único evento. Não queria que Ding Songyan, com sua força de pessoa comum, participasse de muitas tramas secundárias, arrastando o ritmo da história e deixando vocês ansiosos, se perguntando: “Por que ele ainda não começou a praticar artes marciais? Quando é que ele vai treinar?”

    O motivo dele não praticar artes marciais, é claro, foi a minha intenção de fugir do convencional: no momento em que ele finalmente treinar, vai ser algo grandioso.

    Isso significa que as etapas que aparecem na maioria das histórias de cultivo marcial — Fortalecimento Corporal, Cultivo de Qi, Refinamento da Abertura — podem ser abordadas relativamente rápido mais tarde, deixando espaço para focar na Criação da Abertura, que não sei se é algo exclusivo deste livro, mas é um método de cultivo relativamente inovador.

    No final, após os ajustes, o Volume 1 foi reduzido dos cerca de oitenta capítulos que eu havia previsto para sessenta. A história foi contada de forma bastante completa, e a imagem e a personalidade dos personagens principais também foram bem delineadas

    Durante o planejamento do Volume 1, trouxe propositalmente técnicas que não parecem muito com um wuxia tradicional e que achei muito interessantes — como o bem pouco wuxia Sutra da Sabedoria do Coração Celestial e a técnica que achei super divertida, a Arte Divina Inútil.

    Dessa forma, os leitores percebem desde o início que este não é, de forma alguma, um cenário convencional de artes marciais de nível médio ou baixo, e, portanto, não levarão essa expectativa para o que vem a seguir.

    Este é fundamentalmente um mundo mitológico, repleto de entidades poderosas. Foi apenas devido à Separação do Céu e da Terra que essas artes e técnicas divinas declinaram gradualmente, dando origem à era atual. A história se inclina para o wuxia, com um limite de poder relativamente modesto. Nessas condições, o que antes eram artes divinas não desapareceu, mas apenas se enfraqueceu. Algumas sobrevivem na forma de feitiçaria; outras são absorvidas por diversas disciplinas marciais. Como resultado, coisas são possíveis aqui que não seriam possíveis no wuxia convencional, ou mesmo em muitos cenários de xuanhuan de nível médio ou baixo.

    Sei que isso difere do wuxia que os leitores imaginam. Mas se eu escrevesse apenas o tipo de wuxia que já existe na mente das pessoas, estaria apenas regredindo à era anterior ao surgimento das webnovels. Um gênero se mantém vivo se renovando constantemente. Inovação não garante sucesso, mas estagnação garante a morte.

    Se o Volume 1 ao menos deu aos leitores uma ideia geral do mundo que tenho em mente, acho que parte do que me propus a fazer foi alcançada.

    Como se trata de um romance xuanhuan com uma inclinação wuxia, haverá, obviamente, uma protagonista feminina. Ainda não posso revelar quem é. Quando os perfis das personagens forem atualizados posteriormente, todas serão listadas como personagens femininas secundárias por enquanto; assim que tudo estiver finalizado, farei as revisões.

    Além de Xiaoqing, a demônia, Irmão Cão2, Mestre, Zheng Zhuxi, Xu Chang’an e Qi Xiaoxiang, que são adições certas, há algum outro personagem que você gostaria de ver?

    Já faz dez anos que não escrevo uma história com um estilo tão oriental. Meu instinto para o ritmo da língua, meus hábitos de vocabulário e o estilo de prosa ainda estão se ajustando lentamente. Isso não acontece da noite para o dia, tenho que ir avançando um capítulo de cada vez. Peço a compreensão de todos vocês quanto a isso.

    O Volume 1 não tem muitas cenas de luta. Meu costume é que, se o protagonista não está diretamente envolvido, as cenas de luta são mantidas ao mínimo. Não há necessidade de gastar muita tinta com isso, contanto que seja o suficiente para que a mensagem seja transmitida. Caso contrário, imagine o protagonista no meio de algo crucial enquanto dois ou três capítulos detalham um personagem secundário lutando até a morte. Só de pensar nisso já me dá arrepios.

    E como uma pessoa comum, Ding Songyan só poderia lutar contra o extremamente enfraquecido Yan Changqing, porque alguém estava o suprimindo com a Impressão do Coração Celestial. Além disso, ele usou o próprio qi do oponente e contou com uma outra linha de ação oculta para ter sucesso. Se eu tivesse enfiado um monte de batalhas para ele fazer, seria impossível justificar a lógica disso.

    Isso significa que o desenvolvimento de alguns personagens secundários acaba parecendo um pouco apressado. Agora que Ding Songyan ascendeu diretamente ao nível de Grande Mestre, as coisas devem melhorar consideravelmente daqui para frente. Afinal, ele tem mais poder de combate, mais oportunidades de envolvimento e diversas tramas que podem ser entrelaçadas, sem nada que o impeça.

    O Volume 1 não apresenta tantas tramas ocultas de longa duração quanto Lorde dos Mistérios ou Círculo da Inevitabilidade — apenas duas. Isso é parcialmente intencional; para este livro, eu queria experimentar uma abordagem diferente: manter as seções iniciais e intermediárias leves, satisfatórias e repletas de justiça rápida, sem complicar demais as coisas. A transmigração, Kunlun e o mentor que manipula tudo nas sombras serão resolvidos e explicados no devido tempo. Preencher lacunas deixadas por prenúncios é algo em que sou razoavelmente bom.

    Neste volume, fiquei bastante satisfeito com o desenvolvimento dos personagens como Xiaoqing, o Irmão Cão e a demônia. Quanto à ideia de “Se a vida fosse apenas como o primeiro encontro”3, além da demônia e da família Ding, ela abrange outras pessoas também. Mas essa é uma frase que exige tempo e experiência para assentar; obviamente, toda a profundidade dela não seria esgotada apenas no primeiro volume.

    Já mencionei o título do Volume 2 antes: Quando Almas Gêmeas se Encontram, Brindo a Vocês. Sua epígrafe é “Todos os banquetes debaixo do céu chegam ao fim”.

    Uma frase fala de reunir, a outra de separar. O tema aborda os ódios e amores impetuosos do mundo marcial e os encontros e desencontros da vida. Trabalhando dentro do tema principal do wuxia, acaba sendo relativamente mais fácil de escrever. Sendo assim, este Volume 2 será formado por uma série de incidentes que não são excessivamente grandiosos; não haverá um gigantesco evento principal explosivo. Claro, essa é a linha principal explícita. As tramas ocultas continuarão fluindo silenciosamente por baixo dos panos, aguardando o seu momento.

    Como já é tradição, vou tirar uma folga de três dias e meio para organizar a timeline do Volume 2 e encontrar o tom exato que eu quero transmitir. Voltarei a publicar no dia 1º de julho, às 12h30. No dia 2 de julho, o romance entra para a versão Premium (VIP), e com certeza teremos lançamento de capítulos extras, afinal, eu tenho alguns manuscritos guardados.

    Obrigado a todos.

    1. Existe uma menção deles no capítulo 6, para quem tiver interesse.[]
    2. Ren Youyang[]
    3. Essa é a epígrafe do primeiro volume[]

    Pix da equipe:
    Vento Leste (tradutor) – cd257395-b041-4a84-ac90-7489444b88cd
    Porta (revisor) – ccb30f8a-8453-4908-a0c5-955a825ec93f
    Os outros dois integrantes, Douglas (revisor que faz as notas) e Asu (tradutor auxiliar do chinês e revisor), decidiram não colocar os deles.

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