Capítulo 2825 - Estratégia de Saída
Há algum tempo, Jet se perguntou se seria capaz de matar os seis Santos a bordo do Jardim da Noite caso eles conspirassem contra ela. Ela também se perguntou o que faria se toda a população do navio fosse feita refém ou se voltasse contra ela.
A resposta para a primeira pergunta foi… sim, provavelmente. Ela não tinha certeza, mas, no fundo, sabia que eles não sobreviveriam a uma batalha contra ela. Seu Aspecto era simplesmente letal demais, e a diferença de força física entre ela e o resto dos Santos era simplesmente enorme — nesse aspecto, ela estava mais próxima de um Supremo do que de um Transcendente.
Além de tudo isso… ela era simplesmente uma assassina. Essa qualidade inata era difícil de definir ou mensurar, mas aqueles que conheciam seu aroma fatal podiam facilmente distinguir entre quem a possuía e quem não a possuía. Desnecessário dizer que os primeiros eram muito mais perigosos.
O problema era que matar seis Santos poderosos não ajudaria ninguém. Independentemente de conseguir matá-los ou não, a humanidade sofreria uma perda irreparável — então, qual era o sentido de tentar?
Quanto à segunda pergunta, Jet sinceramente não tinha certeza. Ela sabia, no entanto, que se as coisas chegassem a esse ponto, a batalha já estaria perdida.
E embora ela tivesse lutado pela causa de seu povo até a última gota de sangue se houvesse a menor possibilidade de vitória, só um tolo continuaria a se exaurir em uma batalha que já havia terminado em derrota.
Preservar-se para lutar outro dia também era uma opção, mesmo que isso significasse entregar o Jardim da Noite e milhões de almas ao inimigo. Afinal, ela não seria capaz de arrancá-las das garras de Asterion mesmo se ficasse.
Assim, Jet esperava o melhor enquanto se preparava em segredo para o pior resultado possível.
Ela estava pronta para fugir em vez de lutar contra os seis Santos.
Infelizmente… ela realmente não esperava que Asterion viesse buscá-la pessoalmente. A presença dele ali complicava as coisas. Muito.
Olhando para Jet, Asterion deu uma risadinha.
“Isso complica as coisas, não é?”
A expressão de Jet escureceu.
Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos e então disse em tom de desagrado:
“É indelicado ler os pensamentos íntimos de uma dama.”
Asterion simplesmente deu de ombros.
“Também é indelicado projetar todos os seus pensamentos e emoções para fora como se estivesse gritando a plenos pulmões — constantemente, incessantemente, para que todos ouçam. Barulho, barulho, barulho… vocês são barulhentos o suficiente para enlouquecer qualquer um. É ensurdecedor. Passei muito tempo aprendendo a manter a sanidade na cacofonia interminável de suas almas.”
Seus lábios se curvaram em um sorriso amigável.
“Então, me perdoe por dar uma espiada nos seus planos de fuga. É verdade que você foi astuta o suficiente para esconder os detalhes de como exatamente pretendia fugir, até mesmo de si mesma… mas isso não deveria importar muito.”
O sorriso amigável de repente pareceu ameaçador.
“Deveria, Srta. Jet?”
Jet piscou, percebendo que estava encarando seus olhos dourados.
“Espere…”
O que… no que ela estava pensando? Jet sabia que tinha preparado uma estratégia de fuga. No entanto, por mais que tentasse se lembrar, não conseguia. Era como se houvesse um vazio em sua mente onde seu plano estivera… ou talvez uma parede alta que a impedia de acessar esses pensamentos.
Ela tentou disfarçar o medo e lançou um olhar para Asterion com a mesma expressão preocupada.
“Que truque esperto. Mas você acha mesmo que pode me manter aqui contra a minha vontade? Eu também sou muito bom em improvisar, sabia?”
Asterion riu.
“Eu sei. Mas por que você iria querer ir embora?”
Jet piscou novamente, confusa.
De fato. Por que ela iria querer ir embora?
Ela se lembrava vagamente de ter desejado escapar, mas não conseguia compreender o porquê. Afinal, aquela era a sua Cidadela. Seu povo estava ali; sua casa também, assim como seu belo jardim.
Não parecia haver motivo algum para sair do Jardim da Noite, e sim todos os motivos para ficar.
Asterion suspirou satisfeito.
“Pronto. Assim está melhor.”
Jet olhou para ele atordoada.
‘Não, espere. Tem algo errado aqui.’
Parecia que ela havia esquecido alguma coisa. Mas o que era aquilo? Ela não conseguia identificar.
Os outros Santos se moveram, aproximando-se lentamente do círculo rúnico. Asterion também deu um passo à frente, seus olhos dourados fixos nela.
“Agora, vamos…”
Mas antes que ele pudesse terminar a frase, algo estranho aconteceu.
Em vez de aterrissar no chão de madeira, seu pé pareceu afundar, fazendo Asterion tropeçar. Uma expressão de surpresa surgiu em seu rosto, substituída um instante depois por uma careta de dor.
“Senhorita Jet. Por acaso seu navio está tentando me devorar?”
Asterion, Andarilho da Noite e o resto dos Santos estavam afundando lentamente no chão, como se fosse areia movediça em vez de madeira sólida. Observando aquilo, Jet franziu a testa pensativamente. Então, ela sorriu.
“Ah! Agora me lembro. O plano que eu improvisei.”
Asterion olhou para ela por um instante, depois rosnou.
Ele se moveu, e o chão de madeira ao seu redor explodiu em estilhaços. Ao mesmo tempo, Andarilho da Noite — que estava mais perto de Jet — moveu o pulso, lançando uma faca de arremesso com um brilho sinistro em sua direção. A faca encantada atingiu Jet no peito… e a atravessou, como se voasse através da névoa.
Ela lançou-lhe um olhar amargo.
“Seu desgraçado. Falaremos disso mais tarde…”
No instante seguinte, Asterion estava perto dela, com a mão estendida para agarrar seu pescoço.
Mas antes que ele pudesse…
Jet desapareceu sem deixar rastro, como se nunca tivesse estado ali.
Ao mesmo tempo, ela apareceu lá embaixo, no convés principal do Jardim da Noite. Jet perdeu o equilíbrio, deu uma cambalhota e deslizou alguns metros antes de se levantar num salto. Ao seu redor, centenas de pessoas — talvez milhares — a encaravam com expressões ameaçadoras. Algumas eram mundanas, outras eram Despertas, e muitas eram Mestres.
Todos eles, porém, pareciam já estar fascinados pela Criatura dos Sonhos.
‘Estou cercada por zumbis…’
Não. Ela era a zumbi?
Agora que Jet estava longe da Criatura dos Sonhos, sua mente parecia ter se libertado da maldição. Assim, ela conseguia se lembrar do que planejava fazer e por quê.
‘Escapar, hein…’
Era mais fácil dizer do que fazer quando um Soberano desvairado estava em seu encalço.

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