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    『 Tradutor: Crimson 』


    O Castelo de Kerslin havia se transformado em um verdadeiro mar de celebração.

    Embora Greem fosse o único vencedor do torneio, isso não impediu os inúmeros adeptos que vieram de todas as regiões de ficarem extremamente animados. Afinal, considerando a recompensa anunciada pela Associação, era praticamente certo que o vencedor avançaria para o Quarto Grau.

    Assim, o que celebravam não era apenas a vitória de Greem, mas o nascimento de um novo adepto de Quarto Grau em Zhentarim — e, mais do que isso, um adepto poderoso envolto em uma aura quase lendária.

    Isso significava que o poder de Zhentarim aumentaria mais uma vez.

    Ignorando as intrigas entre os altos escalões da Associação, esse crescimento representava algo simples para os adeptos da Região Central: mais influência. Com isso, poderiam negociar com as outras três grandes organizações de adeptos em termos mais favoráveis.

    Caso contrário, os adeptos centrais eram sempre tratados com certo desdém nessas interações. Era praticamente um destino comum para todos eles.

    Naturalmente, com a vitória final de Greem, o Clã Carmesim passou a ser visto como uma força destinada a crescer ainda mais. Muitos adeptos correram para visitar seus representantes.

    Como Greem havia se ferido gravemente na batalha, permaneceu recolhido em seus aposentos, sendo cuidadosamente tratado por Emelia.

    Assim, a tarefa de receber os visitantes recaiu sobre Mary e Meryl.

    Mary lidava com a situação com naturalidade. Como uma adepto de Terceiro Grau, possuía o status e a autoridade necessários para interagir com líderes e representantes de várias organizações, mantendo elegância e postura. Já Meryl, sendo apenas de Segundo Grau, precisou reunir coragem para atender um adepto após o outro — muitos deles, inclusive, de Terceiro Grau.

    As duas recusavam com educação qualquer proposta de aliança ou submissão, explicando que decisões desse tipo só poderiam ser tomadas pelo líder do clã após sair de seu isolamento. Só então despediam os visitantes.

    Por outro lado, sempre que alguém oferecia presentes como demonstração de boa vontade, aceitavam com alegria, registrando cuidadosamente o nome e a origem de cada visitante.

    Apesar de muitos adeptos possuírem personalidades difíceis, nenhum deles ousou tratar Meryl com arrogância, mesmo sendo ela de grau inferior.

    Como resultado, aqueles dias foram simplesmente inesquecíveis para ela.

    Em poucos dias, Meryl praticamente conheceu todos os adeptos de Terceiro Grau da Região Central. Além disso, todos foram educados e amigáveis. Como se não bastasse, recebeu inúmeros presentes — desde pequenos acessórios de Primeiro ou Segundo Grau até itens raros que só havia visto em livros. Seu anel de armazenamento logo ficou quase cheio.

    Enquanto Meryl vivia esse momento, Greem permanecia em seu quarto.

    Deitado em uma cama de pedra, ele relaxava em silêncio enquanto ondas de luz verde emanavam das mãos de Emelia, tratando seus ferimentos.

    Emelia possuía afinidade com o atributo planta. Após assimilar a alma da misteriosa princesa dos esporos, sua afinidade havia alcançado um nível impressionante. Entre todos os tipos de magia de cura, o atributo planta era reconhecido como o mais suave e com menos efeitos colaterais.

    À medida que as ondas verdes envolviam Greem, os ferimentos em seus olhos se estabilizavam.

    Deitado, ele sentia partículas de vida frescas penetrando em seus olhos, acalmando seus globos oculares quase carbonizados.

    Finalmente, pôde relaxar completamente e cair em um sono profundo.

    Remi, entediado, permanecia sentado em um canto do quarto, contando os dedos enquanto vigiava o local junto à máquina mágica.

    Afinal, Emelia não era Mary nem Meryl. Por mais leal que parecesse, Greem ainda não confiava sua vida completamente a ela.

    Esse descanso durou dois dias inteiros.

    Quando Greem despertou, sentindo-se revigorado, seus olhos já estavam totalmente recuperados — como se nunca tivessem sido feridos.

    Não havia como evitar.

    Usar a Origem do Fogo para criar o fogo primordial que era um tipo de princípio do fogo. Mesmo que os princípios contidos nele fossem fracos, ainda não eram algo que olhos humanos frágeis pudessem suportar sem consequências.

    Greem havia usado seus próprios olhos como guia para acender o Fogo Primordial dentro do corpo de Gallow à distância. Naquele instante, seus olhos se tornaram o ponto de conexão — o núcleo através do qual o Fogo Primordial se manifestava.

    Um princípio do fogo como aquele poderia causar danos devastadores ao inimigo, mas também representava um fardo imenso para o próprio Greem, que ainda não possuía qualquer proteção baseada em princípios.

    Seus olhos, sobrecarregados, resistiram por apenas dois segundos antes de serem queimados até se transformarem em cristais carbonizados pelo fogo de princípio. Se não fosse por seu Corpo de Chamas, que lhe concedia imunidade à maior parte dos danos de fogo, seu corpo inteiro teria se incendiado naquele momento.

    Mesmo tendo sofrido uma reação tão terrível, Greem estava extremamente satisfeito.

    Isso porque a ativação bem-sucedida do Fogo Primordial provava que a porção de princípios do fogo que o Chip havia deduzido estava correta. Desde que continuasse trilhando esse caminho, aquele passo crucial rumo ao Quarto Grau deixaria de ser um sonho distante — e se tornaria uma realidade alcançável.

    Ainda assim, essa batalha também expôs claramente suas fraquezas: a inferioridade de sua linhagem e a fragilidade de seu corpo.

    Para ser franco, sem o auxílio do Chip e sem os inúmeros encontros fortuitos que teve ao longo do caminho, o Terceiro Grau já teria sido o limite de seu potencial. Avançar sequer um passo além disso seria praticamente impossível com seu talento e sua linhagem humana.

    Mesmo com o Chip e com substâncias de origem, mal conseguiria alcançar o Quarto Grau antes de esgotar completamente o potencial de sua alma. A partir daí, perderia o impulso necessário para continuar evoluindo.

    Princípios…

    O que exatamente eram princípios?

    Em essência, eram uma forma de utilizar o poder. Com o corpo como ponto de apoio e o Espírito como alavanca, era possível mover as forças fundamentais que sustentavam o sistema do mundo, usando capacidades pessoais extremamente limitadas.

    Isso permitia a alguém exercer um poder dez vezes, até cem vezes maior do que antes.

    Era um tipo de poder impossível de alcançar apenas com meditação e cultivo rigoroso.

    Era como o estômago humano.

    Por mais nutritiva ou deliciosa que fosse a comida, havia um limite para o quanto se podia ingerir. Uma vez saciado, não havia espaço para mais nada.

    O sistema energético humano funcionava da mesma forma: capacidade limitada, digestão lenta e eficiência extremamente baixa. Nessas condições, os humanos jamais poderiam competir de igual para igual com criaturas mágicas selvagens.

    Era preciso reconhecer: o fato de a humanidade ter aprendido padrões mágicos e estruturas rúnicas observando criaturas mágicas foi um verdadeiro milagre.

    Foi esse milagre que permitiu aos humanos encontrar um atalho, superar essas criaturas e dar origem à estranha e poderosa civilização dos adeptos.

    Ainda assim, por mais que evoluíssem, os adeptos humanos continuavam presos às limitações de sua linhagem inferior e de sua vida curta. Eles podiam dominar seu próprio plano, mas jamais rivalizar com as grandes raças que transcendiam mundos inteiros.

    Não… Não até dominarem o poder dos princípios.

    Os princípios eram como armas lendárias.

    Nas mãos dos adeptos humanos, permitiam liberar um poder extraordinário mesmo com corpos frágeis e linhagens inferiores. Foi graças a eles que os adeptos conseguiram alcançar o topo da cadeia alimentar do universo, tornando-se entidades capazes de rivalizar com Deuses, Dragões, Titãs e Flagelos.

    No entanto, aquilo que limitava a capacidade dos adeptos de compreender e dominar os princípios continuava sendo o mesmo de sempre: linhagem e talento.

    Tomemos os Titãs como exemplo.

    Quase todos eram seres poderosos nascidos diretamente da vontade do multiverso.

    Já os adeptos humanos… precisavam atravessar sucessivas seleções e eliminações sangrentas apenas para dar o primeiro passo — deixando de ser humanos comuns e se tornando adeptos por meio de meditação dolorosa e esforço incessante.

    Os Titãs não precisavam passar por esse processo!

    Mesmo um Titã recém-nascido já era capaz de absorver energia mágica ao nascer. Era um talento racial gravado diretamente em suas almas. Enquanto os adeptos humanos precisavam meditar dia e noite para acumular poder mágico, os Titãs simplesmente absorviam essa energia como se estivessem respirando.

    Enquanto os adeptos humanos avançavam com dificuldade, passo a passo, ao longo de um caminho árduo, os Titãs apenas precisavam buscar energia mágica como alimento e cresceriam naturalmente, tornando-se existências poderosas — algo que os humanos dificilmente poderiam igualar.

    O desenvolvimento dessas duas raças era completamente distinto, e tudo se resumia à diferença em suas linhagens e talentos raciais.

    Neste ponto de sua evolução, Greem finalmente compreendeu com clareza a dificuldade de avançar como um adepto humano.

    E foi por isso que um pensamento incomum surgiu em sua mente: melhorar… ou até alterar sua linhagem.

    A linhagem de besta estelar que havia obtido no Plano Henvic era, sem dúvida, uma oportunidade nesse sentido!

    Além disso, Greem percebeu que várias partes de seu corpo ainda podiam ser aprimoradas.

    Primeiro: o Coração de Demônio Flamejante de Segundo Grau já estava completamente ultrapassado.

    Como havia ficado evidente nessa batalha, não apenas o coração deixou de ser útil, como também passou a prejudicar seriamente o uso de seu poder. Substituí-lo por um coração mais compatível com suas habilidades de fogo era o caminho correto.

    Segundo: o equipamento mágico que ele utilizava atualmente — o conjunto de Segundo Grau Trono de Fogo, combinado com diversos itens de outros planos — até aumentava seu poder em combate, mas não era totalmente compatível com seus talentos naturais.

    Era apenas um conjunto provisório, destinado a uso temporário.

    Se quisesse continuar evoluindo, Greem precisaria buscar equipamentos de atributo fogo que fossem verdadeiramente compatíveis com sua alma.

    Após refletir por algum tempo, começou a organizar mentalmente todos os passos que precisava tomar a seguir, analisando cada detalhe com cuidado.

    Somente quando conseguiu estruturar um plano claro e coerente é que finalmente abriu os olhos — agora aliviado.

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