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    Chegando aos limites, próximo ao norte Aka, uma fronteira de soldados vermelhos abriram espaço para as máximas autoridades. Yanaho descia rotando seu olhar de um lado para o outro, notando Senshis completamente preparados para qualquer urgência. 

    — Sigam rumo, eu irei esperar aqui — disse o Rei sem nem ao menos sair do veículo. 

    Seguindo rumo a uns estábulos, o Supremo conversava com uma companhia de guerreiros, no qual um se deslocou junto a ele para as cercas da fronteira da capital. Ryoma se aproximava do garoto uma última vez, pegando em seu ombro. 

    — Estamos nos preparando para enviar mais reforços, então consegui que um Senshi te conduza até a capital Kiiro, lá você será instruído por um dos principais que enviamos. 

    — Sim senhor — disse Yanaho, com uma expressão diferente, seguindo em frente para o cavalo que o esperava. 

    — Garoto, não posso deixá-lo ir sem antes perguntar — pressionou a mão no ombro — tem certeza do que está fazendo? 

    — Não preciso de certeza para fazer o que é certo. O mundo é muito grande, mas se eu tiver nem que seja uma pequena utilidade… eu preciso ir. 

    — Entendo — retirava a mão do ombro do garoto, indo em direção contrária — cumpra o seu dever! 

    Indo mais a frente, seu acompanhante já montado em um cavalo, encarava a aproximação do garoto da cabeça aos pés:

    — Você é o garoto então, prazer Tokito. 

    — Sou Yanaho Aka — respondeu subindo em seu cavalo — é um prazer. 

    Os dois partiam em velocidade por uma rota alternativa, em direção à capital Oásis. Com os trotes ressoando, Yanaho olhava para trás por um momento franzindo as sobrancelhas em determinação, se lembrando das antigas palavras de seu primeiro companheiro:

    “Vou fazer grandes mudanças se for preciso! Se acha que é pequeno para mudar as coisas, comece pelos detalhes, assim como foi naquela promessa. O que não podemos fazer é ficarmos parados sem fazer nada.”

    “Eu sempre quis que minha vida valesse a pena, sempre quis ser útil. Então… mesmo que eu seja muito pequeno, esse mundo precisa de grandes mudanças, não é mesmo, Suzaki?”, concentrou seu olhar para frente. “Eu vou voltar, Mestre, Pai!” 

    As cavalgadas intensas diante a estrada de terra, diminuíram assim que os trotes dos animais afundaram a areia. Percorrendo alguns quilômetros, debaixo de um sol escaldante, os dois soldados se aproximavam de uma grande fronteira, com muros altos e largos portões guardados.

    Ao se aproximarem de uma das cidades centrais, se identificaram sendo escoltados rumo à capital Oásis por Kishis, enquanto um informante corria para a mesma. 

    — Não está com medo garoto? — perguntou o Senshi que o acompanhava. 

    — Se dissesse que não, estaria mentindo — respondeu no cavalo ao lado. 

    — Então por que se voluntariou para vir? 

    — Isso não tem a ver com meu medo, e sim com o que preciso fazer — os dois se encararam por um momento, enquanto conduziam os cavalos — sei que posso parecer um jovem medroso, mas eu sou útil.

    — Ter medo não é o problema, mas sim como você corresponde a ele. Afinal, eu também estou com medo — segurou suas vestes no peito — meu pai é um dos comandantes das primeiras vilas atacadas.

    — Eu-eu sinto muito — respondeu Yanaho.  

    — É uma ou outra — disse Tokito cerrando a face — Eu vim para salvá-lo ou vingá-lo! 

    Percorrendo as cidades o comboio de homens armados eram observados pelas pessoas ao redor, quanto maior a aproximação da capital, mas pessoas se amontoavam em volta, seja por informações ou por curiosidade. 

    Foi então que uma grande carruagem estacionada podia ser avistada pelo Yanaho, interrompendo a rota para a capital. Com a aproximação os Kishis se ajoelharam perante o veículo. 

    — Temos que levá-los logo — disse a mais alta com cabelos longos amarelados nas pontas — receba-os formalmente, Hoshizora. — terminou cruzando os braços. 

    Com a ordem dada pela mãe, a princesa descia o veículo formalmente, com a ajuda de um dos guardas. Apontando na direção dos visitantes, ela correu para recebê-lo, disparando na frente até de seus acompanhantes.

    “Aquela é a… Hoshizora?”, pensou Yanaho, fazendo reverência junto com o outro Senshi

    — Yanaho?! Por que está aqui?

    — Faz muito tempo, princesa, mas eu vim ajudar.

    De sobressalto, ela o abraçou e ainda segurando-o em seus braços, continuou a falar: 

    — Então você tem que ir, o pelotão de interceptação já está pronto.

    Juntos, o grupo embarcou rumo ao ponto de saída das tropas, nos muros de Oásis. Quando a carruagem estacionou, Yanaho e os Senshis se juntaram a um grupo de homens que formavam à frente do patriarca. Kusonoki, que estava ao seu lado, abriu um largo sorriso ao ver os novos integrantes.

    — Veja — ele cutucou Osíris — o Supremo trouxe reforços para nós.

    — Patriarca, entre eles está — Susumo coça os olhos — Não pode ser, outra criança? Esse desrespeito não para?

    — Esse rapaz, não me é estranho. Kusonoki, eu preciso saber o que está acontecendo.

    O Principal correu na direção de Yanaho para interrompê-lo, na medida que os novos Senshis se juntavam ao pelotão.

    — Eu sei o que parece — Yanaho já começava a se explicar — Mas eu vim com a permissão do Supremo. Vocês queriam um Shiro, eu sou sua melhor opção. 

    — Você é o aluno de um deles? — Kusonoki começou a girar em volta do garoto — Se o Supremo o enviou isso só pode significar uma coisa.

    — Sim, senhor. Me chamo Yanaho e posso superar o poder ocular dos Kuro.

    As palavras do mirim arrancaram um sorriso em Kusonoki, que acenou para Susumo e seu mestre com fervor: 

    — Patriarca, Susumo, mudança de planos!

    O Principal e os outros dois se uniram numa roda. De tempos em tempos, ele apontava para Yanaho enquanto explicava algo para os Kiiro que o próprio garoto não conseguia entender pela distância entre eles. 

    “Aquele é o Patriarca Osíris, o responsável por aquilo tudo anos atrás”, cerrava o punho, lembrando de seu pai.

    — Hoshi me contou que você veio, e pediu para eu vim avisá-lo de não fazer dessa tragédia algo pior — agarrava o braço do mirim de repente.

    — Alteza? — o garoto jogou as mãos para trás.

    — Você era a última pessoa que esperava ver aqui — Yasukasa o rodeava, o olhando da cabeça aos pés — devo admitir, está parecendo um lutador de verdade agora.

    — Então você faz parte desse pelotão também?

    — Escute bem — apertou seu braço e inclinou seu rosto para perto dele — Ser um lutador não é o bastante aqui. Pode ter treinado todo esse tempo, mas agora é diferente. Está sozinho agora, não terá eu ou outro alguém para te salvar. 

    — Então… — ele olhou de lado para Osíris, que ainda estava em reunião com Susumo e Kusonoki — Seu pai está protegendo você. 

    — Ele é maluco de confiar em você ao em vez de mim — Yasukasa engrossou a voz. 

    — Acho que não é sobre confiança, mas sim um cálculo de riscos, eu tenho algo aqui que mais ninguém tem. 

    — Pois bem — ela puxou a espada da cintura de Yanaho — Está vendo essa lâmina? Eu quero que se lembre da nossa promessa dois anos atrás.

    — Eu vim aqui para isso.

    — Você precisa impedi-los a qualquer custo — segurou o cabo da espada de Yanaho com força, a empurrando contra o peito do mirim — Eles destruíram vilas, mataram pessoas do meu povo e do seu também.

    — Eu farei o que for necessário — ergueu a mão para agarrar a espada.

    — Faça mais! — ela pegou na mão de Yanaho e a desceu contra o cabo para que ele o agarrasse — Seus Senshis mais fortes não estão vindo. Não terá nem eu, nem mesmo Suzaki ou algum Shiro para te salvar. Então… Não retenha sua espada. 

    — Eu… — antes que o rapaz pudesse dizer qualquer coisa, Kusonoki apoiou as mãos nas costas dos dois.

    — Princesa, vamos precisar de você em outro lugar. Yanaho precisa ouvir o plano antes de partirmos.

    Yasukasa não protestou. Como gesto de despedida, ela acenou com a cabeça para Yanaho, tirando suas mãos da espada do jovem antes de voltar para dentro da murada. 

    — Sem tempo a perder, Yanaho — Kusonoki o empurrou para frente, na direção de Susumo e Osíris.

    — Bem, filho — Susumo cruzou os braços — É melhor que seja tudo que disseram de ti.

    — Nosso objetivo com essa incursão é mudar o curso deles, Yanaho — Kusonoki apontou para frente, para a direita do rapaz — Queremos tirá-los de Oásis para um lugar onde teremos vantagem. Essa é a tarefa dos mais velhos.

    — Eu não vou fazer parte disso?

    — Vai, mas com uma leve diferença. Já que você é imune, queremos que estude o inimigo. Até agora, pouco sabemos a quantidade de adversários, muito menos sua real força. Testemunhas se contradizem porque perderam a visão ou pior.

    — Você será protegido pelos Kishis — explicou Susumo — Deverá fazer um reconhecimento do inimigo e voltar com a dimensão do que estamos enfrentando.

    — Exatamente — disse Kusonoki, agachando até a altura de Yanaho para falar-lhe frente a frente — Você nos dará as peças para um contra-ataque a altura. Posso contar com você? 

    As sobrancelhas de Yanaho encolheram, seu rosto se fechou em um aceno positivo: 

    — Sim, senhor!

    Depois de ser despachado para o pelotão, ele andou até o cavalo que sobrou guardando sua espada na cintura durante o caminho. Olhando para trás uma última vez, reparou que Osíris ficou afastado desde a conversa com Kusonoki. 

    O patriarca estava vigiando o pelotão de trás, apoiado no muro, quando Susumo chegava nele para conversar. Já sem tempo, Yanaho estalou as rédeas, partindo junto com o grupo. 

    O pelotão seguia em duas formações distintas. Os Senshis mais à frente, posicionados como uma flecha, enquanto mais atrás os Kishis cavalgavam em bloco, com Yanaho resguardado no limite da formação. 

    Na cabeça da flecha Aka, o comandante sinalizou que o Senshi ao lado assumisse o controle da formação para que reduzisse a velocidade. Não demorou muito para o responsável alinhar seu cavalo com as tropas Kiiro, ficando lado a lado do mirim. 

    — Imagino que nunca esteve numa situação dessas antes — sugeriu o Senshi

    — Não, senhor. 

    — Então aconselho que escute bem nossas ordens — dizia o comandante — qualquer deslize não vai comprometer só a sua vida, como de todos aqui. 

    — Estou ouvindo, senhor. 

    — Jirato! — chamou pelo Kishi.

    — Sim, Gyuta — se aproximou dos dois. 

    — A tropa será dividida em duas frentes a princípio — explicou Gyuta, fitando seus olhos com as dunas à frente — sendo eu comandante da linha de frente com os Aka, e Jirato da retaguarda com os Kiiro. 

    — Exato — tomou a palavra Jirato — com os relatos dos sobreviventes, é quase certo que eles virão com aquela fumaça novamente.

    — Quando isso acontecer, formaremos uma terceira linha. Qualquer Senshi pego no poder ocular, deve recuar imediatamente para a retaguarda, onde você ficará também, garoto — disse trotando mais rápido — Jirato irá lhe instruir do resto. 

    Com o cavalo do comandante se distanciando junto ao dos Senshis, Yanaho desacelerou lado a lado com os Kishis, enquanto Jirato tomava a frente, ficando entre as duas linhas. 

    — Você é muito novo para estar aqui — outro soldado se aproximou do jovem — Qual seu nome? 

    — Sou Yanaho Aka. 

    — Minha família estava na última vila, mas não os achei nas carroças evacuadas — dizia trêmulo. 

    — Eu… não sei o que dizer — engoliu seco.

    — Tenho esperança de que foram apenas capturados, mas penso que dá mesma forma que eles não deveriam passar por isso, uma criança como você também não deveria. 

    — Mas eu estou aqui e pronto! — o aumento de tom de voz chamou atenção dos Kishis ao redor.

    — Sou Yakiho, e se me for concedido um suspiro a mais após esse confronto, me lembrarei de você — disse olhando para os raios de sol por um momento — Obrigado por ajudarem. 

    — Nós vamos conseguir, não se preocupe — respondeu Yanaho, ao tempo que o suor escorria sob sua cabeça. 

    Percorrendo as dunas, os gêmeos cobriam suas cabeças do Sol com as capas ensanguentadas de Senshis, quando avistaram cavalos se aproximando.

    — Estão tentando nos atrasar? — perguntou Nagajiyu, olhando para o irmão — quem fugiu deve ter nos relatado.  

    — Vieram mais cedo do que pensei, sem casas para queimar, muito menos fumaça para nós — disse Hirojiyu sacando sua espada.

    — Isso não será problema — seu irmão respondeu, abrindo a bolsa e vendo a quantidade de bombas disponíveis.

    Tomando uma das esferas nas mãos, Nagajiyu deixou a bomba rolar duna abaixo antes de estourar numa névoa negra. Mais a frente, o grupo estacionava seus cavalos diante do obstáculo disforme. Os Kishis recuaram, ainda montados, enquanto os Senshis desceram de seus cavalos.

    — São eles! — gritou Gyuta na dianteira — Fiquem em formação! Não morram antes de cumprirem o objetivo!

    “É agora… não vou deixar nada disso ser em vão!”, pensou Yanaho enquanto puxava as rédeas, junto aos outros Kishis.

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