Capítulo 656 – Cristal Misterioso
『 Tradutor: Crimson 』
Um homem de túnica longa saiu de entre os pilares de pedra caídos; ele segurava uma longa lança e usava uma máscara estranha.
Observando com mais atenção, a lança era semelhante àquela que as estátuas guardiãs do templo seguravam. Os padrões na máscara eram os mesmos esculpidos nas pedras da cidade.
De acordo com o conhecimento de Ouyang Shuo, o estilo desses padrões lembrava a civilização maia das lendas. A pessoa diante dele era claramente alguém de Atlântida.
De forma peculiar, um cristal roxo do tamanho de um polegar pendia de seu pescoço. O cristal tinha formato octogonal e, sob a luz do mar, parecia extremamente misterioso.
A única pena era que o cristal estava opaco, sem brilho.
Ao ver aquele homem, Ouyang Shuo estreitou os olhos.
“Quem é você? Por que não mostra seu verdadeiro rosto?”
“Pessoa destinada, por favor, siga-me.”
O homem mascarado não respondeu; apenas se virou e caminhou para o interior das ruínas.
“Sigam!” Ordenou Ouyang Shuo de forma decisiva.
Atlântida havia se tornado a única esperança da esquadra, então ele não tinha escolha.
Ao seguir o homem pelas ruínas, sentiu um choque profundo. Antes, havia visto apenas a ponta do iceberg.
Templos mais grandiosos, estátuas mais refinadas e pilares de pedra ainda maiores surgiam por toda parte. Até mesmo apenas a cabeça de uma estátua enterrada na lama tinha cinco metros de altura.
Ouyang Shuo não pôde deixar de pensar na estrutura circular da cidade. Era evidente que estavam avançando para o centro. Mesmo em ruínas, ainda era possível perceber o quão rígidas e restritas eram as camadas internas.
Eles caminharam por uma hora inteira até chegarem a um templo majestoso.
O templo estava localizado no centro da cidade, indicando que aquele lugar ocupava a posição mais elevada no coração daquele povo.
“Pessoa destinada, peça aos seus guardas que esperem do lado de fora. Apenas você pode entrar,” disse o homem mascarado.
Ouyang Shuo hesitou por um momento. No fim, impediu Chen Dameng e os outros de insistirem e disse:
“Esperem aqui fora. Se tiverem tempo, procurem mais dispositivos de respiração subaquática e outros itens nas ruínas.”
O dispositivo de respiração era um item valioso. Durante a vinda até ali, Ouyang Shuo não teve tempo de coletá-los, mas agora não pretendia desperdiçar a oportunidade. Além disso, poderiam existir outros tesouros.
“Sim, meu Lorde!” Chen Dameng assentiu.
Após tanto tempo ao lado do Lorde, ele já entendia bem seu estilo. Embora parecesse agir de forma casual, na verdade era extremamente cauteloso. Se pediu para esperarem fora, provavelmente não havia perigo imediato.
Ouyang Shuo levou Verdinho e seguiu o homem mascarado para dentro do templo.
No salão principal erguia-se uma impressionante estátua de um homem belo. Ele tinha uma barba cheia; na mão esquerda segurava um tridente, e na direita, uma enorme concha.
“Deus do Mar Poseidon?” Exclamou Ouyang Shuo.
Wuu!
Ao ver a estátua, Verdinho soltou um rosnado de desagrado.
“É o deus do mar,” disse o homem mascarado, lançando um olhar para Verdinho enquanto caminhava em direção ao lado esquerdo do salão. Ali havia uma escada de madeira que levava para baixo.
Ambos os lados da escada eram sombrios, cobertos por algas marinhas. Um descuido e alguém poderia facilmente escorregar. Estranhamente, quanto mais desciam, mais claro ficava — como se a fonte de luz viesse de baixo.
Ouyang Shuo ainda refletia sobre isso quando, após cerca de cinco metros, um brilho azul-claro surgiu. Era uma luz verdadeiramente misteriosa.
Uma barreira misteriosa impedia que a água do mar entrasse. Através da luz, Ouyang Shuo conseguiu ver vagamente uma cidade.
“O que é isso?” perguntou, surpreso.
“Esta é a nossa terra de fortuna,” respondeu o homem mascarado, incapaz de esconder a tristeza.
“….”
Enterrados nas profundezas do oceano, sem jamais ver a luz do dia e vivendo por incontáveis anos debaixo d’água — isso definitivamente não podia ser chamado de sorte para nenhuma civilização.
Ele atravessou a barreira de luz sem qualquer resistência, e a visão diante de seus olhos o deixou boquiaberto. Eles estavam no topo de um penhasco; ao olhar para baixo, ele viu cachoeiras e riachos, aves e vegetação — uma paisagem digna de pintura.
Diversos lagos azulados espalhavam-se por toda parte. Pequenos barcos flutuavam sobre eles; algumas pessoas pescavam, com expressões despreocupadas e felizes.
À beira dos lagos, belas mulheres lavavam roupas, enquanto crianças brincavam — uma cena verdadeiramente alegre.
Inúmeras construções refinadas estavam escondidas entre a vegetação exuberante, como um paraíso isolado do mundo. Era completamente diferente da imagem desolada que Ouyang Shuo havia imaginado.
Por isso, era possível perceber a grandeza do governante de Atlântida.
Ele suportava toda a dor e solidão sozinho. Para as pessoas comuns, aquela vida já era algo extraordinário.
Pensando nisso, Ouyang Shuo lançou um olhar para a pessoa ao seu lado.
Ele reconheceu o cristal roxo pendurado em seu pescoço. O dono daquele cristal certamente era um membro central — um dos mais importantes — da raça de Atlântida.
Talvez por notar o olhar de Ouyang Shuo, ou talvez por estarem em casa, a pessoa retirou a máscara.
Por baixo dela, havia uma jovem mulher. Cabelos longos e vermelhos como fogo, olhos azul-escuros, cílios longos, traços delicados e lábios cheios — sua beleza era impressionante.
Ao ver seu rosto, Ouyang Shuo ficou momentaneamente sem reação.
“Olá, meu nome é Kalia. Bem-vindo à Atlântida.” Sua voz era clara e suave; a rouquidão anterior havia sido apenas um disfarce.
Ouyang Shuo apertou levemente sua mão branca e delicada, soltando-a logo em seguida.
“Olá, sou o jogador Qiyue Wuyi.”
Kalia era, sem dúvida, uma grande beldade. Mesmo com o manto cobrindo seu corpo, era evidente seu corpo sedutor. Além disso, havia nela uma aura única do povo de Atlântida — algo verdadeiramente encantador.
Mas Ouyang Shuo não era alguém comum. Ele sabia que a beleza era apenas aparência; podia apreciá-la, mas não se deixaria levar. Seu coração já era firme como pedra.
Ao perceber que os olhos dele continuavam claros e focados, Kalia achou estranho. Afinal, ela era considerada a mais bela de sua raça, e muitos já haviam se encantado por ela.
Desde pequena, crescera cercada de elogios. Era a primeira vez que encontrava alguém indiferente à sua beleza. Naturalmente, ficou curiosa.
“Os peixes dos lagos estão diminuindo, e a vida das pessoas está ficando cada vez mais difícil. Se continuar assim, em menos de dez anos, este lugar estará acabado.” Kalia olhou para a cidade abaixo do penhasco, desanimada.
“Não se preocupe. Você não precisa esperar dez anos — pode viver na superfície agora mesmo.” consolou Ouyang Shuo.
Ao ouvir isso, seus olhos brilharam, e ela juntou as mãos com entusiasmo.
“É verdade! Os céus nos trouxeram uma pessoa destinada!”
Cof. Sob aquele olhar intenso, Ouyang Shuo se sentiu um pouco desconfortável.
“O que devemos fazer agora?”
“Vamos, eu te levo até lá embaixo!”
“Como vamos descer?”
Ouyang Shuo ficou surpreso. Afinal, estavam no topo de um penhasco de mil metros.
Kalia sorriu, atravessou uma pequena porta e chegou ao lado direito do penhasco. O local era amplo e vazio, transformado em um enorme salão.
No centro, havia a estrutura esquelética de uma criatura semelhante a um tubarão.
Mas não era um tubarão comum. Ouyang Shuo percebeu claramente que ela emitia um brilho dourado. Era, sem dúvida, uma estrutura artificial feita de metal dourado.
Ao ver algo tão sofisticado, sua impressão sobre a tecnologia atlante mudou completamente. Com o nível atual de Shanhai, nem sequer conseguiam produzir papel ilustrado.
Observando melhor, percebeu que aquilo era, na verdade, um dispositivo voador, com asas laterais e uma cabine no centro para passageiros. Não havia nenhum sistema eletrônico.
Toda a estrutura era coberta por gravações complexas, semelhantes às presentes nos edifícios.
Parecia que essa técnica de gravação era um dos pilares da tecnologia deles — aplicada em construções, ornamentos e máquinas.
Kalia sentou-se no assento do piloto, inseriu o cristal roxo em um encaixe e girou para a esquerda.
Com um kacha!
O “tubarão” ganhou vida e começou a emitir um som grave e vibrante.
Os padrões no “tubarão” brilharam com um tom azul. Ouyang Shuo, atento, percebeu que, ao retirar o cristal roxo, ele havia perdido ainda mais seu brilho.
“Que incrível!”
A mente de Ouyang Shuo se encheu de pensamentos. Era evidente que o cristal servia como fonte de energia para movimentar o dispositivo.
“Entre!” Kalia acenou para Ouyang Shuo, que ainda estava atônito.
“Oh!” Ele se levantou e sentou-se no lado esquerdo da cabine.
O dispositivo voador em forma de tubarão não era grande — lembrava um caça da Segunda Guerra Mundial, com espaço apenas para duas pessoas.
Sentado ao lado de Kalia, Ouyang Shuo pôde sentir levemente o perfume único que emanava dela — o aroma delicado de uma jovem.
Provavelmente era a primeira vez que Kalia ficava tão próxima de um homem, pois seu rosto ficou levemente corado. Ela controlou o dispositivo, afastando-se do penhasco e descendo em direção à cidade.
Observando Atlântida do alto, embora fosse refinada, era muito menor do que as ruínas — provavelmente do tamanho de uma pequena cidade.
Eles eram como pássaros presos em uma gaiola.
Ouyang Shuo compreendeu suas preocupações. A liberdade era algo que todos desejavam. Afinal, ninguém queria viver isolado daquele jeito até o fim da vida.
Em menos de dez minutos, o dispositivo pousou na praça do castelo, no centro da cidade.
“Este é o nosso palácio imperial,” Apresentou Kalia.
Ao vê-la entrar diretamente no palácio, os olhos de Ouyang Shuo brilharam.
A identidade dela definitivamente não era comum. Mesmo em decadência, Atlântida ainda era um grande império, com forte segurança. Não era qualquer pessoa que poderia entrar e sair livremente do palácio.
A única explicação era que ela fazia parte da família imperial — provavelmente uma princesa.
Princesa? Pensou Ouyang Shuo consigo mesmo.

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